domingo, 7 de março de 2010

Porque Serra desistirá se concluir que não tem chances

Os demo-tucanos querem dar ar de irreversível a candidatura de José Serra (PSDB/SP) ao Planalto.

Querem induzir os incautos a acreditar que uma desistência de Serra seria uma desmoralização, a qual ele não se submeteria.

O raciocínio seria válido para políticos preocupados com desmoralização. Não é o caso de Serra, como provam seus antecedentes.

Na eleição para prefeito de 2004, ele prometeu ao vivo, no debate da TV Record, que cumpriria os 4 anos de mandato na prefeitura, e não se candidataria a governador nem a presidente em 2006, se eleito.

Faltou com a palavra. Em 2006, abandonou a prefeitura nas mãos de Kassab e candidatou-se a governador.

Não satisfeito em desmoralizar- se na TV, ainda assinou uma carta ratificando a mesma promessa, publicada na Folha de São Paulo:



Como se vê, desmoralização não é problema para Serra. Ele seguirá seu cálculo político.

Se em 2 de abril, data limite para desincompatibilizaçã o, concluir que estará condenado a perder o Planalto, e só com chances de ganhar a reeleição a governador, não vacilará em arranjar uma desculpa qualquer para abandonar a candidatura presidencial, assim como abandonou a prefeitura em 2006.

E ele não se assume como candidato a presidente, não é com receio de ter que voltar atrás com a palavra. É apenas para não deflagar a campanha de Alckmin a governador dentro do PSDB paulista, de modo irreversível.

Política vista como negócio: Bonhausen diz que Aécio como vice seria "sócio"

Paulo Bornhausen (DEMos/SC) cometeu um ato falho ontem, ao tentar convencer Aécio a ser vice de Serra. O líder do DEMos declarou: "Aécio Neves jamais será um vice, ele será um SÓCIO do presidente".

Sócio é coisa de negócios com fins lucrativos.

As fitas do mensalão do DEM demonstrou como era a "sociedade" entre o governador, o vice e demais, no governo Arruda, do DEMos.

PPS do Roberto Freire vai ficar sem dinheiro

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) de São Paulo suspendeu por três meses, na sessão plenária de ontem, o repasse de cotas do fundo partidário ao diretório regional do Partido Popular Socialista (PPS). Os juízes também determinaram que a agremiação recolha ao Fundo Partidário R$ 62.116,46, quantia sem comprovação de origem.A decisão do TRE, não deve causar prejuizos ao dono do partido, Roberto Freire, que recebe jetons do Kassab sem trabalhar ou morar em São Paulo

A suspensão do repasse de recursos do fundo ocorreu porque o partido teve as contas do exercício de 2005 reprovadas. De acordo com o julgamento, o PPS arrecadou cerca de R$ 16 mil sem a devida tramitação dos valores pelas contas bancárias e deixou de comprovar outros R$ 15 mil de despesas com serviços prestados por terceiros, entre outras irregularidades apontadas.

O Presidente Lula lançou o Portal Brasil para facilitar busca de dados do governo



Foi lançada na manhã desta quarta-feira, 2, a nova página do governo federal na internet. Reformulado, o site www.brasil.gov. br pretende facilitar a vida do internauta que buscar informações sobre serviços oferecidos por mais de 100 órgãos e instituições governamentais. O objetivo é reunir as informações - de diferentes ministérios ou órgãos - de uma forma mais organizada e ágil em um mesmo endereço, apostando em uma integração multimídia, com textos - mais de 2,6 mil, em português, inglês e espanhol -, vídeos e infográficos. Foi disponibilizado conteúdo de mais de 500 serviços, como campanhas de vacinação, projetos sustentáveis e previdência privada.

"No fundo, o que nós estamos é levando a democracia, eu diria, para a sua potência máxima, a um exercício extraordinário de disponibilizar muitas coisas que antes eram tidas como segredo. Não tem mais segredo", disse o Presidente Lula, durante a cerimônia de lançamento do Portal Brasil. "Qualquer brasileiro vai poder acessar, ter as informações e utilizá-las da melhor forma possível", acrescentou.

O novo portal traz uma coluna à esquerda, com quatro divisões de público: empreendedor, estudante, imprensa e trabalhador. A partir do ícone empreendedor, por exemplo, o visitante pode se informar sobre finanças ou como abrir uma empresa. O conteúdo também é dividido por tema: Cidadania, Cultura, Economia, Educação, Esporte, Geografia, História, Meio Ambiente, Brasil, Saúde e Turismo. A página disponibilizou galerias de arte, que poderão ser usadas para ensino em escolas.Para garantir o acesso de deficientes visuais e auditivos, há ferramentas que possibilitam o aumento do tamanho das letras e contrastes de tela, além de legendas nos vídeos.

A VISITA DE HILLARY CLINTON

A secretária de Estado do governo dos Estados Unidos reuniu-se com senadores e deputados brasileiros para discutir temas como o Irã, o reconhecimento do governo golpista de Honduras, as propostas do governo Obama para a América Latina e a velha cantilena que o Brasil é importante parceiro dos EUA na preservação da democracia na América Latina.

Hillary Clinton está no Brasil para tentar atenuar o impacto das posições do governo Lula sobre temas como esses que discutiu a portas fechadas com parlamentares no gabinete do presidente do Senado, José Sarney.

Os norte-americanos têm consciência que, a despeito do envolvimento de várias agências daquele país no processo eleitoral de outubro (a eleição do futuro presidente, entre outras), em franco apoio a candidatura José Collor Arruda Serra, o presidente Lula tem chances concretas de eleger sua candidata, a ministra Dilma Roussef. Essa perspectiva contraria interesses de Obama que pretende ver retomada a agenda do governo de FHC.

A privatização de empresas como a PETROBRAS, o BANCO DO BRASIL, uma parceria estreita (que significa controle) sobre a exploração das reservas petrolíferas do pré-sal e uma presença maior na Amazônia e na região Meridional do Brasil, tanto através de empresas, como das famosas “bases militares de combate ao tráfico de drogas”.

A política externa de Lula é o ponto alto de seu governo. O trabalho desenvolvido pelo ministro Celso Amorim deu ao Brasil uma credibilidade impressionante em todo o mundo e colocou o País no centro de importantes decisões, cada vez mais contrárias ao imperialismo norte-americano. E por dentro do próprio modelo neoliberal. Lula não mudou a estrutura político econômica do Brasil.

Deputados do PT, em resposta à clara intervenção de Hilary em assuntos internos do Brasil, questionaram a miséria nos EUA, a falta de atendimento médico a mais de 40 milhões de cidadãos norte-americanos, as intervenções militares em países do Oriente Médio e no Afeganistão, a morte de civis em flagrante violação aos direitos humanos, a prisão de Guantánamo e outros pontos, como o eixo EUA/Israel. O último “feito” desse eixo foi a falsificação de passaportes de países europeus para que agentes do serviço secreto de Israel, o MOSSAD, pudessem assassinar um líder do Hamas em Dubai.

Hillary esteve com o chanceler Celso Amorim e deve ter estranhado as diferenças entre o ministro brasileiro de Lula e os dois ministros de FHC. Lampreia e Celso Láfer. Lampreia aprendeu a dizer sim senhor faremos tudo que o mestre mandar e não dizia outra coisa durante o governo do marido da secretária. Láfer chegou a tirar os sapatos no aeroporto de New York para submeter-se a uma revista, fato inadmissível e que FHC engoliu em seco, já que funcionário da Fundação Ford, braço do governo e da iniciativa privada nos EUA para países latino-americanos.

Há dias o presidente Lula fez duras críticas às posições dos EUA no Oriente Médio e citou a farsa das armas químicas e biológicas para a invasão do Iraque, no episódio que culminou com o afastamento do embaixador brasileiro José Maurício Bustani, então presidente da Agência de Energia Nuclear da ONU, por não aceitar pressões e recusar-se a assinar um relatório falso sobre essas armas inexistentes.

A passagem de Hillary pelo Chile a pretexto de dar solidariedade à presidente Bachelet diante da tragédia do terremoto e tsunamis que abalaram e abalam o país, trouxe de volta a participação crítica dos militares ao processo democrático e o novo presidente, eleito com apoio dos EUA, já disse que vai endurecer estendendo o toque de recolher no país e ampliando a presença militar em várias outras áreas.

A simples idéia que o Brasil possa continuar a trilhar caminhos de preservação de sua soberania e venha a avançar no processo de ocupação de seu próprio território, Amazônia e sul do País, assusta o governo dos EUA. A perspectiva de um gigante adormecido que acorda e começa a caminhar por suas próprias pernas não interessa a Obama e nem a Wall Street. Querem o Brasil de quatro e por isso mesmo Hillary termina sua visita depois de avistar-se com Lula, em São Paulo, onde, naturalmente, José Collor Arruda Serra vai desmanchar-se em salamaleques e rodopios na valsa da submissão.

Conversar primeiro com congressistas antes de avistar-se com o presidente do Brasil é um insulto, um desrespeito e mostra os verdadeiros objetivos da visita de Hillary. Quando Obama disse, logo nos primeiros dias de seu governo, que Lula “é o cara”, estava contando que funcionasse aquele esquema de troca de colares, pirulitos e chicletes pela PETROBRAS, pelo BANCO DO BRASIL, tal e qual funcionava no governo FHC. Os colares, os pirulitos e os chicletes vinham recheados de dólares em contas no exterior.

Segundo Hillary o povo hondurenho está sofrendo com as sanções impostas pelo Brasil ao governo golpista e sua extensão. Não falou sobre o bloqueio norte-americano imposto a Cuba desde 1962 e seus efeitos. Na prática a secretária quer arrastar os governos da Venezuela, da Bolívia e do Equador ao reconhecimento da situação de fato em Honduras, golpe “legitimado” por uma grotesca farsa eleitoral, ao mesmo tempo em que tenta afastar o Brasil das políticas de integração latino-americana e que envolvem governos populares na América do Sul e América Central.

A disposição de se criar um organismo latino-americano, que exclua EUA e Canadá, manifesta por governos dessa região, é inaceitável para os donos do mundo, acostumados a enxergarem a América Latina como quintal, como América Latrina.

Já que a moda é muro, levando em conta os problemas criados por norte-americanos em suas políticas colonialistas, imperialistas, qual tal cercar os Estados Unidos com um grande muro impedindo a exportação do modelo Disneyworld, aquele em que você imagina que as assombrações do trem fantasma são só ficção, quando na verdade chegam aos bandos com epíteto de “libertadores”.

Que o digam os presos quando da ocupação do Iraque, ou os detidos em Guantánamo.

As unhas e as garras do governo branco e ariano de Obama começam a ser mostradas sem disfarces em países como o Brasil.

Hillary não pediu a Lula que não vá ao Irã, mas de forma solerte, que tente convencer o governo de Teerã a desistir de seu programa nuclear.

Se Israel tem perto de 60 bombas nucleares, isso é outra história, a senhora Clinton não fala sobre esse assunto, é “legítima defesa” do estado terrorista contra palestinos. Direito divino de ocupação de terras palestinas.

“Democracia cristã, ocidental e capitalista” servida ao mundo em bolos gigantescos de onde saem mariners e aviões que bombardeiam tudo o que possa parecer inimigo. Inclusive participantes de uma festa de casamento no Afeganistão.

É só pedir desculpas depois.

Torna-se desnecessário dizer que a mídia brasileira está toda emperiquitada com a visita da senhora Clinton. É, afinal, a representante legítima dos patrões.

