sábado, 16 de abril de 2016

Cálculo simples: O placar do impeachment e a manipulação da imprensa

Nao_Vai_Ter_Golpe03_Bandeira
Cansado de tantos placares e notícias que parecem mais querer influenciar a decisão do que propriamente fornecer bases sólidas para uma avaliação coerente, resolvi eu mesmo fazer um raciocínio numérico sobre a decisão de domingo, dia 15/4, em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Para facilitar, resolvi contar os votos governistas, que precisam ser de apenas 33,3% (172 votos) dos deputados federais. Faço uma conta pessimista, do ponto de vista do governo, que é quem precisa do menor número. Desta forma, consigo uma margem de erro bem baixa. Não podemos esquecer que quem deve buscar os votos certos é a oposição, já que a abstenção – legítima no processo democrático –, favorece o governo.
Vamos partir do princípio de que o governo começa com todos os votos do seu partido (o PT) e do PCdoB, certo? Logo, Dilma parte de 68 votos (57 + 11).
Já há uma manifestação clara dos parlamentares do PSOL que, embora não apoiem Dilma, consideram o impeachment um “golpe institucional”, conforme nota da bancada. Todos os 6 parlamentares já se pronunciaram. Logo: 68 + 6 = 74.
A Rede Sustentabilidade se posicionou contra Dilma, por meio de Marina Silva. Mas 2 de seus parlamentares – Aliel Machado (PR) e Alessandro Molon (RJ) – já se posicionaram contra o impeachment, inclusive na comissão de admissibilidade. Temos: 74 + 2 = 76.
O PSB saiu do governo em 2013. Logo, dos seus 30 votos, 3 se declararam contra o impeachment. Então: 76 + 3 = 79.
O PDT tem 20 votos, mas 2 se declararam a favor do impeachment. Dos restantes, 7 estão indecisos e 12 se declararam a favor de Dilma. Mas, um deles (Flávio Nogueira – PI), é suplente e deve sair para ser substituído pelo titular do mandato. Como ele não se posicionou, sobram 11 certos, na pior das hipóteses: 79 + 11 = 90.
O PP orientou voto a favor do impeachment, mas avisou que não haverá punição para dissidentes e abriu uma votação interna. Nela, dos 51 parlamentares, 9 se posicionaram ao lado do governo. Então, temos 99 + 9 = 99.
O PSD foi o assunto do dia. Seu líder, que é o presidente da comissão do impeachment, disse que, após consulta à bancada, está contra Dilma. Mas não divulgou números. 5 deputados fizeram manifestações públicas a favor de Dilma e 15 estão indecisos, sobrando 17 que podem ser contabilizados contra a presidente. Vamos somar só os 5: 99 + 5 = 104.
O PRB tem 22 parlamentares. Apenas 1 se posicionou a favor de Dilma e ainda existem 9 indecisos. Se todos esses se posicionaram contra Dilma, sobrará apenas 1. Improvável, mas sigamos pessimistas: 104 + 1 = 105.
Do PTN, 4 deputados são a favor do impeachment, 6 estão indecisos e 3 são contra. Mantenhamos nosso raciocínio o pior possível, do ponto de vista do governo: 105 + 3 = 108.
No PTB, dos 19 parlamentares, 4 do Nordeste – Arnon Bezerra (CE), Adalberto Cavalcanti (PE), Paes Landim (PI) e Pedro Fernandes (MA) – ficam com Dilma e o partido já anunciou que não haverá punição. 108 + 4 = 112.
No Prós, houve uma articulação para que os parlamentares a favor do impeachment fossem substituídos pelos suplentes na comissão de admissibilidade. Os 2 eram a favor. A bancada é de 5 e 3 estão contra o impeachment. Logo, 112 + 3 = 115.
No PT do B, dos 4 parlamentares, 1 está indeciso e 2 são a favor do impeachment. O que sobra é vice-líder do governo na Câmara e já se manifestou na comissão de admissibilidade contra o impedimento. 115 + 1 = 116.
No PHS também há apenas um apoio já declarado, da bancada de 7. 116 + 1 = 117.
No PTN, da bancada de 13, 2 deputados já se posicionaram contra o impeachment e 4 estão indecisos. Mantenhamo-nos pessimistas: 117 + 2 = 119.
No PEN, há 2 deputados e cada um está de um lado. Continuemos a conta dos votos do governo: 119 + 1 = 120.
No PMDB, 12 parlamentares já se posicionaram contra o impedimento. Ainda devem voltar os 3 parlamentares que ocupam ministério e o partido deve perder mais um voto para o PT, de Patrus Ananias (MG), que também deve voltar para a votação, tirando um indeciso do processo. Para facilitar a conta matemática, vamos acrescentar o voto de Patrus à conta do PMDB. Logo, ficamos com 120 + 16 = 136.
No PR, fala-se em “ampla maioria” contra o impeachment. Segundo o líder, recém-eleito depois de conversas do partido justamente para ajustar o posicionamento, a legenda teria, dos 40 votos, 28 favoráveis a Dilma. 136 + 28 = 164.
Ou seja, faltando 3 dias para a votação, o governo tem, pelo menos, 166 votos. Vejam como o número é diferente dos 113 da Globo, 128 da Veja ou os 112 do “Mapa do Impeachment”. Isso sem contar os indecisos que, como disse lá no começo do texto, podem aderir ao governo ou oposição na última hora ou simplesmente não votar, inviabilizando o impeachment.
Percebem a manipulação dos veículos de comunicação? Dizer: “O governo vai perder a votação, porque cresce a cada minuto a bancada pró-impeachment”, ou ainda “governo já admite derrota” é bem diferente de dizer que nenhum dos lados iniciará a votação com vitória certa.
Será uma disputa voto a voto, decidida na última hora, e hoje o governo está mais perto da vitória. Repito: pode mudar, mas HOJE [15/4] o governo tem mais chances matemáticas do que a oposição.
É esse “pode mudar”, que falei acima, o grande diferencial. Há uma tentativa de forçar um clima entre os deputados e na sociedade, uma vez que a vitória de Dilma, apesar de toda a pressão, se coloca no horizonte. Agora, imaginem com que cara ficarão Globo, Temer, Cunha, Moro e Gilmar, depois de tanta exposição, se perderem no Congresso? Bate um desespero, certo?
RESUMOPT 57
PCdoB 11
PSOL 6
Rede 2
PSB 3
PDT 11
PP 9
PSD 5
PRB 1
PTN 3
PTB 4
PROS 3
PTdoB 1
PHS 1
PTN 2
PEN 1
PMDB 16
PR 28
Total = 164

