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sábado, 2 de abril de 2011

Corregedoria recebe 4 ações contra Bolsonaro

A indignação da sociedade e dos parlamentares com as declarações racistas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PPRJ) fez com que até o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) partisse para o ataque. Depois de receber quatro representações e encaminhá-las à Corregedoria da Casa, o petista afirmou, pelo twiter, que as ideias do colega representam uma herança do passado que ninguém permitirá que se repita. "Minha opinião: declarações do deputado são lamentáveis quando lutamos pelo fim das desigualdades e da intolerância, qualquer que seja", escreveu.
No "CQC" desta segunda-feira, o deputado Jair Bolsonaro (PP) disse que um filho seu nunca namoraria uma mulher negra porque isso seria promiscuidade. Ele respondia a uma pergunta feita por Preta Gil, que em seu perfil no Twitter afirmou estar estudando processar o político.

Os filhos do deputado federal Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado estadual Flávio Bolsonaro, defenderam que o pai não pode ser considerado um homem preconceituoso. Bolsonaro causou polêmica ao conceder uma entrevista dizendo que seus filhos não correm o risco de namorar uma mulher negra ou virarem gays, porque "foram muito bem educados".

No programa, Bolsonaro respondia a uma série de perguntas sobre ditadura e preconceito contra gays e negros. Quando questionado pela cantora sobre como ele agiria caso seu filho se apaixonasse por uma negra, o deputado disse não se preocupar com isso.

"Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu", respondeu o deputado.

Pouco depois da exibição do programa, Preta Gil usou seu Twitter para falar sobre o assunto. Ela disse ainda ter enviado o vídeo ao seu advogado.

"Advogado acionado, sou uma mulher Negra, forte e irei até o fim", escreveu no microblog.

A opinião de Maia engrossa um coro de reações de diversos setores da sociedade e dos próprios integrantes da Câmara, que pressionam pela abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar. O corregedor Eduardo da Fonte (PPPE) disse que vai analisar as declarações de Bolsonaro, mas já adiantou para alguns colegas que deve encaminhar o caso ao Conselho de Ética.
As ações dizem respeito às declarações do deputado em entrevista ao programa CQC da TV Bandeirantes. Respondendo a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil sobre o que faria se seu filho casasse com uma negra, o deputado afirmou que não iria discutir "promiscuidade". No mesmo programa, o deputado ainda afirmou que torturaria seu filho se o encontrasse fumando maconha e que não pensa que seu filho possa ser homossexual porque ele teve "boa educação".
A Ordem dos Advogados do Brasil, pelo menos três partidos políticos e dois deputados de forma individual entraram com representações contra Bolsonaro. "Não passarão mais em branco essas demonstrações racistas homofóbicas e contra a democracia. Ele será alvo de representação não apenas minha, mas de inúmeros parlamentares. Esse deputado envergonha a imagem do parlamento", criticou Brizola Neto (PDT-RJ). Hoje deve ser protocolada ainda mais uma representação da Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados.
Bolsonaro, no entanto, disse que está "se lixando" para as reações às suas ideias. Ontem, ao chegar para o velório do ex-vice-presidente José Alencar, disse que não teme as representações contra ele e repetiu declarações homofóbicas. "O que esse pessoal (gays) tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o "uhuhu" da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer", disse.
Para se defender, Bolsonaro diz agora que entendeu que a pergunta se referia ao casamento do filho com um gay, não com uma negra. A postura tem explicação. Crime de racismo tem punição prevista em lei. Homofobia, ainda não.
O deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ) classificou de "estratégia" o fato de Jair Bolsonaro (PP-RJ) ter recuado da declaração de que seria "promiscuidade" se seu filho se apaixonasse por uma negra, dada ao programa CQC da TV Bandeirantes. Bolsonaro afirmou não ter entendido a pergunta de Preta Gil, mas Wyllys vê cálculo político na justificativa do colega.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Qualquer miserável tem preconceito

Em um vídeo que corre na internet, um miserável apresentador da RBS/TV Globo em Santa Catarina (foto) expressa miseráveis ideias, se assim podemos chamá-las sem faltar ao respeito ao adjetivo miserável e ao substantivo idéia. Suas pragas correm em um vídeo no YouTube, onde um animal raivoso vocifera, zurra, ao afirmar que a culpa do caos no trânsito se deve ao fato de que “hoje qualquer miserável tem um carro”.


