Em Murici (AL), vítimas dos temporais procuram acampamentos porque não querem ficar em abrigos públicos
Famílias dizem não conhecer ideologia dos movimentos e esperam reconstruir no campo o que perderam na cidade
Famílias que tiveram suas casas destruídas pelos temporais que atingiram Alagoas há uma semana estão buscando refúgio nos acampamentos de trabalhadores rurais sem terra, na região de Murici (a 60 km de Maceió).
Os desabrigados desconhecem a ideologia dos movimentos. Dizem que procuram acampamentos porque não desejam ficar em abrigos públicos e têm esperança de reconstruir no campo o que perderam na cidade.
A Folha visitou ontem três áreas invadidas pelos sem-terra em Murici. Duas delas são controladas pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e uma pelo MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). Em todas, encontrou famílias de desabrigados.
PAU-A-PIQUE
"Os movimentos sociais apoiam quem não tem nada, e aqueles que nos procuram são acolhidos", diz o coordenador dos acampamentos Seridó e Aroaz, do MST, Francisco de Assis Santana, 53.
Segundo ele, as duas áreas, juntas, possuíam 180 famílias sem terra. Após a tragédia das chuvas, mais 30 famílias se uniram a elas em busca de apoio.
É o caso do agricultor José Quitério da Silva, 32, que morava próximo ao centro de Murici com a mulher e quatro filhos pequenos. "Perdi tudo, só conseguimos salvar os documentos", disse ele.
Silva conseguiu abrigo no acampamento Seridó, onde passou a viver com a família em um barraco de pau-a-pique de cerca de 15 m2.
Ele afirma que não entende nada da ideologia do MST e que deseja agora um pedaço de terra para plantar. Mas o sonho de reconstruir sua casa na cidade também continua -ele não quer que a família cresça no campo. "Aqui é ruim para as crianças", diz.
No acampamento Cabocal, controlado pelo MLST, o líder sem terra Milton Leite Cavalcanti, 50, afirma que já recebeu dez novos moradores, todos desabrigados da chuva. Novos barracos estão sendo erguidos no local.
Segundo ele, com o aumento do número de acampados, a cota de alimentos dos sem-terra no acampamento está sendo reavaliada. Nas áreas invadidas pelo MST, sem-terra estão colhendo milho, mandioca e feijão.
De FÁBIO GUIBU
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
DIFICULDADE DE ENVIO DE ALIMENTOS AO HAITI
Cerca de 160 toneladas de alimentos e roupas doadas em Fortaleza para as vítimas do terremoto no Haiti estão à espera de transporte.
Chegando diariamente, sem perspectiva de envio para o Haiti, as doações se acumulam e ocupam todos os espaços da sede da Cruz Vermelha, onde o material é separado e dividido por itens. Mas, com o grande volume, esta é uma operação que já está no limite.
Apesar da proximidade de Fortaleza com o Haiti, todo o material terá que ser enviado para o Rio de Janeiro, onde está centralizada a operação de envio de envio do Governo Federal.
Para evitar este tipo de problema, a ONU chegou a sugerir que as doações fossem feitas em dinheiro. Agora, além da dificuldade para o armazenamento, a validade de alguns produtos está terminando.
O terremoto do último dia 12 lançou o Haiti, país mais pobre das Américas, em uma profunda crise humanitária. Mais de 75 mil vítimas foram enterradas, e o governo estima que os mortos possam chegar a 200 mil.
Chegando diariamente, sem perspectiva de envio para o Haiti, as doações se acumulam e ocupam todos os espaços da sede da Cruz Vermelha, onde o material é separado e dividido por itens. Mas, com o grande volume, esta é uma operação que já está no limite.
Apesar da proximidade de Fortaleza com o Haiti, todo o material terá que ser enviado para o Rio de Janeiro, onde está centralizada a operação de envio de envio do Governo Federal.
Para evitar este tipo de problema, a ONU chegou a sugerir que as doações fossem feitas em dinheiro. Agora, além da dificuldade para o armazenamento, a validade de alguns produtos está terminando.