Deu no New York Times: Impeachment é liderado por políticos corruptos e hipócritas

NYT_Golpe01
Texto ressalta que Dilma não é acusada de roubar dinheiro público.
“Dilma Rousseff alvo no Brasil de legisladores que enfrentam seus próprios escândalos”, é o título da matéria.
O mais importante dos Estados Unidos, o The New York Times, publica grande reportagem na edição desta sexta-feira em que destaca que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff está sendo liderado por políticos que enfrentam uma série de acusações como corrupção, fraude eleitoral e até abusos de direitos humanos. “O que destampa o debate nacional sobre a hipocrisia entre os líderes brasileiros”, diz o texto que ressalta que a presidente não é acusada de roubar dinheiro público. “Uma raridade”, diz o jornal.
Com o título “Dilma Rousseff alvo no Brasil de legisladores que enfrentam seus próprios escândalos”, a reportagem nota que, no processo de impeachment, a presidente brasileira “não enfrenta acusação de corrupção”. “Em vez disso, ela é acusada de usar dinheiro dos gigantescos bancos públicos para cobrir lacunas no Orçamento, danificando a credibilidade econômica do Brasil”.
“A senhora Rousseff, então, é uma raridade entre as grandes figuras políticas: Ela não é acusada de roubar dinheiro para ela mesma”, diz a reportagem do NY Times.
Em contraponto, a reportagem cita vários parlamentares favoráveis à saída de Dilma que enfrentam problemas nesse tema. O deputado Eduardo Cunha, por exemplo, é classificado como “o poderoso presidente da Câmara que está liderando o esforço pelo impeachment está em julgamento no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de que embolsou US$ 40 milhões em propinas”. A reportagem também lembra de acusações de corrupção que envolvem outros personagens centrais no processo, como o vice-presidente Michel Temer e Renan Calheiros.
A reportagem também cita casos de parlamentares que não estão envolvidos diretamente no processo, mas que apoiam a saída de Dilma Rousseff. O NY Times dá como exemplo o deputado Éder Mauro (PSD/PA), que é investigado por tortura e extorsão, e o deputado Beto Mansur (PRB/SP), que é acusado de manter 46 empregados em fazendas de soja em condições deploráveis e comparadas a uma escravidão moderna.
O texto da reportagem, inclusive, começa com o ex-prefeito paulistano. “Paulo Maluf, um congressista brasileiro, está tão mal pelos próprios escândalos de corrupção que os seus próprios eleitores o descrevem com o slogan ‘Rouba, mas faz’. Mas, como uma série de outros membros do Congresso do Brasil atingidos por outros escândalos, o senhor Maluf diz que ele está tão farto de tanta corrupção no País que apoia a saída da presidente Dilma Rousseff”.
Clique aqui para ler o original do NY Times.

Foi o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver com os donos do dinheiro

Gosto de imaginar a História como uma velha e pachorrenta senhora que tem o que nenhum de nós tem: tempo para pensar nas coisas e para julgar o que aconteceu com a sabedoria – bem, com a sabedoria das velhas senhoras. Nós vivemos atrás de um contexto maior que explique tudo, mas estamos sempre esbarrando nos limites da nossa compreensão, nos perdendo nas paixões do momento presente. Nos falta a distância do momento. Nos falta a virtude madura da isenção. Enfim, nos falta tudo que a História tem de sobra.
Uma das vantagens de pensar na História como uma pessoa é que podemos ampliar a fantasia e imaginá-la como uma interlocutora, misteriosamente acessível para um papo.
– Vamos fazer de conta que eu viajei no tempo e a encontrei nesta mesa de bar.
– A História não tem faz de conta, meu filho. A História é sempre real, doa a quem doer.
– Mas a gente vive ouvindo falar de revisões históricas...
– As revisões são a História se repensando, não se desmentindo. O que você quer?
– Eu queria falar com a senhora sobre o Brasil de 2016.
– Brasil, Brasil...
– PT. Lula. Impeachment.
– Ah, sim. Me lembrei agora. Faz tanto tempo...
– O que significou tudo aquilo?
– Foi o fim de uma ilusão. Pelo menos foi assim que eu cataloguei.
– Foi o fim da ilusão petista de mudar o Brasil?
– Mais, mais. Foi o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima Era isso que estava acontecendo.
Um pouco surpreso com a eloquência da História, pensei em perguntar qual seria o resultado do impeachment. Me contive. Também não ousei pedir que ela consultasse seus arquivos e me dissesse se o Eduardo Cunha seria presidente do Brasil.
Eu não queria ouvir a resposta.