E mais orneja, como se falasse: “o sujeito mora apertado numa gaiola,que hoje chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem. E esse camarada casado, como não suporta a mulher dele, nem a mulher suporta ele, sai. Vão pra estrada. Vão se distrair, vão se divertir. E aí, inconscientemente, o cara quer compensar suas frustrações, com excesso de velocidade. Tem cabimento o camarada não vencer a curva? Como se curva fosse feita para vencer... Então é isso, estultícia, falta de respeito, frustração, casais que não se toleram, popularização do automóvel, resultado desse governo espúrio, que popularizou pelo crédito fácil o carro para quem nunca tinha lido um livro. É isso”.

É claro que nesse gênero de expressão ele não está só, como vimos nas últimas manifestações de preconceito contra nordestinos em São Paulo. A unificar tais coices avulta sempre um poderoso preconceito de classe. Salta aos olhos nos últimos tempos a raiva, a indignação da classe média frente aos novos consumidores de bens que ela julgava ser sua exclusividade. Pois os pobres, de repente, ao fim do governo Lula, danaram-se e começaram a entrar e sair dos aeroportos – “qualquer miserável hoje anda de avião”. De repente, acharam de jantar com a família nos restaurantes aos domingos – qualquer miserável hoje paga um jantar em restaurante bacana. Ousaram – suprema ousadia - comprar imóveis. Qualquer miserável hoje pode largar o pagamento do aluguel.

Com o resultado das últimas eleições, o Brasil que vem surgindo apenas atualiza o preconceito antigo contra as pessoas que os jornalistas teimam em chamar de “classes humildes”. Não faz muito, um desembargador paulista, aposentado, tentou ser humorista à custa dos excluídos da nossa harmoniosa sociedade de classes. Ele publicou um artigo que mais se devia chamar um termômetro moral da nossa elite, em que pôs o excelso título de “Pequeno dicionário da empregada doméstica”. Não viesse de quem veio, de um indivíduo que ocupou altos cargos na Justiça do país, de um, digamos, escritor, filiado à União Brasileira de Escritores, para maior vergonha da instituição, o artigo seria deitado ao limbo para o justo repouso no esquecimento.

Mas não. O elevado ex-homem público deu início ao, como dizê-lo?, ao ao ao, enfim, dizia-o:

“Foi por causa do Alfredo. Ele ligou para sua própria casa. A empregada era nova. Ele não a conhecia. Sua mulher, a Esther, digo (ou ele diz), dona Esther, tinha acabado de contratar. A moça era do norte. De Garanhuns. Nada contra, mas....sabe como é. Nós, brasileiros, sabemos! O Alfredo morava num sobrado. O telefone da residência ficava num nicho, embaixo da escada. No décimo segundo toque a Adamacena, a tal da empregada, atendeu: ‘Alonso!’ Na dúvida, o Alfredo perguntou: ‘De onde falam?’ Ao que a Adamacena respondeu: ‘Debaixo da escada!’ Foi aí que o Alfredo começou a catalogar as expressões da serviçal...”

E assim ele criou um “dicionário” das empregadas domésticas, para ser lido e gozado pelas classes cultas, do gênero e classe de juízes como ele. Naquela ocasião, esqueceu o desembargador de escrever um dicionário que traduzisse, por exemplo, expressões como “cártula chéquica, ergástulo público, peça increpatória” por algo mais simples como “folha de talão de cheques, cadeia e acusação’, respectivamente e nessa ordem, para ser mais pleonástico e preciso.