De Laerte Braga

quarta-feira, 3 de março de 2010

Aprovado piso salarial nacional para os policiais

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, 2, o piso salarial nacional dos policiais civis e militares por 393 votos. O texto aprovado é resultado da junção das duas propostas de emendas constitucionais (PEC 300/08 e 446/09) que tramitavam no Congresso Nacional e tratavam do mesmo assunto. Depois de longa discussão em plenário, os deputados decidiram votar o texto principal da emenda (Emenda Aglutinativa Substitutiva Global 001/10) e deixaram os vários destaques apresentados para esta quarta-feira, 3.
Segundo a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), co-autora da emenda aprovada, o texto havia sido acordado após várias reuniões entre líderes partidários e representantes dos policiais civis e militares, porém vários parlamentares discordaram em plenário da redação dada.
Para Fátima, estabelecer um piso nacional para os policiais é um reconhecimento ao direito desses cidadãos. “Desde o ano passado estávamos buscando um entendimento para aprovar esse texto, essa é mais uma iniciativa para assegurar a cidadania de todos os policiais do Brasil”, comemorou a parlamentar.
A emenda aprovada estabelece que o piso nacional dos policiais será regulamentado em lei federal, implementado gradualmente, e que haverá um fundo contábil da União para complementar o valor estabelecido na lei. Enquanto não for aprovada a lei federal definindo o valor do piso nacional, a emenda estabelece que o valor para o menor cargo ou graduação será de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) e de R$ 7.000,00 (sete mil reais) para o menor posto ou cargo da carreira dirigente.
Deputados da oposição se manifestaram contra a emenda aprovada, alegando que o texto será considerado inconstitucional, pois os Estados não aceitarão pagar o valor sozinhos até a aprovação da lei federal que prevê complementação da União.

Operação Irregular Despeja na Chuva Família Indígena em Itaipu (Niterói)

Na última quinta-feira, dia 25/02/2010, no loteamento Maravista, em Itaipu (Niterói - RJ), uma família de índios Guajajara - Pajé, esposa e sete crianças entre 2 e 14 anos - foi despejada na chuva, na lama, sem tempo sequer de recolher todos os seus pertences.

Uma mega-operação foi formada – que contou com representantes municipais da Secretaria de Obras, Meio Ambiente, Assistência Social, Conselho Tutelar, Fiscalização, Controle Urbano e apoio da Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar, somando mais de 50 pessoas – para derrubar uma simples casa de barro e taboca (taquara); a ação foi comandada pessoalmente pelo Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói, José Antonio Fernandes (Zaff), que teve a sua cara de deboche registrada em vídeo, além de haver afirmado diante de dezenas de testemunhas (para justificar a operação) que: “Índio em Niterói só o Araribóia!”

O jornal O Globo – Niterói que tinha conhecimento total da operação, assim como conhecimento prévio da intenção da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de agir contra os indígenas, não enviou nenhuma equipe ao local com a possível intenção de preservar a imagem do secretário Zaff – um político que certamente não quer ser visto pela opinião pública como racista nem algoz de crianças indígenas – ou, numa hipótese pior ainda, para não testemunhar possíveis truculências, em um caso flagrante de omissão profissional. Uma viatura da Polícia Civil estacionou na entrada do terreno e policiais desceram em direção da casa cerca de cinco ou dez minutos antes da chegada dos agentes municipais, mas ao verem uma câmera de vídeo retornaram ao carro (o que faz crer que, com a ausência de uma câmera para testemunhar, a ação poderia ter sido mais severa).

Sob a justificativa de que se tratava de área de preservação ambiental, não houve notificação prévia do despejo, pegando todos de surpresa em um dia de muita chuva e lama. A casa, construída dentro de um loteamento reconhecido pela própria prefeitura (ver mapa em anexo), em terreno comprado com dinheiro próprio, foi derrubada logo em seguida, sem nenhuma chance de conversação.

Os agentes públicos já entraram na propriedade dizendo ao Pajé Shimon Tenetehara que arrumasse “suas coisas”, pois teria que sair imediatamente e “decidir logo” se iria com a família “para um abrigo ou de volta para o Maranhão”. Diziam ao Pajé, entre outras coisas, que é difícil arrumar matricula nos colégios públicos da cidade e que os seus filhos “tomam as vagas de crianças de Niterói”.

Um dos agentes municipais que coordenavam a operação se recusou a falar – por celular - com o advogado da família, Arão da Providência, da Comissão de Direitos Humanos da OAB - que se encontrava preso em um engarrafamento na Ponte Rio Niterói, se dirigindo para o local com a escritura do terreno e o mapa do loteamento – mandando derrubar a construção imediatamente. Alegaram que uma árvore havia sido cortada pelos indígenas, o que caracterizaria crime ambiental, mas registros em vídeo feitos no terreno antes mesmo da chegada da família Guajajara (e durante todo o processo de construção da casa) provam que o local era um antigo campo de futebol tomado por um capinzal – não havendo árvores a serem cortadas.

Diante da alegação de que - exatamente defronte ao local aonde os agentes estacionaram as viaturas - há um casarão de dois andares com cerca de 20 árvores cortadas no terreno (os tocos escandalosamente aparentes) e que a 50 metros da humilde casa Guajajara há uma mansão de três andares construída sobre a pedra (o que é ilícito ambiental previsto pelo Sistema Nacional Único de Conservação) e habitada por norte-americanos, fica claro que a mega-operação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói contra a habitação indígena se caracteriza como um nítido exemplo de racismo e perseguição contra os índios brasileiros, os servidores municipais se calaram e seguiram no seu trabalho de coação e destruição.

Enquanto a casa era derrubada, membros do Conselho Tutelar afirmaram com cinismo terrorista que era preciso “levar as crianças”, pois estariam “expostos em situação de risco sob a chuva” (as crianças, todas matriculadas em escolas públicas da região estavam bem, felizes e protegidas da chuva e sob o amparo e o aconchego familiar momentos antes da operação que derrubou o seu lar – como provam as imagens em vídeo). A tortura psicológica cruel e desnecessária - imposta por puro sadismo, como um tormento a mais - só cessou quando chegaram os parentes de Shimon Tenetehara que vivem no Rio de Janeiro, entre eles um advogado.

A esposa do Pajé, Maria, que teve pertences destruídos, passou mal durante a operação, desmaiando e ficando caída no chão. Nenhum dos cerca de 50 servidores e representantes municipais, tão ciosos em aterrorizar a senhora, que sofre com a pressão alta, fez a mínima menção de socorrê-la ou de chamar uma ambulância. As crianças choravam em desespero sob a indiferença dos agentes.

Durante a ação, o taxista Marcos Miranda teve o seu direito de ir e vir cerceado por um policial civil que o mandou parar, sendo impedido de aproximar seu carro do terreno, mesmo tendo declarado que estava fazendo um trabalho para o advogado Arão da Providência – só podendo subir a rua com a operação finalizada.

Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói já haviam estado no terreno na segunda-feira, dia 22/02, alegando que averiguavam uma denúncia de que haviam “cortado uma árvore” e expressaram a preocupação com a possibilidade do local se transformar em uma “favela indígena” (o que denota mais inquietação quanto aos danos na cotação da área no mercado imobiliário do que propriamente com a questão ambiental). No dia seguinte, representantes da família indígena foram à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói e conversaram com os fiscais que lá estiveram e esses disseram que não havia processo administrativo nem flagrante ambiental, afirmando que nada fariam contra a família que se encontrava no local.

Na ocasião, os representantes Guajajara – proprietários do terreno – manifestaram o interesse de apresentar ao secretário Zaff um Plano de Manejo Sustentável, projeto que daria destinação à propriedade, aprovado pelas populações tradicionais de Niterói e pelo Fórum Estadual Intersetorial “Voz aos Povos: Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais”, entre outros conselhos. Ficou marcada uma reunião com o secretário Zaff para ontem, dia 26/02, às 11 horas da manhã, o que indica que esse atropelo de agenda feito pela secretaria – em ação, marcada pela total ausência de contraditório e pelo desrespeito à dignidade humana, sobre uma área na qual não havia processo administrativo até o dia 23/02 – pode ser interpretada como fruto de decisão pessoal de José Carlos Fernandes, o Zaff , que não quer saber de projeto de manejo sustentável, muito menos de famílias indígenas habitando em Niterói.

Ontem, 26/02, agentes municipais foram de manhã à casa de uma vizinha solidária, moradora tradicional, e com uma atitude debochada, rindo e fazendo piadas de mau-gosto, retiraram pertences da família indígena que ela havia guardado e levaram para o Depósito Municipal.

O atual secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói - herdeiro da Expresso Barreto, uma das empresas de ônibus que mais desrespeitam o usuário no município - é bem conhecido pela sua ligação afetuosa com o mercado imobiliário. Quando vereador, Zaff não apenas demonstrou ser um ótimo amigo das empresas do ramo, como apresentou moção de congratulação à Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói, a ADEMI, em 2007. Uma das realizações de Zaff quando edil foi a de conceder título de Cidadão Niteroiense ao seu bom camarada Stuessel Amora, um nome fortemente ligado à especulação imobiliária que promoveu campanha impiedosa e racista contra a presença de índios em Niterói em 2008, apresentando, inclusive – por meio da Soprecam, entidade da qual é eterno presidente -, uma liminar acatada por um Juiz da Terceira Vara Federal visando “impedir o aumento da população indígena em Camboinhas”.

Engana-se quem pensa que o Governo Jorge Roberto Silveira cometeu um equívoco ao escolher um personagem tão desvinculado ao ambientalismo como José Antonio Fernandes para a pasta de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O prefeito – cujo ato final de seu último governo foi a aprovação do PUR (Plano Urbanístico Regional), que passava por cima de toda legislação ambiental e de proteção ao patrimônio histórico, prevendo edificações sobre áreas de proteção ambiental e sobre sítios arqueológicos da cidade – paga ao jovem herdeiro do setor de transportes a sua fidelidade ao setor imobiliário.

A ação covarde e racista promovida pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos no loteamento coalhado de placas de “vende-se” (não é segredo para o poder público municipal que o terreno ao lado da casa do Pajé está sendo vendido com o “habite-se” incluído, o que significará uma derrubada considerável de árvores), sob a alegação de se tratar de uma “área de proteção ambiental”, demonstra uma clara preocupação de que a área desvalorize com o possível surgimento de “uma favela indígena” - segundo a expressão cunhada por Stuessel Amora - e nenhuma preocupação com o meio ambiente em si.

O único crime que os Guajajara desalojados em Maravista cometeram foi o de serem pobres – indígenas – e de construírem uma humilde casinha de taquara; o único “ilícito” cometido pelo Pajé Shimon Tenetehara foi o de ser indígena e ocupar – legalmente – uma área cobiçada pela especulação imobiliária.

A dor e a impotência do casal indígena e o terror experimentado pelas suas crianças ficarão gravados na carne. Dinheiro algum pagará por esse dano. Graças à imagem em movimento – e à invenção da câmera digital - esse terror ficará para sempre marcado na carreira política do senhor Zaff, junto ao seu desprezo pelas populações pobres e marginalizadas, o seu racismo, a sua desfaçatez, a sua total ausência de compaixão, a sua covardia. O Governo Jorge Roberto Silveira tenta imprimir – a ferro e fogo – a imagem de que a Região Oceânica de Niterói não é “Terra de Índio” e, sim, uma Mônaco provinciana destinada a novos burgueses e bem-nascidos. Mas a verdade luminosa que o Brasil inteiro é – por direito ancestral – berço e morada legítima dos Povos Originários – e de seus descendentes – para sempre resplandecerá nessa terra.

De Murilo Marques .

