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sábado, 7 de maio de 2011

A incrível bancada dos parentes na Paraíba

Mais que um bom nome, é preciso ter um bom sobrenome para chegar ao Congresso pela Paraíba. Dos 12 parlamentares que representam o estado na Câmara, apenas um – o deputado Luiz Couto (PT-PB) – não tem parente na política. No Senado, os três representantes paraibanos também têm familiares na vida pública. São filhos, pais, netos, sobrinhos, tios, primos e cônjuges de ex-governadores, prefeitos, vereadores, deputados e senadores.
Uma tradição que vem desde os tempos da chamada República Velha (1889-1930) e se reproduz na figura dos dois mais jovens deputados da atual legislatura, os paraibanos Hugo Motta (PMDB) e Wilson Filho (PMDB), ambos de 21 anos e filhos de políticos.
É por isso que a bancada da Paraíba foi escolhida pelo Congresso em Foco para abrir uma série que investigará como e por que a política no Brasil vem se tornando uma atividade familiar. Ao longo desta semana, você verá outros exemplos da força das oligarquias políticas brasileiras, e como o parentesco entre os políticos cresceu no Congresso como resultado das eleições do ano passado.
Para analistas políticos ouvidos pelo Congresso em Foco, a concentração de poder nas mãos de um grupo restrito de famílias é resquício do coronelismo e do poderio das oligarquias que se revezaram no comando do estado no século passado. Uma prática que, segundo eles, está longe de acabar.
Parlamentares que conseguiram o mandato no embalo de parentes políticos reconhecem que o sobrenome foi importante para a primeira eleição, mas minimizam a importância do parentesco na continuidade da vida pública. Eles argumentam que sobrevivem na política porque têm projetos próprios (leia mais).


Deputados dizem ter mais que sobrenome
Deputado reclama de ‘nepotismo político’
O revezamento de famílias no comando da política está longe de ser uma exclusividade da Paraíba, como mostrará esta série. Num país em que o interesse pela política é limitado, a atividade tem a imagem desgastada por sucessivos escândalos e as campanhas eleitorais estão cada vez mais caras, o berço político acaba abrindo muitas portas.
De pai para filho
Nascido um ano após a promulgação da Constituição de 1988, Wilson Filho chegou ao Congresso pelas mãos do pai, o senador Wilson Santiago (PMDB-PB), ex-líder do PMDB na Câmara. Ele é apenas um mês mais velho que Hugo Motta, o mais jovem congressista brasileiro. Hugo é filho do atual prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley Filho, e neto do ex-prefeito da cidade Nabor Wanderley. Pelo lado materno, é neto do ex-deputado Edvaldo Motta, já falecido, e da deputada estadual Francisca Motta (PMDB).
Assim como Wilson Filho, que tem a companhia do pai, quem também não pode se queixar de solidão no Congresso é o senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB). Herdeiro do ex-deputado Vital do Rego (PMDB-PB), que morreu no ano passado, o senador é filho da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB). O pai de Nilda, Pedro Gondim, governou a Paraíba duas vezes. O poderio da família se estende pela segunda cidade mais populosa do estado, Campina Grande, administrada atualmente por Veneziano Vital do Rego (PMDB), filho da deputada e irmão do senador.
Cunha Lima x Maranhão
Principais adversários na política paraibana na atualidade, as famílias Cunha Lima e Maranhão também têm representantes no Congresso. De volta à Câmara, após quatro anos sem mandato, o deputado Benjamin Maranhão (PMDB-PB) é sobrinho do ex-senador José Maranhão (PMDB-PB), último governador da Paraíba. O também deputado Romero Rodrigues (PSDB-PB) é primo do antecessor de Maranhão no governo da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Candidato mais votado no estado para o Senado em 2010, Cássio Cunha Lima foi barrado pela Lei da Ficha, cuja validade foi adiada para 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador se prepara para assumir a vaga do senador Wilson Santiago, terceiro colocado na disputa. A candidatura do tucano havia sido indeferida porque ele foi cassado por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação para tentar influir na eleição de 2006.
No Senado, Cássio vai ocupar uma cadeira que já foi do pai, Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), e também do tio Ivandro Cunha Lima. Ronaldo Cunha Lima renunciou ao mandato de deputado federal em 2007 para escapar do julgamento do processo a que respondia por tentativa de homicídio, por ter atirado no ex-governador Tarcísio Burity em novembro de 1993.
Cássio terá como companheiro de bancada partidária e estadual o senador Cícero Lucena (PSDB-PB). No meio do mandato no Senado, o ex-prefeito de João Pessoa é casado com a ex-vice-governadora Lauremília Lucena. Ele é tio do ex-deputado estadual Fabiano Lucena, de 31 anos, e primo do ex-presidente do Senado Humberto Lucena. Fabiano Lucena deixou a Assembleia Legislativa. Quem está lá agora é Caio Roberto, filho do deputado Wellington Roberto (PR-PB).
Em nome da família
A bancada paraibana na Câmara também traz representante de quem não conseguiu se reeleger no Senado. Em seu segundo mandato na Câmara, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) dá continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, o ex-senador Efraim Morais (DEM-PB). Atual secretário estadual de Infraestrutura, Efraim ficou na quarta colocação na corrida ao Senado em outubro.
Efraim Filho tem outros parentes na política: é sobrinho do ex-secretário estadual de Saúde Joácio Morais, primo do prefeito de Santa Luzia (PB), Ademir Morais, e do vice-prefeito de São Mamede (PB), Neto Morais. O deputado é neto, por parte de mãe, do ex-deputado estadual João Feitosa e, por parte de pai, do ex-deputado estadual Inácio Bento de Morais.
Outro parente de ex-senador é o novato Ruy Carneiro (PSDB-PB). O deputado é sobrinho-neto do ex-senador Ruy Carneiro, que permaneceu no Senado por 28 anos e governou a Paraíba entre 1940 e 1945, e do ex-deputado Janduhy Carneiro.
Também estreante no Congresso, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ocupa hoje uma cadeira que já foi preenchida pelo pai, o ex-deputado Enivaldo Ribeiro. Aguinaldo também é filho da prefeita de Pilar (PB), Virgínia Velloso, e irmão da deputada estadual Daniela Ribeiro.
O deputado Manoel Junior (PMDB-PB) é o primeiro da família a alcançar uma vaga na Câmara. Manoel é sobrinho do ex-prefeito de Itambé (PE) Renato Ribeiro da Costa e da prefeita de Pedras de Fogo (PB), Maria Clarice Ribeiro Borba. Outro que ocupa um posto inédito para sua família é Damião Feliciano (PDT-PB).
O pedetista tem como herdeiro político o filho Renato Feliciano, que foi vereador em Campina Grande. Renato é o atual secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba. A mulher do deputado, Lígia Feliciano, tentou entrar para a política duas vezes. Foi candidata a senadora em 1998 e a vice-prefeita de Campina Grande na chapa encabeçada por Rômulo Gouveia (PSDB), atual vice-governador, em 2008. Nas duas vezes, porém, ela não conseguiu se eleger.

filho de peixe...