Manifestações, zombarias, ocorriam antes de 2010. Agora, após a eleição de Dilma, o riso virou zurro e fúria.

Facismo, racismo e outros bichos

Demétrio Magnoli é um sociólogo que ficou famoso quando passou a afirmar que não há racismo no Brasil. Desde então vem ganhando a vida com palestras sobre o tema, entrevistas na TV e artigos publicados em jornais. Demétrio não é negro. E, por não ser negro, não pode sentir na pele o racismo. Como não sente, julga não haver. Não há, para ele, experiência empírica possível.

É claro que o fato de ser branco não o desqualifica como intelectual dedicado à análise de questões raciais. Florestan Fernandes era branco e escreveu excelentes tratados sobre o racismo brasileiro como, por exemplo, O Negro no Mundo dos Brancos. O problema de Demétrio é um só: estar à serviço de uma visão de mundo conservadora, que enxerga no debate sobre o racismo uma tentativa de subverter a ordem estabelecida.

Eu não me surpreenderia se Demétrio Magnoli começasse a pregar, agora que o ódio contra o Nordeste foi revivido pela elite paulista, que os nordestinos realmente são uma ameaça à democracia, visto que "são analfabetos e votam na esquerda porque dependem das esmolas do governo". Estou exagerando, mas acho que o sociólogo queridinho da mídia seria bem capaz de dizer a mesma coisa com palavras diferentes. Ele foi, afinal, o porta-voz dessa gente careta e covarde ao longo de toda a eleição.

Para Demétrio Magnoli, o racismo brasileiro é uma invenção

Não é preciso muito esforço para verificar que o discurso de Demétrio Magnoli encontra guarida na imprensa porque está de acordo com seus interesses de classe. Até o momento, com exceção do Jornal da Record, poucos foram os veículos que repercutiram o caso da estudante paulista Mayara Petruso, aquela que pediu a morte de nordestinos pela internet e está sendo intimada pela OAB de Pernambuco. Dentre esses poucos veículos que registraram o episódio, nenhum publicou o nome da criminosa.
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Estou certo de não estar cometendo nenhuma injustiça contra os jornalistas. Sou, afinal, um deles. E acredito ter autoridade para afirmar, sem margem para dúvidas, que se a moça em questão fosse pobre, negra e nordestina, não somente seu nome estaria estampando manchetes, como sua foto já teria sido amplamente divulgada. Fatalmente, a réu não escaparia da prisão. E as revistas semanais teriam farto material para satisfazer sua indignação seletiva.
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Mas Mayara Petruso é branca, universitária, tem sobrenome e mora em um bairro nobre de São Paulo. Sua identidade deve ser protegida. Não porque possa ser inocente – há provas o bastante para incriminá-la na internet –, mas porque “poderia ser a nossa filha”. É o que pensam – e dizem entre paredes – os donos dos jornais. Para a elite, Mayara não cometeu crime algum. Apenas externou, de modo inconsequente, o que pensa a classe de onde ela vem.
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O racismo, o preconceito, a xenofobia e o facismo são características mais ou menos presentes nas classes médias e altas da região Sul e Sudeste. Digo mais ou menos presentes porque tais defeitos também compõem o imaginário das elites do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em São Paulo, a coisa parece pior porque acaba contaminando inclusive os pobres, muitos emigrantes, que chegam à metrópole, incorporam seus valores e assumem para si o discurso discriminatório.
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Mayara Petruso não é a única a desejar a morte de nordestinos, mas se tornou símbolo do facismo que pautou a campanha do PSDB nestas eleições. O ódio de classe e de gênero, incorporado na figura do sr. José Serra e de seu vice-candidato, o playboy Indio da Costa, fugiu do controle e suas consequências podem ser trágicas. Ao misturar política e religião, a direita dividiu a sociedade e reacendeu conflitos que estavam adormecidos. Eles têm culpa, mas não são os únicos culpados.
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Se a política tende a aflorar o facismo em época de eleição, ele é gestado, todos os dias, pela mídia. O preconceito contra pobres, negros, índios, mulheres, nordestinos, homossexuais, latino-americanos etc, é reforçado e transmitido deliberadamente por programas como o CQC, cujo objetivo é constranger ou agredir entrevistados e desqualificar ou ofender minorias.