Secretário-geral da OEA chega ao Brasil para combater o golpe

OEA06_Luis_Almagro
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, anunciou pelo Twitter sua chegada ao Brasil na sexta-feira, dia 15/4, para “dialogar com Dilma Rousseff e reiterar apoio à institucionalidade e respeito à Constituição”.
Recentemente, ele alertou para o caráter surreal do golpe em curso no Brasil: “É a realização de um processo de impeachment de uma presidente que não é acusada de nada, não responde por nenhum ato ilegal, sobretudo porque vemos que entre os que podem acionar o processo de impeachment existem congressistas acusados e culpados. É o mundo ao contrário”, disse. Ou seja: no Brasil, são políticos corruptos, comandados por Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que podem cassar a presidente honesta, que permitiu o combate à corrupção.
O senador tucano Aloysio Nunes criticou vinda do secretário-geral da OEA ao Brasil, às vésperas da votação do impeachment pela Câmara dos Deputados: “É um gesto oportunista, que em nada contribui para amainar a crise no Brasil”.

Se você é contra o golpe, antes de entrar em desespero pense nisso…

Nao_Vai_Ter_Golpe08
1) O clima de “acabou”, “já ganhou”, “tá tendo virada” faz parte da tática da oposição. Precisam que pareça unanimidade, para gerar um efeito manada. Para isso, vale até o PRB anunciar duas vezes a “saída da base”. A imprensa comprar esse discurso consegue ajudá-los. A gente não precisa fazer a mesma coisa.
2) Para aprovar o impeachment, são necessários 342 votos. Na votação da redução da maioridade penal, com Cunha forçando e votando duas vezes, foram 308 votos. Redução da maioridade contava com 87% de aprovação da sociedade na época. O impeachment, 60%, segundo a mesma Datafolha.
3) Tirando o auê, nas duas votações do impeachment, a oposição ficou bem longe dos 2/3 necessários. Naquela de 2015, anulada pelo STF, com cabine secreta e tudo, foram 272 votos. Faltaram 70. Na Comissão, não chegou a 60%.
Qualquer resultado, será por margem apertada. Portanto, há muita luta pela frente nos próximos dias.
Povo na rua torna visível a todos que o país está dividido. Alguns analistas tanto repetiram isso depois da eleição de 2014, e agora querem parecer que há unanimidade.

Janio de Freitas e o método dos ratos

Ratos_Bandeira_Brasil01
No país da mídia que se acanalha, onde os jornalistas viraram porta-vozes de seus patrões e a sordidez passou a ser o método político louvável, anda há quem recuse a legitimidade da traição e da conspiração. Com muito mais delicadeza e competência que eu, Janio de Freitas também revisita a carta de Michel Temer, um verdadeiro strip-tease de seu caráter, onde nem o latim é véu suficiente para lhe cobrir a face golpista.
Em 1954, Carlos Lacerda, que tinha ao menos a coragem de estar do outro lado, era O Corvo.
Em 2016, temos apenas A Ratazana.
Ou um par delas, no comando de um ninho de camundongos.
DUAS PALAVRAS BASTAM
Janio de Freitas, na Folha
Pela primeira vez, a palavra foi relacionada a Michel Temer por Dilma Rousseff na terça-feira, dia 12/4. Sob as tensões hostis das atuais circunstâncias, a palavra demorou: o comedimento verbal de Dilma, a atacada, no qual “golpista e golpismo” foram o tom mais elevado, pode ficar como um caso excepcional. A palavra, na frase transcrita por Bernardo Mello Franco: “Se ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais”. Traição.
O rompimento pessoal e do PMDB com Dilma, conduzido por Michel Temer de ponta a ponta, com auxílios de Romero Jucá como “laranja”, foi incomum em política. Mais do que não ser uma reação, como seria próprio de um rompimento político, o orientado por Temer não teve nem sequer um fato anódino para invocar. O partido era parte do governo, detentor do maior número de ministérios e de cargos em todas as reformulações ministeriais, ainda hoje com peemedebistas no governo. Ministros indicados pelo próprio Temer ou pelo PMDB sob sua presidência.
Para ter algo a dizer, em duas ocasiões Michel Temer precisou recorrer à combinação de ridículo e inverdade. Em uma, teria “passado quatro anos como vice-presidente decorativo”. À parte a impropriedade pessoal do adjetivo, nos seus longos e improdutivos anos como deputado, Temer poderia propor emenda constitucional que desse ao vice-presidente mais atribuições do que o fixado pela Constituição. Nem ao menos cogitou do tema.
Temer diz agora: “Nesse período em que fui [foi, já?] vice-presidente, nunca tive um chamamento efetivo para participar das questões do governo”. Participou, sim, de muitas reuniões políticas e deliberativas na Presidência. Também várias vezes convidado a assumir a coordenação política do governo, ao aceitá-la, afinal, não mostrou mais trabalho e habilidade do que para o velho “é dando que se recebe”. Só agravou o que estava errado na coordenação política. Em pouco tempo, deixou a atividade por iniciativa própria, esgotados os cargos a ceder e os colegas a favorecer. E a sinceridade de sua queixa era tão decorativa que quis ser o companheiro de Dilma na reeleição.
A outra queixa foi a falta de convite para estar na conversa entre Dilma e o vice-presidente do EUA, Joe Biden, que, segundo Temer, veio aqui para estar com ele. Os vices em viagem são portadores de mensagens dos seus presidentes aos presidentes visitados. A conversa com Dilma era mesmo só com Dilma. E Biden, sabedor da lamúria de Temer, ainda teve a gentileza (ou a ironia) de prometer-lhe um encontro como consolo.
A divulgação do “discurso da vitória” seguiu o método Temer: o ridículo na explicação inconvincente. Elio Gaspari observou que nos 14 minutos dessa presunção “faltou não só a palavra” – corrupção –, “faltou qualquer referência ao tema”. Não à toa. É só olhar, como fez com desalento certo ministro do Supremo, quem está à volta de Temer. Dos “anões do Orçamento” a Eduardo Cunha, a coleção é completa. Incluído, claro, o recordista, quando governador, de transações anuladas por fraude com as grandes empreiteiras.
Se é um sinal para a Operação Lava-Jato e seus desdobramentos, cabe-lhe interpretar. Por mim, pelo que já vi, nisso não percebo sinal, mas certeza.