O arriscado pôquer do PSDB

“A dupla Serra e Aécio teria hoje um straight flush. Uma mão excelente. Mas, e se Dilma tiver um royal street flush? A razão da hesitação, assim, fica clara: ou a dupla corre da aposta ou paga para ver o jogo de Dilma”

Nessa altura do campeonato, até mesmo a cúpula do DEM já sabe que não agrega nada à candidatura de José Serra um candidato a vice filiado ao partido. O pessoal do Democratas já definiu como estratégia que desembarcará em peso em Belo Horizonte na quinta-feira (4), nas comemorações do centenário de nascimento de Tancredo Neves, para convencer o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a aceitar ser o vice de Serra.

Numa matemática pura, a definição pela chapa Serra/Aécio parece óbvia. Enrolado até a raiz dos cabelos, o DEM hoje só funciona pela sua capilaridade, como cabo eleitoral, especialmente no Nordeste. Ninguém do partido acrescentaria. Ultimamente, chegou-se a cogitar o nome de Marco Maciel. Seria tudo o que Lula deseja. O presidente abriria uma garrafa de champanhe: é doido para tornar a eleição presidencial um plebiscito sobre seu governo em contraposição ao de Fernando Henrique; trazer de volta o mesmo candidato a vice só vai ajudar a reforçar essa comparação.

Em contrapartida, Serra e Aécio são governadores bem avaliados em seus estados, com excelentes índices de popularidades. Juntos, eles governam os dois maiores colégios eleitorais do país. Ali, estão nada menos que 33% dos eleitores brasileiros (o Nordeste inteiro tem 27% do eleitorado). Chapa fortíssima, ninguém discute. Ao contrário de qualquer nome do PMDB com relação a Dilma Rousseff, Aécio agregaria sem dúvida votos à chapa. Se Serra ainda é o líder nas pesquisas, com Aécio ao lado só tenderia a crescer. Se tudo isso é verdade, então por que tanto Serra quanto Aécio hesitam em colocar seus blocos na rua? Por que um e outro vacilam tanto em entrar na campanha e enfrentar logo Dilma?

A resposta é simples: eles sabem o tamanho que têm, mas ainda não conseguiram saber que tamanho tem Dilma. Se a eleição fosse um jogo de pôquer, a dupla Serra e Aécio teria hoje um straight flush. Uma mão excelente. Mas, e se Dilma tiver um royal straight flush? Eis o drama.

Nesse momento do jogo, eles poderiam desistir e recolher as suas apostas, ainda baixas. Com o cacife que têm, iriam Serra para uma reeleição aparentemente fácil em São Paulo e Aécio para uma barbada: a eleição para o Senado em Minas. Ou acreditariam no seu jogo e dobrariam a aposta presidencial. Nesse segundo caso, se tudo der certo, se elegeriam presidente e vice, quebrariam a sequência petista e levariam o PSDB de volta ao poder. Serra ou ficaria quatro anos e entregaria a presidência a Aécio ou ficaria mesmo oito anos (Aécio é jovem, trabalha para se eleger em seguida). Agora, se tudo der errado, os dois maiores nomes do PSDB ficarão sem mandato. Por pelo menos dois anos (se toparem o passo atrás de virar novamente prefeitos), vão ficar completamente fora do jogo do poder. A razão da hesitação, assim, fica clara: agora, o PSDB está diante de uma situação em que pode, com a sua jogada, ou quebrar a banca ou ir à bancarrota. Ou desistem ou pagam para ver o jogo de Dilma.

Entre os tucanos e a turma do Democratas, porém, há hoje um palpite de que Serra e Aécio aceitarão o jogo de risco. Por uma razão: a opção mais cômoda só é possível para um ou outro. Se Serra porventura desistir de ser candidato, Aécio, por mais que isso o desgoste, terá que assumir a tarefa. Uma desistência dupla entregaria a eleição no colo de Dilma. Ninguém aceitaria isso: nem o PSDB, nem o DEM, e é provável que também não aceitassem também os eleitores de Serra e Aécio em seus estados. Aos olhos de todos os que têm os dois como opção eleitoral, seria um inaceitável ato de covardia mútua.

Assim, se um dos dois vai ter que se arriscar, que se arrisquem os dois. Esse é o argumento que as cúpulas do DEM e do PSDB pretendem levar para Serra e Aécio. Que joguem suas fichas. O jogo começou.

De Rudolfo Lago

Casa Civil: Folha de S.Paulo maquia e manipula dados do PAC

Leia abaixo resposta da Casa Civil da Presidência da República a propósito da manchete do jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira (2):

FOLHA DE S. PAULO MAQUIA DADOS SOBRE O PAC

1. São infundadas e inaceitáveis as acusações do jornal Folha de S. Paulo (02.03.2010) a respeito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se existe "maquiagem" ou tentativa de "esconder" informações em relação ao PAC, ela está na reportagem do jornal, e não nos balanços periódicos do Programa.

2. A Casa Civil da Presidência da República reitera que não há hipótese de manipulação das informações dos nove relatórios do PAC. Os balanços são transparentes e sempre foram amplamente divulgados e exaustivamente analisados pela imprensa. Tanto é assim que, a partir deles, a própria Folha pode fazer sua pesquisa e sua pauta para a elaboração da reportagem. Além disto, os dados estão disponíveis a qualquer interessado na internet

3. Todas as alterações de cronogramas das ações do PAC estão registradas nos balanços, como, aliás, admite a própria Folha ao longo do texto: "(...) em consultas ao primeiro balanço oficial do PAC, de maio de 2007, e aos oito seguintes (...) descobre-se que muitas das obras (...) passaram por uma revisão de metas e tiveram seu prazo de conclusão dilatado..."

4. Os balanços do PAC sempre fizeram referência às ações desenvolvidas dentro do Programa, classificando seu andamento como "adequado", "atenção" ou "preocupante" de acordo com os riscos apresentados à execução de cada uma.

5. Mesmo alertada sobre esse critério objetivo, a Folha optou pelo caminho da manipulação ao selecionar uma amostra parcial de 75 ações do primeiro balanço (de um total de 1.646) para concluir, de maneira premeditada, que 75% das ações do PAC estão atrasadas. A Folha erra ao tomar o resultado de uma amostra e aplicar o percentual sobre o total de ações.

6. O fato é que das 2.471 ações monitoradas, metade foi concluída, 44% estão com ritmo adequado de execução, 5% em atenção e 1% em situação preocupante. Se metade foi concluída, como poderia haver 75% atrasadas?

7. A verdade é que, em valor, 40,3% das ações foram concluídas, representando investimentos de R$ 256,9 bilhões. Somados às ações em andamento, os investimentos do PAC, de 2007 a 2009, totalizaram R$ 403,8 bilhões - 63,3% da meta até o final de 2010.

8. Já o desmembramento de algumas ações (que o jornal chama de "fatiamento" ) deve-se a sua complexidade e visa a aprimorar seu monitoramento. É o caso, por exemplo, da duplicação da BR 101 Nordeste, obra de mais de 1.000 Km de extensão, atravessando seis estados, e com diferentes estágios de execução.

Assessoria de imprensa da Casa Civil
Terça-feira, 2 de março de 2010

Serra se irrita com convite de Aécio para Ciro, Lula (e Dilma) no centenário de Tancredo

O convite feito pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB/MG), para que os principais opositores do tucano José Serra à Presidência compareçam à comemoração do centenário de Tancredo Neves, na quinta-feira, provocou mais um mal-estar na já conturbada relação entre os dois correligionários.

Serra ficou contrariado pela possibilidade de ter de dividir o palanque na solenidade, em Belo Horizonte, com Ciro Gomes e Dilma Rousseff.

O deputado do PSB foi convidado e deve ir ao evento. Já a assessoria da Casa Civil não confirma o convite direto, nem a presença, mas aliados do paulista viram no convite a Lula e equipe uma brecha para a presença da rival do tucano.

O convite "ecumênico" é uma ação de Aécio para reforçar a imagem da qual se orgulha, de conciliador.

Apesar do risco de constrangimento, Serra não poderá faltar ao evento. Segundo tucanos, Serra descartou a hipótese de faltar à cerimônia.

Segundo tucanos, Aécio foi consultado se aceitaria ser vice, com Serra se lançando oficialmente a partir de Belo Horizonte. Aécio reafirmou a intenção de concorrer ao Senado.

Globo é condenada por atribuir culpa indevidamente

intolerável que uma emissora do porte da Rede Globo, em condições de averiguar corretamente o erro, se isente de falha e culpe um terceiro sem o menor receio da ofensa à reputação. A fundamentação foi usada pela 6ª Câmara de Direito Privado, do Tribunal de Justiça de São Paulo, para negar recurso da Globo contra decisão que a condenou em primeira instância.

A emissora foi condenada a pagar 200 salários mínimos ao então assessor de imprensa da Justiça Federal em São Paulo, Márcio Silva Novaes, que hoje trabalha na Rede Record. O caso começou no ano 2000, quando o assessor distribuiu informe à imprensa sobre o recebimento de denúncia criminal contra o ex-juiz Nicolau do Santos Neto, condenado por desvio de verbas públicas destinadas à construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Além dele, mais dois foram denunciados: Monteiro de Barros e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.

A emissora, contudo, noticiou no Jornal Nacional que a denúncia também fora recebida contra Maria da Glória Beirão dos Santos, mulher de Nicolau, e que teria sido até decretada a sua prisão. Quando a emissora percebeu o erro, mesmo informada do equívoco, noticiou no dia seguinte — em rede nacional — que a informação incorreta havia sido transmitida por culpa do assessor de imprensa.

Na ação, o assessor demonstrou que não teve relação com o erro, já que os outros veículos como a Record, Folha de S.Paulo e Estadão receberam a mesma informação e divulgaram de maneira correta. Por isso, ele pediu indenização por dano moral.

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador José Joaquim dos Santos, que preside a 6ª Câmara, destacou que ficou claro no texto do assessor que não fora recebida denúncia contra a mulher do juiz aposentado. A Globo, uma vez constado o erro na divulgação da notícia deveria ter apurado o ocorrido, e não anunciado que a informação havia sido transmitida incorretamente pelo assessor de imprensa, registrou o desembargador.

Assim, ele concluiu que o valor arbitrado na primeira instância deve ser mantido. “Não se vê como, ademais, reduzir o valor estipulado. Leva-se em conta a grande repercussão que tem a matéria ofensiva à reputação profissional do autor, considerando que a divulgação dá-se no âmbito do Jornal Nacional, sabidamente de grande audiência, como, aliás, por ela é apregoado”, finalizou o relator, ao negar recurso da emissora.