O terremoto do último dia 12 lançou o Haiti, país mais pobre das Américas, em uma profunda crise humanitária. Mais de 75 mil vítimas foram enterradas, e o governo estima que os mortos possam chegar a 200 mil.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Uma semana após terremoto no Haiti, população tenta fugir da capital

Os prognósticos para os que vivem em Porto Príncipe, uma semana após o terremoto que devastou a cidade, são bastante preocupantes. Alimentos e artigos médicos começam a chegar a vários locais nesta terça-feira, mas casos de tétano e gangrena se multiplicam, e médicos afirmam que aumentam os riscos de a população enfrentar epidemias como as de sarampo, meningite e outras infecções. Além disto, os saques e a atuação de gangues se alastram pela capital do país caribenho, e os moradores, sentindo-se acuados pela violência e pelo risco de doenças, estão partindo para outras cidades no Haiti.
O desespero após o terremoto que devastou o Haiti chegou na segunda-feira ao porto de Jeremie, capital do departamento haitiano de Grand'Anse. O caos e a destruição em Porto Príncipe geraram uma onda de fuga em pequenos e precários barcos com destino à região. Para milhares de haitianos, o empobrecido porto tem o novo significado de esperança e fuga dos resultados da tragédia.
- A nossa casa foi destruída - disse ao "New York Times" a verdureira Yanique Verly, de 33 anos. Ela esperava um pequeno barco para levá-la com seus três filhos para outra casa na costa oeste. - A minha única esperança é voltar aos braços de minha família.
Yanique se juntou a milhares de pessoas, que na segunda-feira tentavam fugir de barco, ônibus, carro ou caminhão, para conseguir um abrigo com comida, água e estabilidade.

De acordo com a reportagem, não há certeza de nada no Haiti. As autoridades não conseguem nem estimar o número de mortos. Alain Le Roy, chefe da missão de paz da ONU, disse que não poderia confirmar a estimativa de 200 mil mortos. Ela afirmou que havia cerca de 50 mil mortes confirmadas.
- Para ser franco, acho que ninguém sabe - disse ele nos Estados Unidos.
A única evidência, no entanto, é a necessidade de fugir. Dezenas de ônibus faziam filas e aguardavam nos postos de gasolina de diversas partes de Porto Príncipe, na tentativa de conseguir combustível para a viagem ao interior do país. Algumas pessoas carregavam bagagens lotadas e outras, poucos pertences para não gastar mais do que podem.
Em um posto de gasolina, os nomes dos ônibus pintados nas laterais dos veículos tinham um significado real: Christ Est La Response (Cristo é a Resposta); Courage Mon Frere (Coragem meu Irmão).
- Acho que não vou voltar para cá - disse Marcelaine Calixte, de 20 anos. A casa e universidade da estudante foram abaixo durante o terremoto. A jovem resolveu seguir para Aux Cayes, uma cidade ao sul do país.
De acordo com o comandante da Guarda Costeira americana, nenhuma embarcação com refugiados foi vista na segunda-feira.
- Nenhuma, zero - disse ele ao ser questionado sobre a fuga dos haitianos pelo mar. Segundo ele, é muito improvável que haitianos estejam tentado deixar a ilha em pequenas lanchas e, caso sejam pegos seguindo para a Flórida, serão levados de volta ao Haiti.
Mas, para cada pessoa que encontrou uma opção de abrigo ou comida fora da capital, muitos continuam na extrema miséria.
- Eu gostaria que a minha família escapasse dessa cidade, mas preciso de remédios para aliviar as dores da minha filha - disse o encanador de 28 anos Manuel Lamy. Sua filha de 5 anos perdeu a mão esquerda durante o terremoto e foi levada para um centro de triagem organizado por médicos cubanos.
Milhares de cidadãos americanos, incluindo haitiano-americanos, foram ao aeroporto nos últimos dias para deixar a ilha em aviões do Exército dos Estados Unidos. O terminal de ônibus está mais lotado do que nunca, de acordo com Dieumetra Sainmerita, que administra o tráfego.
Ele disse que o preço da passagem para o ônibus que faz o trajeto da costa subiu em 20% desde a semana passada. Muitos vendem o que tem para conseguir comprar um bilhete.

- Primeiro eu via pessoas que perderam as suas casas - afirmou Sainmerita. - Depois, pessoas que perderam parentes. Agora, vejo pessoas que estão com medo de outros roubarem seus pertences durante a madrugada.
Assaltantes também rondam as estações de ônibus. Marceson Romen disse que dois homens tentaram roubar sua mala, mas fugiram quando viram a polícia. Romen seguia para Artibone, região haitiana onde nasceu.