domingo, 10 de abril de 2016

Mercosul completa 25 anos com desafio de superar novo momento de turbulência política


Mercosul completa 25 anos em meio a novo momento de estagnação. 
Projetos de integração só serão retomados e revitalizados se a esquerda sul-americana for capaz de derrotar a ofensiva das elites locais e do imperialismo, diz professor da UFABC.
O dia 26 de março de 1991 já mostrava um mundo unipolar e globalizado após a queda do muro de Berlim e da União Soviética. Nesse dia, em Assunção, Brasil, Argentina, Uruguai e o anfitrião Paraguai assinavam o tratado que fundaria oficialmente o Mercado Comum do Sul (Mercosul), em busca de uma força maior ao continente diante das negociações globais.
Após 25 anos de sua criação, em meio a crises econômicas e turbulências políticas, os países-membros enfrentam, segundo especialistas, novo momento de estagnação.
Surgimento
Fragilizados pela crise da dívida, Brasil e Argentina já discutiam, desde meados da década de 1980, uma nova fórmula para reerguer suas economias. A ideia dos então presidentes José Sarney e Raul Alfonsin, era desenvolver políticas conjuntas para posicionar as peças de seus países no tabuleiro global.
“Naquela virada para os anos 1990, a ideia do Mercosul representava uma resposta ao contexto globalizador por dois motivos: era uma espécie de reação à Alca [Área de Livre Comércio entre as Américas] e também porque, apesar de suas fragilidades, os países tinham que buscar uma alternativa de inserção internacional”, explica o coordenador do curso de Políticas e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp/SP), Moises Marques.
No início, Mercosul foi “meramente comercial e financeiro”
O ano de 1989, no entanto, foi marcado por eleições de políticos com ideias neoliberais no continente e de alinhamento com os Estados Unidos e Europa. Fernando Collor de Mello, no Brasil, e Carlos Menem, na Argentina, foram eleitos com uma plataforma de abrir seus mercados para os produtos estrangeiros e isso aconteceu de forma unilateral.
Por conta disso, para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC Igor Fuser, o Mercosul nasce como um acordo “meramente comercial e financeiro”.
“Os ganhos no comércio exterior das empresas sediadas no Brasil e na Argentina com o Mercosul na sua fase inicial foram tão grandes nesse período que os dois países deram um passo inesperado, a evolução do bloco para uma união aduaneira. Todos os demais aspectos da integração foram desprezados, encarando-se o Mercosul apenas sob a ótica empresarial”, mostrou.
Os números mostram que, de fato, os primeiros anos do funcionamento do Mercosul alavancaram muito as economias da região. Pegando como exemplo o Brasil, as exportações das empresas nacionais para os vizinhos sul-americanos subiram ano a ano. Argentina, Paraguai e Uruguai deixaram de importar U$$1,3 bilhão do Brasil em 1990 e, em 1998, passaram a comprar cerca de US$8,9 bilhões do país.
Collor15_Menem
Collor e Menem, em 1991: presidentes de Brasil e Argentina assinaram tratado em Assunção que fundou Mercosul. Foto: Aiea / Flickr.
Essa época de bonança, no entanto, acabou no final da década de 1990. O sociólogo e especialista em integração Felippe Ramos aponta que fatores como a desvalorização do real frente ao dólar, logo depois da reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e a crise da dívida argentina em 1999 levaram ao que ele chama de “esgotamento do Mercosul comercial”.
“Quando FHC desvaloriza o real, gera um aumento de exportações brasileiras para a Argentina, desequilibrando a balança comercial. A Argentina, então, começa a proteger mais a sua economia. Logo depois, veio a crise da dívida, que tem consequências até hoje. Com a negociação dos credores, isso destruiu essa primeira fase. De 1999 até 2003, há uma espécie de suspensão do Mercosul”, apontou.
Ascensão dos governos de esquerda e a prioridade ao social
Em 1999, a eleição de Hugo Chavez na Venezuela muda o xadrez geopolítico da América do Sul. No início do século 21, outros governos de esquerda também floresceram em todos os países do bloco: Lula, no Brasil, Nestor Kirchner, na Argentina, Tabaré Vasquez no Uruguai, e, mais adiante, em 2008, Fernando Lugo no Paraguai.
Nesse novo período, além da integração, o bloco passou a se preocupar também com colaboração entre os países. Uma das principais medidas tomadas nesse sentido foi a criação do Fundo Para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) que se destina a financiar programas de convergência estrutural e coesão social das economias menos desenvolvidas do bloco. Com isso, o Brasil se comprometeu a bancar 70% dos recursos desse fundo; a Argentina, 27%; o Uruguai, 2%; e o Paraguai, menor economia, 1%.