preconceito é gestado em programas como o CQC, de Danilo Gentilli]

o CQC e os programas de humor, as telenovelas e os jornais, também não são os únicos culpados. Florestan Fernandes dizia que o racismo brasileiro vigorava porque o Estado sempre garantiu, através da violência, que as vítimas “se colocassem em seu devido lugar”. Essa cultura enraizada faz com que muita gente, inclusive intelectuais como Demétrio Magnoli, considere o racismo uma ficção inventada por grupos minoritários incapazes de “conseguir as coisas por méritos próprios”.
Destituídas de direitos, as vítimas do racismo raramente entram em conflito com seus agressores porque não têm respaldo social. Se o preto apanhou da polícia, alguma coisa errada ele fez. Se a bicha fanchona foi espancada na rua, é porque mereceu. O racismo, tal qual o facismo, sobrevive na reprodução de mentiras que são passadas de pai para filho e alimentam as gerações de ódio contra aqueles que são considerados diferentes.
Tudo isso, somado ao fato de que as minorias, ou seja, os diferentes, conseguiram um avanço social considerável durante oito anos de governo Lula, fez com que o ódio contra os nordestinos eclodisse de forma assustadora assim que as urnas revelaram a vitória de Dilma Rousseff. O ressentimento dos ricos diante do progresso dos pobres é a explicação que mais me convence.
Para a elite, as desigualdades regionais nunca foram motivo de preocupação. A miséria do Nordeste, afinal, servia para fornecer mão-de-obra barata na construção civil, porteiros que trabalhavam por um prato de comida, empregadas domésticas tratadas como verdadeiras mucamas, além de uma legião de mendigos para satisfazer a sanha piromaníaca dos pitbulls separatistas. Se estes semi-escravos estão desaparecendo do mercado é que alguma grande mudança está ocorrendo no Nordeste.
O elevado crescimento econômico do Brasil é uma ameaça à manutenção do conforto das elites, posto que suas regalias sempre foram mantidas graças ao atraso das regiões Norte e Nordeste e à exploração de seres humanos abandonados à própria sorte. Se o Brasil se torna mais justo e menos pobre, não apenas desaparece a mão-de-obra barata, como também o sentido de hierarquia se perde. Aos poucos, “aquela gentinha” vai levando uma vida cada vez mais parecida com a de seus patrões.
O que este cearense da cabeça-chata está fazendo ao meu lado na poltrona do avião? Quem essa negrinha pensa que é para frequentar o mesmo clube que eu? Como pode o filho do porteiro estar cursando faculdade na classe da minha filha? Que petulância da minha faxineira, agora está vindo trabalhar de carro! Onde é que vamos parar?
Enfrentar o separatismo dessa gente é o nosso próximo desafio. Não deixaremos que a minoria racista mantenha o País no atraso.

Bruno Ribeiro

O medo dos outros

A fúria gratuita, a ira desgovernada, a violência incontida e a intolerância àquilo que lhe é desconhecido podem matar. Pessoas no Brasil ainda vivem na externalização da incompreensão do desconhecido através da violência. Alguns ensinam a violência verbal, e outros executam a violência física de fato.