De Gláucia Milício

“Mais José e menos Serra”

A mídia serrista está irritada com a "cautela" de Serra, que ainda não "decidiu" anunciar sua candidatura. O Estadão publicou (em 28/02) uma matéria com o título "PSDB quer mais José e menos Serra durante a campanha". A idéia brilhante dos tucanos é explorar a biografia do Serra-José "menino pobre" nascido na Mooca, líder "histórico" e exilado político dos tempos da Ditadura (eles não contam que Serra fugiu voluntariamente para o Chile) como forma de contrapor "ao imaginário político explorado por Lula". A fórmula "mais José e menos Serra" tem como objetivo reforçar os traços de um candidato "mais próximo do brasileiro comum". Segundo a matéria, a campanha dará ênfase ao homem simples, filho de feirantes, que lutou para vencer na vida. Como concorrente do Planalto, a ministra Dilma Rousseff (PT), o "cidadão José" também fez oposição à ditadura, diz o jornal, “mas com uma diferença: nunca flertou com a luta armada” (leia-se nunca foi guerrilheiro) . Enfim, o que a matéria mostra é a estratégia de apresentar ao eleitor um "Zé" que vivia em uma casa de apenas um quarto, que dividiu com os pais até os 4 anos de idade. "Só aos 11 anos ele e os pais se mudaram", quando então "o menino ganhou um quarto só para ele" (pasme!).Este é o personagem que o PSDB quer tornar conhecido para os eleitores, uma vez que, segundo as principais lideranças tucanas, "a figura do Serra administrador público é sobejamente conhecida". Já a pessoa física do "Zé da Mooca" está longe de ser íntima do eleitorado. Em suma,segundo a matéria, "a meta dos estrategistas tucanos é eliminar os traços de arrogância que o administrador Serra impõe ao José em algumas intervenções públicas, deixar que as manias de homem comum prevaleçam - o palmeirense roxo que detesta alho, cebola e pimentão e tem obsessão por gravatas". Bem, para quem quer vender a idéia, ou a narrativa, de um "menino pobre", de um "Zé" (da Mooca), filho de feirantes (mas que detesta cebola, alho e pimentão), no lugar de um Serra que tem obsessão por gravatas primeiro é preciso contar para o resto do Brasil onde é que fica a Mooca, porque o Brasil não é uma província do Estado de São Paulo. Em 2006, para conquistar votos no nordeste, os tucanos trocaram o Alckmin da revista Caras (e da turma do Cansei) pelo “Geraldo” de Pindamonhangaba (quem não se lembra de Alckmin-Geraldo montado num jumento, fantasiado de vaqueiro?), em 2010 os tucanos querem trocar o Serra do Palácio Bandeirantes e da Folha de São Paulo pelo “Zé” da Mooca. É o vale tudo para conquistar votos no nordeste. É a velha arrogância paulista que fala mais alto, como se os nordestinos não passassem de bocós despolitizados. Pelo visto, a estratégia tucana está mais para Zé-Mané do que para Zé da Mooca. Pelo andar da carruagem, Dilma vence no primeiro turno.

De Maria Luiza Tonelli

Mais concursos à disposição

AMAZONAS

Serão aceitas inscrições até o dia 03 de março de 2010 para processo simplificado que preencherá até 1.154 vagas na Prefeitura Municipal de Parintins, no estado do Amazonas.
As oportunidades são para cargos em todos os níveis de ensino. Algumas vagas, em especial na área de educação, exigem apresentação de Carta de Anuência das Comunidades Indígenas.
Confira o quadro de vagas e remuneração de cada cargo no capítulo 2 do edital.
As inscrições poderão ser realizadas no Centro de Geração e Renda Professora Aldair Kimura. As taxas variam de R$ 5 a R$ 20 de acordo com o nível de cada cargo.

RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO

A partir de 03 de março até o dia 11 de abril de 2010 estarão abertas as inscrições para concurso público promovido pela EMGEPRON - Empresa Gerencial de Projetos Navais.
São oferecidas 312 vagas para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Iperó, interior do estado de São Paulo. Com oportunidades para todos os níveis de ensino, a remuneração máxima é de R$ 6.098.
Confira o quadro de vagas no Anexo I do edital.
As inscrições e acompanhamento poderão ser feitos através do site da organizadora ESPP. As taxas variam de R$ 40 a R$ 70 de acordo com o nível exigido para cada cargo.
As provas objetivas estão previstas para o dia 02 de maio de 2010.

SÃO PAULO

A Polícia Civil do estado de São Paulo abre inscrições do dia 08 até o dia 19 de março de 2010 para preenchimento de 484 vagas em concurso público com o cargo de Escrivão de Polícia de 4ª classe.
As inscrições deverão ser feitas através do site do Banco www.nossacaixa.com.br)" target="_blank">Nossa Caixa, com taxa única no valor de R$ 54,19. Também serão aceitas inscrições nos postos de atendimento do Poupatempo e Infocentro (confira os endereços no Anexo IV do edital).
O cargo exige ensino superior em qualquer área, com salário inicial de R$ 2.206,56.
Veja no Anexo I do edital o quadro completo com a quantidade de vagas destinadas a cada região.

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo prorroga as inscrições do concurso público que oferece vagas para cargos de nível médio, técnico e superior.Conforme edital de retificação do concurso, ficam prorrogadas as inscrições, que poderão ser feitas no site da organizadora Fundação Vunesp até as 16h do dia 05 de março de 2010.

ESPÍRITO SANTO

O Instituto Jones dos Santos Neves, do governo do estado do Espírito Santo, abre inscrições para preenchimento de 29 vagas no cargo de Especialista em Estudos e Pesquisas Governamentais.
O salário inicial é de R$ 4.530,24 para atuar nas áreas de Informática e Gestão da Informação, Ciências Sociais, Economia e Estatística, Planejamento Urbano e Regional e Sistemas de Informações Geográficas, com exigência de ensino superior completo nos cursos relacionados.
Confira a relação de vagas e atribuições dos cargos no capítulo 2 do edital.
As inscrições deverão ser feitas entre os dias 08 e 21 de março de 2010 através do site da organizadora CESPE/UnB, com taxa no valor de R$ 80.

O SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município de Mimoso do Sul, no estado do Espírito Santo, abre inscrições para preenchimento de 11 vagas em concurso público.
As inscrições vão de 05 a 21 de março de 2010 e poderão ser realizadas pela internet no site da organizadora Prima Face Consultoria ou na própria sede do SAAE a partir do dia 08 de março.
Confira a relação completa de cargos e requisitos nos Anexos I e II do edital.
As taxas de inscrição são no valor de R$ 30 para os cargos de nível fundamental e R$ 45 para os níveis médio e técnico. As provas objetivas estão previstas para o dia 11 de abril de 2010, com horário e local ainda não definidos.

MINAS GERAIS

A Prefeitura Municipal de Sardoá, do estado de Minas Gerais, lança edital de abertura de concurso público para preenchimento de 187 vagas em todos os níveis de ensino.
As inscrições deverão ser realizadas entre os dias 01 e 20 de março de 2010 na sede da Prefeitura de Sardoá ou através do site do IMES Mercosur - Instituto Mineiro de Educação Superior.
As vagas são para suprimento de cargos com salários que vão até R$ 3.233,50. Confira quadro completo com informações sobre os cargos no Anexo I do edital.
As provas objetivas estão previstas para o dia 28 de março de 2010. Os candidatos aos cargos de Motorista e Operador de Máquinas realizarão provas práticas no dia 05 de abril de 2010.

A Prefeitura Municipal de Catuji, do estado de Minas Gerais, abre inscrições para preenchimento de 203 vagas em concurso público para todos os níveis.
As inscrições deverão ser feitas entre os dias 12 e 30 de abril de 2010 através do site da organizadora Ágora Consultoria. As taxas variam entre R$ 40 e R$ 100 de acordo com o nível de ensino exigido para o cargo.
Confira tabela com as vagas disponíveis e outras informações sobre os cargos no Anexo III do edital.
As provas objetivas serão realizadas nos dias 12 e 13 de junho de 2010. Para os cargos de motorista e operador de máquinas pesadas será realizada também prova prática, com data prevista para 11 de julho de 2010.

A Prefeitura do município de Curral de Dentro, interior do estado de Minas Gerais, abre edital com 78 vagas para diversos cargos em concurso público.
As inscrições poderão ser feitas até o dia 25 de março de 2010 através do site da organizadora Exame Consultores. Também serão aceitas inscrições presenciais na sede da Prefeitura.
Confira o quadro completo de vagas no Anexo I do edital do concurso.
As taxas de inscrição variam entre R$ 25 e R$ 60 de acordo com o nível de cada cargo. As provas acontecerão no dia 24 de abril, às 13 horas.

A Prefeitura Municipal de Martins Soares, do estado de Minas Gerais, abre inscrições a partir de 12 de março de 2010 para concurso público com vagas em todos os níveis de ensino.
São 75 vagas para cargos de nível básico, fundamental, médio e superior com taxas de inscrição que variam de R$ 20 a R$ 100.
Confira a relação completa de cargos e atribuições nos Anexos I e II do edital.
As inscrições deverão ser feitas até o dia 12 de abril de 2010 pela internet através do site da organizadora Prima Face Consultoria. As provas objetivas estão previstas para o dia 25 de abril de 2010, com local e horário ainda não divulgados.

Durante o período de 22 de março até o dia 25 de abril estarão abertas as inscrições para concurso público da Prefeitura Municipal de São Geraldo, do estado de Minas Gerais.
O processo seletivo que prevê o preenchimento de 106 vagas nas áreas da saúde, educação e outros abre oportunidade para candidatos de todos os níveis de ensino.
Confira aqui o quadro completo de vagas e outras informações.
As inscrições serão aceitas através do site da organizadora IDECAN, com taxas que variam de R$ 25 a R$ 90. Também será possível realizar inscrições diretamente na sede da Prefeitura a partir de 05 de abril de 2010.
As provas objetivas estão previstas para o dia 30 de maio.

A Prefeitura do Município de Ipatinga, interior do estado de Minas Gerais, está com inscrições abertas para concurso público até o dia 10 de março de 2010.São 204 vagas disponíveis para cargos de nível basico, fundamental, médio, técnico e superior.
Confira relação completa de vagas no edital de abertura e retificações.
As inscrições deverão ser feitas no site da organizadora IDECAN, com taxa de nos valores de R$ 50 para os cargos que exigem nível superior completo e R$ 35 para os demais.
A prova objetiva está prevista para o dia 28 de março de 2010.

PERNAMBUCO

A unidade do SESC do estado de Pernambuco divulga edital de retificação prorrogando as inscrições do processo seletivo para até 10 de março de 2010.
As inscrições devem ser feitas no site da organizadora Ipad, com taxas de R$ 35 a R$ 55 de acordo com os requisitos do cargo. Além da prorrogação, também, foi definida a ampliação para 84 vagas, além do cadastro de reserva.

A Universidade Federal do estado de Pernambuco - UFPE abre inscrições para preenchimento de 212 vagas em concurso público.
As oportunidades são para todos os níveis de ensino, com atuação em cargos do Hospital das Clínicas.
Confira a relação de vagas e atribuições dos cargos oferecidos no Anexo I do edital.
As inscrições poderão ser efetuadas através do site da organizadora Covest entre os dias 15 de março e 02 de abril de 2010, com taxas que variam de R$ 20 a R$ 60 de acordo com o nível exigido para o cargo.
A prova objetiva está prevista para o dia 18 de abril.

BAHIA

A Prefeitura Municipal de Camaçari, do estado da Bahia, lança edital de abertura para concurso público no intuito de preencher 149 vagas de nível médio e superior.

As inscrições acontecem durante o período de 02 a 21 de março de 2010 através do site da organizadora AOCP. As vagas são para cargos de nível médio e superior, especialmente para a área médica e de assitência para transtornos mentais e dependência química.
As taxas de inscrição variam de R$ 30 a R$ 60 de acordo com o nível do cargo. O salário máximo é de R$ 2.760 para o cargo de Médico Psiquiatra, em caráter de urgência.
As provas acontecerão no dia 25 de abril de 2010, com horário e local ainda não definidos.

RONDÔNIA

A Companhia CERON - Centrais Elétricas de Rondônia, localizada na capital Porto Velho, abre inscrições de concurso público para formação de cadastro de reserva.
As inscrições estarão abertas durante o período de 08 a 19 de março de 2010 através do site da organizadora IADE. As oportunidades são para candidatos com ensino superior, médio e técnico.
Confira relação completa e atribuições dos cargos nos editais disponíveis na página do concurso.
As taxas de inscrição são de R$ 40 para nível médio e técnico e R$ 60 para nível superior. As provas serão realizadas no dia 25 de abril de 2010 nas cidades de Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena.