Fuser destaca a importância dessa nova visão cooperativa entre os países, mas diz que o próprio governo brasileiro sempre teve uma “postura ambígua” durante esse processo.
“O governo brasileiro defendeu a integração no discurso, mas com um baixo grau de compromisso com o objetivo da construção de um espaço comum. A postura do empresariado brasileiro contribuiu muito para bloquear as iniciativas da política externa no sentido da integração. A burguesia, por um lado, trata de aproveitar as oportunidades abertas pelos esforços integracionistas para conquistar mercados e internacionalizar empresas. Por outro, sabotam qualquer proposta que aponte no sentido de uma integração estrutural sul-americana”, critica.
Integração corre riscos com crises políticas no continente
Fruto desse momento mais político foi a criação da União das Nações Sul-americanas (Unasul) em 2008. Contando com 12 membros, ela foi um dos fóruns criados para diálogos e integração política no continente.
O novo momento da integração regional, no entanto, corre riscos com as crises econômicas e políticas que o continente vive atualmente. A entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul em 2012 não teve o poder de dar o dinamismo necessário para o bloco porque, depois da morte de Hugo Chávez, o país mergulhou em uma crise política e econômica profunda. O cenário é parecido com o do Brasil. Já na Argentina, a vitória do liberal Maurício Macri, em 2015, deu fim à sequência de governos progressistas no país.
“Esses projetos de integração só serão retomados e revitalizados se a esquerda sul-americana for capaz de derrotar a ofensiva das elites locais e do imperialismo. Caso contrário, a Unasul e a Celac serão extintas, ou, o que é mais provável, permanecerão como instituições puramente decorativas, sem qualquer importância real”, reforçou Fuser.
Dilma_Paraguai01
Brasil passou presidência pro-tempore do bloco para o Paraguai em julho de 2015; na foto, junto com Dilma Rousseff, o presidente paraguaio Horácio Cartes. Foto: Roberto Stuckert / PR.
Cenários para o futuro
Assim como no fim da década de 1990, inúmeros especialistas encaram que o Mercosul se encontra em outro momento de estagnação após as dificuldades que enfrentam os governos progressistas na região. Ramos acredita que dentro da política externa brasileira existiu um “modelo lulista de integração” e que ele chegou ao seu final com a crise econômica no país.
“O Brasil tinha o poder do BNDES dentro dos países sul-americanos, isso foi um fator importante dessa expansão econômica e política, mas esse modelo se esgotou com a crise. O BNDES cortou 60% desse repasse para esses projetos. A crise interna faz com que ele não conseguisse mais fazer a sua política externa. Há uma disputa por esse novo modelo, mas ainda não é claro o que vai prevalecer”, ponderou.
Uma das saídas para a modernização do bloco pode ser uma que está em discussão desde 1999: o acordo do Mercosul com a União Europeia. O assunto é polêmico e divide opiniões. Marques lembra que a negociação não é fácil, mas que o acordo poderia ser uma das saídas para o bloco ganhar um novo fôlego.
“Eu não sei se seria o único passo, mas nesse momento ele é o que está na pauta e poderia dar um folego novo do Mercosul. Acontece que o Brasil sempre acabou liderando as negociações e agora que estamos em um período recessivo, ele abdica. É o momento de rever as instituições, revisar quem faz o que com quais recursos e para onde vai o Mercosul”, prevê.
Já Fuser vê um cenário propício para os Estados Unidos voltarem a exercer uma pressão sob os países sul-americanos, assim como foi na época da Alca. Ele pega o Tratado Transpacífico (TPP), que começou a sair do papel em 2015 e vai envolver grandes economias do mundo como EUA, Japão e Austrália, para ilustrar o desejo norte-americano de “anular a soberania econômica dos países periféricos e semiperiféricos”.
“Essas duas propostas aplicam uma interpretação deformada da ideia do livre comércio ao exigirem a abertura indiscriminada dos mercados dos países situados fora do eixo EUA-Japão-União Europeia ao mesmo tempo em que mantêm o protecionismo nas regiões centrais da economia global. Fora o elemento que diz respeito à aplicação de normas de propriedade intelectual mais rígidas que as atuais, em benefício das grandes multinacionais do setor farmacêuticos, a proibição de políticas de compras governamentais favoráveis às empresas nacionais e, pior do que tudo, a adoção de normas de proteção aos investimentos que anulam a soberania dos Estados no campo dos direitos trabalhistas, da defesa ambiental e das políticas de desenvolvimento”, concluiu.