Herdeiro político do atual presidente do DEM, o senador José Agripino Maia (RN), o deputado Felipe Maia (DEM-RN) diz que os parentes de políticos continuarão se elegendo se não houver uma reforma política. Em seu segundo mandato, o deputado afirma que “provavelmente se reelegerão os Maia, os Alves, os Faria, ou alguém que seja filho de um empresário ou tenha um grande grupo por trás dele”, caso não seja alterado drasticamente o atual modelo de financiamento de campanha.
“Antes de se discutir a perpetuação de dinastias na política, tem de se discutir a reforma política. Eu sou favorável a uma renovação política no país. Agora, diante da atual forma de se fazer campanha e das normas eleitorais existentes, dificilmente haverá uma renovação. O sistema eleitoral contribui para que sejam eleitos aqueles que têm grandes estruturas. No Brasil, o candidato precisa de patrocinadores, de grandes grupos por trás”, diz Maia.
O deputado admite que ser de uma das mais tradicionais famílias do estado o favorece politicamente, mas diz que esse benefício só existe porque há um legado familiar positivo. “No momento em que você tem algum parente próximo que já esteja na vida pública, isso pode vir a ajudar se essa figura for respeitada e tiver serviços prestados à sociedade. Do contrário, pode vir a lhe puxar para baixo. Não necessariamente a influência é positiva. Pode ter parente que não tenha deixado um bom legado. Isso pode lhe atrapalhar”, analisa.
Felipe avalia que a parte ruim do parentesco diz respeito às cobranças e às comparações. “Normalmente as pessoas cobram e comparam. Mas eu sempre encarei isso com muita naturalidade, entendendo que, em nenhum momento, eu poderia ter a pretensão de estar no mesmo patamar que o senador Agripino, que tem 30 anos de vida pública”, diz Felipe, completando que apenas recorre ao pai para lhe “aconselhar pontualmente”, sem interferências no mandato.
Ainda os Maia
Primo mais distante de Felipe e do senador José Agripino, o deputado João Maia (PR) afirma que construiu sua carreira independentemente do sobrenome. João é irmão do ex-diretor-geral do Senado e atual deputado distrital Agaciel Maia (PTC), eleito no ano passado, e do ex-prefeito de Jardim das Piranhas (RN) Galbê Maia (atual vice). Morou por anos em Brasília e no Rio de Janeiro, onde se formou e foi professor universitário. Nas eleições de outubro, João Maia foi eleito como o segundo candidato mais votado, perdendo apenas para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN).
“Fui um dos deputados mais votados do estado e descendo de uma família que não tem a política forte, apesar do nome. É difícil avaliar porque os eleitores ainda votam em famílias, mas vejo que em estados mais pobres se cria uma linha de dever favores”, avalia João Maia. “Mas essa coisa de dever favores começa a se esgarçar. Antes, o Rio Grande do Norte tinha duas famílias, os Maia e os Alves, e o povo era dividido que nem torcida. Hoje, isso ainda é forte, mas já há várias outras influências na política”, diz o deputado potiguar.
Estranha no ninho
De origem modesta e sem tradição familiar na política, a deputada Fátima Bezerra se descreve como a única parlamentar que tem um perfil de origem social na bancada do Rio Grande do Norte. Reeleita pela segunda vez como a mais bem votada do estado, ela atribui a votação expressiva à “luta social e popular” de seu mandato.
“Essa votação traduz o reconhecimento do povo potiguar do nosso trabalho. O mandato tem se esforçado para fazer as pontes entre as demandas do estado junto ao governo federal e tem uma vinculação com as lutas sociais e populares. O mandato preserva até hoje o caráter militante”, diz.
Para Fátima, apesar de sua votação expressiva, a tradição familiar na política do Rio Grande do Norte ainda é muito forte. A parlamentar afirma que, somente em 2002, o estado elegeu um representante federal que não era ligado às famílias tradicionais. “Até aquele ano, das oito vagas que o Rio Grande do Norte tinha direito, só quem conseguia se eleger eram os candidatos oriundos de famílias tradicionais ou aqueles que dispunham de um forte aparato do poder econômico”, avalia.
A parlamentar considera que essa perpetuação no poder não favorece o processo político de renovação e de pluralidade. “A presença forte das famílias tradicionais, aliada ao aspecto do poder econômico, evidentemente dificulta, e muito, o processo de renovação, de pluralismo no campo da representação política. Não estou falando aqui do ponto de vista do desempenho pessoal de cada um. Mas evidente que o aspecto negativo é que, num contexto desses, fica difícil você ter novos quadros e uma representação de caráter mais plural”, conclui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Maia pede levantamento sobre emancipação

O presidente da Câmara, Marco Maia, solicitou ao secretário-geral da Mesa, Sérgio Sampaio, um levantamento sobre a proposta de criar 44 cidades no Maranhão – os recursos necessários e os projetos de lei que tratam do assunto e tramitam na Casa.

O assunto foi tema de reunião do presidente com os deputados Ribamar Alves (PSB-MA) e Carlos Brandão (PSDB-MA), prefeitos e vereadores do estado, nesta terça-feira (22).

Segundo os deputados, a emancipação é necessária porque algumas prefeituras não investem em áreas afastadas das sedes municipais, deixando comunidades isoladas. Eles apontam que 48% da população do estado vive na zona rural. Atualmente, o Maranhão possui 217 municípios.



Se isso for aprovado serão mais 44 prefeitos, mais 44 vice-prefeitos, mais umas centena de vereadores,
várias centenas de novos funcionários públicos... etc... etc...

sábado, 5 de março de 2011

MPT realiza debate sobre mudanças no estatuto do partido

O Movimento PT vai reunir sua militância na segunda-feira, 14, às 18h30min, na sede do PT Nacional, em Brasília, para debater as mudanças no estatuto do partido.

O PT criou uma comissão com 15 membros, coordenada pelo deputado Ricardo Berzoini, para preparar o congresso que debaterá o tema, em setembro. Os representantes efetivos do MPT nesta comissão são: Vilson Oliveira (SP) e Romênio Pereira (MG). São suplentes os deputados federais Geraldo Magela (DF) e Fátima Bezerra (RN).
              
Com o intuito de representar as opiniões dos companheiros do Movimento PT à Comissão de Reforma Estatutária, e na impossibilidade de realizarmos agora um seminário sobre o tema, contribuições podem ser mandadas por email até o dia 13 de março ou na reunião da segunda, 14.

Magela garante fim da distribuição de lotes no DF

Zerar o déficit habitacional é a grande meta da Secretaria de Habitação do Distrito Federal (Sehab). Para alcançar esse objetivo o GDF pretende ampliar a participação de Brasília no programa habitacional do governo federal, o Minha Casa, Minha Vida, além de fazer parcerias público-privadas com as empresas da construção civil.

O secretário de Habitação, Geraldo Magela, garante que, a partir de agora, a prática de distribuição de lotes, comum em governos anteriores, deixa de existir. As pessoas terão acesso à moradia através de unidades habitacionais prontas, financiadas por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida. “Nós achamos que quem recebe a casa pronta cuida melhor e tem mais dificuldade de se desfazer dela. As unidades habitacionais (casas e apartamentos) serão vendidas com uma prestação acessível, que seja melhor para as pessoas do que o aluguel que pagam hoje”, declara Magela.