De O Globo
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Países convocam reunião de emergência para conter onda de violência no Haiti após terremoto; ONU pede reforço

O Estado Maior das Forças Militares dos 17 países que atuam no Haiti, chefiadas pelo general Floriano Peixoto, convocou na manhã desta segunda-feira uma reunião de cúpula de emergência para tratar da violência e segurança na cidade. Os militares admitem que a violência está aumentando e há uma urgência para não deixar que os criminosos que fugiram da Penitenciária Nacional na capital se reagrupem para formar gangues. Estes criminosos já voltaram para a favela de Cité Soleil , com 300 mil moradores, que reclamam que alguns grupos começam a intimidar a população batendo, roubando moradores e invadindo casas. O policiamento deve ser intensificado também no centro da capital e Bel Air, dois bairros onde os saques e tumultos estão se ampliando, criando um ambiente de caos.
O comandante do Exército brasileiro, general Enzo Martins Peri, afirmou na tarde desta segunda-feira, em Brasília, que as forças brasileiras estão sendo deslocadas para missões de segurança.
- A prioridade foi resgatar quem estava sob os escombros. Em um primeiro momento, as nossas tropas foram concentradas nessa tarefa(...) Agora as nossas tropas já retomam suas funções na segurança - disse.
O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o Brasil vai mandar um navio da Marinha para o Haiti. Segundo ele, está sendo feito o planejamento imediato dos recursos e das necessidade de materiais para o Haiti nas próximas semanas.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse nesta segunda-feira que havia recomendado ao Conselho de Segurança da entidade adicionar 1.500 policiais e 2.000 soldados à missão de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti, depois do terremoto devastador da semana passada.
Ban falava a repórteres depois de se dirigir ao Conselho em uma sessão a portas fechadas. A Minustah, força de manutenção da paz do organismo no Haiti, tem atualmente cerca de 9.000 soldados e policiais no Haiti.
Os Estados Unidos enviaram nesta segunda-feira mais soldados para ajudar a proteger a enorme operação de assistência humanitária no Haiti, enquanto dezenas de milhares de sobreviventes do terremoto esperavam, desesperados, pelos alimentos e pela assistência médica prometida.
- Não temos capacidade para arrumar esta situação. O Haiti precisa de ajuda(...) Os americanos são bem-vindos aqui. Mas onde eles estão? Precisamos deles aqui nas ruas conosco - disse o policial Dorsainvil Robenson, que persegue saqueadores na capital.
O governo do Brasil enviará mais militares ao Haiti caso seja necessário, disse nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco depois de o secretário-geral da ONU anunciar que pedirá o envio de mais policiais e militares ao país.
- De imediato, o Brasil já tem 1.300 homens lá, mais que um batalhão(...) Não excluo a possibilidade de que, a medida que as coisas evoluam, se for necessário mais (militares), enviaremos - disse o chanceler a jornalistas no Rio de Janeiro.
O Brasil lidera as tropas militares da Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti, país devastado por um terremoto de magnitude 7 na semana passada. Estima-se que 200 mil pessoas tenham morrido. Dezoito mortes de brasileiros já foram confirmadas, sendo 16 militares.
De um lado do Haiti, o desespero, e do outro, luxuosos cruzeiros
A menos de 100 quilômetros da área devastada pelo terremoto no Haiti, cruzeiros luxuosos atracam em praias particulares onde passageiros aproveitam variados coquetéis, e passeios de Jetski, parasail, entre outras atividades. Mesmo com a tragédia, que pode ter deixado 200 mil mortos, a rotina dos transatlânticos não foi alterada. O gigante Independence of the Seas, da Royal Caribbean International, desembarcou na sexta-feira no resort Labadee, refúgio que conta com forte esquema de segurança, ao norte da costa haitiana. Já o Navigator of the Seas, que conta com 3.100 passageiros, está marcado para chegar à região nos próximos dias, informou o jornal "Guardian".
A empresa americana aluga a paradisíaca ilha do governo haitiano para passageiros que querem relaxar com esportes aquáticos, churrascos, e fazer compras de souvenires em pequenas lojas no local durante o dia. A segurança é garantida por homens armados na entrada.
A decisão de manter a programação causou polêmica. Os navios levam ajuda com alimentos e a empresa afirmou que vai doar todos os lucros da viagem aos haitianos. Mas muitos passageiros permaneceram a bordo quando o navio atracou.
"Não consigo me ver pegando sol em uma praia, nadando, comendo churrasco, e aproveitando um coquetel, enquanto em Porto Príncipe há dezenas de milhares de corpos sendo empilhados nas ruas, com sobreviventes desesperados procurando por comida e água", disse um passageiro em um fórum de discussão na internet.