O preconceito que mata e agride homossexuais não afeta apenas os jovens instigados desde crianças a odiar aquilo que não conhecem. O preconceito que se vê dentro das casas, nas escolas e nas ruas, não se trata de brincadeirinha que é jogada ao vento e se perde como partículas no ar. O preconceito do mundo adulto que educa (ou melhor – deseduca) pessoas a odiar outras, não é uma simples piadinha de porta de banheiro ou conto engraçadinho de uma conversa de bar. Esse preconceito que agride pessoas, que corta, que arde, que bate, que dói, que sangra, não é uma bobagenzinha que as pessoas esqueçam. A piada, o conto, a ironia e a subestimação são elementos trágicos para a sociedade atual, que acabam gerando crianças e adolescentes presenteados por uma raiva daquilo que desconhecem, sem ao menos entender o que acontece.

A palavra preconceito anuncia aquilo que imaginamos ser algo. Porém, não sabemos o que é de fato. E de tantos pré-conceitos, pessoas que expressam suas formas de amor de forma lícita e autêntica são categorizadas sempre de modo negativo pelo vácuo de conhecimento daquele “monstro” desconhecido. E o que se faz quando algo é desconhecido? Inferioriza-se, agride-se, detona-se, toma-se por inimigo.

Não vou nem entrar no mérito de possíveis explicações freudianas perante essas raivas. Mas o fato é que a sociedade teme ao outro. Teme ao diferente de si próprio. Ouso dizer que alguns temem à liberdade. Porém, também ouso dizer que estamos evoluindo. Em lentos passos, a intolerância ao desconhecido vai se perdendo perante a superioridade das gerações vindouras, da coexistência entre os diferentes e da diminuição da carga pesada que alguns descarregam nas inocentes mentes de nossas crianças, que sequer entendem de onde nascem tantos ódios.

Num piscar de olhos, pequeninos inocentes reproduzem apelidos homofóbicos e, na maioria das vezes, não sabem sequer o que estão falando, só sabem que ouviram em algum lugar e é para xingar alguém. Num piscar de olhos, adolescentes aparecem soqueando outros. E nesse instante, então, o mundo dos adultos "gênios" aparece para culpabilizar pequeninos e falar em "bullying".

Ingrid Wink

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vídeo explica atitudes anti-nordestinas de Serra desde a constituinte



As raízes anti-nordestinas de José Serra (PSDB/SP), remotam a constituinte de 1988.

Serra relatou o capítulo da Ordem Econômica, e puxou pelos interesses do empresariado paulista da FIESP contrários ao Nordeste.

O fato se repetiu, recentemente, na tentativa de passar a reforma tributária, boicotada por Serra. Os consumidores do Nordeste que compram um carro fabricado em São Paulo querem que a maior parte do ICMS fique em seus estados, e não em São Paulo, que já ganha com a fábrica e empregos gerados lá.

Nos embates sobre a divisão dos royalties do pré-sal, novamente Serra foi contra dividir os royalties do petróleo de forma mais justa entre todos os estados brasileiros, prejudicando a região Nordeste. O demo-tucano defende os royalties do pretróleo do pré-sal concentrados no Estado de São Paulo, porque o campo de Tupi está na costa de Santos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Folha mostra preconceito com comunidade carente

Um texto asqueroso e fascista da Folha de José Serra (jornal Folha de São Paulo), insinua que uma comunidade de 80 mil moradores do Rio de Janeiro, que conquista melhorias com obras do PAC, não passa de um reduto de bandidos de facções criminosas.



Pior do que atacar a ministra Dilma Rousseff, com insinuações absurdas, é a ofensa e estigmatização dos 80 mil moradores, a grande maioria trabalhadores, crianças, donas de casa, que também são vítimas da criminalidade, justamente pela ausência de Estado nos governos anteriores.

O que sugere a Folha de José Serra?

Em vez de levar escola, postos de saúde, moradias decentes para a população honesta, e policiamento regular, o jornal quer que cerque o Complexo do Alemão com arame farpado e confine os moradores em um campo de concentração?