O GDF está fazendo um estudo das áreas disponíveis para a construção dessas moradias. E a partir de abril o governo pretende começar a informar onde as novas unidades serão construídas, mas garante que toda a população do DF será atendida pelo novo programa. “Queremos construir em praticamente todas as cidades. Quem está esperando uma residência poderá tê-la no local em que reside hoje. Até porque é ruim atendermos uma família que more, por exemplo, em Planaltina, que os filhos estudam lá, tem uma vida constituída na cidade e a beneficiarmos com uma unidade habitacional em Samambaia. Nós queremos moradia perto de onde as pessoas vivem e, assim, trabalharemos para zerar o déficit habitacional”, diz o secretário.

Para atender a demanda reprimida da população que anseia pela casa própria, a Sehab pretende utilizar vários recursos para contemplar toda a população do DF com as unidades habitacionais. Além do programa habitacional do governo federal, também cogita fazer uma parceria com as empresas privadas da construção civil.

“Para as construções vamos fazer licitações, contratar empresas para o serviço, fazer parcerias público-privadas, como foi feito na implantação do setor Mangueiral. Vamos trabalhar com as cooperativas, chamar as empresas e usar todos os meios possíveis para atender a população. Claro que primaremos pela transparência, pela seriedade, e todos terão a oportunidade de trabalhar para ajudar a construir e melhorar a habitação”, completa o secretário.

A Secretaria de Habitação começa a selecionar as pessoas que serão contempladas ainda este ano, para que, enquanto as casas e apartamentos forem construídos, os beneficiados se preparem para o financiamento. As pessoas serão selecionadas por meio das cooperativas e pela listagem da Companhia Habitacional de Brasília (Coodah), que passará por uma restruturação: aqueles que estiverem há mais tempo em Brasília terão mais pontuação.

Minha Casa, Minha Vida verticalizado
Expandir a ideia de verticalização é uma forma pensada pelo governo para aproveitar os espaços vazios existentes nas cidades, assim como driblar a falta de espaços para construir no DF. “Queremos otimizar os espaços, aproveitarmos áreas vazias para construir prédios e apartamentos nas cidades. Com os prédios, as pessoas estarão mais concentradas, então facilita na implantação de transporte, saúde, segurança e educação. Os espaços vazios entre as quadras na cidade serão aproveitados, pois nos dão viabilidade econômica, porque a infraestrutura já está pronta. A intenção é realmente mudar o conceito de somente construções horizontais para a verticalização dos empreendimentos” enfatiza Magela.

Aumentar a participação do DF, no programa habitacional federal será a consequência das novas regras. A tendência é que os financiamentos feitos através do Minha Casa, Minha Vida fiquem mais baratos para a população.

“Infelizmente não houve interesse dos governos passados de aderir ao programa federal. No DF não existe praticamente nada em relação ao programa. Temos um compromisso político de ajudar o governo federal e, ao mesmo tempo, atender a demanda reprimida. A grande vantagem do DF é que a maior parte das terras é do GDF ou do governo federal. Isso faz com que os preços das construções diminuam. Mesmo que os preços dos imóveis daqui sejam mais elevados do que os do restante do país, este fator da terra ser pública ajuda”, declara o secretário de Habitação.

Segundo Magela, o programa vai atender aos vários setores da população que recebem de três até 12 salários mínimos. “Precisamos ter a Caixa Econômica Federal como parceira firme. Para isso, vamos dar a ela todas as condições de atender aos nossos segmentos de maneira segura. Para atender a faixa de maior renda da população faremos parceria público-privada. Até porque a política habitacional do programa é de até 10 salários mínimos, mas a do DF é de até 12. Então, essa diferença pode ser atendida através da parceria”, conclui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A ministra das trombadas

Ao comprar briga com a Igreja, militares e ruralistas, a secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, dá ao cargo uma dimensão que ele jamais teve.

Aos 12 anos de idade, a gaúcha Maria do Rosário Nunes entrou no grêmio estudantil da escola e iniciou o seu histórico de militância. Aos 14, fez um jornal para tentar derrubar o vice-diretor do colégio. Na vida adulta, se destacou no movimento dos professores, filiou-se ao PT e foi eleita vereadora, deputada estadual e depois deputada federal. Em outubro passado, conquistou o terceiro mandato para a Câmara, com 143 mil votos, na sexta maior votação do Rio Grande do Sul, mas pediu licença para assumir a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, como uma das nove ministras de Dilma Rousseff. Em apenas dois meses, Maria do Rosário, 44 anos, deu ao cargo uma dimensão que ele jamais teve. Conseguiu isso ao defender com veemência a união civil de homossexuais, a comissão da verdade sobre os mortos da ditadura e a desapropriação de fazendas que exploram trabalho escravo. Destemida, também cobrou espaço para sua secretaria na coordenação da comissão que procura as ossadas de guerrilheiros no Araguaia. O efeito da postura agressiva foi imediato. Em menos de 100 dias de governo, ela comprou brigas com a Igreja, militares e ruralistas. “Para sentar nesta cadeira aqui, tem que ter coragem”, disse Maria do Rosário à ISTOÉ.

Os principais embates da ministra têm como alvo a área militar e começaram quando o ministro da Defesa, Nelson Jobim, avisou que não ia cumprir decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que responsabiliza o Brasil pelos guerrilheiros desaparecidos do Araguaia. “Ministra, as decisões da corte internacional não se sobrepõem às decisões do STF”, afirmou Jobim a Maria do Rosário, quando conversavam sobre a questão. A resposta foi ligeira e sem meias palavras. “Vamos cumprir a decisão da corte da OEA. Temos de reconhecer as mortes no Araguaia e a responsabilidade do Estado”, rebateu a ministra, que pretende abrir os arquivos da ditadura que as Forças Armadas se recusam a revelar. Há divergências também quanto à proposta de criação da comissão da verdade, para investigar os crimes do regime militar. Maria do Rosário quer passar a limpo os anos de chumbo e tem aval dos grupos de direitos humanos para cobrar responsabilidades. “A criação da comissão é uma determinação da presidente Dilma”, diz ela. Pressionado pelo Exército, Jobim prefere uma comissão mais burocrática. “Não sou favorável à punição de eventuais culpados, porque a Lei da Anistia veda”, explicou Jobim à ministra. Em entrevista à ISTOÉ, Maria do Rosário reforçou sua postura assertiva. “A minha conversa com o ministro Jobim é de igual para igual, todos os ministérios têm igual importância”, disse. “Uma questão essencial do nosso diálogo é que quem comanda é a presidente Dilma. Nós dois temos que seguir as diretrizes dela”, afirmou a ministra, mostrando força política.


PODER
A presidente Dilma deu carta branca para Maria do Rosário


Logo nos primeiros dias do governo, Maria do Rosário exibiu sua marca ao pedir explicações ao ministro-chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República, general José Elito Siqueira, por uma declaração que o Palácio do Planalto considerou desastrada. O general dissera que os desaparecidos políticos durante a ditadura eram um “fato histórico” do qual os militares não tinham que se envergonhar. Maria do Rosário foi pessoalmente ao gabinete de Elito. “Eu queria que o senhor esclarecesse sua posição”, afirmou a ministra. O general saiu-se com um pedido de desculpas atravessado, para não criar mais polêmica. “Foi um mal-entendido, ministra, eu não quis dizer aquilo”, justificou-se Elito. Há dez dias, a ministra foi à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na pauta do governo com a Igreja está o 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos, que trata do casamento de homossexuais, do aborto e da invasão de terras. “Ministra, do governo, esperamos diálogo”, ponderou o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha. “Há outras instituições, além do Estado, que também podem colaborar muito na questão dos direitos humanos.” Maria do Rosário concordou, mas com ressalvas. “Reconhecemos a importância do trabalho da Igreja Católica, mas temos um Estado laico.” A ministra também foi à Câmara dos Deputados pedir ajuda à bancada feminina para aprovar matérias de interesse do governo. Mas ela não poupa críticas ao Congresso. “O Poder Judiciário no Brasil avançou muito mais que o Legislativo”, ataca.