"Já foi difícil o suficiente sentar e comer um lanche em Labadee antes do terremoto, sabendo quantos haitianos passavam fome", afirmou outro internauta. "Não me imagino comendo um hambúrguer lá neste momento".
Alguns passageiros de navios programados para atracar na ilha temem que pessoas desesperadas invadam o resort para conseguir comida e água, mas outros parecem estar determinados em aproveitar as férias. "Estarei lá na terça-feira e planejo aproveitar a minha excursão e o meu passeio", disse uma pessoa.
"No fim, Labadee é fundamental para a recuperação do Haiti. Centenas de pessoas dependem de Labadee para sobreviver", disse John-Weis, vice-presidente da companhia. "Em nossa convera com o enviado especial da ONU ao Haiti, Leslie Voltaire, foi dito que o país iria se beneficiar com os lucros gerados em cada passeio. Também temos oportunidades tremendas de usar os navios para transportar suprimentos. Simplificando, não podemos abandonar o Haiti no momento em que mais precisam de nós".
De O Globo
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Após terremoto, Lula destaca liderança brasileira no Haiti e cobra mais de dinheiro dos países

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira, durante o programa semanal "Café com o Presidente", a liderança do Brasil no Haiti. Segundo ele, o país coordena as forças militares em Porto Príncipe há cinco anos e tem um papel relevante na missão de paz da ONU. As declarações de Lula foram feitas poucos dias após os EUA, que controlam o aeroporto da capital haitiana, serem acusados de priorizar seus próprios interesses, e de a secretária de Estado americana Hillary Clinton defender mais poderes aos americanos durante a reconstrução do país após o devastador terremoto.
Em seu primeiro programa de rádio de 2010, Lula cobrou mais dinheiro dos países para a reconstrução do Haiti. "O mundo todo está sensibilizado. Agora, é preciso transformar essa sensibilidade em ajuda concreta, em dinheiro para que a gente possa reconstruir o Haiti. O Brasil está já há vários anos reivindicando dinheiro dos países doadores. Acho que os países da América Latina vão ajudar e, sobretudo, os países mais ricos têm que colocar mais dinheiro. Ou seja, o momento agora, é de colocar a mão no bolso e ajudar. O Brasil já colocou US$ 15 milhões à disposição do Haiti e nós achamos que têm países que podem dar mais."
Sobre a liderança brasileira no Haiti, Lula destacou os esforços dos militares que perderam suas vidas durante o terremoto de terça-feira. "O Brasil tem um papel muito importante no Haiti porque o Brasil, na verdade, é o país que coordena as forças militares que dão segurança ao Haiti há cinco anos, já. Nós coordenamos a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) e, portanto, o Brasil tem um papel relevante. Os soldados brasileiros tiveram um papel muito importante durante o terremoto e, lamentavelmente, nós tivemos a morte de soldados brasileiros, do representante do Brasil na ONU (Luiz Carlos da Costa) e da dona Zilda Arns (fundadora da Pastoral da Criança)." ( Jobim diz que tropas devem ficar ao menos mais 5 anos no Haiti )
O presidente do Haiti, René Préval, fez um dramático apelo no sábado para que os esforços de ajuda sejam mais bem coordenados e para que não haja discussões entre os países doadores.
- Esta é uma situação extremamente difícil. Devemos nos manter tranquilos para coordená-la, e não nos acusarmos - afirmou Préval a repórteres, depois de se reunir com autoridades de vários países.
O apelo foi feito depois que o ministro da Cooperação da França, Alain Joyandet, afirmou à imprensa ter entregue uma queixa oficial na Embaixada dos EUA. A pedido de Préval, os americanos assumiram a coordenação dos trabalhos no aeroporto local, parcialmente destruído pelo tremor, mas vêm sendo acusados de priorizar o pouso e a decolagem de suas aeronaves. Segundo Joyandet, a dois aviões franceses foram negadas permissões de pouso. Um deles levava um hospital de campanha - uma das mais urgentes necessidades da população.