RIO GRANDE DO SUL

Estão abertas de 01 a 25 de março de 2010 as inscrições para concurso público promovido pela Caixa Estadual Agência de Fomento, na cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul.
São 21 vagas para o cargo de Assistente Administrativo de nível médio, com salário de R$ 1.272,81 e 60 vagas para diversos cargos de nível superior, com salário de R$ 2.231,57.
Confira relação completa de vagas no edital do concurso.
As inscrições deverão ser feitas no site da organizadora AOCP. A taxa para o cargo de nível médio é de R$ 48,43 e as demais são no valor de R$ 110,43.
As prOVas estão previstas para o dia 18 de abril de 2010, com horário e local ainda não definidos.

SANTA CATARINA

A Prefeitura Municipal de Sangão, do estado de Santa Catarina, abre inscrições de 01 a 30 de março de 2010 para 45 vagas e complemento de cadastro de reserva.
As inscrições deverão ser realizadas na sede da Prefeitura de Sangão, para a qual estão disponíveis diversas vagas com cargos de todos os níveis de ensino.
Confira relação completa de cargos e requisitos no edital do concurso.
As taxas de inscrição são no valor de R$ 40 (nível básico e fundamental), R$ 60 (nível médio) e R$ 100 (nível superior).
As provas escritas e práticas acontecerão no dia 02 de maio de 2010.

Estão abertas até o dia 19 de março de 2010 as inscrições para concurso público promovido pela Prefeitura Municipal de São Cristóvão do Sul, do estado de Santa Catarina.
São 9 vagas com oportunidades para todos os níveis de ensino e salários de até R$ 1.914,35.
Confira a relação completa e informações sobre os cargos no quadro de vagas do edital.
As inscrições deverão ser realizadas pela internet através do site da Prefeitura ou diretamente no Paço Municipal da cidade. As taxas variam de R$ 20 a R$ 80 de acordo com o nível exigido para o cargo.
As provas acontecerão no dia 10 de abril de 2010 no Núcleo Educacional Crescer, localizado em frente à Câmara de Vereadores.

A Prefeitura Municipal de Santa Cecília, do estado de Santa Catarina, lança edital de abertura de concurso público para provimento de 78 vagas em todos os níveis.As inscrições e acompanhamento deverão ser feitas no site da organizadora IOBV de 01 de março a 02 de abril de 2010. As taxas variam de R$ 20 a R$ 80 de acordo com o nível de ensino exigido para cada cargo.
Confira relação completa e atribuições dos cargos no edital do concurso.
As provas objetivas serão realizadas no dia 25 de abril de 2010, turno da manhã, na Escola de Educação Básica Dilma Grimes Evaristo.

O Incômodo Censo Agropecuário.

O último censo agropecuário trouxe verdades incômodas, que atiçaram a
ira do agronegócio brasileiro. Afinal, a pobre agricultura familiar, com
apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é
responsável ?por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção
de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59%
do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do
trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a
soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi
de R$ 13,99 mil?, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura
orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico,
sendo responsável por 10% do PIB Nacional.

Acontece que a agricultura familiar, além de ter menos terras, tem menos
recurso público como suporte de suas atividades. Recebeu cerca de 13
bilhões de reais em 2008 contra cerca de 100 bilhões do agronegócio.
Portanto, essa pobre, marginal e odiada agricultura tem peso econômico,
social e uma sustentabilidade muito maior que os grandes
empreendimentos. Retire os 100 bilhões de suporte público do agronegócio
e veremos qual é realmente sua sustentabilidade, inclusive econômica.
Retire as unidades familiares produtivas dos frangos e suínos e vamos
ver o que sobra das grandes empresas que se alicerçam em sua produção.

Mas, a agricultura familiar continua perdendo espaço. A concentração da
terra aumentou e diminuiu o espaço dos pequenos. A tendência, como dizem
os cientistas, parece apontar para o desaparecimento dessas atividades
agrícolas.

Porém, saber produzir comida é uma arte. Exige presença contínua,
proximidade com as culturas, cuidado de artesão. O grande negócio não
tem o ?saber fazer? dessa agricultura de pequenos. E, bom que se diga,
não se constrói uma cultura de agricultura de um dia para o outro. A
Venezuela, dominada secularmente por latifúndios, não é auto suficiente
em nenhum produto da cesta básica. Exporta petróleo para comprar comida.
Chávez, ao chegar ao poder, insiste em criar um campesinato. Mas está
difícil, já que a tradição é fundamental para haver uma geração de
agricultores produtores de alimentos.

O Brasil ainda tem cada vez menos agricultores que tem a arte de
plantar e produzir comida. No Norte e Nordeste mais a tradição negra e
indígena. No sul e sudeste mais a tradição européia de italianos,
alemães, polacos, etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na
produção de hortifrutigranjeiro s nos cinturões das grandes cidades.

Preservar esses agricultores é preservar o ?saber fazer? de produtos
alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua
totalidade sofrerá com essa ausência. Para que eles se mantenham no
campo são necessárias políticas que os apóiem ostensivamente, inclusive
com subsídio, como faz a Europa.

Do contrário, se dependermos do agronegócio, vamos comer soja, chupar
cana e beber etanol.

De Roberto Malvezzi

Datafolha prova: estratégia avestruz de tucano está errada

O pré candidato José Serra ficou numa situação perigosa depois da divulgação da pesquisa de intenção de voto do DataFolha. Ele caiu cinco pontos, viu sua adversária, Dilma Roussef subir cinco pontos. A distância entre eles agora é milimétrica, quatro pontos. Mauro Paulino, diretor do Datafolha diz que nao está tecnicamente correto dizer que eles estão empatados, mas convenhamos isso é um quase empate.

Um dado ainda pior para os tucanos é o que está no texto do Fernando Rodrigues: "Na pesquisa espontânea Dilma chegou a 10% ( a mesma taxa de Lula) contra 7% do Serra".

Outra má notícia para os tucanos é que 14% dizem que gostariam de votar no candidato apontado por Lula mas ainda não sabem qual é. Ao todo, 42% dizem que votam no candidato de Lula.
A notícia é toda ruim para o PSDB porque a intenção de voto caiu mais onde a popularidade de Lula é maior, mas caiu também nos redutos tucanos.

Ou seja, fracassou a estratégia escolhida por Serra de em vez de tucano se fazer de avestruz. Serra não assumiu a candidatura, não montou uma máquina de campanha, e assim, fingindo não ser candidato, apesar de ser, ele enfrentou os problemas urbanos de São Paulo criados pelo excesso de chuvas dos últimos meses.

Enquanto isso, sua principal adversária era levada pelo presidente Lula para todos os eventos possíveis em descarados palanques fora de hora.

Outro fator a ser comemorado pelos petistas é que apesar de ter havido propaganda partidária de Marina Silva e Ciro Gomes eles continuaram estagnados, favorecendo a eleição plebisictária com que sonha o presidente Lula.

Ainda é cedo, estamos no fim de fevereiro, e a eleição é em outubro. Faltam sete meses, mas o mais importante na fotografia do momento é que a Dilma é uma curva que sobe, o Serra, ainda na frente, é uma linha que desce. A tendência e não o número é o mais importante em pesquisas.
Portanto, o que o PSDB precisa agora é refazer sua estratégia na disputa eleitoral.

Quem ouviu o discurso de Dilma no lançamento da sua candidatura no último fim de semana, na convenção do PT, viu que ela não empolga ninguém. Leu burocraticamente um discurso tedioso e tropeçou até nas poesias de Drummond e Mário Quintana. Isso seria um ponto de fragilidade se o candidato adversário fosse um ás do volante em empolgar platéias, o que Serra reconhecidamente não é.

Os próximos dias serão de muita especulação na política, porque essa pesquisa muda o quadro, até pela enorme credibilidade que tem o instituto Datafolha. Acendeu a luz vermelha, só um avestruz não vê.

HAY KIRCHNER, HAY LULA, SOY CONTRA

A oposição brasileira, completamente sem bandeira, está, como diriam os italianos, desbussolada. Um dos baluartes dessa direita que se apresenta como moderna é o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Como o príncipe dos sociólogos percebeu que está cada vez mais difícil defender os oito anos de seu mandato, tenta abocanhar setores da juventude. Cardoso agora ganha muito espaço na TV Globo para defender a descriminalizaçã o das drogas leves. Ele acha que com isso pode arrastar a turma da fumaça para o campo do conservadorismo neoliberal.

Como o tempo está ficando difícil para o Governador José Serra, o seguidor do ideário de Cardoso, a oposição pega o que tiver pela frente. O esquema PSDB-Demo-PPS lembra muito a oposição dos conservadores na Argentina contra Cristina Kirchner. É na base do que vier eu traço, ou seja, “hay Kirchner, soy contra”. Agora com o episódio das Malvinas, um enclave colonial britânico no Atlântico Sul, os anti-Kirchner vão ter que se posicionar enfaticamente contra o que o Reino Unido está fazendo em matéria de usurpação. Se não fizerem isso perdem votos e na prática apoiam o colonialismo britânico.

Em 1982, os setores progressistas latino-americanos mais consequentes se posicionaram contra o colonialismo britânico, mesmo a Argentina estando sob regime militar comandado por bandidos. Os que raciocinavam simploriamente na base do bem e do mal, automaticamente ficaram contra a Argentina e tiveram de arcar com a defesa do indefensável, ou seja, a defesa da ocupação colonial de mais de 200 anos.

Na ocasião, os Estados Unidos, então governado por Ronald Reagan, ficou ao lado do país de Madame Margaret Thatcher, desrespeitando totalmente o princípio central do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que dispõe que um ataque contra um dos integrantes do Tratado será considerado como um ataque contra todos.

Hoje, em plena democracia, os simplórios de ontem já não precisam se posicionar ao lado da potência colonial, como fizeram há 28 anos. Hoje, é obrigação dos latino-americanos condenar a estratégia colonial. Ainda mais agora quando está em jogo o cobiçado petróleo.

O Presidente Luis Inácio da Silva merece aplausos pelo pronunciamento incisivo contra o esbulho britânico, agora travestido de um pretenso democratismo em que se apresenta a pretensa vontade dos islenhos em se tornarem “independentes” . Uma brincadeira de mal gosto, podem crer, que tenta transformar as Malvinas em um Kuwait sul-americano. E agora vem aí o Conselho da América Latina e Caribe, sem a participação dos Estados Unidos e Canadá, para desespero de O Globo.

E quando estas mal traçadas estiverem sendo lidas, a Rádio Caracas Televisão (RCTV) a cabo terá cumprido as exigências legais para voltar a funcionar. A emissora demonstra agora que é um canal internacional, transmitido de Miami e com menos de 70% de programação feita na Venezuela. Ou seja, depois da série de denúncias da mídia conservadora contra o governo venezuelano, as seis emissoras que tiveram suspensas as transmissões até o cumprimento das exigências legais já voltaram a funcionar. Essa informação, claro, teve bastante menos repercussão do que a inicial que “informava”, não a suspensão temporária, mas o fechamento das seis emissoras.

Ao mesmo tempo, vale lembrar, o Instituto Millenium, o tal que reúne a fina flor da direita brasileira estará recebendo neste primeiro dia de março a visita do senhor Marcel Garnier, o manda chuva da RCTV. Junto com ele estarão participando do I Fórum Democracia & Liberdade de Expressão, entre outros, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Denis Rosenfield,Carlos Alberto Di Franco (Opus Dei), Reinaldo Azevedo, Otávio Frias Filho, Ministro Helio Costa, os deputados Miro Teixeira e Fernando Gabeira com a mediação dos globais William Waack, Luis Erlanger e Tonico Ferreira.

