Com vendas totais de US$ 2 bilhões no primeiro trimestre do ano, a Bahia teve alta de 52,4% nas exportações em comparação com o mesmo período do ano passado. Alagoinhas e São Francisco do Conde tiveram as maiores altas registradas, enquanto Camaçari, São Francisco do Conde, Mucuri e Dias Dávila seguem na liderança entre os maiores municípios exportadores.
Entre os vinte principais municípios exportadores do Estado, as principais elevações foram em Alagoinhas, com crescimento de 660% nas vendas internacionais, seguida por São Francisco do Conde (241%), Camaçari (89%), Barreiras (67%), Dias Dávila (66%), Feira de Santana (64%) e Juazeiro (54%). No mesmo ranking, algumas cidades tiveram queda na comparação com o trimestre do ano anterior, como Luis Eduardo Magalhães (-44%), Candeias (-26%) e Salvador (-23%).
Já em volume de exportação, o ranking segue pela ordem com Camaçari, São Francisco do Conde, Mucuri, Dias Dávila, Eunápolis, Ilhéus, Luis Eduardo Magalhães, Candeias, Feira de Santana e Salvador.
Os dados da balança comercial apontam diversidades entre os municípios exportadores. Em Luis Eduardo Magalhães, a cadeia do agronegócio é altamente explorada, com grãos e demais produtos primários no topo das vendas. Em Camaçari, destacam-se os produtos com maior valor agregado, de químicos a automóveis, entre outros. Já Mucuri abriga indústria de celulose no Extremo Sul do Estado.
Outro ponto de contraste, ao comparar as regiões estaduais que vendem no mercado externo, é o destino das exportações. A Holanda é o país que mais compra produtos de empresas soteropolitanas, com uma participação de 25%. Argentina, Estados Unidos, Cingapura e Alemanha seguem na lista. Em relação aos blocos econômicos, a União Européia comprou US$ 10,2 milhões de produtos vindos de Salvador, o que responde a 35% do total das vendas da capital do Estado no primeiro trimestre de 2010.
Em Mucuri, a China representa 41% das exportações do município do Extremo Sul. Em três meses foram vendidos US$ 87,8 milhões em produtos para o mercado chinês, uma alta de 80,4% sobre mesmo período do ano passado. Atualmente, o mercado asiático é o principal bloco de destino de produtos de Mucuri com 46% de participação e 101,6% de alta sobre o ano passado.
Produtos - Entre os produtos que contabilizaram incremento nas exportações no primeiro trimestre de 2010, em todo a Bahia, destacam-se o óleo combustível - com participação de 18,6% do total das vendas estaduais - celulose, cobre, automóveis, propeno e pneus.
Camaçari é destaque no setor automotivo, sendo todos os dez principais produtos vendidos parte da cadeia automotiva e de produtos químicos. Em São Francisco do Conde, combustíveis e lubrificantes representaram 95% das vendas da cidade, um índice de 240% acima do mesmo período em 2009.
Em Salvador, município que teve queda nas exportações comparado a igual período do ano passado, a explicação está relacionada à queda nas vendas de tubos plásticos – que apresentou redução de 63,5%; produtos da indústria metalúrgica com queda de 77% e café com - 46%.
Já a queda das exportações de Luis Eduardo Magalhães se deve ao atraso das exportações de soja em relação a 2009. Nos próximos meses, com o escoamento da safra, a previsão é de que os valores voltarão aos registrados em 2009.
domingo, 16 de maio de 2010
TURMA DO SERRA É CONTRA BANDA LARGA QUE ESTÁ SENDO CRIADA POR LULA
O líder dos Democratas na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), disse hoje que vai entrar na justiça contra a decisão do governo de reativar a Telebrás para atuar como gestora do Plano Nacional de Banda Larga. O partido vai esperar apenas a edição do ato oficial do governo, que deve sair até o final do mês, para decidir qual o instrumento legal será usado. Na prática, o Democratas se alinha às grandes operadoras, que não querem que o governo, por meio da Telebrás, volte a atuar no setor de telecomunicações como prestador de serviços.
Para o deputado Paulo Bornhausen, a intenção do governo tem três problemas básicos: legal, mercadológico e ético. A questão legal, segundo ele, está contida na legislação que criou a empresa e na Lei Geral de Telecomunicações. “A Telebrás foi criada, por lei, para ser holding, e não para operar diretamente no mercado. Assim, para que ela cumpra os objetivos anunciados nessa quarta-feira, é preciso uma nova ei, discutida e votada no Congresso Nacional”, disse. Essa interpretação é questionável porque, embora a Telebras tenha sido criada para ser uma holding, a lei 5792/72, que a constituiu, atribui ao Ministério das Comunicações o poder de lhe atribuir outras atividades.
Bornhausen ressalta que, além disso, o governo promove uma interferência indevida no mercado das telecomunicações. "No anúncio feito nesta quarta-feira, o governo deu a conhecer detalhes negociais da operação. O Plano Nacional de Banda Larga tem previsão de desembolso de R$ 13,255 bilhões em desoneração tributária, investimentos e capitalização da Telebrás - privatizada, mas que não complementou o processo por causa dos funcionários cedidos à Anatel -, entre 2010 e 2014 com a intenção de triplicar o número de domicílios conectados, de 11,9 milhões para 35,2 milhões em cinco anos, a um preço máximo de R$35 mensais. Fica, dessa forma, claramente caracterizado tratamento privilegiado à empresa, o que vai promover desequilíbrio na competitividade do mercado”, avalia.
A questão ética, de acordo com o líder do DEM, está contida nos dois tópicos acima e na nebulosa e já denunciada oscilação do valor as ações da Telebrás, causada por declarações das autoridades do primeiro escalão do Palácio do Planalto. “Ainda no campo ético, deve ser registrado o constrangimento a que a Anatel está sendo submetida, obrigada a rever normas para adequar ao plano do governo. Além da dúvida jurídica: como a Anatel fiscalizará uma empresa estatal vinculada diretamente à Casa Civil?”, questiona.
Para o deputado Paulo Bornhausen, a intenção do governo tem três problemas básicos: legal, mercadológico e ético. A questão legal, segundo ele, está contida na legislação que criou a empresa e na Lei Geral de Telecomunicações. “A Telebrás foi criada, por lei, para ser holding, e não para operar diretamente no mercado. Assim, para que ela cumpra os objetivos anunciados nessa quarta-feira, é preciso uma nova ei, discutida e votada no Congresso Nacional”, disse. Essa interpretação é questionável porque, embora a Telebras tenha sido criada para ser uma holding, a lei 5792/72, que a constituiu, atribui ao Ministério das Comunicações o poder de lhe atribuir outras atividades.
Bornhausen ressalta que, além disso, o governo promove uma interferência indevida no mercado das telecomunicações. "No anúncio feito nesta quarta-feira, o governo deu a conhecer detalhes negociais da operação. O Plano Nacional de Banda Larga tem previsão de desembolso de R$ 13,255 bilhões em desoneração tributária, investimentos e capitalização da Telebrás - privatizada, mas que não complementou o processo por causa dos funcionários cedidos à Anatel -, entre 2010 e 2014 com a intenção de triplicar o número de domicílios conectados, de 11,9 milhões para 35,2 milhões em cinco anos, a um preço máximo de R$35 mensais. Fica, dessa forma, claramente caracterizado tratamento privilegiado à empresa, o que vai promover desequilíbrio na competitividade do mercado”, avalia.
A questão ética, de acordo com o líder do DEM, está contida nos dois tópicos acima e na nebulosa e já denunciada oscilação do valor as ações da Telebrás, causada por declarações das autoridades do primeiro escalão do Palácio do Planalto. “Ainda no campo ético, deve ser registrado o constrangimento a que a Anatel está sendo submetida, obrigada a rever normas para adequar ao plano do governo. Além da dúvida jurídica: como a Anatel fiscalizará uma empresa estatal vinculada diretamente à Casa Civil?”, questiona.
“Meu caro amigo, as coisas estão melhorando”
“Se tiver bola, eu dou a entrevista”. Essa foi a única exigência do nosso companheiro de pelada, Chico Buarque, numa caminhada entre o metrô e o campo. Uma bola. E eu acabara de informar que o dono da redonda não viria à pelada de quarta-feira. Éramos dez amantes do futebol, órfãos.
Sem saber se esse era um gol de letra dele para fugir da solicitação de seus parceiros jornalistas, ou uma última esperança, em forma de pressão, de não perder a religiosa partida, eu, que não creio, olhei para o céu e pedi a Deus: uma pelota!
Nada de enigma, oferenda ou golpe de Estado. Ele estava ali, o cálice sagrado da cultura brasileira, que sucumbiu ao ver não uma, mas duas bolas chegarem à quadra pelas mãos de Mauro Cardoso, mais conhecido como Ganso. A partir daí, nada mais alterou o meu ânimo e o da minha dupla de ataque-entrevista, Daniel Cariello. Apesar de termos jogado no time adversário do ilustre entrevistado, tomado duas goleadas consecutivas de 10 x 6 e 10 x 1, tínhamos a certeza de que ele não iria trair dois dos principais craques do Paristheama, e sua palavra seria honrada.
Mas o desafio maior não era convencer o camisa 10 do time bordeaux-mostarda parisiense a ceder duas horas de sua tarde ensolarada de sábado. O que você perguntaria ao artista ícone da resistência à ditadura, parceiro de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Caetano Veloso, escritor dos best sellers “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, autor de “A banda”, “Essa moça tá diferente”, “O que será”, “Construção” e da canção de amor mais triste jamais escrita, “Pedaço de mim”?
Admirado e amado por todas as idades, estudado por universitários, defendido por Chicólatras, oráculo no Facebook, onipresente nas manifestações artísticas brasileiras – sua modéstia diria “isso é um exagero”, mas sabemos que não é –, sua reação imediata ao ser comparado a Deus foi “em primeiro lugar, não acredito em Deus. Em segundo, não acredito em mim. Essa é a única coisa que pode nos ligar. Então, pra começo de conversa, vamos tirar Deus da mesa e seguir em frente”.
Enfim, ainda não creio que entrevistamos Deus, quase sem falar de Deus. Mas foi com ele mesmo que aprendi uma lição, talvez um mandamento: acreditar em coisas inacreditáveis.
Você assume que não acredita em Deus, mas existem trechos nas suas músicas como “dias iguais, avareza de Deus” ou “eu, que não creio, peço a Deus”. No Brasil, é complicado não acreditar em Deus?
Eu não tenho crença. Eu fui criado na Igreja Católica, fui educado em colégio de padre. Eu simplesmente perdi a fé. Mas não faço disso uma bandeira. Eu sou ateu como o meu tipo sanguíneo é esse.
Hoje há uma volta de certos valores religiosos muito forte, acho que no mundo inteiro. O que é perigoso quando passa para posições integristas e dá lugar ao fanatismo. O Brasil talvez seja o pais mais católico do mundo, mas isso é um pouco de fachada. Conheço muitos católicos que vão à umbanda, fazem despacho. E fica essa coisa de Deus, que entra no vocabulário mais recente, que me incomoda um pouquinho. Essa coisa de “vai com Deus”, “fica com Deus”. Escuta, eu não posso ir com o diabo que me carregue? (Risos). Tem até um samba que fala algo como “é Deus pra lá, Deus pra cá – e canta – Deus já está de saco cheio” (risos).
Você já foi em umbanda, candomblé, algo do tipo?
Já, eu sou muito curioso. A mulher jogou umas pipocas na minha cabeça, sangue, disse que eu estava cheio de encosto. Eu fui porque me falaram “vai lá que vai ser bom”. Passei também por espíritas mais ortodoxos, do tipo que encarnava um médico que me receitou um remédio para o aparelho digestivo. Aí eu fui procurar o remédio e ele não existia mais. O remédio era do tempo do médico que ele encarnava (risos).
Já tive também um bruxo de confiança, que fez coisas incríveis. Aquela música do Caetano dizia isso muito bem, “quem é ateu, e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar.” Eu vi cirurgias com gilete suja, sem a menor assepsia, e a pessoa saía curada. Estava com o joelho ferrado e saía andando. Eu fui anestesista dessa cirurgia. A anestesia era a música. O próprio Tom Jobim tocava durante as cirurgias. Eu toquei para uma dançarina que estava com problema no joelho. Ela tinha uma estreia, mas o ortopedista disse “você rompeu o menisco”. Ela estreou na semana seguinte, e na primeira fila estavam o ortopedista e o bruxo (risos).
Uma vez, estava com um problema e fui ao médico. Ele me tocou e não viu nada. Aí eu disse “olha, meu bruxo, meu feiticeiro, quando ele apertava aqui, doía”. Ele começou a dizer “mas essa coisa de feitiçaria…” e atrás dele tinha um crucifixo com o Cristo. Daí eu perguntei “como você duvida da feitiçaria, mas acredita na ressurreição de Cristo?”. Eu acho isso uma incongruência. Gosto de acreditar um pouco nisso, um pouco naquilo, porque eu vejo coisas inacreditáveis. Eu não acredito em Deus, acredito que há coisas inacreditáveis.
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Nesse seu vai e vem Brasil-França, o que você traria do Brasil para a França, e vice-versa?
Eu traria pra cá um pouquinho da bagunça, da desordem. Os nossos defeitos, que acabam sendo também nossas qualidades. O tratamento informal, que gera tanta sujeira, ao mesmo tempo é uma coisa bonita de se ver. Você tem uma camaradagem com um sujeito que você não conhece. Aqui existe uma distância, uma impessoalidade que me incomoda.
Para o Brasil, eu gostaria de levar também um pouco dessa impessoalidade. Da seriedade, principalmente para as pessoas que tratam da coisa pública. Não que não exista corrupção na França.
Outra coisa que eu levaria pra lá é o sentimento de solidariedade, que existe entre os brasileiros que moram fora. Isso eu conheci no tempo que eu morava fora, e vejo muito aqui através das pessoas com as quais convivo. Eles se juntam. Como se dizia, “o brasileiro só se junta na prisão”. Os brasileiros também se juntam no exílio, na diáspora.
Falando em exílio, tem uma história curiosa de Essa moça tá diferente, a sua música mais conhecida na França.
É. A coisa de trabalho (N.R.: na Itália, onde Chico estava em exílio político, em 1968) estava só piorando e o que me salvou foi uma gravadora, a Polygram, pois minha antiga se desinteressou. A Polygram me contratou e me deu um adiantamento. E consegui ficar na Itália um pouco melhor. Mas eu tinha que gravar o disco lá. Eu gravei tudo num gravador pequenininho. Um produtor pegou essas músicas e levou para o Brasil, onde o César Camargo Mariano escreveu os arranjos. Esses arranjos chegaram de volta na Itália e eu botei minha voz em cima, sem que falasse com o César Camargo. Falar por telefone era muito complicado e caro. Então foi feito assim o disco. É um disco complicado esse.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?
Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.
O que você tem escutado?
Eu raramente paro para ouvir música. Já estou impregnado de tanta música que eu acho que não entra mais nada. Na verdade, quando estou doente eu ouço. Inclusive ouvi o disco do Terça Feira Trio, do Fernando do Cavaco, e gostei. Nunca tinha visto ou ouvido formação assim. Tem ao mesmo tempo muita delicadeza e senso de humor.
A música francesa te influenciou de alguma maneira?
Eu ouvi muito. Nos anos 50, quando comecei a ouvir muita música, as rádios tocavam de tudo. Muita música brasileira, americana, francesa, italiana, boleros latino americanos. Minha mãe tinha loucura por Edith Piaf e não sei dizer se Piaf me influenciou. Mas ouvi muito, como ouvi Aznavour.
O que me tocou muito foi Jacques Brel. Eu tinha uma tia que morou a vida inteira em Paris. Ela me mandou um disquinho azul, um compacto duplo com Ne me quitte pas, La valse à mille temps, quatro canções. E eu ouvia aquilo adoidado. Foi pouco antes da bossa nova, que me conquistou para a música e me fez tocar violão. As letras dele ficaram marcadas para mim.
Eu encontrei o Jacques Brel depois, no Brasil. Estava gravando Carolina e ele apareceu no estúdio, junto com meu editor. Eu fiquei meio besta, não acreditei que era ele. Aí eu fui falar pra ele essa história, que eu o conhecia desde aquele disco. Ele disse “é, faz muito tempo”. Isso deve ter sido 1955 ou 56, esse disquinho dele. Eu o encontrei em 67. Depois, muito mais tarde, eu assisti a L’homme de la mancha, e um dia ele estava no café em frente ao teatro. Eu o vi sentado, olhei pra ele, ele olhou pra mim, mas fiquei sem saber se ele tinha olhado estranhamente ou se me reconheceu. Fiquei sem graça, pois não o queria chatear. Ele estava ali sozinho, não queria aborrecer. Mas ele foi uma figuraça. Eu gostava muito das canções dele. Conhecia todas.
Falando de encontros geniais, você tem uma foto com o Bob Marley. Como foi essa história?
Foi futebol. Ele foi ao Brasil quando uma gravadora chamada Ariola se estabeleceu lá e contratou uma porção de artistas brasileiros, inclusive eu, e deram uma festa de fundação. O Bob Marley foi lá. Não me lembro se houve show, não me lembro de nada. Só lembro desse futebol. Eu já tinha um campinho e disseram “vamos fazer algo lá para a gravadora”. Bater uma bola, fazer um churrasco, o Bob Marley queria jogar. E jogamos, armamos um time de brasileiros e ele com os músicos. Corriam à beça.
Vocês fumaram um baseado juntos?
Não. Dessa vez eu não fumei.
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
Tanto em Estorvo quanto em Leite derramado o leitor tem uma certa dificuldade em separar o real do imaginário. Você, como seus personagens, derrapa entre essas duas realidades?
Eu? O tempo todo, agora mesmo eu não sei se você esta aí ou se eu estou te imaginando (gargalhadas) .
Completamente. Eu fico vivendo aquele personagem o tempo todo. Entrando no pensamento dele. Adquiro coisas dele. Você pode discordar, mas chega uma hora que tem que criar uma empatia ou uma simpatia. Você cria uma identificação. E alguma coisa no gene é roubado mesmo de mim, algumas situações, um certo desconforto, não saber bem se você é real, se você está vivendo ou sonhando aquilo. Por exemplo, agora que ganhamos de 10 a 1 (referência à pelada que jogamos três dias antes), eu saí da quadra e falei: “acho que eu sonhei. Não é possível que tenha acontecido” (risos).
