sábado, 28 de novembro de 2015

A mineração não é um bom negócio

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As empresas mineradoras sabem dos riscos, mas não têm nenhum compromisso com as questões ambientais e as comunidades.
Uma década de boom mineiro deixa um rosário de complicações: passivos ambientais, polarização social, perda da legitimidade dos governos e nenhum problema realmente resolvido.
“Não foi um acidente”, gritam os membros do Movimento de Afetados pela Mineração (MAM). “É um acontecimento de total responsabilidade das empresas”, assegura Mário Zonta, que destaca que as empresas não monitoram as represas onde armazenam os dejetos tóxicos, como as que se romperam no dia 5 de novembro, provocando um rio de lama contaminada que destruiu povoados, provocou a morte e a desaparição de mais de 20 pessoas, além de milhares de afetados.
Se trata de uma tragédia social e ambiental provocada pela empresa mineradora Samarco no estado de Minas Gerais. Dois diques de contenção da mina de ferro a céu aberto se romperam. A lama liberada sepultou o povoado de Bento Rodrigues, onde viviam 600 pessoas, a pouco mais de 20km da cidade histórica de Mariana, e a 120km de Belo Horizonte, capital do Estado.
As 500 pessoas que foram resgatadas pelos bombeiros, que ficaram ilhadas em meio ao lodo tóxico, tiveram que ser submetidas a um processo de descontaminação, já que continham substâncias letais em todo o corpo. A Samarco é uma empresa de propriedade da Vale e da BHP Billiton. “Os acidentes e impactos da mineração são permanentes, e as empresas continuam com a mesma postura prepotente, falando da responsabilidade social e ambiental”, diz um comunicado assinado por dezenas de organizações sociais.
“A Vale está há 70 anos em Minas Gerais”, assegura Zonta, do MAM. “Existe equipamento e experiência suficientes para conter este tipo de acontecimentos, portanto consideramos que são os principais responsáveis pelos mortos e desaparecidos”.
Uma análise da lama presente no rio, quando os tóxicos já haviam avançado por mais de 300 quilômetros, revelou que existe concentrações incríveis de ferro, manganês e alumínio, que superam milhares de vezes a concentração normal. Segundo os toxicólogos, o metal mais problemático encontrado é o manganês, que pode provocar alterações musculares, problemas ósseos e intestinais, além de agravar problemas cardíacos.
No começo, a empresa disse que os dejetos eram somente areia, mas quando foi consultada, e devido a ter que se pronunciar sobre os resultados das análises oficiais, ela decidiu não responder. Preferiu se aferrar num discurso de que “o barro não contém produtos tóxicos para os seres humanos, somente material usado em compostos de areia”. Entretanto, pelos níveis de contaminação existentes no tratamento da água, o fornecimento ficou comprometido em nove cidades, afetando cerca de 800 mil habitantes, enquanto a prefeitura decretou situação de calamidade pública.
Irresponsabilidade empresarial e estatalEm Mariana, o MAM assegura que o problema principal é que as próprias mineradoras são as que organizam estudos para monitorar a situação real das minas. “Elas contratam as empresas que realizaram os estudos ambientados, para apresentar à Secretaria do Meio Ambiente”, diz Zonta.
Em paralelo, destaca que existe capacidade suficiente por parte das empresas para prever rupturas como a que ocorreu em Mariana. “Como a lógica é extrair a todo vapor, a quantidade de dejetos que se formam dia após dia é muito maior que há 20 anos. Elas sabem dos riscos, mas não têm nenhum compromisso com as questões ambientais e as comunidades”.
O resultado, segundo o MAM, é que existe uma falta de controle das políticas relacionadas à mineração e dos ritmos de extração, do armazenamento de dejetos e traslado de minerais – resultado de um sistema onde todos os controles são feitos pelas próprias empresas.
No mesmo dia em que aconteceu a tragédia de Mariana, se realizava em Belo Horizonte o Fórum Brasileiro da Mineração. Os empresários recordaram que o Brasil está entre os seis maiores países mineiros do mundo, e que nos próximos anos esse setor receberá os maiores investimentos da economia da país (cerca de US$53 bilhões até 2018), e por isso defendeu o “aumento da segurança jurídica dos investidores”.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Altamir Roso, disse que a mineradora Samarco foi “vítima da ruptura” das represas. Foi mais longe que os empresários: “afirmo, com toda a tranquilidade, que existe excesso de rigidez no outorgamento de licenças e um excesso de organismos envolvidos”. Sua proposta é que a fiscalização “não necessita ser feita pelo Estado, pode ser delegada a outros”.
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores, enviou ao parlamento estadual um projeto de lei que altera o Sistema Estadual de Meio Ambiente, para “dar mais agilidade aos processos de permissão”. Um discurso evidentemente contraditório, porque o próprio governador condecorou o presidente dos empresários, dizendo que “o meio ambiente não pode ser refém da economia e a economia tampouco pode ser refém do meio ambiente”.
Por sua parte, a articulação internacional do MAM difundiu um comunicado em que afirma que o sucedido em Mariana é “um crime”, negando que se trate de um acidente. Os ambientalistas denunciaram que a maioria dos 31 deputados que integram a comissão da Câmara dos Deputados que discute o novo Código de Mineração, tiveram suas campanhas eleitorais de 2014 financiadas por empresas do setor.
Gustavo Gazzinelli, do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas, acredita que o desastre de Mariana “vai ressuscitar um espírito de protesto social similar ao ocorrido em 2013”, quando milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o aumento do transporte público, as chamadas Jornadas de Junho. O escândalo é maiúsculo, porque uma represa que era considerada bastante segura se rompeu, uma represa que era propriedade de uma empresa que ganhou vários prêmios de sustentabilidade, que se apresenta como defensora do meio ambiente.