Podem imaginar o que vem por aí em matéria de demonização da República Bolivariana da Venezuela e de Chávez. E quem agradece é o Departamento de Estado norte-americano, que tem como meta primordial desestabilizar o atual governo da República Bolivariana da Venezuela.

Para variar, a oposição a Lula tentou tirar proveito da morte de um cubano que fazia greve de fome contra o regime da ilha caribenha. Na base do “hay Lula soy contra”, que repete o “hay Kirchner soy contra”, os oposicionistas sem bandeira e os jornalões procuraram envolver o governo brasileiro no episódio.

Quanto à morte, qualquer morte é lamentável, mas quem entra numa greve de fome e vai até as últimas consequências sabe que tudo pode acontecer depois de um certo tempo. Cuba poderia ter evitado, mas se fizesse isso seria também condenada por obrigar o fim de um protesto.

E do lado dos grupos anticastristas, porque eles mesmos não demoveram o militante a suspender a greve de fome? Ou será que tinham interesse em conseguir um cadáver de alguém descartável? Não seria o caso também de analisar o prontuário de Orlando Zapata? Seria ele um preso político ou um preso comum? Esta resposta dificilmente será fornecida pela mídia conservadora.

De Mário Augusto Jakobskind

Tremelique sísmico!

Aliados cobram de Serra ao menos uma ‘sinalização’



A notícia de que Dilma Rousseff está a quatro pontos percentuais dos calcanhares de José Serra instaurou na oposição uma atmosfera de inquietude.

Nos próximos dias, lideranças do PSDB e do DEM cobrarão de Serra pelo menos uma declaração pública assumindo-se como candidato ao Planalto.

Considera-se que o ideal seria que a frase do candidato soasse na próxima quinta-feira (4). Por quê?

Nesse dia, Serra estará em Belo Horizonte. A convite de Aécio Neves, participará da cerimônia comemorativa ao centenário de Tancredo Neves.

Pode ter de dividir a cena, a propósito, com o desafeto Ciro Gomes (PSB) e com a rival Dilma Rousseff. Ambos também foram convidados por Aécio.

Na noite da véspera, Serra dividirá a mesa do jantar com Aécio. Mais uma oportunidade para que o “café” tente atrair o “leite” para sua chapa.

O grão-tucanato reagiu à última pesquisa Datafolha de duas maneiras. Em público, considerou “natural” a ascenção de Dilma, atribuída à superexposição.

Em privado, concluiu que a subida da candidata de Lula pede “reação”. Na noite passada, um dirigente tucano disse ao blog: “Precisamos de fatos novos”.

Citou dois: além de “uma rápida manifestação de Serra assumindo-se claramente como candidato”, o “convencimento de Aécio para compor a chapa como vice”.

Nem uma coisa nem outra estão, porém, asseguradas. Serra continua aferrado ao seu calendário particular. Aécio ainda diz que vai disputar o Senado.

Na outra ponta, o PT saboreia o seu momento. O presidente da legenda, José Eduardo Dutra, até já sapateia sobre a hesitação de Serra:

"Ao contrário do que alguns diziam meses atrás sobre a gente, agora é a oposição que começa a pensar em um plano B".

Dutra como que roça a realidade. Em texto levado às páginas da Folha nesta segunda (1º), a repórter Cátia Seabra conta:

“A um mês do prazo fatal para o anúncio de sua candidatura, Serra expõe a aliados angústia acerca de sua decisão”.

A despeito de agir como candidato, Serra aconselha-se com pessoas próximas sobre a conveniência de disputar a reeleição em São Paulo em vez da presidência.

Seabra informa, de resto, que o tucanato já analisa uma alternativa para a vice que Aécio recusa-se a aceitar. Quem? O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Na última sexta (26), em Fortaleza, o repórter Eliomar de Lima perguntara a Tasso se descartava a hipótese de trocar a reeleição ao Senado pela vice de Serra.

E Tasso: “Eu aprendi uma coisa em política: a gente não descarta nem carta, porque, de repente, a coisa muda e a gente fica com a palavra lá embaixo”.

Líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse ao blog, que, na sua opinião, o principal problema da oposição não está na composição da chapa.

“O Serra deve ser o candidato”, ele aposta. “Avançou demais para recuar agora. O problema da oposição e do próprio Serra é o azar...”

“...O azar deles é que o eleitor deseja votar na continuidade. E o Serra é o candidato da mudança. A continuidade se chama Dilma”.

Daí, segundo a opinião de Vaccarezza, a gradativa ascenção da presidenciável petista. “A oposição não tem projeto e ficou sem discurso”, ele espicaça.

De Josias de Souza

Geraldo Vandré, 70 anos



“O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré. E Geraldo Vandré não existe mais, foi um pseudônimo que usei até 1968.” Ele estava particularmente irritado naquela noite, em agosto de 1985. Há pouco, ficara sabendo que não haviam permitido o acesso ao prédio a um antigo porteiro. Naquela noite, conheci um pouco da fúria daquele homem de voz grave, que estava prestes a completar 50 anos e vivia, como ainda vive, em um antigo prédio na região central de São Paulo, com o apartamento mergulhado na penumbra e cheio de livros por todos os lados. E pelo menos um violão.

O próprio Geraldo havia ligado para mim, meses antes, depois que eu, ainda estudante de Comunicação, tinha conseguido localizar o seu telefone na hoje extinta Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), em que ele trabalhava como fiscal – cassado em 1968, havia sido anistiado em 1979. Deixei recado ao doutor Geraldo Pedrosa, e na manhã seguinte uma voz empostada fala comigo. “Aqui é Geraldo. Você ligou para mim?” Combinamos de nos encontrar à noite, por volta de 19h. "Por volta, não. Às 19h", decretou Geraldo.

O paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias completou 70 anos no dia 12 de setembro de 2005. Nascido em João Pessoa, aos 16 anos foi para o Rio de Janeiro. Entre ginásio e colégio, passou por Nazaré da Mata (PE) e Juiz de Fora (MG). No Rio, estudou Direito (de 1957 a 1961) para satisfazer a família, mas depois pendurou o diploma e foi viver de música. Ou de arte. O sobrenome artístico veio do segundo nome do pai, o médico José Vandregísilo. Começou usando o nome artístico de Carlos Dias, homenagem aos cantores Carlos Galhardo e Carlos José. O Dias era de seu próprio sobrenome. Foi influenciado pela Bossa Nova, mas depois introduziu outros elementos em sua música – “em termos musicais, ele começava a travar uma luta sonora com o meio ambiente da bossa nova e com suas próprias influências jazzísticas”, escreveu o crítico Tárik de Souza, em artigo publicado no livro Oitenta (L&PM Editores, 1979).

E os seus 70 anos passaram despercebidos. Geraldo andava, inclusive, meio sumido até poucas semanas atrás, quando os atendentes de uma padaria na região central de São Paulo, reencontraram o antigo freqüentador, que continua no mesmo velho apartamento, mas costuma se ausentar com freqüência. Sempre de camisa branca, normalmente com símbolos da Força Aérea Brasileira (FAB). Também é assim que os funcionários de um restaurante na rua Xavier de Toledo, perto dali, costumam vê-lo. Camisa branca e vastos cabelos brancos. Um homem magro, que normalmente almoça sozinho.

Vandré, militares, Força Aérea? A relação parece estranha, mas vem dos tempos de criança. O pequeno Geraldo tinha 4 anos quando explodiu a 2ª Guerra Mundial, e ele gostava de imitar o vôo de caças. “Porque só tu soubeste enquanto infante/ As luzes do luzir mais reluzente/ Pertencer ao meu ser mais permanente” são os versos finais de “Fabiana”, escrita em 23 de outubro de 1985 “em honra da Força Aérea Brasileira”. Daí o nome, “Fabiana”. Em 1995, ele esteve presente a uma comemoração da Semana da Asa, em que cadetes da FAB cantaram a sua composição. “Musicalmente é uma valsa. Literariamente, compõe de três estrofes de seis decassílabos e um refrão de três versos de seis sílabas”, explicou, didático, em entrevista ao jornal paulistano Diário Popular (atual Diário de São Paulo) em 26 de julho de 1991.

Dez entre dez pessoas citarão “Pra não Dizer que não Falei das Flores” (subtítulos "Caminhando" e "Sexta Coluna") como a sua música mais famosa. Outros lembrarão de “Disparada”, celebrizada por Jair Rodrigues. Poucos, certamente, lembrarão de “Pequeno Concerto que virou Canção”, “Samba em Prelúdio”, “Quem Quiser Encontrar Amor”, “Canção Nordestina”. E quem lembrará que foi Vandré quem primeiro defendeu uma música de Chico Buarque em um festival? Pois foi ele quem cantou “Sonho de um Carnaval”, do novato Chico, no 1° Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Os dois dividiriam o prêmio do Festival da Música Popular Brasileira em 1966, quando "A Banda", de Chico, e “Disparada”, de Vandré e Théo de Barros, dividiram a torcida. "A Banda" ganhou no júri, mas o prêmio foi dividido por imposição do próprio Chico.

Em setembro de 1968, seria a vez de Vandré sair em defesa de Chico – e de Tom Jobim –, diante de milhares de pessoas no Maracanãzinho (jornais da época falam em 30 mil), no Rio de Janeiro. A maioria queria ver “Caminhando” como vencedora da fase nacional do 3° Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, e por isso vaiava a decisão do júri, que escolhera “Sabiá”. “Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito. (...) Pra vocês que continuam pensando que me apóiam vaiando... (...) A vida não se resume em festivais”, disse Vandré, enquanto a multidão acenava com lenços brancos.

Pouco depois, em dezembro de 1968, ele sumiu dos palcos. Naquele período, “Pra não Dizer que não Falei das Flores” foi proibida e sua cabeça, posta a prêmio. Em artigo publicado em outubro daquele ano no jornal O Globo, Nélson Rodrigues chegou a afirmar que “nunca se viu uma Marselhesa tão pouco Marselhesa”. Sentindo-se ameaçado, Vandré decidiu desaparecer (na mesma época, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos). Segundo o compositor Geraldo Azevedo, no dia em que foi decretado o Ato Institucional 5 (13 de dezembro de 1968), Vandré e o Quarteto Livre (do qual Azevedo fazia parte) iriam se apresentar em Brasília. Depois de permanecer escondido por amigos, ele fugiu disfarçado e com passaporte falso no carnaval de 1969.

No Chile, seu primeiro destino, Vandré manteve contatos com artistas locais e gravou um compacto com as músicas “Desacordonar” e “Caminando” – quem recebeu da mão dele um desses compactos tem o exemplar numerado pelo próprio autor. De lá, viajou para a Europa – no final de 1970, gravaria na França o pungente “Das Terras de Benvirá”, seu quinto LP – e seria o último, lançado no Brasil apenas em 1973 (na França, foi lançado um compacto, "La Passion Bresilienne" ). "Foi algo quase de improviso", conta Marcelo Melo, que participou da gravação e pouco depois formaria o grupo Quinteto Violado. Em 1971, Vandré voltou ao Chile. Em 1972, ganharia um festival no Peru com "Pátria Amada Idolatrada, Salve, Salve", parceria com Manduka (falecido em 2004), filho do poeta Thiago de Mello e da jornalista Pomona Politis. O retorno oficial ao Brasil aconteceu em 21 de agosto de 1973. “Quero agora só fazer canções de amor e paz”, declarou ao Jornal Nacional, na chegada, em Brasília, lembrando que nunca esteve vinculado a qualquer grupo político.