Você é fanático por futebol?
Não sou fanático por nada. Mas eu tenho muito prazer em jogar futebol. Em assistir ao bom futebol, independentemente de ser o meu time. Quando é o meu time jogando bem, é melhor ainda, pois eu consigo torcer. Agora mesmo, no Brasil, tinha os jogos do Santos.
Mas eu vou menos aos estádios. Eu não me incomodo de andar na rua, mas quando você vai a alguns lugares, tem que estar com o cabelo penteado, tem que estar preparado para dar entrevistas. Aqui, eu estou dando a minha última (risos). Aqui, é exclusiva. Fiz pra Brazuca e mais ninguém. Eu quero ver o pessoal jogar bola. Então eu vejo na televisão. E quando não estou escrevendo, aí eu vejo bastante.
É verdade que um dia o Pelé ligou na sua casa, lamentando os escândalos políticos no Brasil, e disse “é, Chico, como diz aquela música sua: ‘se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão’”?
É verdade (risos). Eu falei “legal, Pelé, mas essa música não é minha”. O Pelé é uma grande figura. Nós gravamos um programa juntos. Brincamos muito. Conheci o Pelé quando eu fazia televisão em São Paulo, na TV Record, e me mudei para o Rio. Os artistas eram hospedados no Hotel Danúbio, em São Paulo. O mesmo onde o Santos se concentrava. Então, eu conheci o Pelé no hotel. E sempre que a gente se encontra é igual, porque eu só quero falar de futebol e ele só quer saber de música. Ele adora fazer música, adora cantar, adora compor. Por ele, o Pelé seria compositor.
E você, trocaria o seu passado de compositor por um de jogador?
Trocaria, mas por um bom jogador, que pudesse participar da Copa do Mundo. Um pacote completo. Um jogador mais ou menos, aí não.
Você ainda pretende pendurar as chuteiras aos 78 anos, como afirmou?
Não. Já prorroguei. Tava muito cedo. Agora, eu deixei em aberto. Podendo, vou até os 95 (risos).
O Niemeyer está com 102 anos e continua trabalhando. Aliás, não só trabalhando como ainda continua com uma grande fama de tarado (risos).
Ele me falou isso. Eu fui à festa dele de 90 anos e ele me disse: “o importante é trabalhar e ó (fez sinal com a mão, referente a transar)”. Aí eu falei “é mesmo?” e ele respondeu “é mesmo”.
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
MAIS
A entrevista foi publicada originalmente na revista Brazuca, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas.
Daniel Cariello, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro.
Sem saber se esse era um gol de letra dele para fugir da solicitação de seus parceiros jornalistas, ou uma última esperança, em forma de pressão, de não perder a religiosa partida, eu, que não creio, olhei para o céu e pedi a Deus: uma pelota!
Nada de enigma, oferenda ou golpe de Estado. Ele estava ali, o cálice sagrado da cultura brasileira, que sucumbiu ao ver não uma, mas duas bolas chegarem à quadra pelas mãos de Mauro Cardoso, mais conhecido como Ganso. A partir daí, nada mais alterou o meu ânimo e o da minha dupla de ataque-entrevista, Daniel Cariello. Apesar de termos jogado no time adversário do ilustre entrevistado, tomado duas goleadas consecutivas de 10 x 6 e 10 x 1, tínhamos a certeza de que ele não iria trair dois dos principais craques do Paristheama, e sua palavra seria honrada.
Mas o desafio maior não era convencer o camisa 10 do time bordeaux-mostarda parisiense a ceder duas horas de sua tarde ensolarada de sábado. O que você perguntaria ao artista ícone da resistência à ditadura, parceiro de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Caetano Veloso, escritor dos best sellers “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, autor de “A banda”, “Essa moça tá diferente”, “O que será”, “Construção” e da canção de amor mais triste jamais escrita, “Pedaço de mim”?
Admirado e amado por todas as idades, estudado por universitários, defendido por Chicólatras, oráculo no Facebook, onipresente nas manifestações artísticas brasileiras – sua modéstia diria “isso é um exagero”, mas sabemos que não é –, sua reação imediata ao ser comparado a Deus foi “em primeiro lugar, não acredito em Deus. Em segundo, não acredito em mim. Essa é a única coisa que pode nos ligar. Então, pra começo de conversa, vamos tirar Deus da mesa e seguir em frente”.
Enfim, ainda não creio que entrevistamos Deus, quase sem falar de Deus. Mas foi com ele mesmo que aprendi uma lição, talvez um mandamento: acreditar em coisas inacreditáveis.
Você assume que não acredita em Deus, mas existem trechos nas suas músicas como “dias iguais, avareza de Deus” ou “eu, que não creio, peço a Deus”. No Brasil, é complicado não acreditar em Deus?
Eu não tenho crença. Eu fui criado na Igreja Católica, fui educado em colégio de padre. Eu simplesmente perdi a fé. Mas não faço disso uma bandeira. Eu sou ateu como o meu tipo sanguíneo é esse.
Hoje há uma volta de certos valores religiosos muito forte, acho que no mundo inteiro. O que é perigoso quando passa para posições integristas e dá lugar ao fanatismo. O Brasil talvez seja o pais mais católico do mundo, mas isso é um pouco de fachada. Conheço muitos católicos que vão à umbanda, fazem despacho. E fica essa coisa de Deus, que entra no vocabulário mais recente, que me incomoda um pouquinho. Essa coisa de “vai com Deus”, “fica com Deus”. Escuta, eu não posso ir com o diabo que me carregue? (Risos). Tem até um samba que fala algo como “é Deus pra lá, Deus pra cá – e canta – Deus já está de saco cheio” (risos).
Você já foi em umbanda, candomblé, algo do tipo?
Já, eu sou muito curioso. A mulher jogou umas pipocas na minha cabeça, sangue, disse que eu estava cheio de encosto. Eu fui porque me falaram “vai lá que vai ser bom”. Passei também por espíritas mais ortodoxos, do tipo que encarnava um médico que me receitou um remédio para o aparelho digestivo. Aí eu fui procurar o remédio e ele não existia mais. O remédio era do tempo do médico que ele encarnava (risos).
Já tive também um bruxo de confiança, que fez coisas incríveis. Aquela música do Caetano dizia isso muito bem, “quem é ateu, e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar.” Eu vi cirurgias com gilete suja, sem a menor assepsia, e a pessoa saía curada. Estava com o joelho ferrado e saía andando. Eu fui anestesista dessa cirurgia. A anestesia era a música. O próprio Tom Jobim tocava durante as cirurgias. Eu toquei para uma dançarina que estava com problema no joelho. Ela tinha uma estreia, mas o ortopedista disse “você rompeu o menisco”. Ela estreou na semana seguinte, e na primeira fila estavam o ortopedista e o bruxo (risos).
Uma vez, estava com um problema e fui ao médico. Ele me tocou e não viu nada. Aí eu disse “olha, meu bruxo, meu feiticeiro, quando ele apertava aqui, doía”. Ele começou a dizer “mas essa coisa de feitiçaria…” e atrás dele tinha um crucifixo com o Cristo. Daí eu perguntei “como você duvida da feitiçaria, mas acredita na ressurreição de Cristo?”. Eu acho isso uma incongruência. Gosto de acreditar um pouco nisso, um pouco naquilo, porque eu vejo coisas inacreditáveis. Eu não acredito em Deus, acredito que há coisas inacreditáveis.
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Nesse seu vai e vem Brasil-França, o que você traria do Brasil para a França, e vice-versa?
Eu traria pra cá um pouquinho da bagunça, da desordem. Os nossos defeitos, que acabam sendo também nossas qualidades. O tratamento informal, que gera tanta sujeira, ao mesmo tempo é uma coisa bonita de se ver. Você tem uma camaradagem com um sujeito que você não conhece. Aqui existe uma distância, uma impessoalidade que me incomoda.
Para o Brasil, eu gostaria de levar também um pouco dessa impessoalidade. Da seriedade, principalmente para as pessoas que tratam da coisa pública. Não que não exista corrupção na França.
Outra coisa que eu levaria pra lá é o sentimento de solidariedade, que existe entre os brasileiros que moram fora. Isso eu conheci no tempo que eu morava fora, e vejo muito aqui através das pessoas com as quais convivo. Eles se juntam. Como se dizia, “o brasileiro só se junta na prisão”. Os brasileiros também se juntam no exílio, na diáspora.
Falando em exílio, tem uma história curiosa de Essa moça tá diferente, a sua música mais conhecida na França.
É. A coisa de trabalho (N.R.: na Itália, onde Chico estava em exílio político, em 1968) estava só piorando e o que me salvou foi uma gravadora, a Polygram, pois minha antiga se desinteressou. A Polygram me contratou e me deu um adiantamento. E consegui ficar na Itália um pouco melhor. Mas eu tinha que gravar o disco lá. Eu gravei tudo num gravador pequenininho. Um produtor pegou essas músicas e levou para o Brasil, onde o César Camargo Mariano escreveu os arranjos. Esses arranjos chegaram de volta na Itália e eu botei minha voz em cima, sem que falasse com o César Camargo. Falar por telefone era muito complicado e caro. Então foi feito assim o disco. É um disco complicado esse.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?
Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.
O que você tem escutado?
Eu raramente paro para ouvir música. Já estou impregnado de tanta música que eu acho que não entra mais nada. Na verdade, quando estou doente eu ouço. Inclusive ouvi o disco do Terça Feira Trio, do Fernando do Cavaco, e gostei. Nunca tinha visto ou ouvido formação assim. Tem ao mesmo tempo muita delicadeza e senso de humor.
A música francesa te influenciou de alguma maneira?
Eu ouvi muito. Nos anos 50, quando comecei a ouvir muita música, as rádios tocavam de tudo. Muita música brasileira, americana, francesa, italiana, boleros latino americanos. Minha mãe tinha loucura por Edith Piaf e não sei dizer se Piaf me influenciou. Mas ouvi muito, como ouvi Aznavour.
O que me tocou muito foi Jacques Brel. Eu tinha uma tia que morou a vida inteira em Paris. Ela me mandou um disquinho azul, um compacto duplo com Ne me quitte pas, La valse à mille temps, quatro canções. E eu ouvia aquilo adoidado. Foi pouco antes da bossa nova, que me conquistou para a música e me fez tocar violão. As letras dele ficaram marcadas para mim.
Eu encontrei o Jacques Brel depois, no Brasil. Estava gravando Carolina e ele apareceu no estúdio, junto com meu editor. Eu fiquei meio besta, não acreditei que era ele. Aí eu fui falar pra ele essa história, que eu o conhecia desde aquele disco. Ele disse “é, faz muito tempo”. Isso deve ter sido 1955 ou 56, esse disquinho dele. Eu o encontrei em 67. Depois, muito mais tarde, eu assisti a L’homme de la mancha, e um dia ele estava no café em frente ao teatro. Eu o vi sentado, olhei pra ele, ele olhou pra mim, mas fiquei sem saber se ele tinha olhado estranhamente ou se me reconheceu. Fiquei sem graça, pois não o queria chatear. Ele estava ali sozinho, não queria aborrecer. Mas ele foi uma figuraça. Eu gostava muito das canções dele. Conhecia todas.
Falando de encontros geniais, você tem uma foto com o Bob Marley. Como foi essa história?
Foi futebol. Ele foi ao Brasil quando uma gravadora chamada Ariola se estabeleceu lá e contratou uma porção de artistas brasileiros, inclusive eu, e deram uma festa de fundação. O Bob Marley foi lá. Não me lembro se houve show, não me lembro de nada. Só lembro desse futebol. Eu já tinha um campinho e disseram “vamos fazer algo lá para a gravadora”. Bater uma bola, fazer um churrasco, o Bob Marley queria jogar. E jogamos, armamos um time de brasileiros e ele com os músicos. Corriam à beça.
Vocês fumaram um baseado juntos?
Não. Dessa vez eu não fumei.
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
Tanto em Estorvo quanto em Leite derramado o leitor tem uma certa dificuldade em separar o real do imaginário. Você, como seus personagens, derrapa entre essas duas realidades?
Eu? O tempo todo, agora mesmo eu não sei se você esta aí ou se eu estou te imaginando (gargalhadas) .
Completamente. Eu fico vivendo aquele personagem o tempo todo. Entrando no pensamento dele. Adquiro coisas dele. Você pode discordar, mas chega uma hora que tem que criar uma empatia ou uma simpatia. Você cria uma identificação. E alguma coisa no gene é roubado mesmo de mim, algumas situações, um certo desconforto, não saber bem se você é real, se você está vivendo ou sonhando aquilo. Por exemplo, agora que ganhamos de 10 a 1 (referência à pelada que jogamos três dias antes), eu saí da quadra e falei: “acho que eu sonhei. Não é possível que tenha acontecido” (risos).
Você é fanático por futebol?
Não sou fanático por nada. Mas eu tenho muito prazer em jogar futebol. Em assistir ao bom futebol, independentemente de ser o meu time. Quando é o meu time jogando bem, é melhor ainda, pois eu consigo torcer. Agora mesmo, no Brasil, tinha os jogos do Santos.
Mas eu vou menos aos estádios. Eu não me incomodo de andar na rua, mas quando você vai a alguns lugares, tem que estar com o cabelo penteado, tem que estar preparado para dar entrevistas. Aqui, eu estou dando a minha última (risos). Aqui, é exclusiva. Fiz pra Brazuca e mais ninguém. Eu quero ver o pessoal jogar bola. Então eu vejo na televisão. E quando não estou escrevendo, aí eu vejo bastante.
É verdade que um dia o Pelé ligou na sua casa, lamentando os escândalos políticos no Brasil, e disse “é, Chico, como diz aquela música sua: ‘se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão’”?
É verdade (risos). Eu falei “legal, Pelé, mas essa música não é minha”. O Pelé é uma grande figura. Nós gravamos um programa juntos. Brincamos muito. Conheci o Pelé quando eu fazia televisão em São Paulo, na TV Record, e me mudei para o Rio. Os artistas eram hospedados no Hotel Danúbio, em São Paulo. O mesmo onde o Santos se concentrava. Então, eu conheci o Pelé no hotel. E sempre que a gente se encontra é igual, porque eu só quero falar de futebol e ele só quer saber de música. Ele adora fazer música, adora cantar, adora compor. Por ele, o Pelé seria compositor.
E você, trocaria o seu passado de compositor por um de jogador?
Trocaria, mas por um bom jogador, que pudesse participar da Copa do Mundo. Um pacote completo. Um jogador mais ou menos, aí não.
Você ainda pretende pendurar as chuteiras aos 78 anos, como afirmou?
Não. Já prorroguei. Tava muito cedo. Agora, eu deixei em aberto. Podendo, vou até os 95 (risos).
O Niemeyer está com 102 anos e continua trabalhando. Aliás, não só trabalhando como ainda continua com uma grande fama de tarado (risos).
Ele me falou isso. Eu fui à festa dele de 90 anos e ele me disse: “o importante é trabalhar e ó (fez sinal com a mão, referente a transar)”. Aí eu falei “é mesmo?” e ele respondeu “é mesmo”.
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
MAIS
A entrevista foi publicada originalmente na revista Brazuca, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas.
Daniel Cariello, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro.
A esperança e o preconceito: as três batalhas de 2010
Simone de Beauvoir disse que "a ideologia da direita é o medo". O medo foi o grande adversário de todas as campanhas de Lula. Desta vez, o fato de Lula ser governo desfaz grande parte das ameaças que antes insuflavam o temor entre os setores populares. O grande adversário dessa campanha não é mais o medo; tampouco é Serra, candidato de poucas alianças, sem programa e que esconde seu oposicionismo no armário. O grande adversário são os que estão por trás do tucanato e o utilizam como recurso político de uma guerra elitista, preconceituosa, autoritária e desigual. O artigo é de Arlete Sampaio.
Arlete Sampaio
A campanha de 2010 não é apenas uma, mas pelo menos três grandes batalhas combinadas. Uma disputa política, dos que apóiam as conquistas do governo Lula contra aqueles que sempre as atacaram e agora se esquivam de dizer o que pensam e o que representam. Uma disputa econômica, dos que defendem o protagonismo brasileiro e sabem da importância central do estado na sustentação do crescimento, contra os que querem eletrocutar nossas chances de desenvolvimento com a proposta de "choque de gestão" e de esvaziamento do papel do estado. Finalmente, uma disputa ideológica entre, de um lado, a esperança de um país mais justo, igualitário e sem medo de ser feliz, contra, do outro lado, a indústria da disseminação de preconceitos.
Na disputa política, a popularidade do presidente Lula criou uma barreira que a oposição prefere contornar do que confrontar. Serra não quer aparecer como aquilo que ele realmente é: o anti-Lula. O mesmo anti-Lula que ele próprio foi em 2002 e que Alckmin fez as vezes, em 2006. Daí a tentativa de posar como "pós-Lula". A oposição irá para a campanha na vergonhosa condição de fingir que não é oposição, que concorda com o que sempre atacou, que quer melhorar o que tentou, a todo o custo, destruir. Os eternos adeptos da ideia de que o Brasil não pode, não dá conta e não consegue, agora, empunham o discurso de que o Brasil pode mais.
Diante do fato de que alguém precisa assumir o impopular ataque ao governo e ao presidente, para alvejar a candidatura governista, surgiram duas frentes. A mais aberta e declarada é realizada pela imprensa mais tradicional, a que tem relações orgânicas com o grande empresariado brasileiro e com uma elite política que a ela é comercialmente afiliada.
Na ânsia de conseguir, contra Dilma, o que não conseguiu em 2006 contra Lula, esta imprensa tomou para si a tarefa de tentar derrotar ambos. Para tanto, tem enveredado em um padrão autoritário que significa um retrocesso claro até se comparado a seu comportamento na época da ditadura. Naquela época, a ditadura era a justificativa de suas manchetes. Hoje, não. Se não fosse pela democracia e pela mídia regional e alternativa, a situação seria igual à vivida quando era mais fácil ter notícias fidedignas a partir da imprensa internacional do que pela grande imprensa brasileira.