Dilma, uma vítima do planeta intolerância


O ódio destilado contra Dilma Rousseff vem de um manancial caudaloso. 
Edição desta semana da revista IstoÉ é ofensiva à presidenta Dilma; AGU vai exigir direito de resposta e abertura de inquérito.
Num programa de auditório comandado por Ary Barroso chega ao palco uma mocinha magra, com o rosto marcado pelos maus-tratos da vida. O apresentador e compositor, querendo fazer graça, pergunta: “De que planeta você veio, minha filha”? De pronto, a jovem candidata a cantora respondeu: “Do planeta fome, seu Ary”. Era a hoje consagrada cantora Elza Soares, que também está na campanha “não vai ter golpe”. Se hoje alguém perguntar para a presidenta Dilma de onde ela veio, ela pode, de pronto, responder: “Vim do planeta intolerância”.
O ódio destilado contra Dilma Rousseff vem de um manancial caudaloso. Agora foi a revista (?) IstoÉ que dedicou uma capa eivada de intolerância e misoginia contra esta mulher tão torturada, antes fisicamente pela ditadura, hoje mentalmente pela oposição e a chamada velha mídia.
Contra a publicação, a Advocacia Geral da União vai acionar o Ministério da Justiça para que este determine abertura de inquérito para apurar crime de ofensa contra a honra da presidenta da República.
NOTA DA AGUA Advocacia-Geral da União (AGU) acionará o Ministério da Justiça para que determine a abertura de inquérito para apurar crime de ofensa contra a honra da presidenta da República cometido pela revista IstoÉ em reportagens publicadas nas duas últimas edições.
A AGU também invocará a Lei de Direito de Resposta para garantir, junto ao Poder Judiciário, o mesmo espaço destinado pela revista à difusão de informações inverídicas e acusações levianas.
Eventuais ações judiciais de reparação de danos morais também estão sob análise de advogados privados da presidenta Dilma Rousseff.

Para intelectuais estrangeiros, democracia brasileira enfrenta ameaça

Impeachment_Intelectuais01
Felipe Pontes, via Agência Brasil em 28/3/2016
Um manifesto online, assinado por 51 acadêmicos especializados em estudos sobre o Brasil em universidades estrangeiras, diz que a democracia brasileira encontra-se “seriamente ameaçada” pelo atual clima político. O documento, que convoca intelectuais estrangeiros a aderirem ao texto, já recebeu milhares de subscrições.
Idealizado pelo historiador James Green, da Universidade Brown, em Rhode Island, nos Estados Unidos, e pelo sociólogo brasileiro Renan Quinalha, pesquisador convidado na Brown, o manifesto reconhece a legitimidade e a necessidade do combate à corrupção por meio de inquéritos como os da Operação Lava-Jato, mas acusa o que seriam abusos na condução da investigação e afirma que “setores do judiciário, com o apoio de interesses da grande imprensa, têm se tornado protagonistas em prejudicar o Estado de Direito”.
“Tomamos a iniciativa de organizar esse abaixo-assinado por conta da grave situação política que o Brasil atravessa hoje. Recebemos uma chamada de acadêmicos brasileiros pedindo solidariedade na defesa da democracia e atendemos prontamente a esse chamado”, disse Green, por e-mail, à Agência Brasil. “Nossa intenção foi somar a comunidade acadêmica internacional às diversas iniciativas que estão se proliferando pelo Brasil.”
Green é autor dos livros Além do Carnaval: A homossexualidade masculina no brasil do século 20 (Unesp, 2000) e Apesar de vocês: Oposição à ditadura brasileira nos Estados Unidos, 1964-1985 (Companhia das Letras, 2009), que analisa as relações Brasil-EUA no período e conta a história de pessoas que combateram o regime militar brasileiro a partir do país norte-americano.
O texto é assinado, entre outros, por brasilianistas como Barbara Weinstein (New York University), autora de diversos livros sobre o Brasil pós-colonial; Elizabeth Leeds (Massachussets Institute of Technology – MIT), que é também cofundadora e presidente de honra do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e Jean Hébrard, professor na Ecóle de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Assinam ainda intelectuais brasileiros que no momento atuam fora do país, como o especialista em literatura brasileira Pedro Meira Monteiro, que leciona na Universidade Princeton, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e o historiador Sidney Chalhoub, professor convidado na Universidade Harvard, em Massachussets (EUA).
ImpeachmentNo manifesto, os acadêmicos enxergam um sério risco de que a retórica contra a corrupção esteja sendo usada para desestabilizar um governo democraticamente eleito, citando que o mesmo expediente fora utilizado antes da queda do ex-presidente João Goulart (1964), dando espaço à ditadura militar subsequente. À Agência Brasil, Barbara Weinstein criticou o processo de impeachment em curso no Congresso.
“Caso surjam evidências de algo mais sério do que ‘contabilidade criativa’, ou se você puder encontrar uma maioria de dois terços da Câmara dos Deputados que se acredite nunca ter cometido qualquer ato que possa ser descrito como ‘corrupto’ ou ‘desonesto’, então talvez eu possa considerar legítimo que eles decidam se Dilma permanece no cargo ou é impedida”, disse Weinstein. “Acho muito improvável.”
Para Chalhoub, um dos historiadores brasileiros de maior projeção internacional, “o processo de impeachment tem bases muito frágeis, como já mostraram vários juristas. E está sendo conduzido por parlamentares sobre os quais pesam acusações de gravidade ímpar. Destituir uma presidenta desse modo fragiliza a democracia, é um golpe contra ela, traduz apenas o inconformismo dos derrotados nas eleições de 2014. Esse é um momento decisivo da democracia brasileira”, disse ele à Agência Brasil.

Paulo Maluf, que é procurado pela Interpol, é a favor do impeachment da Dilma

Maluf_Impeachment01
Parece notícia do Sensacionalista, mas não é.
O movimento pró-impeachment está muito bem representado: um político procurado pela Interpol e que se faz de desentendido. É a especialidade de grande parte dos apoiadores do golpe, aliás. Hipócritas, cínicos, falsos moralistas. Tem gente que se merece.

Governo federal ou estadual: Quem ganha mais com o aumento da gasolina?