Um rosário de acidentesOs acidentes são normais na mineração. No dia 12 de setembro se produziu uma tragédia parecida na Argentina, um derramamento de um milhão e meio de litros de água cianurada na mina de ouro Veladero, na província de San Juan. O acidente provocou uma situação delicada para a empresa Barrick Gold, proprietária da mina, já que a justiça começou uma investigação exigindo da empresa uma solução imediata do problema ou “deixar de incorporar cianeto no processo de lixiviação até que se consiga descontaminar a água”.
Uma das consequências do derrame é a renúncia do diretor executivo da Barrick Gold na Argentina. O derrame se produziu por uma falha numa tubulação de transporte do cianeto, mas a quantidade massiva encontrada na água mostra que as empresas não tomam as medidas necessárias quando acontecem situações deste tipo.
Os moradores da cidade de Jáchal decidiram bloquear o acesso à mina Veladero, e muitos decidiram se incorporar às ações de contenção, devido à gravidade da situação. Várias semanas depois do derramamento, a Universidade Tecnológica Nacional e as universidades de Cuyo e de San Juan, difundiram informes que confirmaram a “presença de metais pesados na água” e “a existência de cianeto em diversas mostras”.
A polícia prendeu 23 manifestantes, mas os culpados do desastre não foram incomodados até agora. Se instalou a ideia de que se trata de um acidente e não da irresponsabilidade empresarial, o que contribui para dar a impressão de que os problemas que a mineração gera não têm responsáveis diretos, que a empresa não precisa responder à Justiça.
O crescimento dos assim chamados “acidentes” se deve o crescimento exponencial das explorações mineiras. Um estudo recente realizado no Peru, país de tradição mineira, assegura que “o número de concessões se multiplicou oito vezes entre 1992 e 2014, mas a quantidade de território explorado aumentou onze vezes no mesmo período”. A região de Moquegua tem 71% do seu território ocupado por concessões. Apurímac, La Libertad, Ancash, Lima e Tacna têm entre 55% e 67% cada. As demais regiões mineiras oscilam entre 50% de seus territórios ocupados pelas mineradoras.
A intensidade da extração tem crescido graças às novas tecnologias e, muito em particular, devido as modalidades de trabalho a céu aberto, mutilando montanhas com explosivos e máquinas de grande porte. O Anuário Estatístico da Mineração Mexicana, de 2013, elaborado pelo Serviço Geológico, informa que, nos últimos dez anos, as mineradoras extraíram 774 toneladas de ouro.
Se comparamos essa cifra com as 190 toneladas extraídas durante três séculos de colônia, a conclusão é que “em dez anos, as mineradoras extraíram quatro vezes mais ouro que em três séculos de colônia”. Essa brutal intensificação do ritmo de extração provoca lucros enormes por um lado, mas por outro gera danos tremendos ao meio ambiente e para os povoados próximos aos territórios explorados. Os “acidentes” são, portanto, parte do negócio, e fazem com que a mineração não seja um bom negócio.
Quando se discute a conveniência ou não da atividade mineira, deve-se destacar os problemas ambientais e sociais que gera. São os temas mais debatidos por parte dos movimentos sociais, dos governos, das universidades e das ONGs ambientalistas. No caso do Peru, a renda que o Estado capta pela mineração cresceu consideravelmente: saltou de 800 milhões de soles em 2003 para 11,3 bilhões em 2011, caindo para 6 bilhões em 2014.
Essa renda chegou a representar 23% da arrecadação do governo peruano no período entre 2006 e 2011. Os governos das regiões mineiras financiaram uma parte substancial de suas obras, o que chegou a representar até 53% dos seus investimentos.
Mas essa dependência do Estado dos recursos vindos da atividade mineira gera dois graves problemas. O primeiro começou a ser detectado quando os preços dos minerais passaram a cair, e fica evidente nos números que mostram a drástica redução da capacidade de investimentos. Em 2010, os governos regionais peruanos financiaram um quarto dos seus gastos com os royalties da mineração, mas em 2014 essa torneira registrou 10% menos de recursos. Com relação aos investimentos, em 2010 a mineração financiou metade deles, e em 2014 somente 22%.
A dependência do extrativismo tampouco gera uma cadeia produtiva, e emprega muito pouco pessoal. A tentativa de mudar esse quadro, com a abertura de novos ramos, através do Plano Nacional de Diversificação Produtiva, lançado em 2014, ainda não deu resultados. Porém, conta com pouco apoio do governo nacional, e os atores empresariais e estatais pretendem continuar com o modelo extrativo atual. A renda da extração vicia, talvez pelas facilidades em todos os níveis, por não encontrar resistência nem nos governos nem na própria população.
Mas existe um segundo fator que não se costuma visibilizar. Como os recursos costumam ser distribuídos somente entre as regiões onde se realizam as atividades mineiras – na maioria dos países, exceto naqueles de economia extremamente centralizada, como o Chile – isso gera uma profunda desigualdade na distribuição nacional dos recursos. No caso peruano, por exemplo, em cada região onde se repartem os recursos, também são privilegiadas as províncias e distritos onde se desenvolve a atividade mineira, e assim a desigualdade se reproduz também regionalmente.
Isso produz graves conflitos, como o acontecido há sete anos em Moquegua, no sul do Peru. Durante a década de boom mineiro, a desigual distribuição dos recursos ampliou as brechas sociais e econômicas, deixando em evidência a falta de capacidades e de institucionalidade do Estado, agravados pela corrupção, fatores que impediram criar as bases para uma reforma de modernização estatal.
Esse é o balanço realizado por um organismo que não rechaça a mineração. Se essas são as conclusões do período em que as exportações mineiras mais cresceram, na qual os estados mais se beneficiaram dos impostos, o panorama para o futuro é muito preocupante. Quando passar o boom, os problemas ambientais e sociais se agravarão, os estados e as instituições perderão parte de sua legitimidade e os problemas mais importante não serão resolvidos.