Um exemplo: o tratamento dado à participação do presidente Lula na cúpula nuclear em Washington. Dois dos mais tradicionais jornais brasileiros (Estadão e Folha) deram manchetes idênticas ("Obama ignora Lula..."), numa prova não de telepatia, mas de antipatia. Um editorial ("O Globo", 14/4) chegou a dizer que "Lula isola Brasil na questão nuclear". Se contássemos apenas com esses jornais, teríamos que apelar à Reuters, ao Wall Street Journal, ao Financial Times ou à Foreign Policy para sabermos que a China mudou de posição por influência do Brasil e declarou oficialmente sua opção pelo diálogo com Teerã.
Seria demais pedir que se reproduzisse, por exemplo, o destaque dado à cúpula dos BRICs, que no jornal Financial Times e na revista Economist foram bem maiores do que o conferido à cúpula de Washington. Até hoje, porém, o fato de nosso país estar galgando a posição de polo dinâmico da economia mundial, de modo acelerado, é visto com desdém pelos que não acreditam que o Brasil pode mais.
A questão nuclear teve a preferência porque cai como uma luva à tentativa de trazer para 2010 a questão do terrorismo, além de demonstrar a relação que existe entre as campanhas anti-Dilma, declaradas e mascaradas. A questão do terrorismo é um curioso espantalho invocado pelos próprios corvos (para usar uma imagem apropriada ao lacerdismo que continua vivo na direita brasileira e em parte de sua imprensa). A diferença sobejamente conhecida e reconhecida entre guerrilha e terrorismo e o fato de que os grupos armados brasileiros sempre se posicionaram contra o terrorismo como forma de luta política são esquecidos. Durante a ditadura, os grupos armados eram acusados de terroristas pela mesma linha dura que arquitetava explodir um gasoduto no Rio e bombas no Riocentro para inventar terroristas que, de fato, não existiam. A parte da imprensa que, por conta própria, reedita o autoritarismo faz jus ao título de "jornalismo linha dura".
No campo da política econômica, a batalha será igualmente ferrenha e desigual, apesar dos feitos extraordinários de Lula. Seu governo é de fato o primeiro na história do País a conseguir combinar crescimento econômico, estabilidade (política e econômica) e redução das desigualdades. Segundo estudos, o Brasil conseguiu avançar em termos sociais em ritmo mais acelerado do que o alcançado pelo estado de bem-estar social europeu em seus anos dourados. Mesmo isso não tem sido suficiente para abalar a aposta de alguns setores da elite econômica de que a principal tarefa a ser cumprida é a de tornar o Brasil o país com o estado mais acanhado dentre os BRICs. São os que querem o Brasil mirando o Chile, e não a China, em termos econômicos. Para alguns, que sempre trataram o Brasil como um custo em sua planilha, não importa o tamanho do país, e sim o tamanho de suas empresas.
O que se vê até o momento não é nada diante do que ainda está por vir, dado o espírito de "é agora ou nunca" da direita em sua crise de abstinência. Os ataques declarados são amenos diante da guerra suja que tem sido travada via internet, por mercenários apócrifos que disseminam mensagens preconceituosas.
Dilma é "acusada" de não ter marido, de não ter mestrado, de não ter sido parlamentar. As piores acusações não são sobre o que ela fez, mas sobre o que ela não fez. As mais sórdidas são comprovadas mentiras, como a de ter sido terrorista.
Simone de Beauvoir disse que "a ideologia da direita é o medo". O medo foi o grande adversário de todas as campanhas de Lula, e ele foi vencido em duas, dentre cinco. Desta vez, o fato de Lula ser governo desfaz grande parte das ameaças que antes insuflavam o temor entre os setores populares. O grande adversário dessa campanha não é mais o medo; tampouco é Serra, candidato de poucas alianças, sem programa e que esconde seu oposicionismo no armário. O grande adversário são os que estão por trás do tucanato e o utilizam como recurso político de uma guerra elitista, preconceituosa, autoritária e desigual.
A oposição cometeu o ato falho de declarar que "o país não tem dono", mostrando que ainda raciocina como na época em que vendeu grande parte do patrimônio público e tratou o Brasil como terra de ninguém. Mas, por sorte, o país tem dono, sim. É o povo brasileiro. E, mais uma vez, é apenas com ele que contaremos quando outubro vier.
Arlete Sampaio
A campanha de 2010 não é apenas uma, mas pelo menos três grandes batalhas combinadas. Uma disputa política, dos que apóiam as conquistas do governo Lula contra aqueles que sempre as atacaram e agora se esquivam de dizer o que pensam e o que representam. Uma disputa econômica, dos que defendem o protagonismo brasileiro e sabem da importância central do estado na sustentação do crescimento, contra os que querem eletrocutar nossas chances de desenvolvimento com a proposta de "choque de gestão" e de esvaziamento do papel do estado. Finalmente, uma disputa ideológica entre, de um lado, a esperança de um país mais justo, igualitário e sem medo de ser feliz, contra, do outro lado, a indústria da disseminação de preconceitos.
Na disputa política, a popularidade do presidente Lula criou uma barreira que a oposição prefere contornar do que confrontar. Serra não quer aparecer como aquilo que ele realmente é: o anti-Lula. O mesmo anti-Lula que ele próprio foi em 2002 e que Alckmin fez as vezes, em 2006. Daí a tentativa de posar como "pós-Lula". A oposição irá para a campanha na vergonhosa condição de fingir que não é oposição, que concorda com o que sempre atacou, que quer melhorar o que tentou, a todo o custo, destruir. Os eternos adeptos da ideia de que o Brasil não pode, não dá conta e não consegue, agora, empunham o discurso de que o Brasil pode mais.
Diante do fato de que alguém precisa assumir o impopular ataque ao governo e ao presidente, para alvejar a candidatura governista, surgiram duas frentes. A mais aberta e declarada é realizada pela imprensa mais tradicional, a que tem relações orgânicas com o grande empresariado brasileiro e com uma elite política que a ela é comercialmente afiliada.
Na ânsia de conseguir, contra Dilma, o que não conseguiu em 2006 contra Lula, esta imprensa tomou para si a tarefa de tentar derrotar ambos. Para tanto, tem enveredado em um padrão autoritário que significa um retrocesso claro até se comparado a seu comportamento na época da ditadura. Naquela época, a ditadura era a justificativa de suas manchetes. Hoje, não. Se não fosse pela democracia e pela mídia regional e alternativa, a situação seria igual à vivida quando era mais fácil ter notícias fidedignas a partir da imprensa internacional do que pela grande imprensa brasileira.
Um exemplo: o tratamento dado à participação do presidente Lula na cúpula nuclear em Washington. Dois dos mais tradicionais jornais brasileiros (Estadão e Folha) deram manchetes idênticas ("Obama ignora Lula..."), numa prova não de telepatia, mas de antipatia. Um editorial ("O Globo", 14/4) chegou a dizer que "Lula isola Brasil na questão nuclear". Se contássemos apenas com esses jornais, teríamos que apelar à Reuters, ao Wall Street Journal, ao Financial Times ou à Foreign Policy para sabermos que a China mudou de posição por influência do Brasil e declarou oficialmente sua opção pelo diálogo com Teerã.
Seria demais pedir que se reproduzisse, por exemplo, o destaque dado à cúpula dos BRICs, que no jornal Financial Times e na revista Economist foram bem maiores do que o conferido à cúpula de Washington. Até hoje, porém, o fato de nosso país estar galgando a posição de polo dinâmico da economia mundial, de modo acelerado, é visto com desdém pelos que não acreditam que o Brasil pode mais.
A questão nuclear teve a preferência porque cai como uma luva à tentativa de trazer para 2010 a questão do terrorismo, além de demonstrar a relação que existe entre as campanhas anti-Dilma, declaradas e mascaradas. A questão do terrorismo é um curioso espantalho invocado pelos próprios corvos (para usar uma imagem apropriada ao lacerdismo que continua vivo na direita brasileira e em parte de sua imprensa). A diferença sobejamente conhecida e reconhecida entre guerrilha e terrorismo e o fato de que os grupos armados brasileiros sempre se posicionaram contra o terrorismo como forma de luta política são esquecidos. Durante a ditadura, os grupos armados eram acusados de terroristas pela mesma linha dura que arquitetava explodir um gasoduto no Rio e bombas no Riocentro para inventar terroristas que, de fato, não existiam. A parte da imprensa que, por conta própria, reedita o autoritarismo faz jus ao título de "jornalismo linha dura".
No campo da política econômica, a batalha será igualmente ferrenha e desigual, apesar dos feitos extraordinários de Lula. Seu governo é de fato o primeiro na história do País a conseguir combinar crescimento econômico, estabilidade (política e econômica) e redução das desigualdades. Segundo estudos, o Brasil conseguiu avançar em termos sociais em ritmo mais acelerado do que o alcançado pelo estado de bem-estar social europeu em seus anos dourados. Mesmo isso não tem sido suficiente para abalar a aposta de alguns setores da elite econômica de que a principal tarefa a ser cumprida é a de tornar o Brasil o país com o estado mais acanhado dentre os BRICs. São os que querem o Brasil mirando o Chile, e não a China, em termos econômicos. Para alguns, que sempre trataram o Brasil como um custo em sua planilha, não importa o tamanho do país, e sim o tamanho de suas empresas.
O que se vê até o momento não é nada diante do que ainda está por vir, dado o espírito de "é agora ou nunca" da direita em sua crise de abstinência. Os ataques declarados são amenos diante da guerra suja que tem sido travada via internet, por mercenários apócrifos que disseminam mensagens preconceituosas.
Dilma é "acusada" de não ter marido, de não ter mestrado, de não ter sido parlamentar. As piores acusações não são sobre o que ela fez, mas sobre o que ela não fez. As mais sórdidas são comprovadas mentiras, como a de ter sido terrorista.
Simone de Beauvoir disse que "a ideologia da direita é o medo". O medo foi o grande adversário de todas as campanhas de Lula, e ele foi vencido em duas, dentre cinco. Desta vez, o fato de Lula ser governo desfaz grande parte das ameaças que antes insuflavam o temor entre os setores populares. O grande adversário dessa campanha não é mais o medo; tampouco é Serra, candidato de poucas alianças, sem programa e que esconde seu oposicionismo no armário. O grande adversário são os que estão por trás do tucanato e o utilizam como recurso político de uma guerra elitista, preconceituosa, autoritária e desigual.
A oposição cometeu o ato falho de declarar que "o país não tem dono", mostrando que ainda raciocina como na época em que vendeu grande parte do patrimônio público e tratou o Brasil como terra de ninguém. Mas, por sorte, o país tem dono, sim. É o povo brasileiro. E, mais uma vez, é apenas com ele que contaremos quando outubro vier.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Concursos públicos em evidência
RIO DE JANEIRO E DISTRITO FEDERAL
Até o dia 24 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para o concurso da FUNAG - Fundação Alexandre de Gusmão oferecendo 37 vagas para RJ e DF.
As oportunidades são destinadas aos cargos de nível médio e superior com atuação em diversas áreas profissionais. A remuneração máxima oferecida é de R$ 2.843,28.
Confira tabela de vagas no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas através do site do organizador Instituto Quadrix ou diretamente no Posto de Atendimento do mesmo, localizado em Brasília, no Distrito Federal (veja o endereço no item 5 do edital). O valor da taxa de inscrição é de R$ 33 para os cargos de nível médio e R$ 48 para os de nível superior.
A prova será aplicada no dia 06 de junho de 2010 nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília. Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas oportunamente em edital de convocação.
MINAS GERAIS
No período de 17 de junho a 23 de julho de 2010 estarão abertas as inscrições para o concurso público da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, de Minas Gerais, com 04 vagas e cadastro de reserva.As oportunidades são para suprimento dos cargos de Monitor de Oficina Terapêutica I e II destinados a profissionais com ensino médio e superior, respectivamente. Os salários podem ser de até R$ 1.776,61.
Confira tabela completa e atribuições dos cargos no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas durante o prazo estabelecido através do site da organizadora Conesul. Os candidatos também poderão recorrer ao Posto de Atendimento localizado na Câmara Municipal de Ouro Preto. O valor da taxa de inscrição é de R$ 25 para o cargo de nível médio e R$ 36 para o de nível superior.
As provas serão aplicadas no dia 12 de setembro de 2010. Informações sobre horário e local de realização deverão ser divulgados após a homologação das inscrições.
No período de 21 de junho a 21 de julho de 2010 serão abertas as inscrições para realização de concurso público da Câmara Municipal de Campo do Meio, de Minas Gerais, com a oferta de 03 vagas.A oportunidade é destinada a profissionais com ensino médio e técnico para provimento dos cargos de Assessor de Relação Parlamentar e Processador de Dados do quadro de servidores da Câmara. Os salários são de R$ 550 e R$ 843,02 respectivamente.
Confira as atribuições dos cargos no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas durante o prazo estabelecido através do site da organizadora Exame Consultores ou diretamente na sede da Câmara Municipal de Campo do Meio. O valor da taxa de inscrição é de R$ 40 para o cargo de nível médio e R$ 60 para o de nível técnico.
A prova objetiva será aplicada aos candidatos no dia 22 de agosto de 2010 a partir das 9h nas dependências da Escola Municipal Elisa Rabelo MesquITA.
Durante o período de 17 de maio e 16 de junho de 2010 poderão ser feitas as inscrições para concurso público da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Maranhão, de Minas Gerais, com 115 vagas.
São diversas oportunidades destinadas a profissionais com ensino fundamental, médio e superior. Os cargos oferecidos deverão preencher o quadro de servidores da prefeitura nas áreas administrativas, operacionais e da Secretaria de Saúde.
A remuneração máxima é de R$ 6 mil para o cargo de Médico.
Confira tabela completa de vagas no Anexo I do edital.
As inscrições poderão ser efetuadas através do site da organizadora Exame Consultores ou diretamente na sede da Prefeitura da cidade. O valor da taxa de inscrição varia entre R$ 35 e R$ 65 de acordo com os requisitos de cada cargo.
A prova objetiva será aplicada para todos os cargos no dia 25 de julho de 2010. Os candidatos aos cargos de Motorista e Operador de Máquinas deverão realizar também prova prática, prevista para a mesma data.
Durante o período de 31 de maio a 30 de junho de 2010 serão aceitas as inscrições para preenchimento de 18 vagas através do concurso público da Prefeitura Municipal de Itajubá, de Minas Gerais.
As oportunidades são destinadas a profissionais de nível fundamental, médio e superior, com cargos de diversas áreas de atuação. Os salários podem chegar a R$ 1.648,78 para a jornada de 40 horas semanais.
Confira tabela de cargos no Anexo I do edital.
As inscrições deverão ser efetuadas exclusivamente no site da organizadora IMAM mediante pagamento da taxa de inscrição nos valores que variam entre R$ 39 e R$ 98 de acordo com os requisitos de cada cargo.
As provas objetivas serão aplicadas na cidade de Itajubá, em local ainda não definido. A data prevista para realização do concurso é entre 31 de julho e 01 de agosto de 2010.
Durante o período de 07 de junho a 07 de julho de 2010 estarão abertas as inscrições do concurso público da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Amparo, de Minas Gerais, com 55 vagas.São diversas oportunidades destinadas a profissionais com ensino fundamental, médio e superior para cargos das áreas administrativas, operacionais, de saúde e educação do quadro geral de servidores da prefeitura. Sob os mesmos critérios também será realizado processo seletivo com 100 vagas disponíveis.
As inscrições deverão ser feitas no site da organizadora JMS Consultoria ou no Prédio do CIRP (veja endereço no item VII do edital). O valor da taxa de inscrição varia entre R$ 35 e R$ 50 de acordo com os requisitos de cada função.
A prova do processo seletivo está prevista para o dia 14 de agosto, enquanto a avaliação do concurso público será no dia 15 de agosto de 2010.
Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas após a homologação das inscrições.
ESPÍRITO SANTO
Até o dia 27 de maio de 2010 poderão ser feitas as inscrições para o concurso público do CRP - Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região, estado do Espírito Santo, com a oferta de 53 vagas.
As oportunidades são para cargos de nível fundamental, médio e superior destinados à diversas áreas de atuação na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. A remuneração máxima oferecida é de R$ 2.022,48 para o cargo de Técnico de Orientação e Fiscalização.
Confira quadro de vagas no edital.
As inscrições devem ser efetuadas exclusivamente pela internet, através do site do organizador Instituto Quadrix. A taxa de inscrição varia entre R$ 20 e R$ 50 de acordo com os requisitos de cada cargo.
A prova objetiva será aplicada aos candidatos na data prevista de 06 de junho de 2010. Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas após a homologação das inscrições.
FEDERAL
Durante o período de 29 de abril a 20 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para concurso público da Aeronáutica do Brasil, com a oferta de 160 vagas.
A oportunidade é destinada aos profissionais que desejam ingressar na Aeronáutica através do Curso de Formação de Sargento para atuar no Controle do Tráfego Aéreo. Poderão concorrer candidatos de ambos os sexos com nível médio concluído ou em andamento e idade inferior a 25 anos (até 31 de dezembro de 2011) para vagas em diversas regiões do país.
O Curso obrigadório de Formação será realizado no período de um ano na cidade de Guaratinguetá, estado de São Paulo, antes da promoção ao cargo efetivo de Terceiro-Sargento.
Confira demais atribuições no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas no site da EEAR - Escola de Especialistas da Aeronáutica ou diretamente no Portal da Força Aérea Brasileira. A confirmação será dada mediante pagamento de uma taxa no valor de R$ 50.
A avaliação escrita acontecerá no dia 18 de julho de 2010 em diversas capitais brasileiras. Após esta etapa, também serão aplicados testes físicos e psicológicos.
PIAUÍ
A Prefeitura Municipal de Luís Correia, do estado do Piauí, abre inscrições até o dia 23 de maio de 2010 para o provimento de 67 vagas através de concurso público.
São diversas oportunidades para provimento do quadro geral de servidores da Prefeitura, permitindo o ingresso de profissionais de todos os níveis de escolaridade. Os salários variam entre R$ 510 e R$ 1.300.
Confira relação completa no Anexo I do edital.
As inscrições poderão ser efetuadas através do site do organizador Instituto Cidades ou diretamente no Posto de Atendimento, localizado na Secretaria Municipal de Turismo e Esportes da cidade.
O valor da taxa de inscrição é de R$ 32 a R$ 52, variando de acordo com os requisitos de cada cargo.
A avaliação ocorrerá mediante aplicação de prova escrita classificatória. A data prevista de realização é 20 de junho de 2010, a partir das 9h. Informações sobre o local serão divulgadas após a homologação das inscrições.