Gasolina_Impostos01_2016
A imagem acima foi retirada do site da Petrobras. Ela mostra a composição do preço da gasolina ao consumidor. Como pode-se notar, o ICMS, sigla de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, abocanha 28% de cada real que você coloca da gasolina em seu carro.
O ICMS está presente na Constituição Federal de 1988 e somente os governos estaduais podem instituí-lo ou alterá-lo.
Então, por que todo mundo reclama do governo federal quando há aumento no preço do combustível? Não seria lógico pedir aos governadores dos Estados a diminuição da porcentagem do ICMS?

Jorge Pontual, repórter da Globo, diz que mentir é liberdade de expressão

Jorge_Pontual01
Desde 1998, Jorge Pontual é repórter da TV Globo baseado em Nova Iorque. Ele também faz matérias para o programa Sem Fronteiras e participa da equipe de repórteres do programa Milênio, ambos da GloboNews.
No domingo, dia 10/4, Pontual tuitou sua opinião, que, com certeza, é aprovada pelos seus patrões (leia abaixo). Com sua confissão, fica claro que, com a pregação diária de desesperança, medo e ódio, a Rede Globo insufla malucos e fascistas a expressarem seus preconceitos e covardias de forma aberta e descarada. O que Pontual fala é que não há ética nenhuma no que ele e seus colegas fazem nas organizações da famiglia Marinho. Portanto, a Globo não faz jornalismo. Ela mente, porque ela defende que liberdade de expressão lhe dá também o direito de mentir. Isto é a Globo e a mídia brasileira.
Jorge_Pontual04_Twitter_Mentir
Jorge_Pontual02_Twitter_Glenn
Depois da besteira que fez, Pontual “trancou” sua página no Twitter.
Jorge_Pontual03_Twitter
Clique na imagem para ampliá-la.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O FIM DA PICADA



Se não falham os estudiosos, a expressão “o fim da picada”, deriva da situação em que se encontra, de repente, o sujeito que vinha seguindo uma trilha, no meio da floresta, e, subitamente, se vê perdido, quando essa trilha, ou “picada”, aberta à medida que se corta, ou se “pica” o mato à frente, termina abruptamente, obrigando o viajante a seguir às cegas, ou a voltar para um distante, e muitas vezes, inalcançável, ponto de partida.

O grampo contra a Presidente da República, com sua imediata divulgação, para uma empresa de comunicação escolhida para escancarar seu conteúdo ao país, operado por um juiz de primeira instância, depois da desnecessária e arbitrária condução coercitiva e do pedido de prisão de um ex-presidente da República, devido a uma acusação de falsidade ideológica – em um país em que bandidos com dezenas de milhões de dólares em contas na Suíça, procurados pela Interpol e condenados à prisão em outros países circulam, soltos, tranquilamente - representa isso.

O fim da picada de uma Nação em que as instituições se recusam a funcionar, e estão, virtualmente, sob o sequestro de meia dúzia de malucos concursados - apoiados corporativamente por toda uma geração de funcionários de carreira de Estado comprometidos ideologicamente, com a razoável exceção de organizações como a associação de Juízes para a Democracia - que atuam como ponta de lança de uma plutocracia estatal, que, embalada por uma imprensa parcial e irresponsável, pretende tutelar a República, colocando-se acima dos poderes constituídos.

Perguntado o que achava do pedido de prisão do Ministério Público de São Paulo, há poucos dias, o líder do PSDB na Câmara Alta, o senador Cássio Cunha Lima, disse que não via motivos para tanto e recomendou cautela neste momento.

Agradece-se a sua coragem e bom-senso – Cássio Cunha Lima foi violentamente atacado por isso pela malta radical fascista nos portais e redes sociais – mas agora é tarde.

A oposição deveria ter pensado nisso quando ainda não ocupava – tão hipócrita e injustamente quanto outros acusados - as manchetes da coluna de delações “premiadas”, e abandonou o calendário político normal para fazer política nos tribunais, por meio da criminalização da atividade, entregando o país a um grupo de procuradores e a um juiz de primeira instância que age - como se viu pelo vazamento imediato do grampo do Palácio do Planalto - como um fio desencapado, não se importando – assim como os procuradores que o cercam ou nele se inspiram - em incendiar o país para dizer que é ele quem está no comando, independente da atitude da Presidente da Republica de trocar o Ministro da Justiça, ou nomear para a Casa Civil um ex-presidente da República, ou da preocupação de alguns ministros e ministras do STF – pelo menos aqueles que parecem ter conservado um mínimo de dignidade e de razão neste momento.

Iludem-se aqueles que acham que a Operação Lava-Jato vai livrar o país da corrupção.

Os resultados políticos da Operação Mani Pulite – a operação Mãos Limpas, à qual o Juiz Sérgio Moro se refere a todo instante como seu farol e fonte de “inspiração”, foram a condução de Berlusconi, um bufão pseudo fascista ao poder na Itália, por 12 anos eivados de escândalos, seguida da entrega do submundo do Estado a uma máfia comandada por ex-terroristas de extrema-direita, responsáveis por mega-escândalos como o da Máfia Capitale, que envolve desvios e comissões em obras públicas em Roma, da ordem de bilhões de euros, cujo julgamento começou no último mês de novembro.

Da mesma forma, iludem-se, também, aqueles que acham que, com a queda do governo, por meio de impeachment, ou de manobra no TSE ou no TCU, ou de uma Guerra Civil, que se desenha como cada vez mais provável, o Brasil irá voltar à normalidade.