Futebol, oposição e espionagem: Conheça Maurício Macri, novo presidente da Argentina

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Maurício Macri: Carreira na empresa do pai e no Boca Juniors. Foto da Agência EFE.
Macri, até então prefeito de Buenos Aires, foi eleito presidente derrotando Daniel Scioli, candidato de Cristina Kirchner.
Em 2010, a jornalista Gabriela Cerruti escreveu uma biografia de Maurício Macri em que afirmava que ele era o primeiro nome da direita com chances de chegar à Presidência da Argentina. Cinco anos depois, cumpriu-se a profecia da também deputada estadual de Buenos Aires alinhada ao kirchnerismo: Macri foi eleito para a Casa Rosada no domingo, dia 22/11, após derrotar o candidato governista, Daniel Scioli, e toma posse em 10 de dezembro.
Atual chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Macri se formou em engenharia civil na UCA (Universidade Católica Argentina) e iniciou a carreira no mundo corporativo, no ramo de construção. Estudou também em universidades nos Estados Unidos, em Nova Iorque e na Filadélfia. Trabalhou nas empresas do seu pai, Franco Macri, fundador e dono de um conglomerado que leva o nome da família e que atua em diversas áreas, como de automóveis, correio e indústria alimentícia.
Nas empresas do Grupo Macri, ocupou cargos de analista sênior, gerente-geral, vice-presidente e presidente. No entanto, não foi no mundo dos negócios que Maurício Macri alcançou destaque público na Argentina. Em 1995, tornou-se presidente do maior clube de futebol do país, o Boca Juniors. Macri deixou o cargo somente para assumir o governo da cidade de Buenos Aires, em 2007, após uma gestão vitoriosa no Boca – um total de 17 títulos.
Trajetória políticaMacri criou, em 2003, o partido político Compromisso pela Mudança (Compromiso por el Cambio), que dois anos depois deu origem a sua atual sigla, o PRO (Proposta Republicana). No mesmo ano, foi derrotado por Aníbal Ibarra na primeira tentativa de se eleger chefe de governo da capital do país. Ibarra foi destituído do cargo em 2006, após um incêndio na casa de shows República de Cromañón, que deixou 194 mortos.
Entre 2005 e 2007, Macri exerceu um mandato de deputado federal e foi duramente criticado por suas ausências a votações no Congresso. Segundo levantamentos da Câmara, o presidente eleito participou de 32 das 53 reuniões da casa em 2006, e, no total, esteve ausente em 277 das 321 votações.
Já em 2007, o novo presidente da Argentina não participou de nenhuma votação na Câmara. Nesse ano, Macri foi eleito chefe de governo, cargo para o qual obteve a reeleição quatro anos depois.
Boca JuniorsDurante um almoço com a embaixadora dos EUA Vilma Martínez, em 2010, Macri, reconheceu que sua gestão à frente da cidade de Buenos Aires não lhe proporcionou muitos eleitores em nível nacional, tal como fora revelado por documentos secretos divulgados pelo Wikileaks.
“Se tenho apoio político fora de Buenos Aires, 90% dele é por ter dirigido o Boca e 10% por ser chefe do governo de Buenos Aires”, disse.
Na campanha para a conquista da prefeitura de Buenos Aires em 2007, Macri foi inquestionavelmente beneficiado pelo sucesso na gestão à frente do time. No dia 20 de junho daquele ano, apenas cinco dias antes de o então candidato ganhar a eleição de seu concorrente, o kirchnerista Daniel Filmus, o Boca Juniors se sagrava campeão da Libertadores da América pela sexta vez.
JustiçaMacri chega à presidência processado por escutas telefônicas ilegais. Ele é acusado de associação ilícita para espiar Sergio Burstein, familiar de vítima do atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), e seu próprio cunhado, Nestor Daniel Leonardo. Em 2010, a denúncia contra Macri foi aceita e ele passou a responder na Justiça pelo caso. A ele, se imputa haver utilizado a estrutura da Polícia Metropolitana, criada por ele em 2008, para realizar espionagem ilegal em conivência com funcionários de seu governo.
A defesa de Maurício Macri alega que não há provas suficientes de que ele esteja envolvido no esquema de espionagem. Em entrevista a um programa televisivo a dias do segundo turno, Macri foi questionado pelo jornalista e advogado Darío Villarruel sobre sua campanha anticorrupção enquanto está processado pela justiça e evadiu a resposta. O então candidato disse que a causa penal foi “uma invenção do kirchnerismo” e acusou Villaruel de querer constrangê-lo.
Em abril de 2013, a Polícia Metropolitana acompanhou operários contratados pelo governo da cidade de Buenos Aires para demolir uma oficina de reabilitação do hospital psiquiátrico José Tiburcio Borda. Diante da resistência de médicos e pacientes, a força policial os reprimiu com violência e deixou 50 feridos. Macri havia sido acusado de envolvimento no caso, mas uma sentença o livrou de mais um processo em fevereiro deste ano, nove meses antes de sua vitória nas eleições.
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APÓS VITÓRIA DE MACRI, MOVIMENTOS SOCIAIS ARGENTINOS SE REORGANIZAM PARA DEFENDER CONQUISTAS“O momento é de tomar as ruas de volta, porque o neoliberalismo vai querer recuperar o espaço que perdeu nos últimos anos”, diz representante do movimento estudantil.