A polícia do Rio tem ocupado e levado segurança pública através das Unidades Pacificadoras em algumas comunidades menores e a uma grande, a Cidade de Deus. O comandante da polícia militar já deu declarações que chegará a vez do Complexo do Alemão, mas exige planejamento de longo prazo e estratégia para não produzir apenas carnificina.

Não é de hoje que a imprensa nativa gosta de estigmatizar os pobres, tratando-os com desdém ou, pior, como se fossem bandidos em potencial. Ou “bandidos até provem o contrário”, como parece dizer as manchetes que lemos diariamente nos jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo, centros nevrálgicos da imprensa golpista.

A nota induz o leitor a pensar que o investimento de R$ 601 milhões do governo federal naquela favela é um desperdício. Pior: cita Dilma Rousseff fora de contexto, lembrando que foi no Complexo do Alemão que a ministra de Lula foi chamada de “mãe do PAC” pela primeira vez. Pela lógica da Folha, favela = antro de marginal, logo, investimento na qualidade de vida da favela = financiamento do crime.

O que os jornalistas não dizem, talvez porque nunca tenham conversado com um morador da favela ou porque sejam reacionários mesmo, é que as favelas são habitadas em sua maioria por trabalhadores, crianças, idosos e donas de casa que também são vítimas da criminalidade. Existe, nas favelas, uma vida social, há escolas, igrejas, clubes, organizações sócio-culturais. Tem gente morando nas favelas!

Quando insinua que o investimento do PAC no Complexo do Alemão é um golpe baixo para eleger Dilma, o que sugere a Folha de S. Paulo? Sugere que, em vez de postos de saúde, creches e moradias decentes para a população, o Estado deveria cercar a favela com arame farpado e confinar os moradores em um campo de concentração. É o que podemos deduzir, já que o texto não nos deixa uma terceira opção.

Enquanto isso, pesquisa do Vox Populi sobre as eleições presidenciais em Pernambuco informam que Dilma tem 45% das intenções de voto, contra 23% de Serra.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Elite preconceituosa critica Lula por carregar isopor na cabeça



A minoria elitista branca, preconceituosa, reacionária, não consegue engolir um presidente popular, simples, vindo do "povão" e, mesmo ocupando o cargo mais importante do país, continuar vivendo a vida no ritmo "povão".

Veja o texto preconceituoso escrito por Marcos Coimbra, sociólogo, igualzinho ao ex-presidente que quase privatizou todo o Brasil, e dono do Instituto Vox Populi.

"Existem imagens que valem por mil palavras e palavras que valem por mil imagens, algumas para o bem, outras para o mal. Lula carregando seu isopor, com a familiaridade de quem, aparentemente, já o fez centenas de vezes, é um exemplo das primeiras, com efeitos claramente positivos para ele e para quem com ele está

O verão de 2010 mal começou, mas seu retrato mais marcante, na vida política, já é conhecido: Lula equilibrando um isopor na cabeça, de bermudas e camiseta, calçando havaianas brancas. A foto foi feita quando ele saía da praia, com dona Marise o seguindo de perto, bolsa a tiracolo.

Houve outras imagens muito fortes neste início de ano, especialmente as de tragédias naturais, sejam internas, como os deslizamentos em Angra dos Reis, sejam acontecidas fora do Brasil, como o terremoto no Haiti. Ainda que chocantes, e por mais que as duas calamidades tenham sido amplificadas pela omissão de governos são, no entanto, imagens que poucas consequências trarão para nossa vida política. Até o fim do ano, terão se tornado retratos de catástrofes particulares, devastadoras para as vítimas e suas famílias, uma vaga lembrança para o conjunto dos brasileiros.

Lula e seu isopor, não. Essa é uma foto que tem tudo para ser lembrada em um ano como este, em que a população não vai apenas votar para escolher o futuro presidente, mas para se pronunciar sobre se está satisfeita ou descontente com o jeito de governar do atual. É cedo para dizer se ela vai concordar que a eleição é essa, mas é certo que Lula vai usar de sua imensa popularidade para levá-la a pensar dessa maneira.