PARÁ
Durante o período de 26 de abril a 23 de maio de 2010 serão aceitas inscrições para concurso público promovido pela FUNTELPA - Fundação de Telecomunicações do Pará com 83 vagas.
São diversas oportunidades para cargos de nível superior e médio no intuito de suprir o quadro de servidores do segmento paraense de Radiodifusão da FUNTELPA. Os salários oferecidos podem chegar a R$ 2.217,98.
Confira relação de cargos e atribuições no edital.
As inscrições devem ser efetuadas através do site da organizadora IDECAN. A confirmação da candidatura se dará mediante pagamento da taxa de inscrição nos valores de R$ 50 (nível médio) e R$ 60 (nível superior).
As provas acontecerão simultaneamente nas cidades de Belém, Altamira, Marabá e Xinguara, todas no estado do Pará. A data prevista para realização é 27 de junho de 2010.
Mais informações podem ser obtidas no Portal do Governo do Pará.
Até o dia 24 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para o concurso da FUNAG - Fundação Alexandre de Gusmão oferecendo 37 vagas para RJ e DF.
As oportunidades são destinadas aos cargos de nível médio e superior com atuação em diversas áreas profissionais. A remuneração máxima oferecida é de R$ 2.843,28.
Confira tabela de vagas no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas através do site do organizador Instituto Quadrix ou diretamente no Posto de Atendimento do mesmo, localizado em Brasília, no Distrito Federal (veja o endereço no item 5 do edital). O valor da taxa de inscrição é de R$ 33 para os cargos de nível médio e R$ 48 para os de nível superior.
A prova será aplicada no dia 06 de junho de 2010 nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília. Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas oportunamente em edital de convocação.
MINAS GERAIS
No período de 17 de junho a 23 de julho de 2010 estarão abertas as inscrições para o concurso público da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, de Minas Gerais, com 04 vagas e cadastro de reserva.As oportunidades são para suprimento dos cargos de Monitor de Oficina Terapêutica I e II destinados a profissionais com ensino médio e superior, respectivamente. Os salários podem ser de até R$ 1.776,61.
Confira tabela completa e atribuições dos cargos no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas durante o prazo estabelecido através do site da organizadora Conesul. Os candidatos também poderão recorrer ao Posto de Atendimento localizado na Câmara Municipal de Ouro Preto. O valor da taxa de inscrição é de R$ 25 para o cargo de nível médio e R$ 36 para o de nível superior.
As provas serão aplicadas no dia 12 de setembro de 2010. Informações sobre horário e local de realização deverão ser divulgados após a homologação das inscrições.
No período de 21 de junho a 21 de julho de 2010 serão abertas as inscrições para realização de concurso público da Câmara Municipal de Campo do Meio, de Minas Gerais, com a oferta de 03 vagas.A oportunidade é destinada a profissionais com ensino médio e técnico para provimento dos cargos de Assessor de Relação Parlamentar e Processador de Dados do quadro de servidores da Câmara. Os salários são de R$ 550 e R$ 843,02 respectivamente.
Confira as atribuições dos cargos no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas durante o prazo estabelecido através do site da organizadora Exame Consultores ou diretamente na sede da Câmara Municipal de Campo do Meio. O valor da taxa de inscrição é de R$ 40 para o cargo de nível médio e R$ 60 para o de nível técnico.
A prova objetiva será aplicada aos candidatos no dia 22 de agosto de 2010 a partir das 9h nas dependências da Escola Municipal Elisa Rabelo MesquITA.
Durante o período de 17 de maio e 16 de junho de 2010 poderão ser feitas as inscrições para concurso público da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Maranhão, de Minas Gerais, com 115 vagas.
São diversas oportunidades destinadas a profissionais com ensino fundamental, médio e superior. Os cargos oferecidos deverão preencher o quadro de servidores da prefeitura nas áreas administrativas, operacionais e da Secretaria de Saúde.
A remuneração máxima é de R$ 6 mil para o cargo de Médico.
Confira tabela completa de vagas no Anexo I do edital.
As inscrições poderão ser efetuadas através do site da organizadora Exame Consultores ou diretamente na sede da Prefeitura da cidade. O valor da taxa de inscrição varia entre R$ 35 e R$ 65 de acordo com os requisitos de cada cargo.
A prova objetiva será aplicada para todos os cargos no dia 25 de julho de 2010. Os candidatos aos cargos de Motorista e Operador de Máquinas deverão realizar também prova prática, prevista para a mesma data.
Durante o período de 31 de maio a 30 de junho de 2010 serão aceitas as inscrições para preenchimento de 18 vagas através do concurso público da Prefeitura Municipal de Itajubá, de Minas Gerais.
As oportunidades são destinadas a profissionais de nível fundamental, médio e superior, com cargos de diversas áreas de atuação. Os salários podem chegar a R$ 1.648,78 para a jornada de 40 horas semanais.
Confira tabela de cargos no Anexo I do edital.
As inscrições deverão ser efetuadas exclusivamente no site da organizadora IMAM mediante pagamento da taxa de inscrição nos valores que variam entre R$ 39 e R$ 98 de acordo com os requisitos de cada cargo.
As provas objetivas serão aplicadas na cidade de Itajubá, em local ainda não definido. A data prevista para realização do concurso é entre 31 de julho e 01 de agosto de 2010.
Durante o período de 07 de junho a 07 de julho de 2010 estarão abertas as inscrições do concurso público da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Amparo, de Minas Gerais, com 55 vagas.São diversas oportunidades destinadas a profissionais com ensino fundamental, médio e superior para cargos das áreas administrativas, operacionais, de saúde e educação do quadro geral de servidores da prefeitura. Sob os mesmos critérios também será realizado processo seletivo com 100 vagas disponíveis.
As inscrições deverão ser feitas no site da organizadora JMS Consultoria ou no Prédio do CIRP (veja endereço no item VII do edital). O valor da taxa de inscrição varia entre R$ 35 e R$ 50 de acordo com os requisitos de cada função.
A prova do processo seletivo está prevista para o dia 14 de agosto, enquanto a avaliação do concurso público será no dia 15 de agosto de 2010.
Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas após a homologação das inscrições.
ESPÍRITO SANTO
Até o dia 27 de maio de 2010 poderão ser feitas as inscrições para o concurso público do CRP - Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região, estado do Espírito Santo, com a oferta de 53 vagas.
As oportunidades são para cargos de nível fundamental, médio e superior destinados à diversas áreas de atuação na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. A remuneração máxima oferecida é de R$ 2.022,48 para o cargo de Técnico de Orientação e Fiscalização.
Confira quadro de vagas no edital.
As inscrições devem ser efetuadas exclusivamente pela internet, através do site do organizador Instituto Quadrix. A taxa de inscrição varia entre R$ 20 e R$ 50 de acordo com os requisitos de cada cargo.
A prova objetiva será aplicada aos candidatos na data prevista de 06 de junho de 2010. Informações sobre local e horário de realização serão divulgadas após a homologação das inscrições.
FEDERAL
Durante o período de 29 de abril a 20 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para concurso público da Aeronáutica do Brasil, com a oferta de 160 vagas.
A oportunidade é destinada aos profissionais que desejam ingressar na Aeronáutica através do Curso de Formação de Sargento para atuar no Controle do Tráfego Aéreo. Poderão concorrer candidatos de ambos os sexos com nível médio concluído ou em andamento e idade inferior a 25 anos (até 31 de dezembro de 2011) para vagas em diversas regiões do país.
O Curso obrigadório de Formação será realizado no período de um ano na cidade de Guaratinguetá, estado de São Paulo, antes da promoção ao cargo efetivo de Terceiro-Sargento.
Confira demais atribuições no edital.
As inscrições deverão ser efetuadas no site da EEAR - Escola de Especialistas da Aeronáutica ou diretamente no Portal da Força Aérea Brasileira. A confirmação será dada mediante pagamento de uma taxa no valor de R$ 50.
A avaliação escrita acontecerá no dia 18 de julho de 2010 em diversas capitais brasileiras. Após esta etapa, também serão aplicados testes físicos e psicológicos.
PIAUÍ
A Prefeitura Municipal de Luís Correia, do estado do Piauí, abre inscrições até o dia 23 de maio de 2010 para o provimento de 67 vagas através de concurso público.
São diversas oportunidades para provimento do quadro geral de servidores da Prefeitura, permitindo o ingresso de profissionais de todos os níveis de escolaridade. Os salários variam entre R$ 510 e R$ 1.300.
Confira relação completa no Anexo I do edital.
As inscrições poderão ser efetuadas através do site do organizador Instituto Cidades ou diretamente no Posto de Atendimento, localizado na Secretaria Municipal de Turismo e Esportes da cidade.
O valor da taxa de inscrição é de R$ 32 a R$ 52, variando de acordo com os requisitos de cada cargo.
A avaliação ocorrerá mediante aplicação de prova escrita classificatória. A data prevista de realização é 20 de junho de 2010, a partir das 9h. Informações sobre o local serão divulgadas após a homologação das inscrições.
PARÁ
Durante o período de 26 de abril a 23 de maio de 2010 serão aceitas inscrições para concurso público promovido pela FUNTELPA - Fundação de Telecomunicações do Pará com 83 vagas.
São diversas oportunidades para cargos de nível superior e médio no intuito de suprir o quadro de servidores do segmento paraense de Radiodifusão da FUNTELPA. Os salários oferecidos podem chegar a R$ 2.217,98.
Confira relação de cargos e atribuições no edital.
As inscrições devem ser efetuadas através do site da organizadora IDECAN. A confirmação da candidatura se dará mediante pagamento da taxa de inscrição nos valores de R$ 50 (nível médio) e R$ 60 (nível superior).
As provas acontecerão simultaneamente nas cidades de Belém, Altamira, Marabá e Xinguara, todas no estado do Pará. A data prevista para realização é 27 de junho de 2010.
Mais informações podem ser obtidas no Portal do Governo do Pará.
A mídia esconde sua partidarização
Considerada mito sob os olhares mais críticos, a imparcialidade nos meios de comunicação sempre foi objeto de discussões infindáveis, sobretudo, do lado de dentro dos muros acadêmicos. Em tempos de corrida eleitoral, a questão, polêmica por excelência, volta a monopolizar os debates, na maioria das vezes, inflamados pelas paixões partidárias. Estaria a grande imprensa se portando de maneira equilibrada em relação aos candidatos, principalmente, no que diz respeito aos postulantes à cobiçada vaga de “comandante-mor” da nação? Na análise do sociólogo e jornalista Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a resposta é não.
“A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando”, afirma. Categórico, ele diz que a mídia brasileira esconde sua posição política. “É praticamente impossível a isenção total”, dispara.
Leal defende que a mesma postura adotada por outros países seja incorporada pelos veículos impressos daqui, para evitar que gatos e lebres sejam colocados em um balaio comum. “É o caminho mais honesto. Do contrário, você acaba enganando o leitor com a suposta imparcialidade que, na verdade, não existe”.
Terra Magazine: Como o senhor avalia a atual cobertura eleitoral feita pela mídia? Na sua opinião, os candidatos são retratados com equilíbrio?
Laurindo Leal Filho: Não. A mídia, de uma maneira geral, não só no Brasil, mas em todos os países mais desenvolvidos, sempre assume uma posição, principalmente, nos pleitos majoritários, como é o caso de uma eleição para presidente da República. É praticamente impossível a isenção total. Os meios de comunicação, na maioria dos países, não têm nenhuma preocupação com isso. A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando. Isso não quer dizer que vão fazer uma cobertura distorcida do pleito. Eles não escondem que têm preferência por esse ou aquele candidato. Isso, na França, na Inglaterra, é muito comum. Os jornais acompanham uma determinada tendência política, e o leitor sabe disso.
Estabelece-se uma relação mais franca com o leitor…
Infelizmente, no Brasil, alguns jornais ou a maioria deles anuncia que é independente, equidistante dos candidatos, mas, na verdade, acabam exercendo isso, que é muito ruim. Acabam escondendo do leitor a sua posição política. Acho que duas honrosas exceções no Brasil, na mídia impressa, são o Jornal O Estado de S.Paulo – que, nas duas últimas eleições, tem apoiado os candidatos do PSDB explicitamente – e a revista Carta Capital, que tem apoiado os candidatos do PT.
O senhor acredita que esse deveria ser o caminho adotado pela mídia impressa de maneira geral?
É o caminho mais honesto. Do contrário, você acaba enganando o leitor com a suposta imparcialidade que, na verdade, não existe. Basta ver o que os jornais já estão fazendo hoje nesta eleição, com posições claramente a favor do candidato da oposição. Os três grandes jornais brasileiros, Globo, Folha (de São Paulo) e Estado (de São Paulo) estão nitidamente se colocando a favor do candidato da oposição. E as revistas semanais, com exceção da Carta Capital, também. Especialmente, a Veja. Claramente, estão fazendo uma cobertura da cena política brasileira muito favorável à oposição.
Para o senhor, isso torna a disputa desleal?
Contribui. No Brasil, é pior ainda, porque os jornais impressos têm uma abrangência de cobertura relativamente pequena em relação à população, mas eles acabam pautando o rádio e a televisão. Estes, sim, atingem, praticamente, toda a população brasileira. Acompanham essa tendência não só por serem pautados nas suas linhas editoriais, nas suas coberturas, pelos grandes jornais, mas por também assumirem as candidaturas da oposição. Estou falando das grandes redes, o que é pior, porque se trata de uma ação ilegal. A televisão e o rádio são concessões públicas, diferente da mídia impressa, que são empresas particulares. São concessões públicas que estão usando o espaço público para interesses privados, que são os interesses políticos em relação a determinados candidatos. Então, eu acho que, para responder claramente, há uma distorção do processo eleitoral brasileiro no que diz respeito à cobertura da imprensa. Jornais impressos e revistas deveriam claramente divulgar para o leitor qual é a sua posição, e o rádio e a televisão deveriam se abster de fazer esse tipo de opção. Deveriam buscar o máximo possível a insenção, coisa que não fazem.
Na sua opinião, a imprensa tem o poder de eleger um candidato?
Não tem poder absoluto, porque se defronta com outras variáveis, mas contribui. Em outros momentos, a imprensa já teve mais força. Hoje, no caso específico das últimas eleições, está provado que a ação política do governo tem superado o jogo eleitoral da imprensa, mas não de uma forma absoluta.
Quais seriam essas variáveis?
Por exemplo, ações do governo que atingem diretamente o cidadão e melhoram sua condição de vida.
O Bolsa Família (programa de transferência de renda do governo federal), por exemplo?
Bolsa Família, projetos urbanos de habitação, de transporte. O Bolsa Família talvez seja o principal. Eles atingem de forma tão direta o cidadão que, por mais que a imprensa tome posição contrária, não consegue mudar a tendência de voto. Agora, não que isso seja absoluto. Nas eleições de 2006, a ação da imprensa foi decisiva para levar o candidato Geraldo Alckmin para o segundo turno. No final do primeiro turno, quando se previa uma vitória de Lula, a ação concentrada dos meios de comunicação a favor do candidato Geraldo Alckmin mudou o panorama. Não determinou a vitória dele, mas o levou ao segundo turno. A história do dossiê, que supostamente o PT teria comprado, colocada nas primeiras páginas dos jornais. Mas não foi só. Foi colocada no Jornal Nacional. Em outros momentos mais antigos, como no famoso debate Lula x Collor, foi decisiva a ação da televisão, editando o debate na véspera da eleição, mostrando que um dos candidatos tinha melhores condições e qualidade do que o outro. A ordem da Globo foi editar o debate com todos os momentos ruins de Lula e os minutos bons do Collor. Aquilo foi decisivo. Acho que a imprensa não define 100% um pleito, mas ela influi bastante.
O senhor acha que o eleitor brasileiro está preparado para fazer uma leitura crítica disso tudo?
Infelizmente, não. Temos no Brasil um processo de concentração da mídia que impede ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte estabelecer comparações, alternativas. Temos uma mídia praticamente homogênea. Então, isso dificulta muito o que chamamos de leitura crítica da comunicação. Há a possibilidade de estabelecer essa crítica de que você está falando ou nos bancos escolares, o que não existe, ou então através de outro leque de opções de meios de comunicação, que deem a possibilidade de você perceber que um trata a política de um jeito e outro, de outro jeito. Aí, você pode fazer escolha crítica. No Brasil, não existe isso. Há uma situação quase que homogênea dos veículos, então, o telespectador, o leitor, o ouvinte têm dificuldade para fazer a crítica.
Isso, de certa forma, não compromete o processo democrático?
Sem dúvida. Tenho convicção de que, enquanto não tivermos uma redefinição do quadro de comunicação no Brasil, uma legislação, por exemplo, no caso do rádio e da TV, que estabeleça critérios mais rígidos, não para censurar, mas para aumentar a diversidade. No caso dos meios impressos, que se tenha mais atores nesse processo, jornais de outras tendências, enquanto não tivermos isso, nós não teremos completado o processo democrático. A democracia continuará meio capenga.
Para o senhor, a internet pode ser um instrumento nesse processo, uma vez que ela abre espaço para o debate?
Ela já é uma alternativa. Só que é muito restrita no Brasil. Às vezes, as pessoas acham, porque é na classe média onde os formadores de opinião circulam, que toda a população está sendo beneficiada pela internet. A internet só atinge, hoje, 18% da população brasileira. É uma parcela muito pequena. Ainda vai demorar um bom tempo para a democratização dela, 18% é o acesso domiciliar à internet, e não são 100% que têm acesso à banda larga. Acho que, no Brasil, a internet é um instrumento de democratização, mas ainda limitado a uma parcela pequena da sociedade.
“A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando”, afirma. Categórico, ele diz que a mídia brasileira esconde sua posição política. “É praticamente impossível a isenção total”, dispara.
Leal defende que a mesma postura adotada por outros países seja incorporada pelos veículos impressos daqui, para evitar que gatos e lebres sejam colocados em um balaio comum. “É o caminho mais honesto. Do contrário, você acaba enganando o leitor com a suposta imparcialidade que, na verdade, não existe”.
Terra Magazine: Como o senhor avalia a atual cobertura eleitoral feita pela mídia? Na sua opinião, os candidatos são retratados com equilíbrio?