Após a vitória da oposição que encerrou os 12 anos de governos kirchneristas, os movimentos sociais e correntes políticas que apoiaram a Frente para a Vitória, do candidato derrotado Daniel Scioli, começam a planejar a reorganização e as estratégias futuras para “impedir um retrocesso” nas políticas sociais e de direitos humanos no país.
“Temos que trabalhar muito para ver como reunificamos o movimento popular e nos tornamos uma única força para enfrentar o governo” do presidente recém-eleito Mauricio Macri, resume a Opera Mundi o legislador da Cidade de Buenos Aires Quito Aragón.
A união entre os diversos movimentos que compõem o peronismo de esquerda e o kirchnerismo é outra tônica presente na atual conjuntura do país. “Será necessário que estejamos mais organizados do que nunca. O movimento peronista tem que se unificar para fazer contrapeso às políticas neoliberais [do novo governo]. O momento é de tomar as ruas de volta, porque o neoliberalismo vai querer recuperar o espaço que perdeu nos últimos anos”, diz o Secretário Geral do Centro de Estudantes da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA (Universidade Autônoma de Buenos Aires), Jorge Villanueva.
O momento é também de autocrítica. “A partir de agora se abre um debate sobre quais são as circunstâncias nas quais a direita pôde propiciar essa derrota ao movimento popular”, acredita o Secretário de Relações Políticas do Partido Comunista da Argentina, Alejandro Ferni. “Vamos enfrentar a direita nas ruas e vamos ser vigilantes para que não haja retrocesso”.
Nesse mesmo sentido, Vicky Esquerdo, do Movimento Diversidade do agrupamento La Cámpora, considera que há um temor de que haja “ataques aos direitos conquistados durante a gestão de Nestor e Cristina Kirchner”, quando o país avançou em questões como o casamento igualitário e a lei de identidade de gênero, por exemplo. Ela afirma que seguirá trabalhando “pelos direitos e conquistas que faltam e estaremos mais unidos do que nunca”.
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Macri comemora vitória em segundo turno inédito na história da Argentina. Foto da Agência EFE.
Cenário nacionalEsta é a primeira vez na história democrática da Argentina que a presidência do país não será ocupada por um peronista ou um radical, embora os radicais da UCR integrem a aliança Cambiemos de Macri e tenham sido fundamentais para a inserção nacional do empresário.
Ferni observa que “nos últimos 100 anos os setores conservadores sempre se valeram das Forças Armadas e da colonização de forças populares, com o radicalismo ou peronismo, mas nunca construíram uma força política própria como agora”, que chegam à presidência com uma coligação nova e declaradamente neoliberal. Segundo ele, “essa força tem um revanchismo com relação às conquistas sociais, o que é muito preocupante”.
Há ainda por parte dos militantes pró-Scioli um receio devido ao fato de que, como Macri não terá maioria nem no Congresso, nem no Senado, o presidente governe via decretos. Sobre isso, Aragón, que é legislador na capital, é taxativo e diz não ter “dúvida de que o macrismo sabe governar sem maiorias, ao governar com decretos como faz com a cidade” de Buenos Aires, há oito anos sob seu mandato.
Política internacionalDevido ao protagonismo regional que tem na América Latina e principalmente no cone sul e no Mercosul, a política exterior argentina é acompanhada de perto pelos demais países.
De acordo com Ferni, o cenário para a “política internacional é muito desfavorável”. Com relação à sinalização de Macri de que vai se aproximar da Aliança do Pacífico, Ferni avalia que “a Argentina não pode ir para a Aliança do Pacífico porque não tem saída para esse mar. O que pode haver é uma articulação regional com Chile e Peru e começar a ameaçar o desenvolvimento do Mercosul”.
“Esse resultado é desfavorável para os movimentos sociais e pode ter impacto tanto no Brasil, que é nosso principal sócio comercial, como também em outros países da região, fundamentalmente em Bolívia e Venezuela”, acredita o Secretário do Partido Comunista.
Aragon considera que deve “desculpas” à América Latina pela vitória de Macri: “não conseguimos ser o freio ao processo de avanço do império na região, então pedimos desculpa a todos os companheiros latino-americanos, porque lamentavelmente não fomos capazes”.
Otimista, Ferni conclui: “se esse processo deixa alguma lição para a América Latina é que temos que seguir avançando com a integração latino-americana e com a articulação política dos movimentos populares, com programas de transformação mais profundos, mais estruturais e temos que trabalhar melhor a batalha de ideias”.

Vazamento seletivo: Relator da Lava-Jato estoura a caixa preta de Sérgio Moro

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“Há vazamentos na Lava-Jato para beneficiar poderosos.”
Relator da Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Teori Zavascki afirmou na quarta-feira, dia 25/11, que há “um perigoso canal de vazamento” de informações sigilosas das investigações do esquema de corrupção da Petrobras para beneficiar pessoas poderosas.
O alerta do ministro ocorreu durante o julgamento da segunda turma do STF que confirmou a prisão do líder do governo Delcídio do Amaral (PT/MS), do banqueiro André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves], acusados de obstruir as investigações da operação Lava-Jato e integrarem organização criminosa.
“Vem à tona a grave revelação de que André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves] tem consigo cópia de minuta do anexo do acordo de colaboração premiada assinado por Nestor Cerveró, confirmando e comprovando a existência de canal de vazamento na operação Lava-Jato que municia pessoas em posição de poder com informações de complexo investigatório”, disse o ministro.
Segundo Teori, “é um genuíno mistério como um documento sigiloso que se encontrava em ambiente prisional em Curitiba chegou ao escritório de André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves] em São Paulo”.
No pedido de prisão dos dois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a comparar as tratativas de Delcídio e de Esteves para comprar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para não serem citados como ato de mafioso.
“Há, aí, componente diabólico de embaraço à investigação: ultimado o acordo financeiro, Nestor Cerveró passaria a enfrentar dificuldades praticamente intransponíveis para conciliar-se com a verdade. Seu silêncio compraria o sustento de sua família, em evocação eloquente de práticas tipicamente mafiosas”, afirmou.
InvestigaçõesDelcídio teve a prisão decretada pelo relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zvascki, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.
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Filho de Cerveró gravou conversa com senador.
Segundo Zavascki, ele ofereceu de uma “mesada” de pelo menos R$50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele.
Uma sessão da Segunda Turma do STF, em reunião extraordinária, manteve a prisão do petista.
O senador Ronaldo Caiado (DEM/GO) afirmou, pelo Twitter, que a bancada do Democratas irá votar pela manutenção da prisão do petista. “Não cabe a esta Casa contestar decisão num momento tão grave e que abala o Senado Federal. É importante também que o PT se pronuncie”, afirmou.
Os principais partidos de oposição ao governo federal ainda pretendem utilizar a prisão do líder do governo como argumento para a necessidade de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) da presidência da Câmara dos Deputados.