A disposição da ministra para brigas se estende a representantes de diversos setores. Recentemente, ela procurou o senador Blairo Maggi (PR-MT), maior produtor de soja do mundo, e entrou de sola no delicado assunto dos conflitos agrários. “Precisamos do apoio do agronegócio para enfrentar esse problema e o trabalho escravo”, disse ela. Maggi, que não quer entrar em guerra com a bancada ruralista da Câmara, prometeu considerar o assunto. “Vamos ver, ministra”, respondeu, sem grande entusiasmo. Maria do Rosário, porém, insistiu e afirmou que quer “separar o agronegócio da pistolagem”. À ISTOÉ, a ministra ratificou que vai fazer de tudo para separar o joio do trigo no campo. Como se vê, a gaúcha Maria do Rosário está na cadeira certa e é realmente um osso duro de roer.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Líderes do governo e do PT dizem que traições petistas serão avaliadas


Paulo Teixeira: bancada decidirá sobre os que votaram contra o governo.
Os deputados petistas Eudes Xavier (CE) e Francisco Praciano (AM), que votaram na sessão de quarta-feira (16) contra a proposta de salário mínimo do Executivo (R$ 545), serão chamados para se explicar diante da bancada, informou o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP).
Na avaliação de Teixeira, “esses dois deputados ficaram à margem da bancada e essa postura terá repercussões no partido”. Ele acrescenta: “Eu prefiro não antecipar essas repercussões porque não é uma decisão do líder, mas uma atitude coletiva da bancada.”
Para o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), os dois parlamentares “cometeram um equívoco grave” que será analisado pelo partido. “Eu acho que esses deputados já devem estar com a consciência pesada, mas o que vai ser feito sobre isso é discussão de partido e não do governo”, ressaltou o líder.
Segundo Teixeira, os petistas que faltaram à sessão também serão chamados para explicações. Ele adiantou que alguns deputados estavam em missão oficial e outro teve de passar por uma cirurgia e, por isso, terão a falta justificada.

Luiz Gastão A. Mello Gaia

Aécio no comando do PSDB


Aécio Neves acumula aliados e vitórias, enquanto Serra tenta manter-se à tona. Do resultado da disputa depende ofuturo do PSDB e da oposição. Por Leandro Fortes e Sergio Lirio. Foto: Ed Ferreira/AE

A posse dos novos deputados federais e senadores, em 1º de fevereiro, marcou também o fim das férias da oposição. Iludiu-se, porém, quem esperava a apresentação de uma agenda de contraposição ao governo Dilma Roussef. Em vez disso, a plateia assistiu a um bate-boca entre os grupos que disputam a hegemonia no PSDB e em seu satélite, o DEM. Alguns lances poderiam ser confundidos com brigas familiares no subúrbio, o que levou um gaiato e experiente senador a sugerir a CartaCapitalque, por trás das cenas explícitas de descortesia, talvez esteja uma estratégia das legendas de se aproximar das massas.

Rodrigo Maia, presidente do DEM, chegou a comparar a situação atual de José Serra, derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, à do ditador egípcio Hosni Mubarak: “O projeto presidencial de 2010 tem de entender que já passou e está como o governo do Egito: caiu e só falta desocupar o espaço”. Senador eleito por São Paulo e um dos poucos serristas que têm coragem de se expor, Aloysio Nunes Ferreira atacou a coleta de assinaturas de apoio à manutenção de Sérgio Guerra no comando do PSDB, cargo cobiçado por Serra: “É um método odioso para qualquer tipo de indicação partidária, ainda mais para o presidente nacional do partido”. Nunes Ferreira ainda desdenhou de Aécio ao dizer que sua candidatura à Presidência da República não era “natural” e que havia outros nomes.

A contenda parece totalmente favorável a Aécio. Enquanto Serra conta com Nunes Ferreira e a velha simpatia da mídia, em especial a paulista, o senador mineiro acumula cada vez mais força no tucanato, tem a preferência inconteste das lideranças que hoje importam no DEM e transita bem em alas do governismo – PSB, PDT e PP apreciam seu estilo. Além disso, unidos pela aversão a Serra, Aécio e o governador paulista Geraldo Alckmin teriam feito um acordo: trabalhar em conjunto para enterrar o serrismo e dividir o comando da legenda. Antes desconfortável no PSDB, a ponto de discutir no ano passado sua desfiliação, o neto de Tancredo parece ter o ninho à sua inteira disposição. Tanto que a boataria sobre quem poderia deixar o partido se inverteu. Agora é Serra quem teria cogitado sair, espalha-se na praça. O mais provável, no entanto, é que os boatos tenham surgido de uma meia-verdade somado a um raciocínio tortuoso. O ex-governador paulista tenta evitar que seu aliado Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, troque o DEM pelo PMDB. Se a permanência de Kassab no Democratas for impossível, Serra preferiria que o amigo fundasse uma nova agremiação – tanto para evitar que o prefeito caia na órbita dilmista quanto para deixar uma porta aberta, caso não encontre mais espaço entre os tucanos.


Há quem dê como certa a filiação de Kassab ao PMDB, com as bênçãos do vice-presidente Michel Temer. No núcleo serrista e mesmo entre tucanos paulistas não alinhados ao candidato presidencial derrotado, essa migração não parece tão clara. Não se descarta, inclusive, a permanência de Kassab onde sempre esteve ou, hipótese mais remota, seu ingresso no PSB, no qual se tornaria realmente a grande liderança do partido em São Paulo (no PMDB, ao contrário do que o próprio Kassab imagina, não seria tão fácil herdar os votos e a máquina do quercismo ou mesmo virar o principal cacique).

O jogo é mais complexo para o grupo aecista porque os eventos não têm ocorrido exatamente como relata a mídia. Se existe uma aliança entre o mineiro e Geraldo Alckmin, ela é mais circunstancial do que se imagina. O governador paulista preferiria se manter equidistante na disputa. Alckmin irritou-se, ante a coleta de assinaturas a favor da permanência de Guerra na presidência do PSDB, por ter sido obrigado a manifestar apoio a Serra em nome das conveniências locais. Também reclama de uma parte da herança “maldita” herdada no estado. Os serristas entregaram as contas públicas equilibradas, mas a boa contabilidade foi obtida graças às concessões e vendas do patrimônio estatal (o mais sintomático, a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil). Com o projeto presidencial em mente, Serra procurou capitalizar os cofres estaduais para investir nos últimos anos de mandato. Em consequência, Alckmin ficou sem ter o que privatizar, à exceção da complicada Cesp, estatal de energia, que não pode ser vendida enquanto o governo federal não decidir sobre a renovação das concessões no setor. Resumo: suas chances de encher os cofres, fazer investimentos e mostrar serviço ficaram sensivelmente limitadas. Sua equipe econômica será obrigada a mágicas. Além disso, Alckmin considera ter Serra extrapolado no confronto com os professores estaduais – sua intenção é reconquistar parte da categoria com aumento de salários, mais contratações e melhores condições de trabalho.