Laurindo Leal Filho: Não. A mídia, de uma maneira geral, não só no Brasil, mas em todos os países mais desenvolvidos, sempre assume uma posição, principalmente, nos pleitos majoritários, como é o caso de uma eleição para presidente da República. É praticamente impossível a isenção total. Os meios de comunicação, na maioria dos países, não têm nenhuma preocupação com isso. A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando. Isso não quer dizer que vão fazer uma cobertura distorcida do pleito. Eles não escondem que têm preferência por esse ou aquele candidato. Isso, na França, na Inglaterra, é muito comum. Os jornais acompanham uma determinada tendência política, e o leitor sabe disso.
Estabelece-se uma relação mais franca com o leitor…
Infelizmente, no Brasil, alguns jornais ou a maioria deles anuncia que é independente, equidistante dos candidatos, mas, na verdade, acabam exercendo isso, que é muito ruim. Acabam escondendo do leitor a sua posição política. Acho que duas honrosas exceções no Brasil, na mídia impressa, são o Jornal O Estado de S.Paulo – que, nas duas últimas eleições, tem apoiado os candidatos do PSDB explicitamente – e a revista Carta Capital, que tem apoiado os candidatos do PT.
O senhor acredita que esse deveria ser o caminho adotado pela mídia impressa de maneira geral?
É o caminho mais honesto. Do contrário, você acaba enganando o leitor com a suposta imparcialidade que, na verdade, não existe. Basta ver o que os jornais já estão fazendo hoje nesta eleição, com posições claramente a favor do candidato da oposição. Os três grandes jornais brasileiros, Globo, Folha (de São Paulo) e Estado (de São Paulo) estão nitidamente se colocando a favor do candidato da oposição. E as revistas semanais, com exceção da Carta Capital, também. Especialmente, a Veja. Claramente, estão fazendo uma cobertura da cena política brasileira muito favorável à oposição.
Para o senhor, isso torna a disputa desleal?
Contribui. No Brasil, é pior ainda, porque os jornais impressos têm uma abrangência de cobertura relativamente pequena em relação à população, mas eles acabam pautando o rádio e a televisão. Estes, sim, atingem, praticamente, toda a população brasileira. Acompanham essa tendência não só por serem pautados nas suas linhas editoriais, nas suas coberturas, pelos grandes jornais, mas por também assumirem as candidaturas da oposição. Estou falando das grandes redes, o que é pior, porque se trata de uma ação ilegal. A televisão e o rádio são concessões públicas, diferente da mídia impressa, que são empresas particulares. São concessões públicas que estão usando o espaço público para interesses privados, que são os interesses políticos em relação a determinados candidatos. Então, eu acho que, para responder claramente, há uma distorção do processo eleitoral brasileiro no que diz respeito à cobertura da imprensa. Jornais impressos e revistas deveriam claramente divulgar para o leitor qual é a sua posição, e o rádio e a televisão deveriam se abster de fazer esse tipo de opção. Deveriam buscar o máximo possível a insenção, coisa que não fazem.
Na sua opinião, a imprensa tem o poder de eleger um candidato?
Não tem poder absoluto, porque se defronta com outras variáveis, mas contribui. Em outros momentos, a imprensa já teve mais força. Hoje, no caso específico das últimas eleições, está provado que a ação política do governo tem superado o jogo eleitoral da imprensa, mas não de uma forma absoluta.
Quais seriam essas variáveis?
Por exemplo, ações do governo que atingem diretamente o cidadão e melhoram sua condição de vida.
O Bolsa Família (programa de transferência de renda do governo federal), por exemplo?
Bolsa Família, projetos urbanos de habitação, de transporte. O Bolsa Família talvez seja o principal. Eles atingem de forma tão direta o cidadão que, por mais que a imprensa tome posição contrária, não consegue mudar a tendência de voto. Agora, não que isso seja absoluto. Nas eleições de 2006, a ação da imprensa foi decisiva para levar o candidato Geraldo Alckmin para o segundo turno. No final do primeiro turno, quando se previa uma vitória de Lula, a ação concentrada dos meios de comunicação a favor do candidato Geraldo Alckmin mudou o panorama. Não determinou a vitória dele, mas o levou ao segundo turno. A história do dossiê, que supostamente o PT teria comprado, colocada nas primeiras páginas dos jornais. Mas não foi só. Foi colocada no Jornal Nacional. Em outros momentos mais antigos, como no famoso debate Lula x Collor, foi decisiva a ação da televisão, editando o debate na véspera da eleição, mostrando que um dos candidatos tinha melhores condições e qualidade do que o outro. A ordem da Globo foi editar o debate com todos os momentos ruins de Lula e os minutos bons do Collor. Aquilo foi decisivo. Acho que a imprensa não define 100% um pleito, mas ela influi bastante.
O senhor acha que o eleitor brasileiro está preparado para fazer uma leitura crítica disso tudo?
Infelizmente, não. Temos no Brasil um processo de concentração da mídia que impede ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte estabelecer comparações, alternativas. Temos uma mídia praticamente homogênea. Então, isso dificulta muito o que chamamos de leitura crítica da comunicação. Há a possibilidade de estabelecer essa crítica de que você está falando ou nos bancos escolares, o que não existe, ou então através de outro leque de opções de meios de comunicação, que deem a possibilidade de você perceber que um trata a política de um jeito e outro, de outro jeito. Aí, você pode fazer escolha crítica. No Brasil, não existe isso. Há uma situação quase que homogênea dos veículos, então, o telespectador, o leitor, o ouvinte têm dificuldade para fazer a crítica.
Isso, de certa forma, não compromete o processo democrático?
Sem dúvida. Tenho convicção de que, enquanto não tivermos uma redefinição do quadro de comunicação no Brasil, uma legislação, por exemplo, no caso do rádio e da TV, que estabeleça critérios mais rígidos, não para censurar, mas para aumentar a diversidade. No caso dos meios impressos, que se tenha mais atores nesse processo, jornais de outras tendências, enquanto não tivermos isso, nós não teremos completado o processo democrático. A democracia continuará meio capenga.
Para o senhor, a internet pode ser um instrumento nesse processo, uma vez que ela abre espaço para o debate?
Ela já é uma alternativa. Só que é muito restrita no Brasil. Às vezes, as pessoas acham, porque é na classe média onde os formadores de opinião circulam, que toda a população está sendo beneficiada pela internet. A internet só atinge, hoje, 18% da população brasileira. É uma parcela muito pequena. Ainda vai demorar um bom tempo para a democratização dela, 18% é o acesso domiciliar à internet, e não são 100% que têm acesso à banda larga. Acho que, no Brasil, a internet é um instrumento de democratização, mas ainda limitado a uma parcela pequena da sociedade.
TV Globo, o clip do Serra e os ingênuos
O clima é de velório na TV Globo! Em menos de 24 horas, a poderosa emissora foi obrigada a retirar do ar um comercial comemorativo dos seus 45 anos que custou uma fortuna envolvendo vários artistas e milionária produção. O clip parecia uma peça publicitária do presidenciável demotucano José Serra. Utilizava um bordão semelhante ao da sua campanha, O Brasil pode mais, com as estrelas globais em coro implorando todos queremos mais, e trazia em destaque o número 45, o mesmo da legenda do PSDB inclusive com uma fonte de letra bastante similar.
O ousado e descarado comercial gerou uma imediata onda de indignação na globosfera. Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma Rousseff na internet, acusou a TV Globo de fazer propaganda subliminar do adversário. Eu e toda a rede vimos essa alusão, disparou em seu twitter. Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, do acessado blog Conversa Afiada, exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) averiguasse a possibilidade de crime eleitoral promovido pela emissora. O clip pró Serra foi exibido com críticas em centenas de sítios e blogs.
Desculpa esfarrapada e risível
Diante do levante dos internautas, a emissora colocou o rabinho entre as pernas e retirou o vídeo das telinhas e do seu próprio sitio. Quem clica na página recebe a curta mensagem: página não encontrada. Numa nota lacônica, a Central Globo de Comunicação ainda tentou justificar a feia pisada na bola. Afirmou que o filme foi criado em novembro de 2009, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans, e informou: Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.
A desculpa é das mais esfarrapadas e risíveis. Será que o candidato tucano, após reunião secreta no Jardim Botânico, roubou o mote do comercial comemorativo de TV Globo? Seria mais um crime de plágio, tão comum a Serra. Ou foi a emissora que aproveitou o lema de campanha da oposição para fazer propaganda antecipada? Seria um nítido crime eleitoral. Ou as duas hipóteses? Os vínculos políticos entre Serra e a famíglia Marinho são antigos e notórios. A TV Globo teria todo o tempo hábil para cancelar o clip e evitar o vexame, mas preferiu apostar no seu prestígio.
Uma emissora tendenciosa e cínica
Quanto a ser tachada de tendenciosa, como afirma a risível nota, isto não é uma acusação, mas sim um fato comprovado pela história. A TV Globo tentou fraudar a vitória de Leonel Brizola nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982. A TV Globo escondeu as manifestações das Diretas-já, tratando um gigantesco ato em São Paulo como uma festa de aniversário da cidade. A TV Globo forjou a imagem do caçador de marajás para garantir a vitória de Collor de Mello em 1989. A TV Globo criminaliza os movimentos sociais, tratando-os como caso de polícia, e faz de tudo para desestabilizar o governo Lula inclusive apostando no seu impeachment.
Mais recentemente, a TV Globo foi a principal patrocinadora do seminário da Casa Millenium, que reuniu os barões da mídia com o objetivo explícito de traçar uma tática unitária para derrotar Dilma Rousseff. Os astros globais, como Arnaldo Jabor, Willian Waack e outros, foram os mais hidrófobos nos ataques à candidata que representa a continuidade do projeto do governo Lula. O clip pró Serra talvez tenha sido uma das peças da TV Globo para a batalha sucessória. Mas a poderosa emissora, que se acha um semideus, acabou se dando mal e pagou um baita mico.
Foi sem querer, querendo
Este episódio grotesco traz várias lições. Por um lado, comprova que a batalha eleitoral deste ano será das mais sujas e ardilosas e confirma que os principais meios de comunicação já escolheram o seu lado e não vacilarão na campanha. Não dá para ser ingênuo ou alimentar qualquer ilusão na pretensa neutralidade da mídia. Por outro, ele mostra que a sociedade está mais atenta diante das manipulações e indica que a internet terá maior influência e será uma arma poderosa neste pleito, ajudando a fiscalizar as sujeiras e manobras dos barões da mídia.
Para Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, o interessante é que o recuo da Globo mostra que eles temem a internet. Foi pela internet que se deu o alarme contra a propaganda descarada para o Serra. A Veja pode se dar ao luxo de cair no gueto da extrema-direita. .. A Folha e o Estadão também podem cair no gueto. Já caíram. Mas a TV Globo, não. Ela fala para milhões. Se ficar colada à imagem dela o rótulo de antipopular, o estrago será enorme. A Globo a essa altura do século 21 precisa agir com um pouco mais de cautela. Vai fazer campanha para o Serra, não resta dúvida. Mas sempre que isso ficar escancarado, ela vai recuar e dizer: foi sem querer, querendo.
O ousado e descarado comercial gerou uma imediata onda de indignação na globosfera. Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma Rousseff na internet, acusou a TV Globo de fazer propaganda subliminar do adversário. Eu e toda a rede vimos essa alusão, disparou em seu twitter. Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, do acessado blog Conversa Afiada, exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) averiguasse a possibilidade de crime eleitoral promovido pela emissora. O clip pró Serra foi exibido com críticas em centenas de sítios e blogs.
Desculpa esfarrapada e risível
Diante do levante dos internautas, a emissora colocou o rabinho entre as pernas e retirou o vídeo das telinhas e do seu próprio sitio. Quem clica na página recebe a curta mensagem: página não encontrada. Numa nota lacônica, a Central Globo de Comunicação ainda tentou justificar a feia pisada na bola. Afirmou que o filme foi criado em novembro de 2009, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans, e informou: Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.
A desculpa é das mais esfarrapadas e risíveis. Será que o candidato tucano, após reunião secreta no Jardim Botânico, roubou o mote do comercial comemorativo de TV Globo? Seria mais um crime de plágio, tão comum a Serra. Ou foi a emissora que aproveitou o lema de campanha da oposição para fazer propaganda antecipada? Seria um nítido crime eleitoral. Ou as duas hipóteses? Os vínculos políticos entre Serra e a famíglia Marinho são antigos e notórios. A TV Globo teria todo o tempo hábil para cancelar o clip e evitar o vexame, mas preferiu apostar no seu prestígio.
Uma emissora tendenciosa e cínica
Quanto a ser tachada de tendenciosa, como afirma a risível nota, isto não é uma acusação, mas sim um fato comprovado pela história. A TV Globo tentou fraudar a vitória de Leonel Brizola nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982. A TV Globo escondeu as manifestações das Diretas-já, tratando um gigantesco ato em São Paulo como uma festa de aniversário da cidade. A TV Globo forjou a imagem do caçador de marajás para garantir a vitória de Collor de Mello em 1989. A TV Globo criminaliza os movimentos sociais, tratando-os como caso de polícia, e faz de tudo para desestabilizar o governo Lula inclusive apostando no seu impeachment.
Mais recentemente, a TV Globo foi a principal patrocinadora do seminário da Casa Millenium, que reuniu os barões da mídia com o objetivo explícito de traçar uma tática unitária para derrotar Dilma Rousseff. Os astros globais, como Arnaldo Jabor, Willian Waack e outros, foram os mais hidrófobos nos ataques à candidata que representa a continuidade do projeto do governo Lula. O clip pró Serra talvez tenha sido uma das peças da TV Globo para a batalha sucessória. Mas a poderosa emissora, que se acha um semideus, acabou se dando mal e pagou um baita mico.
Foi sem querer, querendo
Este episódio grotesco traz várias lições. Por um lado, comprova que a batalha eleitoral deste ano será das mais sujas e ardilosas e confirma que os principais meios de comunicação já escolheram o seu lado e não vacilarão na campanha. Não dá para ser ingênuo ou alimentar qualquer ilusão na pretensa neutralidade da mídia. Por outro, ele mostra que a sociedade está mais atenta diante das manipulações e indica que a internet terá maior influência e será uma arma poderosa neste pleito, ajudando a fiscalizar as sujeiras e manobras dos barões da mídia.
Para Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, o interessante é que o recuo da Globo mostra que eles temem a internet. Foi pela internet que se deu o alarme contra a propaganda descarada para o Serra. A Veja pode se dar ao luxo de cair no gueto da extrema-direita. .. A Folha e o Estadão também podem cair no gueto. Já caíram. Mas a TV Globo, não. Ela fala para milhões. Se ficar colada à imagem dela o rótulo de antipopular, o estrago será enorme. A Globo a essa altura do século 21 precisa agir com um pouco mais de cautela. Vai fazer campanha para o Serra, não resta dúvida. Mas sempre que isso ficar escancarado, ela vai recuar e dizer: foi sem querer, querendo.
A IDADE MENDES

Saída pela direita
No fim das contas, a função primordial do ministro Gilmar Mendes à frente do Supremo Tribunal Federal foi a de produzir noticiário e manchetes para a falange conservadora que tomou conta de grande parte dos veículos de comunicação do Brasil. De forma premeditada e com muita astúcia, Mendes conseguiu fazer com que a velha mídia nacional gravitasse em torno dele, apenas com a promessa de intervir, como de fato interveio, nas ações de governo que ameaçavam a rotina, o conforto e as atividades empresariais da nossa elite colonial. Nesse aspecto, os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, flagrado no mesmo crime que manteve o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda no cárcere por 60 dias, foram nada mais que um cartão de visitas. Mais relevante do que tudo foi a capacidade de Gilmar Mendes fixar na pauta e nos editoriais da velha mídia a tese quase infantil da existência de um Estado policialesco levado a cabo pela Polícia Federal e, com isso, justificar, dali para frente, a mais temerária das gestões da Suprema Corte do País desde sua criação, há mais cem anos.
Num prazo de pouco menos de dois anos, Mendes politizou as ações do Judiciário pelo viés da extrema direita, coisa que não se viu nem durante a ditadura militar (1964-1985), época em que a Justiça andava de joelhos, mas dela não se exigia protagonismo algum. Assim, alinhou-se o ministro tanto aos interesses dos latifundiários, aos quais defende sem pudor algum, como aos dos torturadores do regime dos generais, ao se posicionar publicamente contra a revisão da Lei da Anistia, de cuja à apreciação no STF ele se esquivou, herança deixada a céu aberto para o novo presidente do tribunal, ministro Cezar Peluso. Para Mendes, tal revisão poderá levar o País a uma convulsão social. É uma tese tão sólida como o conto da escuta telefônica, fábula jornalística que teve o presidente do STF como personagem principal a dialogar canduras com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.
A farsa do grampo, publicada pela revista Veja e repercutida, em série, por veículos co-irmãos, serviu para derrubar o delegado Paulo Lacerda do comando da PF, com o auxílio luxuoso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se valeu de uma mentira para tal. E essa, não se enganem, foi a verdadeira missão a ser cumprida. Na aposentadoria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá tempo para refletir e registrar essa história amarga em suas memórias: o dia em que, chamado “às falas” por Gilmar Mendes, não só se submeteu como aceitou mandar para o degredo, em Portugal, o melhor e mais importante diretor geral que a Polícia Federal brasileira já teve. O fez para fugir de um enfrentamento necessário e, por isso mesmo, aceitou ser derrotado. Aliás, creio, a única verdadeira derrota do governo Lula foi exatamente a de abrir mão da política de combate permanente à corrupção desencadeada por Lacerda na PF para satisfazer os interesses de grupos vinculados às vontades de Gilmar Mendes.
O presidente do STF deu centenas de entrevistas sobre os mais diversos assuntos, sobretudo aqueles sobre os quais não poderia, como juiz, jamais se pronunciar fora dos autos. Essa é, inclusive, a mais grave distorção do sistema de escolha dos nomes ao STF, a de colocar não-juízes, como Mendes, na Suprema Corte, para julgar as grandes questões constitucionais da nação. Alheio ao cargo que ocupava (ou ciente até demais), o ministro versou sobre tudo e sobre todos. Deu força e fé pública a teses as mais conservadoras. Foi um arauto dos fazendeiros, dos banqueiros, da guarda pretoriana da ditadura militar e da velha mídia. Em troca, colheu farto material favorável a ele no noticiário, um relicário de elogios e textos laudatórios sobre sua luta contra o Estado policial, os juízes de primeira instância, o Ministério Público e os movimentos sociais, entre outros moinhos de vento vendidos nos jornais como inimigos da democracia.