Preso na Lava-Jato: André Esteves, padrinho de casamento de Aécio, pagou lua de mel ao afilhado em Nova Iorque

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Em uma cerimônia superdiscreta, o senador e candidato tucano à Presidência da República casou-se na última sexta-feira [6/10], no Rio de Janeiro, com a modelo gaúcha Letícia Weber. Aécio é senador por Minas, mas casar em BH evidentemente que não é o caso.
A assessoria do senador informou que o casamento foi apenas no civil. Após a celebração, o casal embarcou para Nova Iorque, onde Aécio fez uma palestra para investidores a convite do Banco Pactual.
O jornal O Globo de hoje [11/10] dá mais detalhes do caso:
“De acordo com a assessoria do tucano, o banco BTG Pactual havia convidado Aécio a fazer uma palestra num evento voltado para investidores estrangeiros em Nova Iorque. O convite se deu em agosto e, como é de praxe, incluía passagens aéreas e hospedagem para o palestrante e um acompanhante. O banco reservou uma suíte para o casal, de segunda a quarta-feira, no hotel Waldorf Astoria. No caso de Aécio, segundo a assessoria, ele declinou de cobrar pela palestra.”
Evidente que em agosto o senador mineiro não tinha a menor ideia de que se casaria com Letícia Weber no início de outubro. Por isso a coincidência da ida para a Nova Iorque com passagem, hospedagem e quetais pagas pelo Banco BTG Pactual ter se dado exatamente no período da lua de mel do casal.
Como informado pela assessoria do banco, Aécio declinou do cachê que porventura poderia ser pago pela palestra. Isso faz toda a diferença.

Entenda as prisões de André Esteves e Delcídio do Amaral

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1) As operações não fazem parte da Lava-Jato. Surgiram em função da tentativa de Delcídio do Amaral e André Esteves [padrinho de Aécio Neves], do Pactual, em subornar Nestor Cerveró. O filho de Cerveró denunciou a tentativa ao procurador-geral da República, que encaminhou a denúncia à Polícia Federal, que conseguiu autorização do STF para monitorar o telefone de Delcídio.
2) Curiosamente, nas fases iniciais não se encontraram maiores evidências de participação de Delcídio – apesar de suas notórias ligações com esquemas na Petrobras – e Esteves [padrinho de Aécio Neves].
3) Segundo o Jotainfo, nas gravações, Delcídio garante a Cerveró poder influenciar o ministro Gilmar Mendes, do STF, por meio dos peemedebistas Renan Calheiros e Michel Temer. Em qualquer tema mais político, surge a figura indefectível de Gilmar.
4) Por seu lado, Esteves [padrinho de Aécio Neves] garantiu uma mesada de R$50 mil à família de Cerveró e apoio em sua fuga pelo Paraguai.
5) Esteves [padrinho de Aécio Neves] tem pendências no Carf. Na época, conseguiu calar a mídia. Será curioso acompanhar a cobertura de sua prisão pelos jornalões.

Enfim, um tucano preso. Motivo? Se filiou ao PT!

