domingo, 13 de setembro de 2009

Presidente do PSDB, Sérgio Guerra explica a calmaria da política nestes dias

De repente, não mais que de repente, o clima político mudou. Do radicalismo de acirrados bate-bocas no plenário do Senado, em torno da guerra pela permanência ou pela retirada do peemedebista José Sarney do comando da Casa, passou-se à calmaria. Governo e oposição voltaram a negociar na questão do pré-sal, conforme esta coluna havia previsto. E por que essa aparente calmaria? Ninguém melhor para responder do que o presidente do maior partido da oposição, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE):
– Antes de mais nada, porque temos que nos curvar à aritmética. Os governistas se unificaram em torno do Sarney e liquidaram a questão no Congresso. Não conseguimos rachar o PMDB e o PT e, juntos, eles tinham maioria para manter o Sarney. E depois que o Supremo se pronun- ciou, então, não há mais nada o que fazer. Temos que tocar a vida.
– Tocar a vida é uma coisa. Mas parece estar havendo uma mudança de postura nessa questão do pré-sal. Vocês estão negociando.
– Claro. Não vamos nos deixar cair na armadilha montada pelo Lula de tentar nos carimbar como estando aqui para fazer o jogo das multinacionais, dizer que somos neoliberais, coisas do gênero. Os projetos do marco regulatório precisam de mudanças e nós vamos polemizar pontualmente apenas. Ninguém aqui vai se colocar contra a priori. O modelo de concessão do petróleo, montado no governo Fernando Henrique Cardoso, foi perfeito até agora. Mas, com as enormes quantidades do pré-sal a coisa muda de figura. Talvez o modelo de partilha seja um caminho, talvez ele tenha que ser flexibilizado. Vamos ver…
– Até porque, se vocês acreditam que irão ganhar as eleições, esse marco regulatório pode servir para o governo de vocês.
– É isso mesmo. Não faria sentido a gente jogar, nesse assunto, na linha do quanto pior, melhor. Até porque nada é definitivo. Os projetos ainda vão passar por muitas alterações, até mesmo vindas do governo, que já está sofrendo pressões. Mais: depois de aprovada, a legislação ainda poderá ser alterada novamente. Não sei se, vencendo as eleições, o José Serra ou o Aécio Neves não adotariam um modelo até mais estatista do que este que o Lula está propondo. Ou o Barack Obama pode balançar o tabuleiro nos EUA e o mundo mudar novamente com todos voltando a ter uma visão mais focada no mercado. Tem muito tempo pela frente até que esse petróleo do pré-sal esteja sendo explorado de maneira significativa.
– Outro motivo para a calmaria é que agora começa a discussão efetiva da campanha eleitoral. Os partidos se voltam mais para dentro. Talvez o radicalismo do Partido Democrata não caia bem no PSDB.
– É verdade. Não podemos abrir mão de nosso perfil. Quando fizemos isso, nos demos mal. Lembra que, na última campanha, nossos aliados cobraram que fôssemos mais duros com o Lula? O Geraldo Alckmin foi para o debate e atuou de maneira bem agressiva, como eles queriam. Saímos dali felizes da vida e, depois, qual foi o resultado? O eleitorado não gostou. O Lula se vitimizou e acabou vitorioso.
– Pelo jeito vocês estão mais cautelosos…
– Não podemos errar duas vezes. Por exemplo: eles querem armar outra armadilha. Dizer que somos contra o Bolsa Família. E tem até uns desavisados do nosso lado que saem falando besteira. Ora, o Bolsa Família é um sucesso. É ele que dá tanta sustentação eleitoral ao Lula. A candidata deles, Dilma Rousseff, não tem um só voto dela. É tudo voto do Lula, conquistado às custas do Bolsa Família. Aí eles vêm e dizem: os tucanos são contra o Bolsa Família, vão acabar com o programa. Precisamos fugir dessa armadilha. Deixar claro que manteremos e até ampliaremos o Bolsa Família.
– E a candidatura da Marina Silva a presidente pelo PV? Tira votos de vocês?
– Sinceramente não creio que ela atingirá as massas, como os dois candidatos do PSDB, o Lula e sua candidata e até o Ciro. Sua entrada na campanha foi boa porque entrou o Ciro e o governo já está vendo que o primeiro turno é nosso. Eles é que começam a não ter certeza de que a Dilma chegará na frente do Ciro.

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