Ainda assim, Alckmin e Serra se falam ao menos de três em três dias – embora a iniciativa parta quase sempre do ex-governador. O contato com Aécio é esporádico, quando não inexistente. Quem conhece Alckmin interpreta sua estratégia: mesmo se perder a disputa interna agora e para sempre, Serra e o recall dos 44 milhões de votos obtidos em 2010 não poderão ser simplesmente ignorados. Sua posição terá peso e o governador de São Paulo, apesar de cultivar o estilo provinciano, acalenta o projeto de disputar novamente a Presidência. Há limites, portanto, na suposta aliança café-com-leite.

É nessas nuances que Serra deposita esperanças. Na quarta-feira 9, diante das sucessivas notícias desfavoráveis a suas pretensões de presidir o PSDB, desembarcou em Brasília no seu velho estilo. Nos bastidores, reclamou e ameaçou a bancada do partido. Diante das câmeras, mostrou-se cândido, como se a disputa pelo comando da legenda não o consumisse nas madrugadas em que passa acordado. Com a modéstia peculiar (ele que, na campanha, praticamente se apresentou como o descobridor do Brasil e o mentor da República), propôs um 11º mandamento: “Não atacarás o seu companheiro de partido para não servir ao adversário”. E ofereceu até uma versão apropriada ao Twitter: “Tucano não fala mal de tucano”. Anotou, Moisés?

Aécio, que tinha um compromisso fora do Congresso, achou por bem cancelá-lo para não faltar ao almoço e evitar a impressão de desfeita. Serra foi tratado com respeito e deferência, mas não angariou uma mísera nova simpatia no Parlamento. Nem conseguiu reverter o ânimo das bancadas em optar por Guerra e não por ele no comando do PSDB. Os dois lados andam no fio da navalha, pois experts em Serra afirmam que ele seria capaz de levar o tucanato à ruína final se assim lhe convier. A ver.

Mineiro e paulista não se viam desde o fim das eleições de 2010. Em janeiro, Aécio saiu de férias. Na volta, enfiou-se em reuniões com aliados de Minas Gerais sem se preocupar com os destinos nacionais da legenda. Em recentes encontros partidários, disse estranhar a reação do correligionário à manifestação dos deputados em prol da reeleição de Guerra. Explica-se: em novembro de 2010, menos de uma semana após a vitória de Dilma Rousseff, Serra participou em São Paulo de uma reunião de tucanos na casa de Andrea Matarazzo, ex-secretário estadual de Cultura, na qual teria apoiado de forma eloquente a permanência de Guerra. À luz dos últimos acontecimentos, interpretam os aecistas, a intenção seria interditar a possibilidade de o colega mineiro se credenciar para a vaga. Erro fatal.

Aécio nunca quis presidir o partido. Seus olhos miram algo bem maior e produtivo a seus planos: liderar a oposição no Congresso. Ao apoiar Guerra na casa de Matarazzo, Serra conseguiu, ainda sem saber, dar força a um aliado de Aécio no partido e cavar a própria cova. Não bastasse, o tucano paulista, preocupado com os próprios botões, descuidou-se do DEM e viu o mineiro levar outra: o baiano ACM Neto foi eleito o líder demista na Câmara. A conta da derrota deve ser creditada ainda ao desafeto Rodrigo Maia, que atuou na operação com prazer indisfarçável.

Surgido das entranhas do PMDB, o tucanato sofre de decrepitude precoce pelo fato de ser um partido que se pretende defensor da social-democracia, mas não possui base social. As duas vitórias eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, ancoradas no Plano Real, criaram a falsa ilusão de consistência, expressa no projeto de 20 anos no poder de Sérgio Motta. A tripla derrota para Lula mostrou o quanto a legenda se resume a um amontoado de caciques rumo à aposentadoria. As exceções são Aécio e o paranaense Beto Richa, mas este é um político de expressão regional. Portanto, as opções na mesa não opõem apenas os projetos pessoais do mineiro e de Serra. Trata-se da sobrevivência da legenda – ou de uma ideia – no momento em que o futuro aponta para uma profunda reconfiguração do quadro partidário brasileiro. No momento, a beligerância serrista soa menos promissora que a oposição propositiva defendida por Aécio.

“Desse embate virá uma nova posição do PSDB em relação ao governo Dilma”, analisa o cientista política Murillo de Aragão. Segundo ele, o perfil de oposicionista puro de Serra, adotado pelo partido desde a crise do chamado “mensalão”, em 2005, deixou a sigla escrava de uma única circunstância: esperar os escândalos aparecerem no governo federal para, então, crescer com o apoio da mídia. “O PSDB passou a viver dessas migalhas de escândalos, erros e desacertos do governo alheio.” A única saída possível, diz, é abandonar a discussão centrada em nomes e, antes que seja tarde, pensar em como reestruturar a agremiação de modo a redefinir o seu papel.

Na visão dos aecistas, ao tentar impedir a recondução de Guerra à presidência da legenda, Serra acabou por criar uma divisão onde antes havia consenso. Discretamente, o senador mineiro tenta forçar o ex-governador paulista a abrir mão do personalismo baseado no poder do núcleo paulista e, generosamente (o que seria surpreendente), ouvir as demandas nacionais. Sem isso, avaliam, o partido caminharia para, talvez, a derradeira derrota eleitoral em 2014. Aécio, dizem seus apoiadores, teria se apresentado como candidato em 2010 não por voluntarismo, mas para agregar ao PSDB uma disposição maior ao diálogo, alternativa à política de enfrentamento nutrida em uma pretensa “excepcionalidade” paulista. Queria abrir canais de diálogo com o PSB do pernambucano Eduardo Campos e com o PMDB. O mineiro também se vê em melhores condições de atrair o PDT e o PP, hoje aliados do governo. “Qualquer aproximação com o PSDB só será possível com Aécio Neves à frente”, afirma o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). “O estilo de Serra é o do confronto.”

Um dos sensos comuns diz que se colhe o que se planta. De qualquer maneira, surpreende o atual estado de abandono de Serra – e a total falta de constrangimento de seus correligionários em lançar tomates sobre ele. A começar por Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Rede TV!, exibida no domingo 6, FHC criticou o uso do tema aborto na campanha eleitoral. Segundo o ex-presidente, a exploração política do assunto causou-lhe desconforto. Para quem não se lembra, o assunto, fomentado pela campanha serrista, frequentou a mídia com assiduidade até que uma ex-aluna revelou que Mônica Serra, mulher do candidato, havia confidenciado a um pequeno grupo de estudantes ter se submetido a um aborto durante o exílio. Após a revelação, o assunto desapareceu como por encanto – passou do topo das “preocupações nacionais” à quase completa irrelevância. Quatro dias antes, FHC, escanteado no debate eleitoral de 2010, fora reabilitado no programa partidário exibido nas tevês e rádios. Já Serra, o derrotado, nem sequer foi mencionado.