Na verdade, Vandré teria chegado ao Brasil um mês antes, em julho de 1973. Foi direto ao I Exército, no Rio de Janeiro. A sua permanência no país teria sido condicionada à entrevista ao JN. “Nunca fui preso, torturado, essas coisas que dizem por aí”, afirmou à revista VIP Exame em março de 1995. Essa é uma parte obscura da vida do cantor, que enfrentou sérias crises de depressão. De todos os artistas daquela geração, foi o único a não se apresentar novamente em um palco brasileiro, embora continue a fazer música.

No início de agosto de 1982, por volta de 200 pessoas testemunharam a volta de Geraldo Vandré aos palcos. Foi em uma sala de cinema em Puerto Stroessner, na fronteira do Paraguai com o Brasil. Cantou do lado paraguaio. Defendia a anulação de todos os atos praticados com base no AI-5 – o que, na prática, significaria o retorno à Constituição de 1946. “Não houve aplausos nem gritos (na entrada de Vandré)”, contou a repórter Ruth Bolognese, do Jornal do Brasil, em texto publicado dia 9 de agosto. Foram dez músicas, quase todas inéditas. “E falam em liberdade, soldados, homens fracos e fortes, homens aprendendo a ser gente.”

Era o mesmo Vandré capaz de, numa noite qualquer de um sábado de 1985, pedir para esperarmos diante de um Pronto-Socorro municipal na zona norte de São Paulo, de onde ele sairia uma hora depois disposto a discutir os motivos pelos quais a cadeira de dentista é tida como um local de sofrimento. Ou capaz de ser preso em novembro de 1974, após se desentender com um taxista em Mogi das Cruzes, interior paulista, e terminar o dia jantando na casa do delegado.

“Assim como outros grandes, o tronco Vandré resultou em vários galhos relevantes”, escreveu, em 1999, o jornalista Luís Nassif, citando Quinteto Violado – que em 1997 gravaria um CD só com músicas dele –, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Sábado, dia 17 setembro, talvez tenha sido realizada a única homenagem pública a Vandré: Jair Rodrigues, que imortalizou “Disparada”, e o próprio Quinteto Violado se apresentaram em Brasília, justamente onde haveria o show em 1968, quando a carreira de Vandré foi interrompida. "Sinto falta dele", diz Jair.

Um homem que recusou delicadamente um pedido de entrevista, feito anos atrás, com a seguinte resposta, escrita à mão: “Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável". Mas ele termina a mensagem dizendo que "sem beleza não existe O HOMEM FELIZ”. E assina: Vandré, com um PS datado de 14 de junho de 1995: “Cada vez mais distante”.

Muitos o consideram louco. Certamente, ele não tem certas convenções sociais. Nassif chamou-o de “solitário e desconexo”, “triste como a própria solidão na qual se meteu”. Mas se Vandré sempre buscou a beleza, talvez seja um homem feliz.

De Vitor Nuzzi

O enigma do voto em Serra

Os problemas que concernem à candidatura Serra superam a questão ideológica. Como temos tentado analisar neste blog, é potencialmente danoso seu alinhamento ao ideário neoliberal que tanto sofrimento e atraso trouxe à América Latina (e no México e no Peru continua trazendo). Como sabemos, tal modelito tornou-se anacrônico não apenas por sua ineficácia como panaceia administrativa, mas por provocar uma crise economica mundial com agudas consequências sociais na Europa e nos EUA, gerando um cenário desolador para Irlanda, Islândia, Espanha e Grécia, esta ora em convulsão.

Agrava tal quadro a constatação de que à insistência do atual governador de São Paulo em políticas econômicas recessivas, “suavizadas” pelo uso intenso do marketing, vem se somar a instrumentalização da quase totalidade da mídia corporativa – numa operação de “blindagem” do candidato que é vergonhosa para a imprensa, mas muito diz também em relação aos métodos de Serra em relação à comunicação social em uma democracia.

Não se pode, ainda, deixar de lado - sob o risco de negligenciar a análise de aspectos essenciais do serrismo -, seu retrospecto propriamente político-eleitoral nos últimos anos. Estes não se limitam à quebra do compromisso assumido publicamente com o eleitor de cumprir até o fim o mandato de prefeito pelos paulistanos lhe outorgado, trocando-o pela ambição eleitoral de curto prazo; nem ao patrocínio à candidatura do então virtualmente desconhecido Gilberto Kassab, que é, do ponto de vista administrativo, muito provavelmente o pior prefeito eleito da cidade no período pós-ditadura militar, e que, além de protagonizar de forma reiterada ataques agressivos contra populares, ora ostenta a honra de ter sido o primeiro alcaide cassado, em primeira instância, em São Paulo. Os estratagemas eleitorais de Serra incluem, ainda, o anúncio público da possibilidade de uma composição, para as eleições presidenciais, com José Roberto Arruda (ex-DEM–DF). O ex-governador do Distrito Federal, para quem não está ligando o nome à pessoa, é aquele político reincidente em falcatruas - e de um modo tão desabrido que, mesmo pertencendo ao andar social de cima e ao primeiro escalão política do país, conseguiu a façanha de, no Brasil, acabar atrás das grades. Diz-me com quem anda e eu te direi quem és.

A gestão Serra

Porém, para além da análise dos problemas ideológicos e metodológicos que cercam a candidatura peessedebista, é preciso escrutinar o que tem sido efetivamente a gestão Serra naqueles quesitos que, dizem os mandarins da pesquisa política, tendem a exercer maior influência sobre o voto do “eleitor médio”. A pergunta, neste caso, é: qual o legado, para o estado de São Paulo, da administração do atual governador em quesitos-chave como transportes, segurança, educação e saúde?

Transportes: O grau de deteriorização do Metrô de São Paulo nos quase quatro anos em que Serra ocupa o Palácio dos Bandeirantes é superlativo. Ele construiu a estação Sacomã, é verdade, e eu não me surpreenderia se por conta disso vier a receber uma boa votação no bairro e em suas imediações – trataria-se do reconhecimento a um político que trouxe benfeitorias à região.

Mas e o enorme contingente que, diariamente, é obrigado a encarar um serviço de transporte público que por décadas foi tido como modelar em âmbito mundial e hoje se encontra degradado a olhos vistos, ostentando, a qualquer hora, enormes filas nos poucos guichês que funcionam, escadas rolantes desativadas e vagões lotados?

Ante tais críticas, evoca-se a alegação de que São Paulo cresceu demais. Ora, o crescimento da maior metrópole do país, fato passível de previsão por técnicos especializados em demografia, não pode servir de desculpa à gestão ineficiente de um determinado governador – pelo contrário, ele deveria ser item contabilizado para um planejamento eficiente de como administrá-lo. Ademais, foram menos de 4 anos desde que Serra assumiu o governo. Por qualquer critério, o grau de crescimento da metrópole foi bem menor do que o de degradação do sistema metroviário.

Sair da análise da situação do transporte público da capital e passar a enfocar as condições de transporte no interior do estado é defrontar-se com outro quadro, mas que conserva intacto o desprezo pela locomoção dos estratos sociais de baixa renda: na prática, o custo dos pedágios nas rodovias estaduais paulistas cerceia o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos menos capitalizados. O governo federal tem demonstrado, de forma cabal, que é possível construir belas estradas sem esfolar o bolso dos humildes. Nada justifica o descalabro que são os preços praticados nas praças de pedágio de São Paulo, a não ser a falta de vontade política - ditada pelo elitismo – para resolver a questão.

Educação: Talvez a área mais problemática da gestão Serra, embora muitos não o saibam, graças ao reforço extra na blindagem midiática que a presença do sempre bem relacionado Paulo Renato de Souza à frente da Secretaria da Educação assegura.

O setor encontra-se, como veremos a seguir, atrelado a um número impressionante de denúncias de corrupção – algumas já alvo da atenção do Ministério Público -, além de ser acusado de manipular índices de desempenho (em um momento em que a educação pública paulista despencou nos rankings nacionais), de humilhar e sub-remunerar funcionários e professores e, em pleno 2010, de comprovadamente fazer alunos sentarem-se no chão por falta de... carteiras.

Comecemos pelo saco de maldades: anunciada com estardalhaço pela mídia amiga, a linha de financiamento disponibilizada a professores para que comprem um computador oferece juros anuais extorsivos: 26,4%, enquanto para empresários é de 4,5% para aquisição do mesmo bem. Já em relação aos aposentados, o governo Serra, a exemplo do que fez FHC quando presidente, os mantêm a pão e água: 5% de aumento em quase quatro anos de governo.

A aplicação do SARESP, a tal prova para avaliar professores e alagadamente melhor remunerar os com bom desempenho, foi um caos total – como demonstra esta série de posts -, com atrasos enormes, provas e gabaritos trocados a disponibilização de uma linha telefônica para informações que, é claro, não funcionou. Os resultados, tanto da aplicação da prova quanto do desempenho global dos professores foram pífios, embora este último se deva em larga medida ao boicote que muitos professores promoveram, se recusando a responder às questões. Tal como fazia em relação ao Provão dos tempos de FHC, a mídia não registrou esse “detalhe”, preferindo desmerecer o nível educacional do professorado. No início deste ano letivo, novo caos, desta feita para a atribuição de aulas.

As denúncias de corrupção começam com casos regionais – como as acusações contra a Diretoria de Ensino de Araraquara –, passam pela libertinagem das transações cibernéticas feitas à sombra da “inexigibilidade de licitação” e chegam à teia de ligações envolvendo a gestão de Paulo Renato, editoras do setor privado e compra milionária e sem licitação de uma série de revistas e livros, que têm em comum a característica de ser produzidas por empresas da mídia amiga. E isso tudo é só parte do imbroglio, em grande parte desvendado pelo brilhante trabalho jornalístico do blog Na Maria News, onde se encontra mais, muito mais evidências perturbadoras acerca da, digamos, falta de transparência na administração da educação estadual.

O modo como o governador lida com tais denúncias? Além da cumplicidade silenciosa da imprensa amiga, espera aprovar uma “Lei da Mordaça” que impeça a gritaria.

Saúde: Como melhor ministro da Saúde da história deste país, José Serra, à frente do governo estadual, certamente está dando especial atenção à área e realizando uma gestão que não pode ser considerada menos do que marcante. O difícil é encontrar evidências que comprovem esse fato consumado – mas isso certamente se deve à omissão da imprensa, que persegue e boicota José Serra, tentando impedir que ele chegue ao Palácio do Planalto.

Devemos mencionar, no entanto, as enchentes que destruíram São Luis do Paraitinga e mantiveram alagados (e, em alguns casos, ainda mantêm) diversos bairros da região metropolitana. A água acumulada das enchentes é, como se sabe, manancial bacteriológico e fonte potencial para uma série de doenças, algumas mortais. Mas, como nos informou a sempre imparcial imprensa paulista, a enchente se deveu exclusivamente ao azar e à maldade de São Pedro para com São Paulo – nada a ver, portanto, com o desassoreamento do rio Tietê ter sido negligenciado pela administração estadual desde 2005. Seria injusto, portanto, responsabilizar o governador pelas enchentes.

Segurança Pública: Enquanto modalidades diversas de crimes, como o homicídio, campeiam no estado bandeirante – de uma forma tal que muitos cidadãos vivem em pânico ante a ameaça cotidiana de violência -, o governo estadual é reiteradamente acusado de manipular o sistema de registro de ocorrências adotado pelas forças policiais de forma a artificialmente minorar os números reais. Trata-se de um problema crônico e que, apesar das tentativas da secretaria de Segurança de barrar seu estudo, já fora detectado por pesquisa acadêmica séria quando o antecessor de Serra, o também tucano Geraldo Alckimin, estava à frente do governo. A “novidade” trazida pelo atual mandatário é o suposto agravamento de tais métodos.