A verdadeira batalha, neste momento e a perder de vista – e há uma grande proporção de parvos que ainda não entenderam isso – não é entre o governo e a oposição, mas entre o poder político, alcançado por meio do voto soberano da população, e a burocracia estatal, principalmente aquela que tem a possibilidade – pela natureza de seu cargo - de pressionar, coagir, chantagear, a seu bel-prazer, a Presidência da República, o Congresso e o grande empresariado.

Em palestra recente, para empresários – quando, com suas multas e sanções, ele está arrebentando com metade do capitalismo brasileiro – o Juiz Sérgio Moro afirmou que a operação Lava-Jato não tem consequências econômicas.

Sua Excelência poderia explicar isso ao BTG, cujas ações diminuíram pela metade seu valor, quebrando milhares de acionistas, ou que perdeu quase 20 de reais em ativos desde a prisão de André Esteves.

Ou à Mendes Júnior que teve de demitir metade dos seus funcionários e está entrando em recuperação judicial esta semana.

Ou, ainda, aos 128.000 trabalhadores terceirizados da Petrobras que perderam o emprego no ano passado.

Ou às famílias dos 60.000 trabalhadores da Odebrecht, que também foram demitidos, ou aos funcionários restantes que aguardam o efeito da multa de 7 bilhões de reais – mais de 15 vezes o lucro do Grupo em 2014 – que se pretende impor “civilmente” à companhia. 

Ou aos funcionários da Odebrecht que estão envolvidos com projetos de extrema importância para a defesa nacional, como a construção de nossos submarinos convencionais e atômicos e nosso míssil ar-ar A-Darter, concebido para armar nosso futuros caças Gripen NG-BR, que terão de ser interrompidos caso essa multa venha a ser cobrada. 

Ou, ainda, aos “analistas” entre os quais é consenso que a Operação Lava Jato foi responsável por 2%, ou mais de 50%, da queda do PIB - de 3,8% - no ultimo ano.

Na mesma ocasião, o Sr. Sérgio Moro - como se fôssemos ingênuos de acreditar que juízes não têm suas próprias opiniões, ideologia e idiossincrasias políticas – afirmou não ter “partido”

Ora, ele tem, sim, o seu partido. 
]
E ele se chama PSM, o Partido do Sérgio Moro. 

Um “partido” em que não cabem os interesses do país, nem os do governo, nem os da oposição, a não ser que eles se coloquem sob a sua tutela.

Assim como não dá para acreditar, com sua relativamente longa experiência, depois dos episódios de Maringá e do Banestado, que ele esteja agindo como age por ter sido picado pelo messianismo que distrai e embala a alma de outros “salvadores da pátria” da Operação Lava-Jato.

O que - seguindo a lógica do raciocínio - só pode nos levar a pensar que ele está fazendo o que faz porque talvez pretenda meter-se a comandar o país diretamente – achando, quem sabe, que as Forças Armadas vão permitir que venha a adentrar o Palácio do Planalto carregado por manifestantes convocados pelo Whats UP, em uma alegre noite de buzinaço, como um moderno Salazar ou Mussolini – ou quando eventualmente se cansar, lá pela milésima-primeira fase da Operação Lava-Jato - de exercitar seu ego e – até agora - seu incontestável poder de manter o país em suspense, paralisado política e economicamente, independentemente do ocupante de turno – quem grampeia um presidente grampeia qualquer presidente - que estiver sentado na principal poltrona do Palácio do Planalto.

A alternativa a essa República da “Destrói a Jato”, de um país mergulhado permanentemente na chantagem, na manipulação, no caos e na paralisia, é alguém ter coragem, nos órgãos de controle e fiscalização, de enfrentar o falso “clamor”, pretensamente “popular”, de um senso comum ditado pela ignorância e a mediocridade, e pendurar o guizo no pescoço do gato – ou desse tigre (de papel) - impondo ao mito construído em torno dessa operação, e aos seus “filhotes”, o império da Lei e o respeito ao Estado de Direito e à Constituição Federal.

Mas para isso falta peito e consciência de História a quem pode fazê-lo. 

E sobra – talvez pelo medo das tampas de panela dos vizinhos - hesitação e covardia.

domingo, 27 de março de 2016

Capa da Veja não dura 24 horas: Embaixada da Itália detona a revista e nem a foto é real

Capa_Veja_Lula_Italia03
Não durou nem 24 horas a fictícia capa da revista Veja que noticia um suposto plano de fuga do ex-presidente Lula para a Itália, como asilado político. Em nota, na sexta-feira, dia 25/3, a embaixada do país europeu diz que informações são “inverídicas”.
A publicação da Editora Abril inventou que o “ex-presidente e aliados estudam requerer que país europeu o receba como perseguido político. Itália foi escolhida porque sua família tem dupla cidadania”.
Pelo Facebook, o perfil do ex-presidente Lula comentou o episódio: ‪#‎VejaMicoInternacional.
Não satisfeita em virar piada no Brasil, Veja resolveu passar vergonha em escala internacional. Fez uma reportagem de capa fantasiosa, para dizer o mínimo, e inventou que o ex-presidente Lula estaria planejando fugir para a Itália para evitar ser preso, com a ajuda da embaixada daquele país. Hoje [25/2], a embaixada italiana publicou nota desmentindo a revista. Mais um mico para a coleção da Veja.
Em relação à matéria “O plano secreto” publicada na última edição da revista Veja, a Embaixada da Itália declara:
1) As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do Embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas.
2) Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o Embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente. O EmbaixadorTrombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático.
3) Na conversa telefônica citada, foi dito ao jornalista que não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes.
Brasília, 25 de março 2016