Na imprensa nacional, apenas CartaCapital, por meio de duas reportagens (“O empresário Gilmar” e “Nos rincões de Mendes”), teve coragem de se contrapor ao culto à personalidade de Mendes instalado nas redações brasileiras como regra de jornalismo. Por essa razão, somos, eu e a revista, processados pelo ministro. Acusa-nos, o magistrado, de má fé ao divulgar os dados contábeis do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma academia de cursinhos jurídicos da qual Mendes é sócio. Trata-se de instituição construída com dinheiro do Banco do Brasil, sobre terreno público praticamente doado pelo ex-governador do DF Joaquim Roriz e mantido às custas de contratos milionários fechados, sem licitação, com órgãos da União.
Assim, a figura de Gilmar Mendes, além de tudo, está inserida eternamente em um dos piores momentos do jornalismo brasileiro. E não apenas por ter sido o algoz do fim da obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão, mas, antes de tudo, por ter dado enorme visibilidade a maus jornalistas e, pior ainda, fazer deles, em algum momento, um exemplo servil de comportamento a ser seguido como condição primordial de crescimento na carreira. Foi dessa simbiose fatal que nasceu não apenas a farsa do grampo, mas toda a estrutura de comunicação e de relação com a imprensa do STF, no sombrio período da Idade Mendes.
Emblemática sobre essa relação foi uma nota do informe digital “Jornalistas & Companhia”, de abril de 2009, sobre o aniversário do publicitário Renato Parente, assessor de imprensa de Gilmar Mendes no STF (os grifos são originais):
“A festa de aniversário de 45 anos de Renato Parente, chefe do Serviço de Imprensa do STF (e que teve um papel importante na construção da TV Justiça, apontada como paradigma na área da tevê pública), realizada na tarde do último domingo (19/4), em Brasília, mostrou a importância que o Judiciário tem hoje no cenário nacional. Estiveram presentes, entre outros, a diretora da Globo, Sílvia Faria, a colunista Mônica Bergamo, e o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, entre outros.”
Olha, quando festa de aniversário de assessor de imprensa serve para mostrar a importância do Poder Judiciário, é sinal de que há algo muito errado com a instituição. Essa relação de Renato Parente com celebridades da mídia é, em todos os sentidos, o pior sintoma da doença incestuosa que obriga jornalistas de boa e má reputação a se misturarem, em Brasília, em cerimônias de beija-mão de caráter duvidoso. Foi, como se sabe, um convescote de sintonia editorial. Renato Parente é o chefe da assessoria que, em março de 2009, em nome de Gilmar Mendes, chamou o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), às falas, para que um debate da TV Câmara fosse retirado do ar e da internet. Motivo: eu critiquei o posicionamento do presidente do STF sobre a Operação Satiagraha e fiz justiça ao trabalho do delegado federal Protógenes Queiroz, além de citar a coragem do juiz Fausto De Sanctis ao mandar prender, por duas vezes, o banqueiro Daniel Dantas.
Certamente em consonância com o “paradigma na área de tevê pública” da TV Justiça tocada por Renato Parente, a censura na Câmara foi feita com a conivência de um jornalista, Beto Seabra, diretor da TV Câmara, que ainda foi mais além: anunciou que as pautas do programa “Comitê de Imprensa”, a partir dali, seriam monitoradas. Um vexame total. Denunciei em carta aberta aos jornalistas e em todas as instâncias corporativas (sindicatos, Fenaj e ABI) o ato de censura e, com a ajuda de diversos blogs, consegui expor aquela infâmia, até que, cobrada publicamente, a TV Câmara foi obrigada a capitular e recolocar o programa no ar, ao menos na internet. Foi uma das grandes vitórias da blogosfera, até então, haja vista nem um único jornal, rádio ou emissora de tevê, mesmo diante de um gravíssimo caso de censura e restrição de liberdade de expressão e imprensa, ter tido coragem de tratar do assunto. No particular, no entanto, recebi centenas de e-mails e telefonemas de solidariedade de jornalistas de todo o país.
Não deixa de ser irônico que, às vésperas de deixar a presidência do STF, Gilmar Mendes tenha sido obrigado, na certa, inadvertidamente, a se submeter ao constrangimento de ver sua gestão resumida ao caso Daniel Dantas, durante entrevista no youtube. Como foi administrada pelo Google, e não pelo paradigma da TV Justiça, a sabatina acabou por destruir o resto de estratégia ainda imaginada por Mendes para tentar passar à história como o salvador da pátria ameaçada pelo Estado policial da PF. Ninguém sequer tocou nesse assunto, diga-se de passagem. As pessoas só queriam saber dos HCs a Daniel Dantas, do descrédito do Judiciário e da atuação dele e da família na política de Diamantino, terra natal dos Mendes, em Mato Grosso. Como último recurso, a assessoria do ministro ainda tentou tirar o vídeo de circulação, ao menos no site do STF, dentro do sofisticado e democrático paradigma de tevê pública bolado por Renato Parente.
Como derradeiro esforço, nos últimos dias de reinado, Mendes dedicou-se a dar entrevistas para tentar, ainda como estratégia, vincular o próprio nome aos bons resultados obtidos por ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), embora o mérito sequer tenha sido dele, mas de um juiz de carreira, Gilson Dipp. Ministro do Superior Tribunal de Justiça e corregedor do órgão, Dipp foi nomeado para o cargo pelo presidente Lula, longe da vontade de Gilmar Mendes. Graças ao ministro do STJ, foi feita a maior e mais importante devassa nos tribunais de Justiça do Brasil, até então antros estaduais intocáveis comandados, em muitos casos, por verdadeiras quadrilhas de toga.
É de Gilson Dipp, portanto, e não de Gilmar Mendes, o verdadeiro registro moralizador do Judiciário desse período, a Idade Mendes, de resto, de triste memória nacional.
Mas que, felizmente, encerrou-se.
Tucanos idiotas:Registros do Sensus encaminhados ao TSE refutam críticas do PSDB

Sergio Lirio
O PSDB anunciou dia 21 de abril que entraria com uma notícia-crime contra o instituto de pesquisas Sensus por supostas irregularidades no levantamento encomendado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de São Paulo, ligado à Força Sindical. A enquete mostrou um empate entre José Serra (32,7%) e Dilma Rousseff (32,4%). Os números divergem de pesquisas posteriores do Datafolha, que deu Serra dez pontos à frente (38% a 28%), e Ibope, onde o tucano aparece sete na dianteira (36% a 29%).
A análise dos registros feitos pelo Sensus no Tribunal Superior Eleitoral não permitem, porém, sustentar dois dos principais argumentos que baseiam as queixas do PSDB. Os tucanos dizem estranhar a discrepância no percentual de entrevistados que ganham até um salário mínimo. No levantamento do Sensus, acusa o PSDB, eles representariam 6% do total, quando na verdade são, pelos dados do IBGE, cerca de 18% do eleitorado. Os 6%, vê-se nos registros encaminhados ao TSE, dizem respeito à ponderação de uma outra pesquisa realizada pelo instituto sob encomenda da entidade empresarial Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística e realizada apenas no estado de Santa Catarina.
Suape é uma revolução em Pernambuco. O pernambucano quer voltar
“Aqui só não tem emprego quem não sai de casa.”
É a frase do Carlos, garçom do restaurante Beijupirá, de Porto de Galinhas, perto de Recife.
A meia hora dali fica Suape.
Suape é um porto e um distrito industrial de 14 mil hectares (o maior porto da Europa, Roterdã, tem 5 mil ha).
Tem 96 empresas.
20 plantas em construção.

A General Motors do Brasil também vai para lá.
São investimentos de US$ 20 bilhões, o que é igual a 28 anos de investimentos privados em Pernambuco.
Hoje, Suape emprega, diretamente, 30 mil pessoas.
Quase todos recrutados na região metropolitana de Recife – muitos, filhos de cortadores de cana e pescadores.
Suape será o destino de um ramal da Trans-Nordestina, o que se concretizará ano que vem.
(O outro será Pecém, no Ceará.)
No PAC2, Suape vai construir um terminal açucareiro, um novo terminal de containeres e um terminal de granéis sólidos.
A maior obra de Suape é a Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, em parceria com a PDVSA, da Venezuela.
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(Abreu e Lima foi um militar pernambucano que lutou ao lado de Simon Bolívar.)
A refinaria é a primeira que a Petrobrás constrói em 30 anos.
Ocupará 630 hectares, ou seja, o equivalente a 630 campos de futebol.
Vai produzir, em 2012, 22 mil barris de petróleo por dia.
Em 2010, a refinaria emprega 9 mil trabalhadores.
Custará US$ 13 bilhões.
Em torno da Abreu e Lima serão instaladas unidades para produzir matéria prima para um pólo de indústrias têxteis.
Em torno de Abreu e Lima vão trabalhar seis estaleiros.
E o Brasil voltará a ser um dos fortes produtores mundiais de navios: “a retomada da indústria naval acontece em Pernambuco”, diz Inaldo Campelo, diretor de gestão de Suape.

Dia 3 de maio, o presidente Lula vai lançar ao mar o primeiro deles.
O estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e da Samsung tem 22 embarcações contratadas, mais o casco da plataforma P-55.
92% dos funcionários do Atlântico Sul são pernambucanos.
A Bunge tem em Suape o maior moinho da América do Sul.
Suape tem a ambição de ser um centro produtor de plataformas e sondas para atender à demanda do Pré-Sal.
Suape permitirá que um navio chegue em 7 dias ao porto de Nova York, e, em 9 dias, a Roterdã.
Num raio de 800 km, Suape atinge 7 capitais do Nordeste, que representam 90% do PIB nordestino.
O governador Eduardo Campos criou doze escolas técnicas em doze micro-regiões de Pernambuco.
Uma delas fica em Suape, que já qualificou 3.800 jovens.
Tem um SENAI dentro de Suape.
O Hospital D. Helder Câmara está em construção.
O sistema de transportes integrará ao sistema de metrô e de transporte de toda a região de Recife.
O Governo de Pernambuco não quer reproduzir Camaçari, na Bahia, onde, ao lado de um complexo petroquímico, houve favelização.
Eduardo Campos criou 5 universidades e um Centro de Pesquisa Nuclear.
Eduardo Campos criou também um Centro Fármaco-Químico.
Uma Cidade Digital já existe nas instalações do antigo porto de Recife, com mais de cem empresas.
Suape vai recuperar a casa grande do engenho Massangana, onde viveu Joaquim Nabuco.

Em 2009, o PIB de Pernambuco cresceu 3,8%, enquanto o do Brasil caiu 0,2%.
Pernambuco, sob Eduardo Campos, cresceu muito acima da média brasileira.
É uma China dentro do Brasil.
É a nova locomotiva do Brasil.
“Enquanto pernambucano, devemos tirar o chapéu para o Lula. Ele ajuda não só Pernambuco, mas o Brasil. Muitos pernambucanos já estão voltando, ” disse Campelo.
Eduardo Campos tem 43 anos.
Ele dá de 10 a 0 no José Serra, o “economista competente” que não é um nem outro.
Segundo o pernambucano Fernando Lyra, Eduardo Campos será presidente do Brasil.
É a frase do Carlos, garçom do restaurante Beijupirá, de Porto de Galinhas, perto de Recife.
A meia hora dali fica Suape.
Suape é um porto e um distrito industrial de 14 mil hectares (o maior porto da Europa, Roterdã, tem 5 mil ha).
Tem 96 empresas.
20 plantas em construção.

A General Motors do Brasil também vai para lá.
São investimentos de US$ 20 bilhões, o que é igual a 28 anos de investimentos privados em Pernambuco.
Hoje, Suape emprega, diretamente, 30 mil pessoas.
Quase todos recrutados na região metropolitana de Recife – muitos, filhos de cortadores de cana e pescadores.
Suape será o destino de um ramal da Trans-Nordestina, o que se concretizará ano que vem.
(O outro será Pecém, no Ceará.)
No PAC2, Suape vai construir um terminal açucareiro, um novo terminal de containeres e um terminal de granéis sólidos.
A maior obra de Suape é a Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, em parceria com a PDVSA, da Venezuela.
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(Abreu e Lima foi um militar pernambucano que lutou ao lado de Simon Bolívar.)
A refinaria é a primeira que a Petrobrás constrói em 30 anos.
Ocupará 630 hectares, ou seja, o equivalente a 630 campos de futebol.
Vai produzir, em 2012, 22 mil barris de petróleo por dia.
Em 2010, a refinaria emprega 9 mil trabalhadores.
Custará US$ 13 bilhões.
Em torno da Abreu e Lima serão instaladas unidades para produzir matéria prima para um pólo de indústrias têxteis.
Em torno de Abreu e Lima vão trabalhar seis estaleiros.
E o Brasil voltará a ser um dos fortes produtores mundiais de navios: “a retomada da indústria naval acontece em Pernambuco”, diz Inaldo Campelo, diretor de gestão de Suape.

Dia 3 de maio, o presidente Lula vai lançar ao mar o primeiro deles.
O estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e da Samsung tem 22 embarcações contratadas, mais o casco da plataforma P-55.
92% dos funcionários do Atlântico Sul são pernambucanos.
A Bunge tem em Suape o maior moinho da América do Sul.
Suape tem a ambição de ser um centro produtor de plataformas e sondas para atender à demanda do Pré-Sal.
Suape permitirá que um navio chegue em 7 dias ao porto de Nova York, e, em 9 dias, a Roterdã.
Num raio de 800 km, Suape atinge 7 capitais do Nordeste, que representam 90% do PIB nordestino.
O governador Eduardo Campos criou doze escolas técnicas em doze micro-regiões de Pernambuco.
Uma delas fica em Suape, que já qualificou 3.800 jovens.
Tem um SENAI dentro de Suape.
O Hospital D. Helder Câmara está em construção.
O sistema de transportes integrará ao sistema de metrô e de transporte de toda a região de Recife.
O Governo de Pernambuco não quer reproduzir Camaçari, na Bahia, onde, ao lado de um complexo petroquímico, houve favelização.
Eduardo Campos criou 5 universidades e um Centro de Pesquisa Nuclear.
Eduardo Campos criou também um Centro Fármaco-Químico.
Uma Cidade Digital já existe nas instalações do antigo porto de Recife, com mais de cem empresas.
Suape vai recuperar a casa grande do engenho Massangana, onde viveu Joaquim Nabuco.

Em 2009, o PIB de Pernambuco cresceu 3,8%, enquanto o do Brasil caiu 0,2%.
Pernambuco, sob Eduardo Campos, cresceu muito acima da média brasileira.
É uma China dentro do Brasil.
É a nova locomotiva do Brasil.
“Enquanto pernambucano, devemos tirar o chapéu para o Lula. Ele ajuda não só Pernambuco, mas o Brasil. Muitos pernambucanos já estão voltando, ” disse Campelo.
Eduardo Campos tem 43 anos.
Ele dá de 10 a 0 no José Serra, o “economista competente” que não é um nem outro.
Segundo o pernambucano Fernando Lyra, Eduardo Campos será presidente do Brasil.
PRESIDENGUE
Serra saiu do armário em Minas e prometeu desmontar o legado de Lula. Disse o seguinte o candidato do conservadorismo nativo :
a] o PAC não existe –‘é uma lista de obras’-- logo, não será continuado;
b] todos os contratos federais assinados durante o governo Lula serão revistos, logo, vai paralisar o Estado e o país;
c] o Mercosul só atrapalha; logo, vai desmontar a política externa que mudou a inserção subordinada e dependente do país herdada de FHC;
d] criticou a Funasa atual, logo, vai repetir o que fez quando foi ministro da Saúde de FHC, entre 1998 a 2002. E o que fez condensa em ponto pequeno o que promete agora repetir em escala amplificada, se for eleito.
Recuerdos pedagógicos: I) Serra assumiu o ministério em 31 de março de 1998, em meio a uma epidemia de dengue; prometeu uma guerra das forças da saúde contra a doença;
II) iniciou então o desmonte que ameaça agora repetir;
III) primeiro, ignorou as linhas de ação e planos iniciados por seu antecessor, o médico Adib Jatene;
IV) em nome de uma descentralização atabalhoada, transferiu responsabilidades da FUNASA, Fundação Nacional de Saúde, o órgão executivo do ministério, para prefeituras despreparadas e sem sincronia na ação;
IV) em junho de 1999, Serra demitiu 5.792 agentes sanitários contratados pela FUNASA em regime temporário, acelerando o desmonte do órgão, em sintonia com a agenda do Estado mínimo;
V) um mês depois, em 1º de julho de 1999, o procurador da República Rogério Nascimento pediu à Justiça o adiamento da dispensa dos 5.792 mata-mosquitos até que as prefeituras pudessem treinar pessoal; pedido ignorado por Serra.
VI) Em 5 de agosto de 1999, num despacho do processo dos mata-mosquitos, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira escreveu: "Estamos diante de uma situação de consequências catastróficas, haja vista a iminente ocorrência de dengue hemorrágica".
VI) o epidemiologista Roberto Medronho, diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, completaria: ‘"A descentralização da saúde não foi feita de forma bem planejada. O afastamento dos mata-mosquitos no Rio foi uma atitude irresponsável”
VII) em abril de 2001, a Coordenação de Dengue do município do Rio previu uma epidemia no verão de 2002 com grande incidência de febre hemorrágica. A sugestão: contratar 1.500 agentes e comprar mais equipamentos de emergência; foi ignorada por Serra.
VIII) O ano de 2001 foi o primeiro em que os mata-mosquitos da Funasa, dispensados por Serra não atuaram . A dengue, então, voltou de forma fulminante no Rio: 68.438 pessoas infectadas, mais que o dobro das 32.382 de 1998, quando Serra assumiu o ministério.
IX) em 2002, já candidato contra Lula, Serra era ovacionado em vários pontos do país aos gritos de 'Presidengue !'. Justa homenagem a sua devastadora atuação na saúde pública
a] o PAC não existe –‘é uma lista de obras’-- logo, não será continuado;
b] todos os contratos federais assinados durante o governo Lula serão revistos, logo, vai paralisar o Estado e o país;
c] o Mercosul só atrapalha; logo, vai desmontar a política externa que mudou a inserção subordinada e dependente do país herdada de FHC;
d] criticou a Funasa atual, logo, vai repetir o que fez quando foi ministro da Saúde de FHC, entre 1998 a 2002. E o que fez condensa em ponto pequeno o que promete agora repetir em escala amplificada, se for eleito.