Outra inovação trazida pelo atual governador – esta devida a seu apreço pela democracia - é o recorrente emprego de força policial para reprimir, de forma desnecessariamente violenta, manifestações pacíficas, como ocorreu na USP e no protesto dos moradores do Jardim Romano, alagado há quatro meses. Alguns tuiteiros amigos sugerem que no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul também é assim – e que este seria, portanto, um ranço autoritário das administrações demotucanas. Ok, a violência de forças policiais públicas contra manifestantes pacíficos ocorre também em tais paragens – e isso, é claro, é lamentável -, mas o ex-governador do DF encontra-se preso e Yeda Cruzes tornou-se um zumbi eleitoral – nenhum dos dois é, como Serra, um candidato presidencial com poucas mas efetivas chances de vitória. E isso faz toda a diferença!

Há, ainda, a chocante onda de incêndios em favelas paulistanas, com frequência e peculiaridades que sugerem tratar-se de atos criminosos. É evidente que não se deve, a princípio, responsabilizar diretamente o governador por esse inovador método de tornar os miseráveis mais miseráveis e beneficiar a exploração imobiliária. Mas é mister constatar que seus órgãos de segurança têm sido incapazes de deter o fenômeno ou de fornecer explicações convincentes sobre as razões de sua ocorrência. Por incrível que pareça, garantir a segurança dessa gente pobre e bronzeada que tem o mau hábito de morar em barracos fincados na lama também é função das forças policiais sob as ordens de Serra.

Não se pode deixar de mencionar, ainda, outra inovação serrista para a insegurança pública: a condução de obras que vem abaixo de forma estrondosa e imprevisível, como o acidente na construção da linha Amarela-4 que matou sete pessoas ou no desabamento Rodoanel, a megaobra que custou uma fortuna inexplicável e cujo prazo para finalização efetiva provavelmente superará o tempo de vida deste blogueiro e de você, caro(a) leitor(a). Tal “onda de desabamentos’ se deve a emprego de material de construção vagabundo e barato, como forma de “fazer caixa” eleitoral, como sugerem as más línguas? Não creio.

Um enigma sem respostas

Nesse quadro, como entender que os índices de intenção de voto em Serra, embora em queda, ainda se mantenham em torno dos 30%? A cada vez que uma nova pesquisa é anunciada, o que mais me surpreende não é o crescimento de Dilma, mas, ante a pífia administração serrista, a queda relativamente pequena das intenções de voto no candidato tucano. Será que esses seus supostos eleitores conhecem o que é, documentadamente, o “choque de gestão” de Serra, cujos resultados práticos foram acima mencionados?

Teria a parcela expressiva do eleitorado do Sul/Sudeste que ora alimenta os sonhos eleitorais de Serra ciência de que seu candidato, além de não ter palavra e aliar-se a figuras públicas visadas pela Justiça, promove tamanho desgoverno? O que a levaria, então, a declarar votos nele? Estaria, em nome de uma luta política de cunho ideológico e, convenhamos, não desprovida de preconceitos e ódios de classe contra seus opositores, fazendo como um célebre coronel que, antes de pespegar sua assinatura no AI-5, mandou “às favas os escrúpulos”? Trataria-se, portanto, tão-somente de um voto ideológico e/ou reativo, de repulsa ao lulopetismo?

Sei que são perguntas que tendem a ficar sem respostas – ou, o que é mais provável, respondidas com a agressividade desprovida de argumentos dos trolls fanáticos. A criação de nichos na internet - alguns deles por afinidades político-ideoló gicas – é um fato e, com raras exceções, creio que a maioria dos poucos mas prezados leitores deste blog é de pessoas mais afinadas a um ideário que se projeta do centro à esquerda.

Eu sinceramente gostaria de obter respostas sinceras e objetivas em relação às questões acima colocadas, ao invés de meras acusações reativas que procuram desclassificar a candidata governista por conta de seu perfil ideológico, de seu suposto passado ou da alegada frouxidão ética das forças que a apoiam. A questão, aqui, não é Dilma, mas Serra: o que leva pessoas que afirmam prezar a ética e a boa administração pública a votar em tal candidato?

Se correr o bicho pega, se ficar...

Complicou bastante a situação do governador José Serra (PSDB) com a divulgação da nova pesquisa Datafolha, neste sábado. Serra viu sua vantagem de 14 pontos ante a candidata governista Dilma Rousseff cair para apenas 4, quase um empate técnico. E este é apenas um dos problemas de Serra, como se verá a seguir.

Sim, porque a pesquisa também mostra que a popularidade do governo Lula continua ascendente, tendo batido mais um recorde ao chegar aos 72% de avaliação positiva - e o Datafolha não mede a popularida pessoal do presidente, que sempre se situou quase uma dezena de pontos percentuais acima da do governo. Dizer que pesquisa é fotografia do momento é apenas um clichê, os dados consolidados e as curvas mostram um filme em andamento também. E este filme é o que há de pior para Serra: a aprovação ao governo Lula está subindo consistentemente com a recuperação da economia depois do tombo do ano passado.

É fato que a crise não prejudicou em nada o presidente, que mesmo nos piores momentos do ano passado surfou nas ondas da sua altíssima aprovação popular. Também é fato que uma estabilidade nos patamares em que Lula se encontra já seria por si só uma enorme dificuldade para Serra ou qualquer outra candidatura oposicionista, mas a verdade é que se Lula ainda encontra espaço para crescer, aí então a coisa se torna dramática para a oposição.

Ora, mas quem está na frente é José Serra, poderiam perguntar os mais desconfiados. Sim, o tucano continua na frente, mas já em outro patamar - especialmente quando se considera a sua apertada vitória em cenário de segundo turno (45 a 41). Não é mais favorito e pode começar a campanha atrás de Dilma.

Serrá terá bastante dor de cabeça nesta semana com a pressão dos aliados para que mude a estratégia de permanecer governando São Paulo como se não fosse candidato a coisa alguma em 2010. Ele não quer assumir a candidatura agora porque ainda não tem garantias que julga necessária para encarar a disputa, como o apoio do colega Aécio Neves, que tem dito que prefere ficar em Minas a assumir a vice na chapa de Serra. A atual situação nas pesquisas pode levar Aécio a desistir da empreitada, uma vez que ele nada ganharia sendo vice de uma chapa com chances sérias de derrota.

As paredes dos Bandeirantes sabem que Serra tem um Plano B, o de disputar a reeleição e deixar a sucessão de Lula para Aécio ou quem se habilitar ao desafio no partido. A pesquisa de hoje pode ter ajudado na decisão de Serra? Talvez, mas este blog acha que ele vai esticar a corda até quando der, para obter mais elementos e sentir a temperatura da disputa.

Do lado de Dilma, tudo é festa neste momento. O plano de Lula para a candidata está funcionando e o patamar de quase 30% já foi atingido. Se nas próximas pesquisas ela ultrapassar Serra, terá criado um fato político fortíssimo. E não será surpresa se isto ocorrer ainda em março.

Wagner Iglecias foi bastante feliz na lembrança: o "E agora, José?" é a pergunta da vez. Bem verdade que a resposta depende muito do que virá das montanhas de Minas. A bola está com Aécio, mas ele não tem nenhuma pressa de soltar o jogo. Se recusar a vice, praticamente sepulta as chances de Serra, salvo, é claro, um terremoto do lado petista, o que também não é coisa para se desprezar, haja vista o histórico de aloprados fazendo besteira fora de hora. Mas aparentemente Dilma está firme e não tem muito a cara de fazer bobagens. A oposição vai precisar jogar muito bem para levar esta, pois o jogo será muito duro, mesmo sem a presença de Lula na urna eletrônica.

DILMA EMPATA E PSDB MORRE



Uma cena lúgubre e desalentadora aquela vista na redação do Estadão com a divulgação da última pesquisa Datafolha. Dilma tecnicamente empatada com Serra.

Zé Alagão (também conhecido por Nosferatu, se a discussão se der exclusivamente nos corredores de Brasília) não fez outra coisa na vida do que se manter nos trinta e poucos por cento de intenções de votos que tem desde a derrota fragorosa de 2002.

Mas como o PSDB carece de estrelas, e a mídia o apóia, óbvio, ele sempre foi tido como o "preferido" nas pesquisas. Só que qualquer cidadão que acompanhe a política de verdade, não aquela propagada pela revista Veja e assimilados, e que tenha um QI maior do que o de uma ameba em coma, sabia fazia tempo que Alagão estava onde sempre esteve. No mesmo lugarzinho. Oscilava um pouco para cima, chegou perto dos 40%, mas somente nas pesquisas induzidas porque nas espontâneas, ele jamais esteve em primeiro. Nas espontâneas sempre quem ganhava era Lula. Mesmo sem poder concorrer, claro.

E o que isso significava? Que o eleitor votaria no candidato do Presidente.

Só que essas particularidades, a mídia procurava não ostentar. Mas nós sabemos quanta isenção tem uma pesquisa feita pelo DataFolha ou pelo Ibope. Eles só falam o óbvio quando não tem mais como esconder.

E olha que os aliados de Serra (os da mídia, não os da política) tentam. Tentam desesperadamente.

Veja que patética esta chamada do Estadão. A preocupação é latente. Dilma está ou não empatada com Serra? Chamam para resolver a questão o expert José Roberto de Toledo, que afirma taxativamente: "não". E para isso apresenta zilhões de equações e possibilidades teóricas. Não está, na visão dele, por um por cento.

Hmmm, grande diferença.

O que esconder? O que todo mundo já sabe. Pouco importa se Dilma empatou agora ou se vai empatar na semana que vem. Serra não ganha esta eleição nem roubando.

Mas a preocupação tem coerência para Zé Chirico. Ele precisa de uma vez por todas decidir se vai ou não disputar a Presidência ou se vai querer o posto "seguro" da reeleição em São Paulo.

Porém, mesmo em seu Estado há o perigo. De favas contadas a cúpula tucana passou a ter medo real de perder inclusive se Serra sair para o Governo. Por isso as conjecturas que a imprensa faz toda hora sobre o fator Ciro Gomes. Eles precisam que Ciro saia para a Presidência.

No começo divulgavam que Ciro tirava votos de Dilma e não de Serra. Bobagem. Bobagem que ficou comproada logo em seguida. Ciro tira votos de Zé Chirico, onde quer que seja a disputa.

Assim, se Ciro for inflado pela mídia (e ele cair nessa) a disputar a Presidência, Serra teria uma reeleição "tranquila" em SP. Mas se ele fizer o que achamos que ele vai fazer, Zé Alagão terá muitos, muitos problemas de agora em diante.

E a pergunta que fica é, suponha que Dilma vença e Serra perca a reeleição como Governador. O que será do PSDB?

Serra é um poço de ódio e prepotência. Mas também de narcisismo. Não físico, naturalmente. Não seria razoável por motivos perceptíveis. Ocorre que ele já não havia disputado em 2006 porque sabia que levaria outra porrada de Lula. Então fez o possível para jogar Alckmin aos leões. Alckmin este que conseguiu a proeza inédita de ter menos votos no segundo turno do que teve no primeiro. Algo nunca "antes visto na história deste país". Ou seja, uma "estrela" a menos no partido.

FHC então, nem se fale. Eles o escondem como se esconde um fugitivo da polícia. Pedem para que fique de bico calado, o que claro, é impossível pra Don Fernando, outro narciso convicto.

Serra é o último dos moicanos. Perdendo esta, esta fora para sempre. Vai ser síndico de prédio ou fazer palestras, o que até dá uma graninha. Vai falar de "credibilidade" , como fez Fernando Henrique.

Em seguida, seu partido se abraça ao que restou do DEM, que também conseguiu a proeza de chegar ao final do ano sem NENHUM governador, amarram-se com uma corda bem apertada e se jogam no Tietê.