A prisão de Delcídio escancara que a corrupção na Petrobras não começou com o PT e nem respeita partidos, embora a “justiça” pareça não querer enxergar isso.
Mal a imprensa anunciara, na quarta-feira, dia 25/11, a prisão do senador Delcídio Amaral (PT/MS), líder do governo no Senado, na 20ª fase da Operação Lava-Jato, a piada pronta já se espalhava pelas redes sociais:
– Hoje é um dia histórico para o país... finalmente um tucano foi preso!
– Verdade? Não acredito... o que ele fez?
– Um monte de coisas que não devia... mas, principalmente, se filiou ao PT!
A piada serviu para o regozijo para boa parte da militância petista, que jamais enxergou em Delcídio “um dos seus”. Mas não reflete toda a verdade. Como também não o fazem as manchetes dos jornalões que estamparam a prisão do “senador petista”.
Delcídio não é exatamente petista. Nem tão pouco tucano. É uma espécie de ser híbrido – meio petista, meio tucano – cuja prisão escancara que a corrupção na Petrobras não começou com a chegada do PT e nem respeita siglas partidárias, embora a justiça pareça não querer enxergar isso.
Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Delcídio é aquele tipo de político que tem bom trânsito entre partidos diversos. No início da carreira, atuou na Eletrosul, na Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia e foi presidente do Conselho de Administração da Companhia Vale do Rio Doce, que viria a ser privatizada mais tarde pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em 1994, foi nomeado ministro de Minas e Energia pelo então presidente Itamar Franco, que tinha Fernando Henrique Cardoso à frente da Fazenda. Durante o governo do tucano de FHC, se filiou ao PSDB e acabou assumindo a diretoria de Gás e Energia da Petrobras. Foi lá que ele conheceu Nestor Cerveró, que atuava como seu subdiretor, e hoje o acusa de pressioná-lo a se calar na delação premiada.
Também foi nesta época que ele começou a se relacionar com Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como um dos principais operadores do esquema da Petrobras, que, em delação premiada, afirmou que foi Delcídio quem indicou Cerveró para a diretoria da estatal, já em tempos de governo petista.
Em 2001, quando o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso caminhava para o fim, aceitou o cargo de secretário de Estado de Infraestrutura e Habitação no governo do Zeca do PT. Em 2002, candidato ao Senado, já pelo PT, e foi eleito com cerca de 500 mil votos.
Amigos de ontemNo parlamento, Delcídio manteve os amigos que trazia do passado tucano. Sempre foi muito próximo do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual e apontado pela Forbes como a 13ª maior fortuna do país. Esteves, que também foi preso nesta quarta, é aquele amigo do peito do senador Aécio Neves (PSDB/MG). Amigo ao ponto de pagar as despesas da lua de mel do tucano, em 2013.
Esteves também é sócio de Pérsio Arida, eleito presidente interino do BTG na quinta-feira, dia 26/11. Arida é um dos economistas gurus de Fernando Henrique Cardoso, sócio do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, e ex-marido de Elena Laudau, a ex-diretora do BNDES que ajudou FHC a promover as privatizações que até hoje escandalizam o país.
Inclusive, foi com financiamento do BNDES que, em 1997, o Banco Oportunity comprou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), apontada como uma das principais financiadoras do “mensalão tucano” – aquele mensalão anterior ao petista, mas que nunca vai à julgamento. Em 2005, na presidência da CPI dos Correios, o senador pelo PT Delcídio Amaral ajudou o PSDB a silenciar as denúncias sobre o caso.
Amigos de hojeMas se Delcídio tem boas relações com os tucanos, também as têm com muitos petistas. Não por acaso é o líder do governo no Senado, o que, pelo menos teoricamente, o qualifica como parlamentar em fina sintonia com linha política adotada pela presidenta Dilma Rousseff no momento, além de dotado de grande capacidade de articulação em outros ninhos.
E ele é, de fato, figura influente no parlamento. Preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do parlamento. E é membro efetivo das Comissões de Serviços de Infraestrutura, Agricultura e Reforma Agrária, Ciência e Tecnologia, Ambiente e Defesa do Consumidor e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido não irá tratar Delcídio com a mesma solidariedade que prestou ao ex-tesoureiro João Vaccari, outro petista preso pela Lava-Jato. Segundo ele, são casos diferentes, porque Delcídio agiu por conta própria, em atividades não partidárias.
Por que não Cunha?Delcídio é o primeiro senador da República a ser preso no exercício da função desde a redemocratização do país, em 1985. Conforme o Ministério Público, ele ofereceu R$50 mil e uma rota de fuga para que o comparsa Cerveró não apontasse sua participação no esquema da Petrobras na delação premiada que acertou com a justiça.
Uma gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, durante uma reunião realizada em um hotel em Brasília para discutir a fuga, há cerca de 15 dias, atesta a participação inequívoca de Delcídio no planejamento da fuga, que o Ministério Público classificou como crime de obstrução à Justiça.
Dúvida de fato, nas instâncias dos poderes em Brasília, é só mesmo acerca da legitimidade ou não da sua prisão, já que a lei diz que um senador em cumprimento de mandato só pode ser preso em flagrante. Mas o próprio Senado reconheceu, já na noite desta quarta, por 59 votos a 13, a validade da polêmica decisão tomada antes pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos corredores do Congresso, não falta quem associe o precedente aberto ao caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), investigado pela mesma Lava-Jato. Não se tem notícia de que Cunha oferecera rota de fuga a nenhum dos condenados pela operação, mas é praticamente consenso que ele tem empreendido uma manobra após a outra para evitar que ele próprio seja investigado.
Para muito além da base do PTEduardo Cunha não é o único preocupado com os desdobramentos da prisão de Delcídio. A tal gravação que comprova que o senador tentara obstruir o trabalho da Justiça expõe vários outros ditos “homens importantes” da república. E para muito além das esferas do PT. Entre eles, o espanhol Gregório Marin Preciado, um velho parceiro do senador José Serra (PSDB/SP), casado com uma prima do tucano e ex-sócio dele em negócios imobiliários.
Na gravação, Delcídio atesta que Preciato é o espanhol que participou das negociações do pagamento de propina de R$15 milhões pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. Um Espanhol que, ainda segundo ele, a justiça brasileira não teria conseguido identificar.
Aliás, conforme Delcídio, Preciato é muito mais do que um operador do esquema, mas sim a verdadeira cabeça. “O Fernando [Baiano] está na frente das coisas e atrás quem organiza é o Gregório Marin [Preciato]”, afirma. Na gravação, Delcídio também registra a preocupação de Serra de que as denúncias cheguem até o amigo-parente.
“O Serra me convidou para almoçar outro dia, ele rodeando no almoço, rodeando, rodeando, porque ele é cunhado do Serra”, disse Delcídio, acusando o tucano de tentar extrair dele informações sobre as investigações.
Preciado é próximo a Serra desde que foi membro do Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987, enquanto o tucano era o secretário de Planejamento de São Paulo. Na campanha de 1994, quando Serra concorreu ao Senado, Preciado chegou a fazer doações eleitorais para ele.
Ele caiu em desgraça quando o governo tucano chegou ao fim. Como aponta o livro A Privataria Tucana, de Amauri Ribeiro Júnior, foi um dos alvos da CPI do Banespa, por conta de supostas operações irregulares no banco. Também foi acusado de se beneficiar da amizade com o ex-tesoureiro do PSDB e então diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que lhe conseguira um abatimento de R$73 milhões em uma dívida.