A exclusão de Fernando Henrique da campanha eleitoral e a vergonha de Serra de defender as privatizações realizadas entre 1994 e 2002, quando o partido estava no Palácio do Planalto, foram outros fatores fundamentais para alimentar as divergências do ex-governador paulista com seu colega mineiro. Passadas as eleições, Aécio buscou se aproximar de FHC (seria a entrevista à Rede TV! resultado dessa aproximação?). E obteve reciprocidade: o ex-presidente, que defende a antecipação da escolha do candidato do partido para 2012, tem dito ser o senador a melhor opção.

Se ficar sem a presidência do PSDB, o mais provável, Serra terá de arrumar uma forma de se viabilizar politicamente e se manter forte na bolsa de apostas nos próximos anos. Tanto pior se o governo Dilma for bem-sucedido. Em entrevistas recentes, ele negou a intenção de se candidatar à prefeitura de São Paulo. Seu cálculo está correto: disputar a eleição municipal, em geral desconectada da presidencial, seria abrir mão de liderar a oposição nacionalmente e admitir a aposentadoria. Mas Alckmin está dispoto a convencê-lo do contrário. Para o governador, Serra é não só o melhor, mas o único nome tucano. Com a possibilidade de Kassab engrossar as hostes dilmistas no estado, a posição do PSDB na capital ficará bem frágil. Ninguém duvida que o PT apostará alto na disputa de 2012. Conquistar a prefeitura – sozinho ou, eventualmente, em parceria com Kassab – permitiria aos petistas sonhar com o que parece impossível atualmente: lançar um nome competitivo ao governo paulista, último bastião de resistência do tucanato nas últimas duas décadas.

Resta uma última pergunta: nessa altura, Serra move-se por alguma fidelidade partidária ou seu projeto pessoal é a única coisa que interessa?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Discussão no Senado sobre reforma política

Comissão terá prazo de 45 dias para entregar a proposta ao Senado

A comissão de senadores responsável pela elaboração de uma proposta de reforma política só deverá começar a trabalhar na próxima semana, apesar de ter sido criada na última quinta-feira (10). A intenção inicial do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), era instalá-la no máximo até esta quarta-feira (16).
O adiamento das atividades para a próxima terça-feira (22) decorreu de um pedido do presidente do colegiado, Francisco Dornelles (PP-RJ), de acordo com Sarney. Ainda segundo o presidente do Senado, Dornelles já combinou com todos os membros da comissão a instalação dos trabalhos na próxima semana.
- Mas o prazo de 45 dias [para a conclusão do trabalho] eu disse a ele que será impreterível [não será adiado].
Entre os itens que serão analisados pela comissão estão a proposta de financiamento público de campanha, de regulamentação da atividade do lobby, e do fim do voto direto a um político nas eleições, entre outros. A reforma política também deve aumentar as regras de fidelidade partidária para impedir que um político eleito por uma sigla mude para outra por questões particulares. Com a fidelidade, cada político escolheria seu partido por acreditar em suas propostas, não por conveniência eleitoral.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O primeiro desgaste de Rosalba

A nomeação do ex-prefeito de Goianinha Rudson Lisboa, o Disson, para o cargo de diretor administrativo da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) provocou o primeiro desgaste administração da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Durante a campanha, a democrata se comprometeu a não nomear pessoas processadas pela Justiça por corrupção. No entanto, Disson responde a 24 processos judiciais. Desses, a maioria é por improbidade administrativa. Há ainda contra ele três ações penais. O ex-prefeito de Goianinha foi a única indicação política do vice-governador Robinson Faria (PMN) no governo. O perfil do novo diretor administrativo da Caern joga por terra todo o discurso de transparência e trato com o dinheiro público entoado por Rosalba no dia da sua posse. Em protesto contra a indicação de Disson, os servidores da Caern farão um protesto, durante toda a manhã da próxima quinta-feira, cobrando a exoneração do diretor. Antes de aceitar indicação dos aliados, é melhor a governadora começar a examinar a ficha do escolhido.

Allan Darlyson

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Após mandato-tampão, DF tem 10 mil demissões

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), tomou algumas decisões drásticas logo depois da posse, há 25 dias. Entre elas, o corte na metade dos cargos comissionados, passando de 20 mil para 10 mil, o contingenciamento de R$ 1,5 bilhão nos recursos previstos no Orçamento para este ano e auditoria em todos os contratos do governo anterior.

De acordo com informações da assessoria do governo, Rogério Rosso (PMDB), o governador-tampão que assumiu a administração de Brasília depois da prisão e cassação do mandato de José Roberto Arruda (DEM e, depois, sem partido), deixou uma dívida de R$ 600 milhões para ser paga neste mês.

No dia em que tomou posse, Agnelo encontrou a capital com lixo acumulado por cerca de dez dias em frente às residências do Plano Piloto e das cidades-satélites. O mato invadira os canteiros e as calçadas de todas as avenidas, até mesmo as que ficam próximas à Praça dos Três Poderes.

Logo depois da posse, o lixo voltou a ser recolhido, mas os mutirões não conseguiram desbastar os matagais que tomaram conta das calçadas e passeios, principalmente nos dois bairros mais ricos, o Lago Sul e o Lago Norte.

A chuva, frequente desde 3 de outubro, esburacou as pistas da capital do País. Com a estiagem que já dura três dias, teve início uma operação tapa-buracos emergencial.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Rosalba, que apoiou Serra, espera cooperação do governo Dilma para administrar o RN

A senadora Rosalba Ciarlini estende a mão para a presidente eleita. E não é exibindo uma bandeira branca, em sinal de paz, mas com um pires vazio pedindo arreglo. Sabe a governadora eleita que a situação não é de brincadeiras. Sabe que tem que calçar as sandálias da humildade, pois o governo que ela combate salvou o Brasil da bancarrota diante da maior crise financeira desde o crack da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e o discurso fácil, babaca e desonesto que tenta escalar a faca pontiaguda na garganta da nova presidente não vai valer nada como forma de pressão. As pontes entre Rosalba e o Planalto são todas muito frágeis. Micarla levou a Dilma à derrota na capital potiguar, Garibaldi ajudou a garantir a única vitória da oposição no Nordeste, para o Governo Estadual e ainda ajudou a manter no Senado, o maior adversário, quase um inimigo do governo, o último dos moicanos da tropa de choque demo-tucana porra-louca, José Agripino, desafeto da presidente eleita, Dilma Rousseff, que a agrediu no plenário do Senado, numa das maiores burradas políticas da história do parlamento brasileiro. José Agripino, o dito cujo, então nem se fala. É uma das figuras mais indesejáveis no Palácio do Planalto. O vice, Robson, mesmo sendo da base aliada, caracterizou-se como o maior adversário da refinaria de Guamaré, num discurso, que, para sermos elegantes, é, no mínimo, pouquíssimo inteligente. Diz a matéria: "No primeiro discurso no Senado depois de sua eleição para governadora do Rio Grande do Norte, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) disse ontem que espera cooperação da presidente eleita, Dilma Rousseff. Ela foi a única oposicionista ao governo federal que se elegeu para um governo do Nordeste. Ciarlini lembrou que Dilma obteve mais votos no seu Estado do que José Serra, a quem ela apoiou". As próprias palavras de Rosalba mostram que sua bola não é tão cheia. Nosso Estado, venhamos e convenhamos, é o nosso paraíso, mas não tem peso econômico nem político para apertar governante federal num jequi. Além disso, a governadora precisa também muita parcimônia nas críticas à situação financeira do Estado do Rio Grande do Norte, pois Wilma de Faria já teve suas contas de 2009 aprovadas pelo Tribunal de Contas, restando-lhe dar satisfações somente pelo acontecido entre janeiro e março deste ano. Iberê, por sua vez, é um dos dois únicos governadores do Nordeste que vão pagar as folhas de novembro, dezembro e o que resta do 13° salário. Além de ter sido o único governador na história do Brasil que na quinzena da eleição entregou a caneta e as chaves do cofre ao presidente do Tribunal de Justiça numa demonstração mais que inequívoca de que não queria usar a máquina. Perdeu a eleição, mas não perdeu a dignidade. Fica difícil ficar agora batendo, especialmente quando se vê o governo cortando na carne magérrima e arranhando os ossos para deixar as contas pagas. Iberê vai explicar bem direitinho porque o Estado chegou ao ponto de ter que raspar o tacho para manter a folha de pessoal em dia e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. E a nação potiguar vai ficar sabendo que isto não é resultado de nenhuma bandalheira, mas de uma situação de muitos investimentos e de um menu de privilégios construído historicamente, inclusive por governadores que estiveram no palanque de Rosalba. Privilégios estes que Rosalba não terá a mínima condição política de cortar. De modo que, humildade e caldo de galinha, com certeza, não farão nenhum mal ao rosalbismo.

