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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bolívia cria Lei da Mãe Terra

País dá exemplo ao mundo

A Bolívia está em vias da aprovar a primeira legislação mundial dando à natureza direitos iguais aos dos humanos. A Lei da Mãe Terra, que conta com apoio de políticos e grupos sociais, é uma enorme redefinição de direitos. Ela qualifica os ricos depósitos minerais do país como "bençãos", e se espera que promova uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria, em um país que tem sido há anos destruído por conta de seus recursos, informa o Celsias.

Na Conferência do Clima de Cancun, a Bolívia destoou da maioria quando declarou que todo o processo era uma farsa, e que países em desenvolvimento não apenas estavam carregando a cruz da mudança do clima como, com novas medidas, teriam de cortar também mais suas emissões.

A Lei da Mãe Terra vai estabelcer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. Ela também vai assegurar o direito de o país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais".

Segundo o vice-presidente Alvaro García Linera. "ela estabelece uma nova relação entre homem e natureza. A harmonia que tem de ser preservada como garantia de sua regeneração. A terra é a mãe de todos". O presidente Evo Morales é o primeiro indígena americano a ocupar tal cargo, e tem sido um crítico veemente de países industrializados que não estão dispostos a manter o aquecimento da temperatura em um grau. É compreensível, já que o grau de aquecimento, que poderia chegar de 3.5 a 4 graus centígrados, dadas tendências atuais, significaria a desertifição de grande parte da Bolívia.

Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos e de todas as outras entidades. A Bolivia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.

O ministro do exterior David Choquehuanca disse que o respeito tradicional dos índios por Pachamama é vital para impedir a mudança do clima. "Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar". Segundo a filosofia indígena, Pachamama é "sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e cuida de todos os seres viventes em seu ventre."

terça-feira, 29 de março de 2011

Kerry empurra Obama para o Norte da África

“Os EUA podem aprender a conviver com partidos religiosos e relacionar-se com eles,
desde que eles “rejeitem o radicalismo e o antissemitismo...”
[John Kerry, vice-presidente, em discurso, ontem, nos EUA]

EUA, Grã-Bretanha e França extraíram do Conselho de Segurança da ONU ontem, tarde da noite, um resolução vazada em termos fortes a favor de ação militar contra o regime de Muammar Gaddafi na Líbia. A parte operativa da resolução – chamada Resolução n. 1.973 – tem cinco itens: proteção aos civis; uma zona aérea de exclusão [orig. a no-fly zone]; reforço no embargo de armas; proibição de voos; e congelamento de bens. [1]

Embora chamada, em termos gerais de “resolução pró zona aérea de exclusão”, o objetivo e a abrangência da R-.973 e o uso autorizado de força são abertos a interpretação. O que significa que o envolvimento ostensivamente limitado do envolvimento da comunidade internacional para a finalidade específica de impor uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia, com o intuito humanitário de proteger comunidades civis, pode, adiante, abrir a porta a intervenção militar de larga escala.

Grã-Bretanha e França estão prontas para dar início às operações; a OTAN marcou reunião para decidir detalhes operacionais. A Alemanha absteve-se de votar e a Turquia manifestou oposição a qualquer intervenção na Líbia. De fato, a OTAN construirá uma “coalizão de vontades” entre os países membros.

A união faz a força

Resultado interessante da votação é que quatro dos países membros BRICSs (Brasil, Rússia, Índia e China – mas não a África do Sul) abstiveram-se. A posição da Índia baseou-se em três pontos: que a resolução não foi embasada em nenhum tipo de relatório ou informe assinado pelo representante do secretário-geral da ONU na Líbia, e foi votada ao mesmo tempo em que a União Africana ainda prepara um painel sobre a situação na Líbia – significando que se deveria prosseguir nos esforços políticos, antes de qualquer decisão sobre ação militar; que havia “relativamente pouca informação confiável” sobre a situação na Líbia, que justificasse a intervenção; e que falta “clareza” sobre as operações autorizadas pela Resolução n. 1.973.