Recuerdos pedagógicos: I) Serra assumiu o ministério em 31 de março de 1998, em meio a uma epidemia de dengue; prometeu uma guerra das forças da saúde contra a doença;
II) iniciou então o desmonte que ameaça agora repetir;
III) primeiro, ignorou as linhas de ação e planos iniciados por seu antecessor, o médico Adib Jatene;
IV) em nome de uma descentralização atabalhoada, transferiu responsabilidades da FUNASA, Fundação Nacional de Saúde, o órgão executivo do ministério, para prefeituras despreparadas e sem sincronia na ação;
IV) em junho de 1999, Serra demitiu 5.792 agentes sanitários contratados pela FUNASA em regime temporário, acelerando o desmonte do órgão, em sintonia com a agenda do Estado mínimo;
V) um mês depois, em 1º de julho de 1999, o procurador da República Rogério Nascimento pediu à Justiça o adiamento da dispensa dos 5.792 mata-mosquitos até que as prefeituras pudessem treinar pessoal; pedido ignorado por Serra.
VI) Em 5 de agosto de 1999, num despacho do processo dos mata-mosquitos, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira escreveu: "Estamos diante de uma situação de consequências catastróficas, haja vista a iminente ocorrência de dengue hemorrágica".
VI) o epidemiologista Roberto Medronho, diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, completaria: ‘"A descentralização da saúde não foi feita de forma bem planejada. O afastamento dos mata-mosquitos no Rio foi uma atitude irresponsável”
VII) em abril de 2001, a Coordenação de Dengue do município do Rio previu uma epidemia no verão de 2002 com grande incidência de febre hemorrágica. A sugestão: contratar 1.500 agentes e comprar mais equipamentos de emergência; foi ignorada por Serra.
VIII) O ano de 2001 foi o primeiro em que os mata-mosquitos da Funasa, dispensados por Serra não atuaram . A dengue, então, voltou de forma fulminante no Rio: 68.438 pessoas infectadas, mais que o dobro das 32.382 de 1998, quando Serra assumiu o ministério.
IX) em 2002, já candidato contra Lula, Serra era ovacionado em vários pontos do país aos gritos de 'Presidengue !'. Justa homenagem a sua devastadora atuação na saúde pública
A vitória da blogosfera

Um fato muito significativo aconteceu nesta semana sem que talvez as pessoas tenham se dado conta de sua real dimensão. A Rede Globo retirou do ar uma campanha pelos seus 45 anos, que mal fora lançada, por pressão da blogosfera que denunciou a peça como propagando para o candidato tucano José Serra.
É importantíssimo ressaltar que não houve ação judicial, que nenhum partido fez queixa formal à emissora, mas que a movimentação nas redes sociais foi tão forte que o império global se viu pressionado a voltar atrás. O episódio revelou o poder da internet e dos blogs, que já se contrapõem à grande mídia, aliada a José Serra, e têm uma velocidade impressionante para veicular as informações e transformá-las em fato político.
A pretexto dos seus 45 anos, a Globo apresentou no domingo à noite, no Fantástico, a peça preparada para a comemoração. A coincidência do 45 ser também o número do PSDB não poderia ser alegada, pois seria tachada de pueril teoria conspiratória. Mas o texto da propaganda reforçava abertamente o slogan da campanha de Serra, de que “O Brasil pode mais”.
A “sutileza” que procurava passar despercebida estava na voz dos artistas globais enfatizando que “todos queremos mais, educação, saúde, amor e paz. Brasil, muito mais”. Parecia plataforma política e era. Um ouvido mais atento captou a mensagem e a colocou na rede. O assunto cresceu como bola de neve e virou pauta jornalística. A Globo, procurada, precisou dar uma resposta.
Em nota oficial na tarde de segunda-feira, antes mesmo que a campanha completasse 24 horas no ar, a Globo anunciava que suspendia a exibição da propaganda para não dar pretexto de ser acusada de tendenciosa. Segundo consta, parece que alguns artistas também se queixaram à emissora ao perceberem que tinham sido usados para reforçar uma campanha política que desaprovam.
Deve ter pesado na decisão da Globo um histórico de manipulação política, iniciado pela tentativa de evitar a vitória de Leonel Brizola ao governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1982; reforçado na ocultação da campanha pelas eleições diretas, em 1983 e 1984, e consolidado com a famosa edição do debate entre Collor e Lula nas primeiras eleições pós-ditadura, em 1989.
Como principal conglomerado de comunicação do país, a Globo terá um papel importante na cobertura das eleições presidenciais e se já começasse mostrando as armas nem poderia invocar um verniz de neutralidade. A reação da sociedade foi um aviso importante à grande imprensa, que, como já disse a presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, representante da Folha de S.Paulo, faz o papel de oposição no país, já que a própria, coitadinha, “está profundamente fragilizada”.
Como perder uma eleição ganha
Este texto já foi escrito um bilhão de vezes por mim e por muitos outros, se me permitem o exagero. Trata da forma mais eficiente (sic) para um bom governante, extremamente popular e com seu povo vibrando de satisfação, conseguir perder uma eleição ganha simplesmente não fazendo a menor força para vencer.
Aliás, trata-se de um método de autofagia eleitoral que a ex-prefeita Marta Suplicy usou com enorme “competência” em sua campanha à prefeitura paulistana em 2008, dando minha cidade de presente para o boneco inflável do Serra enchê-la de água com excrementos até a tampa, entre outros danos que vem causando a São Paulo. Aliás, a obra kassabiana é o que tem feito sua popularidade mergulhar em queda livre.
A sorte da direita, porém, é a de que o paulista é o povo mais alienado da América Latina. Viajo por este país e por este continente há 30 anos e não conheço um povo mais inexplicável do que o do Estado e da cidade nos quais eu e minhas quatro ou cinco gerações de ascendentes vivemos. Só um povo assim para não se lembrar que quem lhe deu Kassab foi Serra.
Mas tudo isso seria contornável simplesmente porque São Paulo não é o Brasil e porque, além disso, um terço dessa enorme população tem miolos, de forma que a unidade federativa mais reacionária da América Latina pode conseguir eleger seus prefeitos e governadores reacionários o quanto quiser, mas está provado que não pode impedir o Brasil de ir para lado diametralmente oposto.
Só que, para usar essa brecha para impedir que o país caia de novo nas mãos dos vampiros tucanos e pefelês, seria preciso travar o debate político em todas as frentes, não aceitando que a parte da imprensa aliada do PSDB infrinja a lei eleitoral ao não abrir mão de denunciá-la no amplo espaço que o PT teve e que terá na TV, que é onde acontece a eleição.
No segundo turno de 2008, em vez de Marta Suplicy permitir que sua campanha desandasse para a baixaria ao atacar a vida privada de Kassab da mesma forma suja com que a ex-prefeita sempre foi atacada, ela poderia ter usado o horário eleitoral para pelo menos perder bonito, fazendo uma denúncia que o PT nunca ousou fazer na TV em campanhas eleitorais, de que este, aquele e aquele jornal, tevê, revista, rádio têm lado devido a motivos escusos.
Mas o PT tem medo. A Globo faz uma vinheta para Serra e põe no seu espaço comercial mais caro (o intervalo do Fantástico, no domingo) e fica por isso mesmo. Ou seja: apesar de ter recuado depois que, como relatou o blogueiro Ricardo Noblat, um de seus advogados recebeu um aviso do próximo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandovsky, a emissora de Serra fez seu trabalhinho sujo.
Dezenas de milhões de Homers Simpsons assistiram, no domingo passado à noite, a uma propaganda de Serra dizendo que o Brasil quer mais em resposta ao seu bordão de que o Brasil pode mais. Está feito, minha gente. Propaganda para um lado só. Foi uma só e foi só o que bastou.
O PT deveria ir à Justiça Eleitoral e pedir espaço no intervalo do Fantástico para pregar que concessões públicas não sejam usadas com fim eleitoral para um só dos candidatos. Deveria explicar que o espectro eletromagnético pertence a todos os brasileiros e não apenas aos eleitores de Serra, mesmo sendo eles os concessionários públicos.
Mas o mundo caiu sobre a cabeça do coordenador da campanha de Dilma na internet, Marcelo Branco, só por ele fazer uma observação no Twitter sobre o partidarismo descarado de uma vinheta televisiva em que até o logo da desculpa para ser feita, o dos 45 anos da Globo, usou fonte praticamente idêntica ao do logo do PSDB, e que aludiu sem parar ao bordão do Serra dizendo que o Brasil quer mais quando o tucano diz que ele pode mais – repetirei isso sem parar, também.
Em seguida, a mídia diz que Branco levou uma carraspana do PT por ter dito o que era preciso, por ter se contraposto a uma propaganda eleitoral absolutamente ilegal em favor de um dos pré-candidatos a presidente. É verdade? Dizem que não, que Branco foi, na verdade, efusivamente cumprimentado pelo PT. Que é mentira essa versão da mídia.
Só que quem cala, consente. Se é mentira que Branco foi advertido pelo PT por criticar a vinheta da Globo, advertência que a nota da coluna Painel da Folha desta quarta-feira diz que o publicitário recebeu, por que o partido não emite uma nota dizendo que o publicitário tem todo seu apoio pela crítica que fez?
Aliás, uma curiosidade: o PT pretendia aceitar aquele absurdo? Se Branco não tivesse chiado, o partido assistiria impassível àquela propaganda explícita de Serra, com logo igual ao do partido dele e dizendo que o Brasil quer mais depois de o pré-candidato do PSDB dizer que o Brasil pode mais? Será possível que os petistas não tiraram uma só lição de 2008?
Daí, alguns aloprados, desesperados pela falta de competência das lideranças petistas, inventam de jogar sujo questionando a sexualidade de uma pessoa ou comprando dossiês tentando vencer eleições perdidas. E quem é que paga o pato? Lula, Dilma, Marta... Ainda que, no caso da última, apesar de ser uma política com P maiúsculo, a ex-prefeita teve culpa no cartório em 2008, sim. Não vou tapar o sol com a peneira.
A militância petista está a um passo da desmobilização. O jornalista Mauro Carrara captou bem a situação em artigo amplamente reproduzido em blogs e sites pela internet e em listas de emails. Ele bem captou que estão transformando Dilma em Marta. É isso o que a direita faz com as mulheres na política, o que explica elas serem só dez por cento da classe política apesar de serem mais da metade da população brasileira.
Dilma tem tudo para ser eleita. O governo Lula é um sucesso. O povo quer sua continuidade. Contudo, começo a achar que o PT me subsidiará novo artigo igual a este que talvez eu tenha que escrever depois da eleição deste ano, um artigo que teria como título a frase “Como perder uma eleição ganha”.
por Eduardo Guimarães
Aliás, trata-se de um método de autofagia eleitoral que a ex-prefeita Marta Suplicy usou com enorme “competência” em sua campanha à prefeitura paulistana em 2008, dando minha cidade de presente para o boneco inflável do Serra enchê-la de água com excrementos até a tampa, entre outros danos que vem causando a São Paulo. Aliás, a obra kassabiana é o que tem feito sua popularidade mergulhar em queda livre.
A sorte da direita, porém, é a de que o paulista é o povo mais alienado da América Latina. Viajo por este país e por este continente há 30 anos e não conheço um povo mais inexplicável do que o do Estado e da cidade nos quais eu e minhas quatro ou cinco gerações de ascendentes vivemos. Só um povo assim para não se lembrar que quem lhe deu Kassab foi Serra.
Mas tudo isso seria contornável simplesmente porque São Paulo não é o Brasil e porque, além disso, um terço dessa enorme população tem miolos, de forma que a unidade federativa mais reacionária da América Latina pode conseguir eleger seus prefeitos e governadores reacionários o quanto quiser, mas está provado que não pode impedir o Brasil de ir para lado diametralmente oposto.
Só que, para usar essa brecha para impedir que o país caia de novo nas mãos dos vampiros tucanos e pefelês, seria preciso travar o debate político em todas as frentes, não aceitando que a parte da imprensa aliada do PSDB infrinja a lei eleitoral ao não abrir mão de denunciá-la no amplo espaço que o PT teve e que terá na TV, que é onde acontece a eleição.
No segundo turno de 2008, em vez de Marta Suplicy permitir que sua campanha desandasse para a baixaria ao atacar a vida privada de Kassab da mesma forma suja com que a ex-prefeita sempre foi atacada, ela poderia ter usado o horário eleitoral para pelo menos perder bonito, fazendo uma denúncia que o PT nunca ousou fazer na TV em campanhas eleitorais, de que este, aquele e aquele jornal, tevê, revista, rádio têm lado devido a motivos escusos.
Mas o PT tem medo. A Globo faz uma vinheta para Serra e põe no seu espaço comercial mais caro (o intervalo do Fantástico, no domingo) e fica por isso mesmo. Ou seja: apesar de ter recuado depois que, como relatou o blogueiro Ricardo Noblat, um de seus advogados recebeu um aviso do próximo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandovsky, a emissora de Serra fez seu trabalhinho sujo.
Dezenas de milhões de Homers Simpsons assistiram, no domingo passado à noite, a uma propaganda de Serra dizendo que o Brasil quer mais em resposta ao seu bordão de que o Brasil pode mais. Está feito, minha gente. Propaganda para um lado só. Foi uma só e foi só o que bastou.
O PT deveria ir à Justiça Eleitoral e pedir espaço no intervalo do Fantástico para pregar que concessões públicas não sejam usadas com fim eleitoral para um só dos candidatos. Deveria explicar que o espectro eletromagnético pertence a todos os brasileiros e não apenas aos eleitores de Serra, mesmo sendo eles os concessionários públicos.
Mas o mundo caiu sobre a cabeça do coordenador da campanha de Dilma na internet, Marcelo Branco, só por ele fazer uma observação no Twitter sobre o partidarismo descarado de uma vinheta televisiva em que até o logo da desculpa para ser feita, o dos 45 anos da Globo, usou fonte praticamente idêntica ao do logo do PSDB, e que aludiu sem parar ao bordão do Serra dizendo que o Brasil quer mais quando o tucano diz que ele pode mais – repetirei isso sem parar, também.
Em seguida, a mídia diz que Branco levou uma carraspana do PT por ter dito o que era preciso, por ter se contraposto a uma propaganda eleitoral absolutamente ilegal em favor de um dos pré-candidatos a presidente. É verdade? Dizem que não, que Branco foi, na verdade, efusivamente cumprimentado pelo PT. Que é mentira essa versão da mídia.
Só que quem cala, consente. Se é mentira que Branco foi advertido pelo PT por criticar a vinheta da Globo, advertência que a nota da coluna Painel da Folha desta quarta-feira diz que o publicitário recebeu, por que o partido não emite uma nota dizendo que o publicitário tem todo seu apoio pela crítica que fez?
Aliás, uma curiosidade: o PT pretendia aceitar aquele absurdo? Se Branco não tivesse chiado, o partido assistiria impassível àquela propaganda explícita de Serra, com logo igual ao do partido dele e dizendo que o Brasil quer mais depois de o pré-candidato do PSDB dizer que o Brasil pode mais? Será possível que os petistas não tiraram uma só lição de 2008?
Daí, alguns aloprados, desesperados pela falta de competência das lideranças petistas, inventam de jogar sujo questionando a sexualidade de uma pessoa ou comprando dossiês tentando vencer eleições perdidas. E quem é que paga o pato? Lula, Dilma, Marta... Ainda que, no caso da última, apesar de ser uma política com P maiúsculo, a ex-prefeita teve culpa no cartório em 2008, sim. Não vou tapar o sol com a peneira.
A militância petista está a um passo da desmobilização. O jornalista Mauro Carrara captou bem a situação em artigo amplamente reproduzido em blogs e sites pela internet e em listas de emails. Ele bem captou que estão transformando Dilma em Marta. É isso o que a direita faz com as mulheres na política, o que explica elas serem só dez por cento da classe política apesar de serem mais da metade da população brasileira.
Dilma tem tudo para ser eleita. O governo Lula é um sucesso. O povo quer sua continuidade. Contudo, começo a achar que o PT me subsidiará novo artigo igual a este que talvez eu tenha que escrever depois da eleição deste ano, um artigo que teria como título a frase “Como perder uma eleição ganha”.
por Eduardo Guimarães
Datafolha “explica” e se complica
O diretor do Datafolha, Marcos Paulino, tentou explicar, hoje, ao Terra Magazine, a desproporção regional das entrevistas que vários blogs – e o tijolaco.com – apontaram na pesquisa de março, aquela em que Serra “abriu” vantagem para Dilma.
-”Sempre que nós colhemos as amostras para ter um resultado também por Estado, há aumento no número de entrevistas”, afirmou. “Mas isso não significa que o resultado final não seja ponderado para que represente cada Estado”.
Então a explicação é essa? Falta, então, explicar:
1- Se o Datafolha registrou resultados por Estado, porque não os divulgou? São para consumo interno seu ou para o de alguma candidatura?
2- Porque não resistrou no TSE que estava fazendo uma pesquisa estadual?
3- Ponderação do resultado final? Amostra da amostra? Quando, numa pesquisa, você tem uma pequena discrepância no número de entrevistas, até vá lá, embora não seja o método correto quando você tem todo o tempo que quiser para pesquisar o número de questionários desejado. E a Folha não explicou nem aos leitores, como a Datafolha não registrou no TSE que as amostras regionais sofreriam esta “extrapolação”.
Onde está o Ministério Público Eleitoral? Há uma fraude confessada. A abrangência da pesquisa, segundo o registro no TSE, é nacional, não estadual. Onde estão os dados estaduais, que jamais foram publicados?
Se havia um dupla abrangência – estado ou estados – porque a pesquisa foi registrada no TSE apenas como de abrangência regional? A lei é só uma brincadeirinha?
Este escândalo não vai ter repercussão na mídia. Há um silêncio completo nos grandes jornais.
Depende de nós, da nossa mobilização evitar uma fraude contra o processo de formação de consciência do povo brasileiro.
Vocês acham que a Justiça Eleitoral ia tirar do ar o clipe pró-Serra da Globo. Foi mais fácil ela própria tirar, com a nossa pressão, que algum juiz ver o óbvio e tomar as providências. O PT não vai à Justiça com medo de parecer perdedor. O PSDB, por 1%, disso foi, contra a Sensus.