DEM cogita a possibilidade de fundir-se ao PSDB ou ao PMDB. Hipótese converteria em aliado um opositor ferrenho ao governo Lula

Partidos que sofreram as maiores derrotas durante as eleições, DEM e PPS enfrentam um truncado jogo de alianças e acordos até o fim do ano para definir uma mudança de curso que recoloque as legendas em uma rota de sobrevivência política. Enquanto os sucessores do antigo PFL estudam a fusão com o PSDB e até um desembarque no PMDB — o que jogaria a legenda na bancada governista —, os socialistas tentam se afastar da imagem conservadora dos atuais aliados para marchar rumo a uma oposição mais branda ao governo federal.


Depois de perder 22 cadeiras na Câmara e seis no Senado com o resultado do pleito de outubro, o DEM estuda se unir a outras siglas para manter parte do cacife político. Na oposição desde a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, o partido viu a bancada se reduzir dramaticamente. Da quase uma centena de deputados federais eleitos em 1998, sobrarão apenas 43 a partir de 1º de fevereiro, data da posse dos novos parlamentares.


Diante dos números, os maiores expoentes da legenda estudam a fusão com PSDB ou PMDB. Na prática, isso significa dizer que a sigla poderia tomar um caminho insólito e apoiar o governo petista depois de fazer oposição ferrenha a Lula nos últimos oito anos.


O maior temor do DEM é que uma janela para a troca de partidos seja aprovada pelo Congresso e a bancada se reduza ainda mais com a migração de parlamentares para a base governista. “Estamos extremamente fragilizados. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tem conversado com vários partidos, sempre com um cenário de fusão”, revela o deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP). De acordo com o parlamentar, o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), também tem participado dos encontros.


Ao negociar um desembarque na bancada governista, o DEM praticamente implodiria a oposição ao Palácio do Planalto durante o governo de Dilma Rousseff, já que o grupo ficaria reduzido a PSDB, PSol e PPS, que, juntos, detêm apenas 68 dos 513 assentos na Câmara dos Deputados. Por isso, os atuais partidos da bancada governista desconfiam das reais intenções da legenda. Entendem que a negociação aberta seria mais uma forma de pressionar o PSDB a garantir maior espaço nas composições estaduais e municipais. O maior interessado é justamente Kassab, que termina o mandato na Prefeitura de São Paulo em 2012 e almeja chegar ao Palácio dos Bandeirantes, que será ocupado por Geraldo Alckmin (PSDB) nos próximos quatro anos.


Musculatura

Se o destino do DEM passa por São Paulo, o PPS tenta formar uma frente com partidos menores para tentar ganhar um mínimo de musculatura no Congresso. A legenda viu reduzir de 22 para 12 o número de deputados na Câmara e tem apenas Itamar Franco (PPS-MG) no Senado. O presidente do partido, Roberto Freire, analisa que o caráter conservador abraçado pelos aliados PSDB e DEM durante as eleições prejudicou em especial o partido, que pretende se inserir em um discurso de centro-esquerda. “Tivemos erros crassos na campanha que se encerrou, como fazer uma oposição que aplaudia o governo, sem citar a correção necessária de rumos, sem espírito crítico”, critica Freire.


O partido se aproxima de grupos mais alinhados ao Planalto, como PV e PSol. O próprio Freire admite voltar à bancada governista, de onde saiu depois do escândalo do mensalão em 2005, desde que o Palácio do Planalto altere a atual política econômica.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Apoio total a Dilma

Não há relação da campanha com quebra de sigilo, diz Polícia Federal


O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa (na foto acima), e o delegado Alessandro Moretti informaram hoje que jamais houve qualquer envolvimento da campanha de Dilma Rousseff com a quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB. Segundo eles, a investigação está em fase de conclusão e não existe vínculo do caso com a disputa eleitoral de 2010.

A PF esclareceu que os dados fiscais dos tucanos e seus parentes foram obtidos pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr, durante a apuração de uma reportagem para o jornal Estado de Minas. Segundo o repórter, todas as despesas para obter informações foram custeadas pelo jornal mineiro - que, no final de 2009, recebeu cópia de todos os dados levantados.

Amaury Ribeiro disse à Polícia Federal que iniciou sua investigação quando soube, em 2007, que um grupo de inteligência ligado ao deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e, consequentemente, ao então governador José Serra (PSDB) estaria monitorando o governador mineiro Aécio Neves.

O jornalista recebeu os dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB no dia 8 de outubro de 2009. Essas informações foram obtidas por meio de despachantes que fazem trabalhos na Junta Comercial de São Paulo. Amaury Ribeiro trabalhou no jornal Estado de Minas até o final de 2009.

“O jornalista afirma que iniciou a investigação para identificar quem eram essas pessoas e afirma que era funcionário do [jornal] Estado de Minas. Ele iniciou um processo de investigação para detectar quem era o grupo e tinha os suspeitos ligados a Marcelo Itagiba que, conforme suas fontes, trabalharia para José Serra”, explica Moretti.

Perguntado pelos jornalistas, o delegado não informou se o trabalho de Amaury Ribeiro fazia parte de uma disputa interna do PSDB entre Aécio Neves e José Serra. A polícia ainda está investigando o caso e, durante 120 dias, foram ouvidas 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, que resultaram, até o momento, em sete indiciamentos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lula: 'falta caráter' e 'hombridade' na campanha de Serra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "vergonha" e de "falta de caráter" a campanha tucana à Presidência da República.

Em um comício hoje à noite em São Miguel Paulista, na zona Leste de São Paulo, Lula acusou os adversários de mentir e difamar a candidata do PT, Dilma Rousseff, e lembrou que, em suas primeiras campanhas eleitorais, também teria sido alvo de preconceito.

- É uma vergonha a campanha do nosso adversário em ataque à companheira Dilma Rousseff. É uma vergonha o preconceito contra a mulher. É uma vergonha os ataques e o preconceito contra a Dilma na internet - disse o presidente, que continou:

- Estão mentindo e difamando, na perspectiva de que as pessoas acreditem nas mentiras e eles ganhem as eleições.