Da Agência Brasil
sábado, 16 de janeiro de 2010
Corpo de Zilda Arns é velado no Palácio das Araucárias, no Paraná

O corpo da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann , fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, está sendo velado no Palácio das Araucárias desde as 11h30m desta sexta-feira. O caixão chegou coberto com uma bandeira do Brasil e permanecerá fechado durante todo o velório. Antes de as portas serem abertas para visitação pública, o arcebispo emérito de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, acompanhado de outros religiosos, fez uma oração em agradecimento ao trabalho da missionária. A visitação pública começou às 12h30m e foi interrompida às 13h20m para a realização de uma missa reservada à família e amigos próximos. O velório está sendo comandado por Dom Geraldo Majela Agnello, que trabalhou em parceria com a missionária na fundação da Pastoral da Criança na década de 1980, e está previsto para terminar no sábado, segundo o "Portal RPC". Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 5 mil pessoas já passaram pelo Palácio das Araucárias para se despedir de Zilda Arns. O corpo dela chegou ao Brasil às 3h30m desta sexta-feira .
O governador Roberto Requião (PMDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP) já chegaram ao Palácio das Araucárias bastante emocionados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta das 20h15m, acompanhado de uma comitiva de 15 pessoas, entre ministros e assessores. O salão de visitação foi fechado para receber o presidente. ( Veja a repercussão da morte )

- A trágica morte de Zilda Arns nos deixa um exemplo de respeito pela atuação que ela teve ao longo da vida. Uma pessoa despojada de vaidades, voltada para as grandes causas sociais. A dona Zilda trabalhou para o Brasil e para a humanidade. Estamos aqui para trazer não apenas o nosso sentimento pessoal, mas de toda a Câmara dos Deputados do Brasil - disse Temer durante a cerimônia.
Requião disse que pediu pessoalmente ao presidente Lula que indique o nome de Zilda ao prêmio Nobel da Paz, mesmo após sua morte.
- Sem dúvida nenhuma ele vai atender à solicitação - afirmou.
Outro pedido que o governador fez a Lula foi quanto à criação de um prêmio com o nome de Zilda Arns, a ser entregue a pessoas que se destaquem na luta contra a mortalidade infantil e materna.
O senador Flávio José Arns (PSDB-PR), sobrinho da médica, bastante abatido, falou rapidamente com a imprensa logo que chegou à sede do governo do Paraná. Ele disse que o que determinou sua morte foi um passo que Zilda deu no momento do tremor, informa o "Portal RPC".
- Ela já havia encerrado seu discurso na igreja em que estava, quando começou o terremoto. Quando deu um passo à direita, acabou atingida pelos escombros - disse.

O senador ainda relatou o cenário de destruição que encontrou no Haiti:
- As pessoas não têm as mínimas condições de vida por lá - definiu.
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) - que estava em Washington, nos Estados Unidos -, o vice-prefeito, Luciano Ducci (PSB), e o senador Alvaro Dias (PSDB) chegaram à missa por volta das 14 horas. Também estiveram no salão o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que deve comparecer ao velório no sábado.
A orientação da Pastoral da Criança é de que não sejam enviadas coroas de flores para o velório. Atendendo a um pedido da própria Zilda, a homenagem deve ser trocada por doações para a continuidade dos trabalhos da Pastoral da Criança, que podem ser feitas no site da organização .
De O Globo
Dezesseis militares feridos no terremoto do Haiti desembarcam em SP

O avião da Força Aérea brasileira (FAB) trazendo militares do Exército brasileiro feridos durante o terremoto no Haiti pousou na base aérea de São Paulo, em Guarulhos às 12h40m da sexta-feira. Eles foram atendidos por médicos e enfermeiros dentro da aeronave e só começaram a desembarcar 40 minutos depois de receber os primeiros socorros. Dezesseis militares feridos voltaram nesse voo. A maioria saiu andando, mas dois precisaram usar cadeiras de rodas. outros dois foram carregados em macas e levados de ambulância ao hospital do Exército no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo.
Ao desembarcar, os militares tiveram uma surpresa: parentes aguardavam a tropa na base aérea de São Paulo. Os parentes se emocionaram ao ver os soldados e muitos deles choraram.
O único militar que aceitou falar com os repórteres foi o cabo Carlos Michael Pimentel de Almeida, de 23 anos, que retornou ao Brasil com um ferimento na cabeça provocado por uma laje que caiu sobre a beliche em ele que dormia no Ponto Forte, ou Casa Azul, de onde partem as patrulhas que monitoram as ruas de Porto Príncipe , a capital do Haiti, ponto nevrálgico da tragédia.