BHP, Vale e Samarco: trio que é exemplo de irresponsabilidade

O drama em Mariana, na nossa Minas Gerais e agora também no Espírito Santo, nos remete à devassidão ambiental no Brasil e no mundo.
Os maiores e mais impactantes desmandos ambientais não são consequência de acidentes naturais. Eles têm sempre, por detrás, a especulação imobiliária ou a extração predatória de alguma grande empresa exploradora, em geral privada, que não garante a segurança e a saúde das trabalhadoras e trabalhadores, do meio ambiente e das comunidades.
A Samarco, empresa da multinacional anglo-australiana BHP Billiton e da multinacional Vale S.A cometeu, por negligência, o maior crime ambiental do Brasil, com consequências que ainda não podemos dimensionar, principalmente porque outras duas barragens estão ameaçadas de  desabamento, afetando de maneira devastadora dois estados brasileiros.
Cabe registrar que a Vale do Rio Doce, estatal privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso, (com forte posicionamento contrário da CUT e movimentos sociais) anunciou em seu balanço, no dia 22 de outubro de 2015, que “o expressivo corte de custos no período, fez da Vale a empresa com menor custo de toda a indústria, atingindo um patamar de U$12,7 por tonelada de minério de ferro”.
O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Vale anunciou ainda que, em termos de produção, a Vale tem o custo mais baixo do mundo. A Samarco é uma empresa da Vale.
O baixo custo na produção pela BHP/Vale/Samarco pode ter feito submergir, na lama tóxica, o imensurável valor da vida no povoado que vitimou com 11 mortes, destruição das moradias e das únicas possibilidades de trabalho e subsistência das famílias, a morte do rio, e com ele, a morte da vida e da esperança.
Quanto às 12 pessoas desaparecidas, a BHP/Vale/Samarco deve disponibilizar de todos os meios e recursos necessários para encontrar, um por um, daqueles que foram vitimados por consequência de sua ingerência e negligência administrativa.
Neste triste caso, a BHP/Vale/Samarco são as únicas responsáveis pelo ocorrido, mas poderia ser uma empresa terceirizada e aí o problema seria ainda mais complexo.
A CUT tem alertado para os riscos da terceirização sem limites, as ameaças à vida, à saúde e aos direitos da classe trabalhadora, bem como a transferência de responsabilidades das empresas para as terceirizadas, o que tornariam ainda piores situações como esta.
Dentre os 12 desaparecidos, seis são funcionários terceirizados pela Samarco, como será que ficam as famílias destes trabalhadores?
As empresas devem ser fiscalizadas para que situações como estas não voltem a ocorrer. A empresa ao decidir colocar em risco as comunidades e os bens comuns, em nome de seus interesses e lucros, deve assumir todos os custos e responder civil e criminalmente pelo que, por omissão, não evitou.
Causa indignação o fato de que diante de toda essa destruição ainda tenhamos que assistir ao descalabro do diretor da empresa, em uma entrevista coletiva, ousar dizer, frente à destruição e ao impacto provocado sobre milhares de famílias que “não é o caso de pedir desculpas”.
É o caso de pedir a prisão dos irresponsáveis que destruíram tantas vidas e todo um ecossistema de dois estados, de maneira irreparável.
A CUT, ao longo da história, tem trazido à tona a necessidade urgente de mudança do modelo de desenvolvimento.
A selvageria predatória, o modelo de apropriação de território, a violência no campo, nas cidades, nas florestas e nas águas têm trazido um sem-fim de adoecimentos, mortes e deixado um rastro de destruições.
Soma-se à mudança do modelo outra grande bandeira da CUT que é o fim do financiamento público de campanha. Inúmeros parlamentares tiveram suas campanhas financiadas por empresas mineradoras.
Durante a tramitação do marco regulatório da mineração, pasme, até mesmo o relator, sem nenhum constrangimento ou decoro por relatar matéria de interesse próprio, admitiu que sua campanha fosse financiada pelo setor mineral e que defendia os seus interesses.
Precisamos aprofundar este debate sobre a mineração no Brasil e impedir que mais retrocessos legais ocorram, chancelados pelo Estado brasileiro.
É hora de ampliarmos e fortalecermos a participação social na forma de conselhos, a começar pelos conselhos municipais de mineração, com a vez e a voz da sociedade, das comunidades, das trabalhadoras e trabalhadores impactados, para que todos tomem parte das decisões.
Nessa mesma direção, é preciso retomar a luta pela Política Nacional de Participação Social, que teve derrubado o decreto presidencial por congressistas, que assim impediram que se ampliasse a representação da sociedade nas decisões sobre as políticas públicas que afetam diretamente os seus interesses. 
O drama de Minas Gerais - e agora também do Espírito Santo - é a consequência da repetições de ilegalidades denunciadas, alertadas, em que a ação do Estado foi ineficaz nas três esferas. Somados à falta de fiscalização nas empresas, os ouvidos moucos às denúncias e apelos da sociedade e a uma legislação que se busca a cada dia flexibilizar ainda mais.
Quando a CUT e os demais movimentos foram ao embate contra as mudanças que afrouxaram o Código Florestal, era para evitar que a Lei estando mais flexível não desse conta de repreender situações semelhantes a essa.
Por fim, já passou da hora de a sociedade parar de dormir embalada no barulho dos discursos de visão, missão, valores, responsabilidade social e ambiental e todos esses chavões que representam o que há de mais hipócrita na relação das empresas para com a sociedade.
Quem se der ao trabalho de ler esses “compromissos públicos” no site da Vale S.A vai entender. A Vale, desde 2008, deixou de ser “do Rio Doce”.
Seus executivos são bastante precavidos e visionários ao desvincular o Rio da empresa. O Rio Doce está morto. Destruído em nome do lucro, da falta de prevenção, do respeito com os bens comuns, do respeito às vidas, do respeito aos povos, de respeito ao Brasil.
Momentos tristes como estes em que vivemos devem ser também momentos para debater com a sociedade, com os parlamentares, governos e empresários. Devem ser momentos para transformar mentalidades adoecidas, consumidas pelo capitalismo, pela vantagem e o lucro acima de tudo e a qualquer preço, pela construção de uma sociedade mais justa e responsável, sobretudo com os bens comuns. Aqui, cabe o reconhecimento público à CUT-MG, que desde os primeiros instantes da tragédia soube se mobilizar e se posicionar em defesa dos trabalhadore(a)s, do meio ambiente e das comunidades.

Saiba quem é o banqueiro André Esteves, o padrinho de Aécio

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Estadão explica tudo: dono do banco que pagou viagem de lua de mel de Aécio e prometeu R$4 milhões a delator é filho de mãe “com mentalidade de petista antigo”.
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A prisão do banqueiro de R$300 bilhões de patrimônio, André Esteves, do BTG Pactual, certamente levará a Operação Lava-Jato a encruzilhadas interessantes.
Se ele e o senador Delcídio Amaral, de DNA tucano, pretendiam despachar o delator Nelson Cerveró para fora do Brasil – à custa de R$4 milhões, mais R$50 mil mensais à família do ex-diretor da Petrobras – significa que ambos estavam comprometidos com as denúncias feitas no escândalo da petroleira.
Cerveró vai delatar. E Delcídio? Se sim, o senador vai contar tudo, desde que era do PSDB e assumiu cargo na Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso? Esteves, por sua vez, poderia fazer um raio xis completo da relação entre o mundo das finanças e a política no Brasil.
Ele tem como sócio Pérsio Arida, que acaba de assumir a presidência do BTG Pactual. Arida seria no mínimo um “consultor” num eventual governo de Aécio Neves. A delação de Esteves, portanto, poderia abrir interessantes linhas de investigação.
No famoso bilhete de Marcelo Odebrecht a seus advogados, apreendido pela PF, o empreiteiro mencionava a necessidade de recuperar a “iniciativa de André Esteves”. Portanto, está no campo das possibilidades que a ação de Delcídio-André Esteves era mais ampla e envolvia o próprio Odebrecht.
A pressão sobre o dono da empreiteira vai crescer. Se delatar, Marcelo poderia esclarecer, por exemplo, todas aquelas menções a autoridades nas notas encontradas em seus celulares apreendidos pela Polícia Federal. Inclusive o famoso “adiantar 15” a um certo J.S., que foi censurado pela PF.
Agora, sim, saberemos definitivamente quais são as “prioridades” do juiz Moro.