Aumentando o tom da crítica, o presidente acusou a campanha tucana de falta de caráter e de hombridade:

-É uma vergonha. É falta de caráter e de hombridade das pessoas que tentam abusar da boa-fé do povo.

Apesar do discurso severo, Lula aproveitou para fazer um trocadilho com o nome do candidato José Serra (PSDB):

-Nós que trabalhamos para que o Brasil subisse ladeira acima, não podemos permitir que nas eleições o Brasil desça serra abaixo - disse Lula, que também tentou desconstruir o mote da campanha tucana de que Dilma seja uma mulher desconhecida:

-Eu conheço o outro há 30 anos. Essa mulher eu só conheço há oito anos e nesses oito anos eu aprendi. Ela é muito mais competente e melhor para o Brasil do que o nosso adversário.

Usando duas vezes a expressão "se Deus quiser", Dilma pediu votos aos eleitores e acusou o PSDB de querer privatizar o pré-sal:

- Querem privatizar o pré sal. Para quem querem privatizar o pré sal? Querem entregar para as empresas estrangeiras. Vamos dizer um grande não para a privatização do pré sal. Naaaão_ disse Dilma, ao lado de um dirigente da FUP (Federação Única dos Petroleiros).

Tatiana Farah e Jaqueline Falcão

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Juristas e intelectuais manifestam apoio a Dilma

Serão entregues à coordenação da campanha da coligação “Para o Brasil seguir mudando”, hoje, às 19h, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), manifestos de juristas e intelectuais pró-Dilma.

O candidato a vice Michel Temer e o coordenador da campanha, deputado José Eduardo Cardozo, receberão os manifestos que foram assinados por personalidades como Frei Betto, Celso Antônio Bandeira de Mello e Márcio Thomaz Bastos, além de diversos integrantes dos movimentos sociais.

A senadora recém eleita Martha Suplicy e os senadores deste mandato Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy também já confirmaram presença.
Serão entregues à coordenação da campanha da coligação “Para o Brasil seguir mudando”, hoje, às 19h, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), manifestos de juristas e intelectuais pró-Dilma.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dilma lança plano de governo para Saúde


Na segunda-feira (18), a candidata Dilma Rousseff apresenta seu plano de governo para a área da Saúde. A questão principal é expandir a rede de assistência atual, utilizando novas práticas que garantam mais acesso, qualidade e humanização dos serviços.

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai priorizar ações como a Vigilância Sanitária, a cobertura vacinal, as ações de prevenção de doenças, campanhas de incentivo a alimentação saudável, de combate ao fumo e ao álcool.

Outra importante ação é a reestruturação do SUS, principalmente da Rede de Atenção. Com mais 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAS), haverá o fortalecimento do SAMU e a modernização do serviço de emergência e do acolhimento aos pacientes.

Programas que melhoraram a vida dos brasileiros, como o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular, serão fortalecidos e ampliados. Para melhorar a distribuição gratuita de remédios, Dilma quer aumentar os gastos na distribuição de remédios, os investimentos nos laboratórios oficiais e a rede de Farmácias Populares e os convênios com farmácias particulares.

Rede Cegonha

As mães e os bebês também vão ganhar uma nova ação: a Rede Cegonha. As ações de pré-natal, parto e pós-parto serão integradas, garantido assim uma maior assistência às mães e aos bebês.

A saúde mental também deve ser ampliada, com a construção de mais Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Nesse programa serão assistidas todas as pessoas que fazem tratamento contra o álcool e as drogas, em especial o crack.

Indústria

Valorização da indústria nacional será a peça chave desse plano de Dilma. A Hemobrás e o Instituto Fiocruz serão fortalecidos, trabalhando nas pesquisas e prevenção de saúdes. Os profissionais de saúde também serão prioridade, com ações que vão combater a precarização no trabalho e a transferência de profissionais para interior do Brasil.

Para garantir investimento para todas essas ações, Dilma deverá trabalhar para a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que prevê recursos para o financiamento da saúde.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dilma: tornei pública uma grande central de boatos


A candidata Dilma Rousseff disse hoje, em Aparecida (SP), que a discussão no debate da Band foi de alto nível, com exposição clara de pontos de vista e sem elevar o tom de voz. "Quando a gente é assertiva sobre posições, o debate fica mais claro."

Segundo ela, o candidato José Serra "tem a mania de subestimar as pessoas e se achar superior a elas. Esperavam que eu não defendesse minhas posições, que eu não apresentasse minhas propostas, que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso".

Dilma acrescentou: "Vocês mesmos [jornalistas] pedem todos os dias que façamos um debate de ideias. Então vamos fazer um debate de ideias e não utilizar os boatos, calunias e mentiras como método de campanha política”.

Dilma lamentou a postura do adversário tucano, que ataca por “ouvir dizer” e alimenta uma central de boatos e calúnias, como a Justiça Federal reconheceu recentemente.

“Eu passei quase três meses sendo acusada de quebra de sigilo fiscal e agora está claro que [aquilo] foi um esquema mercantilista dentro da Receita sem razões eleitorais. Está clara a calúnia que sofri. Inclusive um juiz aceitou a acusação e denunciou o candidato José Serra por essa prática”, disse.

“Eu passei muito tempo calada e quando vi o tamanho que tinha tomado a central organizada de boatos resolvi tornar isso público e compartilhar com a população. Eu não fui para a Internet responder por boatos, estou fazendo de forma aberta”, completou.

Dilma diz que combaterá a corrupção doa a quem doer


A candidata à Presidência pela Coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, participou hoje de uma missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Em seguida, concedeu uma entrevista coletiva onde reafirmou que não deixará pedra sobre pedra em investigações sobre corrupção no governo federal.

“Acho que, de fato, essa questão [o combate à corrupção] vai contribuir para que o país melhore. Não vou deixar pedra sobre pedra e vou investigar todos os malfeitos no governo federal”, disse a candidata.

Para isso, segundo ela, é importante uma Reforma Política para mudar algumas práticas comuns na política nacional e a necessidade do resgate de valores para que a sociedade brasileira evolua, assim como o Produto Interno Bruto (PIB).

“O Brasil precisa hoje também de uma melhoria nos padrões éticos e morais, e necessita, para transformar-se numa sociedade desenvolvida, que a gente valorize a relação da nação com valores culturais e éticos e morais", disse. "É um todo, que começa no combate ferrenho à corrupção. É importante perceber que não haverá impunidade [no meu governo].”

Preconceito

Dilma novamente foi firme e desautorizou qualquer pessoa a classificar o tamanho da sua crença em Deus.

“Eu acho que ninguém tem o direito de dizer qual é a minha crença. Ninguém tem esse direito. Quem pode julgar sobre crença religiosa é Deus. Eu fui, por opção, para um colégio de freiras, naquela época eu queria fazer a primeira comunhão. Estive nele até o final do ginásio. Os caminhos que sua vida toma faz atalhos e desvios, mas sempre te leva de volta para o seu caminho", disse.

Segundo ela, "o processo recente por qual passei me fez retomar várias coisas que estavam dentro de mim. E isso diz respeito a mim e não autorizo e não legitimo ninguém a falar sobre isso. É o cumulo do preconceito”.