Estamos diante de um caso confesso de, no mínimo, irregularidades numa pesquisa. Vamos ficar parados?
por Brizola Neto
-”Sempre que nós colhemos as amostras para ter um resultado também por Estado, há aumento no número de entrevistas”, afirmou. “Mas isso não significa que o resultado final não seja ponderado para que represente cada Estado”.
Então a explicação é essa? Falta, então, explicar:
1- Se o Datafolha registrou resultados por Estado, porque não os divulgou? São para consumo interno seu ou para o de alguma candidatura?
2- Porque não resistrou no TSE que estava fazendo uma pesquisa estadual?
3- Ponderação do resultado final? Amostra da amostra? Quando, numa pesquisa, você tem uma pequena discrepância no número de entrevistas, até vá lá, embora não seja o método correto quando você tem todo o tempo que quiser para pesquisar o número de questionários desejado. E a Folha não explicou nem aos leitores, como a Datafolha não registrou no TSE que as amostras regionais sofreriam esta “extrapolação”.
Onde está o Ministério Público Eleitoral? Há uma fraude confessada. A abrangência da pesquisa, segundo o registro no TSE, é nacional, não estadual. Onde estão os dados estaduais, que jamais foram publicados?
Se havia um dupla abrangência – estado ou estados – porque a pesquisa foi registrada no TSE apenas como de abrangência regional? A lei é só uma brincadeirinha?
Este escândalo não vai ter repercussão na mídia. Há um silêncio completo nos grandes jornais.
Depende de nós, da nossa mobilização evitar uma fraude contra o processo de formação de consciência do povo brasileiro.
Vocês acham que a Justiça Eleitoral ia tirar do ar o clipe pró-Serra da Globo. Foi mais fácil ela própria tirar, com a nossa pressão, que algum juiz ver o óbvio e tomar as providências. O PT não vai à Justiça com medo de parecer perdedor. O PSDB, por 1%, disso foi, contra a Sensus.
Estamos diante de um caso confesso de, no mínimo, irregularidades numa pesquisa. Vamos ficar parados?
por Brizola Neto
Não vamos esconder o Lula porque o PSDB quer, diz coordenador do PT no ABC
Com o retrospecto eleitoral favorável no ABC, o PT quer ampliar o número de adeptos ao nome de Dilma no berço do sindicalismo e da própria sigla. Para conquistar a meta projetada pelos estrategistas internos, os petistas locais não irão poupar holofotes aos dados econômicos e sociais sublinhados no governo Lula.
A idéia é imbuir as principais lideranças no ABC – 23 vereadores, três deputados estaduais, 1 deputado federal, além dos três prefeitos – e os militantes para o discurso plebiscitário, protagonizado pelo presente da era Lula e pelo passado das gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A estratégia foi confirmada na terça-feira (20/04) - no segundo dia da sabatina com os coordenadores regionais, promovida pelo Repórter Diário em parceria com a Rádio ABC - pelo petista Humberto Tobé.
A ação entra em rota de colisão com a estratégia tucana que idealiza uma comparação direta entre os pré-candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). “O PSDB é craque em esconder pessoas. Eles escondem o FHC, o Quércia e vão escondendo as figuras que interessam para eles. Como as pesquisas comprovam a popularidade do presidente Lula eles vão tentar esconder. A diferença do Lula é que ele tem uma representatividade política reconhecida mundialmente. Não da só para o PSDB comparar as biografias”, disse o dirigente regional do PT.
Segundo ele, a presença exaustiva de Lula nos palanques não irá ofuscar a identidade da petista, pois o chefe da Nação fará sua prestação de contas, acompanhada da despedida do Planalto, enquanto a ex-ministra dará o tom da continuidade aos pilares governistas.
“A candidatura da Dilma vai complementar a presença do Lula nos palanques. Não será ofuscada. Com o cabo eleitoral do potencial do Lula, os palanques em todo o país e a máquina partidária do PT, nós teremos uma campanha muito forte com o Lula em um lugar e a Dilma em outro”.
Collor e Sarney
Humberto Tobé reagiu também à crítica tucana em relação ao fato de o governo Lula, em troca da governabilidade, defender nomes como dos ex-presidentes Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB).
O petista destaca que a legenda apenas se utilizou de representantes eleitos pela democracia. “Não foi o PT que elegeu o Sarney, o Collor e o Jader Barbalho. Nós temos nossos quadros, mas não podemos selecionar o quadro dos outros”.
Governo de SP
Apesar da hegemonia do PSDB no reduto paulista, o dirigente avalia que o pleito de outubro poderá sagrar a inédita vitória petista no Estado. Tobé sustenta sua projeção ancorado no desgaste das consecutivas gestões tucanas e, principalmente, no fato de o presidente Lula apoiar integralmente a campanha de Aloizio Mercadante, fato que não ocorreu em 2006, devido à campanha presidencial do chefe da Nação.
“O Mercadante está motivado porque ele tinha uma reeleição tranqüila e abriu mão de disputar o Senado porque ele está certo que nós temos condições de ganhar o governo do Estado”.
Senado
Mesmo com as fortes especulações em torno do nome do vereador de São Paulo Netinho de Paula (PCdoB) para assumir a segunda indicação para o pleito do Senado, Tobé destaca que a vaga está indefinida. Com a indicação da ex-prefeita Marta Suplicy já sacramentada, o petista acredita na possibilidade de o PSB contemplar o outro posto, caso feche aliança com o PT paulista.
“Se o Chalita vier para nossa segunda vaga de senador teremos uma chapa muito competitiva. Aí será como o Paulinho da Força fala ‘eu já tive no outro lado e sei que eles estão tremendo’. Eu acredito nisso”.
Deputados
Com a chapa de postulantes à Câmara Federal praticamente fechada nos nomes de Vicentinho, Vanderlei Siraque, José de Fillipe Júnior e Hélcio Silva, a legenda enfrenta o desafio de unificar alguns nomes para a disputa da Assembleia Legislativa.
“Nós temos 11 pré-candidatos na região. Nós temos que fazer uma discussão de projeto eleitoral para não dividir a base do PT. Nós temos que reduzir as candidaturas para fazer um projeto tático que vise eleger mais representantes do ABC”, finalizou
A idéia é imbuir as principais lideranças no ABC – 23 vereadores, três deputados estaduais, 1 deputado federal, além dos três prefeitos – e os militantes para o discurso plebiscitário, protagonizado pelo presente da era Lula e pelo passado das gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A estratégia foi confirmada na terça-feira (20/04) - no segundo dia da sabatina com os coordenadores regionais, promovida pelo Repórter Diário em parceria com a Rádio ABC - pelo petista Humberto Tobé.
A ação entra em rota de colisão com a estratégia tucana que idealiza uma comparação direta entre os pré-candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). “O PSDB é craque em esconder pessoas. Eles escondem o FHC, o Quércia e vão escondendo as figuras que interessam para eles. Como as pesquisas comprovam a popularidade do presidente Lula eles vão tentar esconder. A diferença do Lula é que ele tem uma representatividade política reconhecida mundialmente. Não da só para o PSDB comparar as biografias”, disse o dirigente regional do PT.
Segundo ele, a presença exaustiva de Lula nos palanques não irá ofuscar a identidade da petista, pois o chefe da Nação fará sua prestação de contas, acompanhada da despedida do Planalto, enquanto a ex-ministra dará o tom da continuidade aos pilares governistas.
“A candidatura da Dilma vai complementar a presença do Lula nos palanques. Não será ofuscada. Com o cabo eleitoral do potencial do Lula, os palanques em todo o país e a máquina partidária do PT, nós teremos uma campanha muito forte com o Lula em um lugar e a Dilma em outro”.
Collor e Sarney
Humberto Tobé reagiu também à crítica tucana em relação ao fato de o governo Lula, em troca da governabilidade, defender nomes como dos ex-presidentes Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB).
O petista destaca que a legenda apenas se utilizou de representantes eleitos pela democracia. “Não foi o PT que elegeu o Sarney, o Collor e o Jader Barbalho. Nós temos nossos quadros, mas não podemos selecionar o quadro dos outros”.
Governo de SP
Apesar da hegemonia do PSDB no reduto paulista, o dirigente avalia que o pleito de outubro poderá sagrar a inédita vitória petista no Estado. Tobé sustenta sua projeção ancorado no desgaste das consecutivas gestões tucanas e, principalmente, no fato de o presidente Lula apoiar integralmente a campanha de Aloizio Mercadante, fato que não ocorreu em 2006, devido à campanha presidencial do chefe da Nação.
“O Mercadante está motivado porque ele tinha uma reeleição tranqüila e abriu mão de disputar o Senado porque ele está certo que nós temos condições de ganhar o governo do Estado”.
Senado
Mesmo com as fortes especulações em torno do nome do vereador de São Paulo Netinho de Paula (PCdoB) para assumir a segunda indicação para o pleito do Senado, Tobé destaca que a vaga está indefinida. Com a indicação da ex-prefeita Marta Suplicy já sacramentada, o petista acredita na possibilidade de o PSB contemplar o outro posto, caso feche aliança com o PT paulista.
“Se o Chalita vier para nossa segunda vaga de senador teremos uma chapa muito competitiva. Aí será como o Paulinho da Força fala ‘eu já tive no outro lado e sei que eles estão tremendo’. Eu acredito nisso”.
Deputados
Com a chapa de postulantes à Câmara Federal praticamente fechada nos nomes de Vicentinho, Vanderlei Siraque, José de Fillipe Júnior e Hélcio Silva, a legenda enfrenta o desafio de unificar alguns nomes para a disputa da Assembleia Legislativa.
“Nós temos 11 pré-candidatos na região. Nós temos que fazer uma discussão de projeto eleitoral para não dividir a base do PT. Nós temos que reduzir as candidaturas para fazer um projeto tático que vise eleger mais representantes do ABC”, finalizou
Gilmar Mendes passa por saia-justa em sabatina transmitida pela internet
Às vésperas de deixar a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes passou por uma "toga-justa" transmitida ao vivo pela internet. Na última sexta-feira, ele participou de sabatina promovida pelo YouTube, o portal de vídeos mais acessado do mundo. O que era para ser um balanço dos dois anos em que chefiou a corte se transformou num bombardeio de perguntas incômodas, muitas em tom acusatório, sobre polêmicas que marcaram sua gestão.
As questões foram enviadas por internautas e escolhidas em votação, sem interferência do STF. Durante 42 minutos, Mendes teve que ouvir críticas e provocações lidas no ar por uma apresentadora da TV Justiça. Foi chamado de "uma das vozes mais contundentes da direita conservadora" e até de "coronelzinho" , numa referência à atuação política de sua família em Mato Grosso.
O tom de constrangimento surgiu logo na abertura, quando a locutora informou que não citaria "textos chulos, às vezes até pornográficos e com ofensas" contra o ministro.
Em seguida, anunciou seis perguntas sobre o tema mais votado: os dois habeas corpus que ele concedeu ao banqueiro Daniel Dantas, alvo da Operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008. Segundo ela, as questões foram agrupadas para evitar uma entrevista "só de um assunto".
O internauta que se apresentou como "Fonjic" afirmou que o STF "se autodestroi e cai em descrédito distribuindo habeas corpus a banqueiros corruptos".
Outro participante, identificado como "marioitalo" , questionou a segunda decisão de Mendes em favor de Dantas: "O senhor recusou como prova a entrega, transmitida em rede nacional de TV, de R$ 1 milhão a agente da PF. Qual prova aceitaria para manter o banqueiro condenado a dez anos de prisão na cadeia?"
O ministro, visivelmente surpreso, voltou a criticar o delegado afastado da PF Protógenes Queiroz e o juiz Fausto de Sanctis. "Certamente o Brasil ainda vai saber muitos fatos sobre este episódio."
Em outro momento, Mendes foi acusado de "eleger e reeleger pessoas de confiança para beneficiar sua família" em Diamantino (MT). Rebateu no mesmo tom, apontando suposto envolvimento de um rival do clã com o crime organizado.
O ministro ainda foi cobrado por fazer suposta "denúncia vazia de grampo" contra a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e pelo número de entrevistas que concedeu. "Não seria melhor para a imagem do STF que o seu presidente falasse só nos autos?", perguntou "Diego". "Não sei o que é para o Diego o conceito de voz de direita conservadora. (...) O que é falar nos autos, quando se tem uma missão institucional? ", retrucou.
Apesar dos momentos de desconforto, Mendes se disse satisfeito ao fim do programa. "Acho extremamente importante que nós possamos ter este diálogo", disse ele.
Ontem a sabatina já contava mais de 8.000 exibições, mas não aparecia na capa do canal oficial do STF no YouTube.
As questões foram enviadas por internautas e escolhidas em votação, sem interferência do STF. Durante 42 minutos, Mendes teve que ouvir críticas e provocações lidas no ar por uma apresentadora da TV Justiça. Foi chamado de "uma das vozes mais contundentes da direita conservadora" e até de "coronelzinho" , numa referência à atuação política de sua família em Mato Grosso.
O tom de constrangimento surgiu logo na abertura, quando a locutora informou que não citaria "textos chulos, às vezes até pornográficos e com ofensas" contra o ministro.
Em seguida, anunciou seis perguntas sobre o tema mais votado: os dois habeas corpus que ele concedeu ao banqueiro Daniel Dantas, alvo da Operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008. Segundo ela, as questões foram agrupadas para evitar uma entrevista "só de um assunto".
O internauta que se apresentou como "Fonjic" afirmou que o STF "se autodestroi e cai em descrédito distribuindo habeas corpus a banqueiros corruptos".
Outro participante, identificado como "marioitalo" , questionou a segunda decisão de Mendes em favor de Dantas: "O senhor recusou como prova a entrega, transmitida em rede nacional de TV, de R$ 1 milhão a agente da PF. Qual prova aceitaria para manter o banqueiro condenado a dez anos de prisão na cadeia?"
O ministro, visivelmente surpreso, voltou a criticar o delegado afastado da PF Protógenes Queiroz e o juiz Fausto de Sanctis. "Certamente o Brasil ainda vai saber muitos fatos sobre este episódio."
Em outro momento, Mendes foi acusado de "eleger e reeleger pessoas de confiança para beneficiar sua família" em Diamantino (MT). Rebateu no mesmo tom, apontando suposto envolvimento de um rival do clã com o crime organizado.
O ministro ainda foi cobrado por fazer suposta "denúncia vazia de grampo" contra a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e pelo número de entrevistas que concedeu. "Não seria melhor para a imagem do STF que o seu presidente falasse só nos autos?", perguntou "Diego". "Não sei o que é para o Diego o conceito de voz de direita conservadora. (...) O que é falar nos autos, quando se tem uma missão institucional? ", retrucou.
Apesar dos momentos de desconforto, Mendes se disse satisfeito ao fim do programa. "Acho extremamente importante que nós possamos ter este diálogo", disse ele.
Ontem a sabatina já contava mais de 8.000 exibições, mas não aparecia na capa do canal oficial do STF no YouTube.
Serra se revela

Na Folha, o candidato da oposição à Presidência da República, José Serra (PSDB-DEM-PPS) se revela. Não é à toa, nem por acaso que em visita a Minas ele defendeu o mandato presidencial de cinco anos sem reeleição. Serra retomou a tese porque ela organiza a fila de candidatos tucanos ao Palácio do Planalto. Também porque ainda alimenta um sonho duplo: conquistar o ex-governador mineiro Aécio Neves para vice em sua chapa; e ser perdoado pelo eleitorado de Minas (segundo maior colégio eleitoral do país) pela forma autoritária como, junto com o tucanato paulista, alijou o colega da disputa presidencial desse ano.
Mas, o candidato da oposição não precisava distorcer a realidade e dizer que o presidente Lula era a favor dessa idéia do fim da eeleição e mudou de opinião. “Eu conversei com Lula, ele estava de acordo, mas depois mudou de idéia. Eu espero que ele mude de novo, porque Lula, mesmo fora do governo, vai ter um peso político muito grande e eu pretendo manter o diálogo com ele", assinalou.
Para repor a verdade dos fatos: a reeleição foi instituída no governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. O PT tem projeto pelo fim da reeleição e o presidente Lula sempre foi contra a medida. Quem a aprovou, então - e que isso fique bem claro - no final de seu primeiro mandato (1995-1998) foi FHC, num processo que hoje seria considerado um golpe pelo PSDB.
FHC aprovou a reeleição, inclusive, em meio a acusações de compra de votos e a indícios tão fortes de que isso ocorrera que os deputados denunciados renunciaram a seus mandatos para não serem investigados. Agora Serra querer se apresentar ao país - como se não tivéssemos memória - como defensor do fim da reeleição parece piada.
Ataque ao Bolsa Família que, eleito, extinguiria
Nessa visita a Minas o candidato presidencial da oposição conferiu maior importância a emprego, em comparação com programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.“Não sou contra. Criei programas de transferência de renda em vários momentos, mas o que sustenta o padrão de vida de uma família são os empregos", disse Serra comentando um dos principais programas sociais do governo Lula, o Bolsa Família que ele, através dos dirigentes de seu partido, já anunciou que extinguiria se fosse eleito presidente em outubro.
Serra falando de emprego, quando o governo de que ele participou, o de FHC, criou 800 mil vagas,colntra 13 milhões criadas pelo governo Lula! Não sei o que é pior, se isso ou o ataque violento que ele fez ao defender uma maior abertura da economia e cobrar uma reforma do MERCOSUL - bloco econômico que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. "É uma barreira para o Brasil fazer acordos [com outros países]. É uma farsa, só serve para atrapalhar", disse o candidato tucano sobfre o MERCOSUL.
Francamente, essa sua opinião sobre o MERCOSUL beira a irresponsabilidade. Ao dizer que ele é uma farsa e só serve para atrapalhar, o que se pode concluir é que caso fosse eleito ele iria revogar o MERCOSUL, por fim ao bloco econômico? Como vemos, Serra é um candidato bem tucano! Fora o fato de que os acordos bilaterais não estão impedidos e o MERCOSUL os tem feito, inclusive acabou de fazer com Israel.
Mas, o que Serra defende mesmo e escondeu na visita a Minas é um acordo com os Estados Unidos, como defendiam os tucanos. É a ressureição da famigerada ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), a nossa submissão a política externa dos Estados Unidos e à sua hegemonia. Daí a sua oposição também a política externa do presidente Lula e do governo do PT.
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