- Eu não entendi o que estava acontecendo. Estava no terceiro andar do prédio em minha hora de descanso. De repente deu um forte tremor que balançou tudo. Uma laje caiu em cima de mim. Saí debaixo dela, mas aí veio novo desmoronamento. Pensei que fosse um atentado, que tivessem jogado uma bomba ali.

O destino de todos os 16 militares era o Hospital de Área Militar do Cambuci, em São Paulo. Para tratar dos ferimentos provocados em consequência do tremor e passar por um período chamado de quarentena, mas que dura em torno de três dias, procedimento normal no regresso dos soldados das Forças de Paz que atuam no país caribenho.
- São feitos exames de laboratório para verificar se eles não foram infectados por alguma doença infecto-contagiosa durante a missão - explicou o general Eduardo Segundo Liberali Wizniewsky, comandante da Segunda Região Militar. Todos também passarão também por exames de avaliação psicológica.
Os militares que desembarcaram são: sargento Wilian mendes Pereira, sargento Tareck Souza de Pontes, cabo Daniel Coelho da Silva, tenente Rafael Araújo de Souza, sargento Gilberto Emílio Marafon, soldado Diovani de Souza Silva Tohomaz, cabo Carlos Michael Pimentel de Almeida, sargento Carlos Alberto Fonseca, capitão Renan Rodrigues de Oliveira, cabo Adriano de Barros Cavalcanti, cabo Eugênio Tesaresi Neto, cabo Luís Paulo das Chagas Lima, cabo Alcebíades Orlando dos Santos Ferreira, soldado Welinton Soares Magalhães, sargento Rômulo Cézar de Carvalho e o tenente-coronel Alexandre José Santos.
Eram esperados 18 militares no Boeing 707 da Força Aérea Brasileira - FAB, que partiu do Haiti às 6h e chegou às 12h40, mas dois deles, o sargento Antonio Carlos Pererira de Novaes e o fuzileiro naval Ubiratã Ferreira, por estarem com machucados leves, decidiram ficar para ajudar nos trabalhos de rescaldo da tragédia.
De O Globo
Atuação no Haiti pode consolidar papel de liderança do Brasil
Soldados brasileiros da Minustah estão ajudando com primeiros socorros no Haiti
Com o desastre que abateu o Haiti, a diplomacia brasileira para o país caribenho deverá entrar em uma nova fase, na avaliação do Itamaraty. A expectativa é de que o governo brasileiro seja “mais exigido”, mas em contrapartida poderá consolidar seu papel de liderança no processo de paz haitiano.
Na avaliação de diplomatas, o trabalho de recuperação política do Haiti, que já era considerado “complexo”, vai exigir um compromisso ainda maior do governo brasileiro.
A expectativa é de que, depois da fase emergencial de socorro às vítimas, os países que integram as forças de paz, juntamente com as Nações Unidas, “reavaliem as prioridades” da operação.
Como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil “tem a chance de fazer valer suas perspectivas e visões” em relação ao Haiti, diz um representante da diplomacia brasileira.
“Quem decide é a ONU, mas o Brasil sempre defendeu uma política mais de longo prazo no Haiti, que vá além da segurança”, diz o diplomata.
Uma das possibilidades é de que o efetivo da missão de estabilização da ONU no Haiti, a Minustah, seja ampliado – decisão que precisa ser aprovada pelo Conselho de Segurança.
De acordo com essa mesma fonte do Itamaraty, “não necessariamente” o adicional de tropas precisa sair do Brasil.
“Um dos desafios é justamente o de convencer outros países de que eles também precisam contribuir mais”, diz o diplomata.
Antes do terremoto, a previsão era de que as tropas pudessem ser reduzidas a partir de 2011, o que também deverá ser revisto.
Protagonista
País com o maior efetivo militar no Haiti, com 1.266 homens, o Brasil acabou conquistando um papel de protagonista no processo de paz do país caribenho.
A causa foi abraçada não apenas do ponto de vista militar, mas também diplomático, sendo vista como uma das principais bandeiras da política externa do governo Lula.
Além de reforçar sua influência na América Latina, a experiência militar brasileira no Haiti é vista no governo como mais um ponto favorável à campanha do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O general Carlos Alberto Santos Cruz, que comandou a Minustah de 2007 a 2009, diz que o governo brasileiro tem oferecido apoio financeiro e treinamento à operação e que esse “esforço deu um maior conceito ao Brasil”.