Para quem deseja que a eleição presidencial se torne uma comparação entre "modos de ser", a foto é uma beleza. Nela, quase tudo que a campanha de Dilma tem a dizer de relevante para a vasta maioria do eleitorado está dito. Com a simplicidade e a clareza que fazem com que algumas mensagens sejam compreensíveis por todos.

Existem imagens que valem por mil palavras e palavras que valem por mil imagens, algumas para o bem, outras para o mal. Lula carregando seu isopor, com a familiaridade de quem, aparentemente, já o fez centenas de vezes, é um exemplo das primeiras, com efeitos claramente positivos para ele e para quem com ele está. Fernando Henrique dizendo que os aposentados são vagabundos é um exemplo das segundas, com efeitos altamente negativos para o próprio e seus aliados.

Umas e outras costumam durar anos, muito mais do que imaginavam seus autores quando as protagonizaram. A infeliz frase do ex-presidente continua viva no imaginário de eleitores de todos os tipos, como se vê diariamente em pesquisas qualitativas feitas de norte a sul do país. Até quem não tinha idade para votar em 1998, ano em que foi cunhada, se lembra dela. Coisa parecida acontece com algumas de suas predecessoras: a caspa de Jânio Quadros, o cheiro de cavalo de João Figueiredo.

Por tudo que tem afirmado, é claro o argumento central da campanha que Lula imaginou para sua candidata: convencer os eleitores de que seu governo foi melhor que o do PSDB por ele ser uma pessoa diferente, mais próximo do povo e mais preocupado com ele. Em 2010, na hora de escolher seu sucessor, os eleitores deveriam, portanto, identificar a pessoa certa para o cargo de maneira parecida. Quem eles querem que governe o país: alguém da "elite" ou alguém do "povo"?

A foto é tão favorável à tese do presidente que há quem suspeite que tenha sido encenada nos mínimos detalhes: marido e mulher juntos, a roupa dos dois, sua postura, o isopor inconfundível. Se foi, parabéns para quem a imaginou e produziu. É coisa de profissional, de quem sabe como pensa a maioria do eleitorado.

É pouco provável que Lula não soubesse que poderia ser fotografado em sua caminhada de volta da praia. Afinal, o trabalho dos fotógrafos é captar imagens, e o presidente não devia supor que estava em um lugar desconhecido por eles. Ao contrário. Quando, então, levantou o isopor e o colocou na cabeça, ele sabia o que estava fazendo.

Enfim, pode ser que, na hora de votar, as pessoas pouco se importem com tudo o que a foto sugere. Pode ser que queiram apenas fazer uma comparação racional de candidatos, preferindo Serra por sua biografia, mesmo que Dilma seja a representante desse presidente tão querido e tão "gente como a gente".Pode até ser. Apenas não é provável."


Se, você não concorda com o que ele escreveu, o email dele é este: marcoscoimbra.df@dabr.com.br

Eu já escrevi e disse a ele o seguinte:

Não adianta vocês quererem detonar a imagem do melhor presidente que esse país já teve em toda a sua história. Lula sempre foi, é e sempre será “povão”.
Lula não mistura sua responsabilidade de administrar e bem esse país com sua forma de vida simples e popular.
Felizmente, essa corja que são anti-Lula são minoria. E minoria, por mais que não concordem, tem que se curvar para as decisões tomadas pela maioria e a maioria decidiu por Lula em duas eleições consecutivas.
E vai decidir por Dilma em 3 de outubro.

Por que Dilma?

Porque, no mínimo, é pessoa de confiança de Lula, o presidente que está sendo o referencial na História do Brasil: o Brasil antes de Lula e o Brasil depois de Lula.

E por que não Serra?