sábado, 21 de novembro de 2015

A obscura ameaça de privatização das águas

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Açude de Orós (CE), um dos mais tradicionais do país. Empresas concessionárias poderão deixar de abastecer populações e vender “sua” água para agronegócio.
Pela porta dos fundos, sem nenhum debate com a sociedade, megagrupos empresariais buscam brecha na legislação que lhes permita controlar fontes hídricas brasileiras. Veja como agem e quais as possíveis consequências
Esses dias fui entrevistado pela Folha de S.Paulo sobre uma nova investida da Agência Nacional de Águas para a criação do “mercado de outorga de águas”. O assunto é antigo e, vez em quando, se mexe no túmulo.
A proposta vem do Banco Mundial e FMI para a criação do mercado de águas como a melhor forma de gerir a crescente crise hídrica global. Como no Brasil a água é um bem da União (Constituição de 1988) ou um bem público (conforme a Lei 9.433/97), ela não pode ser privatizada, nem mercantilizada.
Acontece que há tempos o grupo que representa o pensamento dessas instituições internacionais no Brasil – e das multinacionais da água – busca brechas na lei para criar o mercado de águas, pelo mecanismo de compra e venda de outorgas. Já que a água não pode ser um bem privado, então busca-se criar o mercado das outorgas (quantidades de água concedidas pelo Estado a um determinado usuário), para que possam ser vendidas de um usuário para outro.
Hoje, o mercado de outorgas é impossível. Quando um usuário que obteve uma outorga não utiliza a água demandada, ela volta ao poder do Estado. Não pode ser transferida para outro usuário, muito menos ser vendida. A finalidade é óbvia: evitar que se crie especulação financeira em torno de um bem público e essencial, evitando a compra e venda de reservas de água.
A lei já tem uma aberração, que é a outorga preventiva. Uma empresa pode reservar para si um determinado volume de água até que seu empreendimento possa ser implantado. Essa outorga preventiva pode ser renovada mesmo quando o prazo expirou sem que nenhuma gota d’água tenha sido utilizada.
Onde o mercado de águas – sob todas as formas – foi criado o fracasso foi mortal, literalmente. Na Bolívia gerou a guerra da água, na França, depois de alguns anos, o serviço voltou ao controle público. Assim em tantas partes do mundo. Mas o Brasil é tardio e colonizado. Muitos de nossos agentes públicos também o são.
Pela nossa legislação existe uma ética no uso da água, isto é, em caso de escassez a prioridade é o abastecimento humano e a dessedentação dos animais. Portanto, prioridades como essas, estabelecidas em lei, não podem ser substituídas pelo mercado. Em momentos críticos como esse, exige-se intervenção do Estado através do organismo competente para determinar a prevalência das prioridades sobre os demais usos.
Porém, se as regras forem mudadas para que passe a prevalecer o mercado, uma empresa de abastecimento de água, para ganhar dinheiro, poderá vender sua outorga – total ou parcialmente – para outra companhia: de irrigação, por exemplo. Nesse caso, sacrificaria as pessoas em função do lucro e da empresa que pode pagar mais pela água.
Portanto, não é só uma questão legal. É, antes de tudo, ética, humanitária e protetora dos direitos dos animais. A proposta inverte a ordem natural e dos valores, colocando o mercado como senhor absoluto da situação, exatamente em momentos de escassez gritante.
É sintomático que essas observações feitas à Folha de S.Paulo não tenham sido publicadas. Apareceram apenas as vozes dos defensores do mercado de águas.

Teste rápido: Você faz papel de idiota nas redes sociais?

Meteoro01
Meteoro: Se bobear, um dia ele aparece.
Escolha apenas uma alternativa:
1) Após ler o título de um texto sobre um assunto que te interessa, você:a) Parte para esculhambar e xingar o autor
b) Começa a elogiar e endeusar o autor
c) Diz que aquela postagem é a prova que os Illuminati estão dominando o mundo
d) Avisa que aquilo não tem importância alguma porque Cristo vai voltar em breve
e) Lê o texto
2) Você recebeu uma mensagem no WhatsApp com uma denúncia séria, mas com autoria desconhecida e sem fontes de dados confiáveis. Então:a) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp
b) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp e replica no Twitter
c) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter e bomba no Facebook
d) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter, bomba no Facebook e mita falando dele no Snapchat
e) Dá um google para checar e, caso haja uma dúvida razoável, avisa a quem te mandou a fim de que evite espalhar conteúdo que pode ser falso
3) Quando percebe que não manja muito de um assunto em um debate nas redes sociais, você:a) Inventa dados para ganhar o debate
b) Cria histórias para sustentar seus argumentos
c) Enfia palavras na boca de terceiros
d) Distorce o que não é favorável a você
e) Não tem vergonha de dizer “não sei'', “não faço ideia'' e “me explica''
4) Quem xinga alguém durante uma discussão nas redes sociais está:a) Colocando a pessoa em seu devido lugar
b) Mostrando a ela quem manda por aqui
c) Deixando claro a todo mundo quem é o pica das galáxias
d) Dando uma lição em quem se atreveu a questioná-lo
e) Sendo um babaca
5) Alguém que discorda educadamente de seu post é:a) Um petralha imundo que mama nas tetas do governo
b) Um tucanalha nojento e insensível à dor do semelhante
c) Uma feminazi maldita que quer destruir os homens de bem
d) Um gayzista que quer transformar meus filhos em sodomitas
e) Alguém que discorda educadamente do meu post
A quem respondeu qualquer coisa que não fosse a alternativa “e”: Há pessoas preocupadas em ganhar debates e ignoram as dores do outro. E ofendem, xingam, maltratam, espantam. E há aquelas que querem construir algo por meio de conversas nas redes sociais. E ouvem, entendem, toleram, absorvem. Qual desses grupos de pessoas você acha que vai deixar saudades se partir? Qual desses grupos de pessoas você acha que são fundamentais para o futuro do país?