“Não é a toa que a missão de paz, que na verdade é da ONU, muitas vezes é confundida com uma missão brasileira”, diz.
De acordo com a ONG Contas Abertas, o governo brasileiro já gastou mais de R$ 700 milhões com a operação desde o início da missão.
Revisão
Apesar de os militares da Minustah serem treinados para situações de catástrofe, a missão não tem em seu mandato a “reconstrução física” do país, diz o representante da diplomacia brasileira.
A ideia, segundo ele, é de que outras agências da própria ONU se alinhem aos compromissos da missão de paz.
“Estamos falando da reconstrução de um país praticamente do zero, e não apenas mais de uma questão política ou de segurança”, diz. “Por isso acredito que as operações no país terão de ser repensadas”, acrescenta.
Para o general Santos Cruz, a discussão nesse momento é “puramente humanitária”, mas, segundo ele, “em algum momento o Conselho de Segurança deverá discutir o futuro do Haiti”.
“Parte do trabalho que já havia sido feito no país nos últimos seis anos foi perdido. Tanto o componente militar como civil da missão terão de ser reavaliados”, diz.
Da BBC Brasil
Com o desastre que abateu o Haiti, a diplomacia brasileira para o país caribenho deverá entrar em uma nova fase, na avaliação do Itamaraty. A expectativa é de que o governo brasileiro seja “mais exigido”, mas em contrapartida poderá consolidar seu papel de liderança no processo de paz haitiano.
Na avaliação de diplomatas, o trabalho de recuperação política do Haiti, que já era considerado “complexo”, vai exigir um compromisso ainda maior do governo brasileiro.
A expectativa é de que, depois da fase emergencial de socorro às vítimas, os países que integram as forças de paz, juntamente com as Nações Unidas, “reavaliem as prioridades” da operação.
Como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil “tem a chance de fazer valer suas perspectivas e visões” em relação ao Haiti, diz um representante da diplomacia brasileira.
“Quem decide é a ONU, mas o Brasil sempre defendeu uma política mais de longo prazo no Haiti, que vá além da segurança”, diz o diplomata.
Uma das possibilidades é de que o efetivo da missão de estabilização da ONU no Haiti, a Minustah, seja ampliado – decisão que precisa ser aprovada pelo Conselho de Segurança.
De acordo com essa mesma fonte do Itamaraty, “não necessariamente” o adicional de tropas precisa sair do Brasil.
“Um dos desafios é justamente o de convencer outros países de que eles também precisam contribuir mais”, diz o diplomata.
Antes do terremoto, a previsão era de que as tropas pudessem ser reduzidas a partir de 2011, o que também deverá ser revisto.
Protagonista
País com o maior efetivo militar no Haiti, com 1.266 homens, o Brasil acabou conquistando um papel de protagonista no processo de paz do país caribenho.
A causa foi abraçada não apenas do ponto de vista militar, mas também diplomático, sendo vista como uma das principais bandeiras da política externa do governo Lula.
Além de reforçar sua influência na América Latina, a experiência militar brasileira no Haiti é vista no governo como mais um ponto favorável à campanha do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O general Carlos Alberto Santos Cruz, que comandou a Minustah de 2007 a 2009, diz que o governo brasileiro tem oferecido apoio financeiro e treinamento à operação e que esse “esforço deu um maior conceito ao Brasil”.
“Não é a toa que a missão de paz, que na verdade é da ONU, muitas vezes é confundida com uma missão brasileira”, diz.
De acordo com a ONG Contas Abertas, o governo brasileiro já gastou mais de R$ 700 milhões com a operação desde o início da missão.
Revisão
Apesar de os militares da Minustah serem treinados para situações de catástrofe, a missão não tem em seu mandato a “reconstrução física” do país, diz o representante da diplomacia brasileira.
A ideia, segundo ele, é de que outras agências da própria ONU se alinhem aos compromissos da missão de paz.
“Estamos falando da reconstrução de um país praticamente do zero, e não apenas mais de uma questão política ou de segurança”, diz. “Por isso acredito que as operações no país terão de ser repensadas”, acrescenta.
Para o general Santos Cruz, a discussão nesse momento é “puramente humanitária”, mas, segundo ele, “em algum momento o Conselho de Segurança deverá discutir o futuro do Haiti”.
“Parte do trabalho que já havia sido feito no país nos últimos seis anos foi perdido. Tanto o componente militar como civil da missão terão de ser reavaliados”, diz.
Da BBC Brasil
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