Porque estamos cansados de crápulas, de representantes da minoria elitista, de corruptos, de políticos profissionais, enganadores, racistas, preconceituosos. Porque não queremos de volta o estilo FHC de governar.

Bastar ver São Paulo comandado pelo PCC, as enchentes sem solução, a exclusão da população mais carente, as privatizações, os pedágios, etc., para não querermos um crápula desse comandando o país.

Queira ou não essa minoria branca, elitista, preconceituosa, racista, reacionária, “Lula é o cara”, mudou o país para muito melhor, vai eleger Dilma e voltará em 2014, comandará o país novamente até 2022 e fará o sucessor novamente até, no mínimo, 2026.

Se não quiser conviver com isso, pegue seu passaporte e se mude para o Estados Unidos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Consul do Haiti no Brasil mostra preconceito em comentário

Quem é George Samuel Antoine? Cônsul do Haiti no Brasil. Casado, empresário, sócio-proprietário da Corretora Banfort, morador de Campinas. Para ele, o terremoto que arrasou o País mais pobre do Ocidente foi bom para o consulado (leia-se, para ele). Ainda segundo o diplomata, a tragédia que matou mais de 100 mil haitianos é uma resposta divina à macumba praticada pela população negra do país caribenho. É bizarro que um embaixador faça uma imagem tão deturpada e preconceituosa do próprio povo que ele representa.
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Mas a opinião deste homem, bem ou mal, ajuda a explicar muita coisa. Como sabemos, o Haiti não tem apenas miseráveis em seu território. Lá, como aqui, existe uma elite branca que vive em seu mar de rosas, cercada de seguranças e arames farpados. Não é difícil adivinhar de que lado da cerca está o Sr. George Samuel.

Veja:

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Os áureos tempos do colonialismo

O preconceito é mesmo um mal arraigado na alma das pessoas. Fica lá, incumbado como o vírus da gripe, esperando o primeiro vento para se manifestar em patéticos espirros.
Às vezes, o preconceito nos é jogado na cara de forma aberta. Mas isso é raro. O brasileiro, como bem dizia Florestan Fernandes, tem preconceito de ter preconceito e jamais admite que está sendo preconceituoso.
O mais comum é que o preconceito brasileiro se manifeste nas entrelinhas do discurso, de forma dissimulada e até educada, como convém ao homem cordial. É quando diz: "ela é negra, mas muito bonita"; ou "ele é negro, mas trabalhador".
O SESC Madureira, ao anunciar a sua programação cultural para a Semana da Consciência Negra, fez muito pior. Atentem para o release :

Prezados,
O SESC Madureira desenvolve o projeto Arte de Encontrar que tem como proposta a prática de parcerias entre comunidades populares, instituições públicas, privadas e do terceiro setor. O projeto valoriza o potencial criativo de crianças e jovens de diversas comunidades, propiciando a troca de experiências. Este mês com a temática Consciência Negra: conversando sobre a cultura Banto, com os historiadores (Walter Nkosi e André Lemba); apresentações de danças afro e café servido por mucama, lembrando os áureos tempos coloniais. As instituições poderão participar ativamente apresentando suas produções artísticas, mediante inscrições prévias ou assistindo ao evento. Contamos com a sua presença!

Mostrei o texto a colegas de trabalho, mas eles não identificaram o preconceito e disseram que eu estava procurando chifre em cabeça de cavalo. Então, para facilitar a vida deles, resolvi trocar os protagonistas da homenagem. Em vez de lembrarmos os áureos tempos do colonialismo, que tal lembrarmos os áureos tempos de Auschwitz?


Legenda: judeus se divertindo nos áureos tempos de Auschwitz

Acho que assim fica mais fácil entender o espírito da coisa. Se ainda estiver difícil, deixo uma sugestão ao SESC Madureira, para que da próxima vez a comunicação seja mais direta. O evento deveria ser divulgado a partir de um cartaz como este:


Legenda: africano se diverte nos áureos tempos do colonialismo