A Rússia tentou adiar a resolução, oferecendo uma variante alternativa (exigir o cessar-fogo), que é a abordagem tradicionalmente encaminhada pelo Conselho de Segurança. A Rússia opôs-se ao uso da força, destacando que a Resolução n. 1.970 – que, em fevereiro passado, impôs sanções à Líbia – ainda sequer foi plenamente implementada; os russos disseram que ainda não se sabe com clareza como a zona de exclusão aérea será implementada; que a Rússia teme as consequências de intervenção militar estrangeira em grande escala.

A China argumentou a partir de princípios. Insistiu no uso de meios pacíficos para resolver os problemas, defendeu a soberania e a integridade territorial da Líbia, opôs ao emprego da força e chamou a atenção para a necessidade de que, se aprovada, a intervenção fosse conduzida em estrito respeito ao que determinam a lei internacional e a Carta das Nações Unidas. A China disse que estava procurando esclarecimentos sobre detalhes do que estava sendo votado, mas que esses esclarecimentos ainda não estavam disponíveis.

EUA sobem a aposta

O detalhe decisivo parece ter sido o “endurecimento” na posição dos EUA. Nas últimas semanas, Washington manteve ar de estudada indiferença sobre a questão da zona aérea de exclusão. Como agora se vê, foi ‘caso pensado’. Ainda há dois dias, nem Grã-Bretanha nem França haviam conseguido mobilizar apoio suficiente para a aprovação, no encontro de dois dias, de ministros de Relações Exteriores do G-8, em Paris.

Há mérito na posição do governo Obama, de não se afastar das “pré-condições” que impôs para aprovar qualquer zona aérea de exclusão na Líbia – a saber, os EUA não agirão sem autorização do Conselho de Segurança; não querem enviar tropas terrestres dos EUA para a Líbia; e é indispensável organizar força internacional, da qual participem, necessariamente, estados árabes. Washington pode dormir sossegada: todas essas pré-condições foram atendidas.

Contudo, os EUA agiram intensamente, nos bastidores, para conseguir ajuda militar para os rebeldes líbios. Semana passada, Robert Fisk, do Independent de Londres, noticiou que o governo Obama fizera contato com o governo saudita para que financiassem secretamente a transferência de armas norte-americanas para os rebeldes líbios (7/3/2011, Castorphoto, em “Obama pede que sauditas entreguem armas em Benghazi”). Ontem, o Wall Street Journal citou funcionários do governo dos EUA e rebeldes líbios, não identificados, que teriam dito que os militares egípcios estão contrabandeando armas para os rebeldes líbios, pela fronteira, com pleno conhecimento de Washington.

O envolvimento secreto do Egito é cheio de significados. Chama a atenção para a evidência de que a junta militar que governa o Cairo e o governo Obama estão-se entendendo bem, depois de alguma aparente queda na influência dos EUA na era pós-Mubarak. A visita da secretária de Estado Hillary Clinton ao Cairo (depois de o primeiro-ministro Cameron da Grã-Bretanha e o ministro das Relações Exteriores da França Alain Juppe lá terem estado) indica que a junta militar que governa o Egito já recebeu papel-chave no processo de derrubar Gaddafi. São atos que terão impacto na luta do Egito, que tenta construir sua democracia.

Os rebeldes líbios saudaram os Emirados Árabes e o Qatar, como duas nações da Liga Árabe que os estariam ajudando. Veem-se bandeiras do Qatar em locais de destaque na Benghazi controlada pelos rebeldes. Vêm notícias de New York, segundo as quais EUA e Grã-Bretanha já teriam acertado a participação de mais alguns estados árabes na operação líbia.

Só uma coisa é certa: ainda falta muito para que se confirmem o alto estatuto moral, capacidade e empenho de Washington, na luta para forçar as ditaduras do Golfo Persa na direção de alguma reforma democrática.

Tudo são interpretações

Na realidade, as intenções dos EUA permanecem bastante opacas. Clinton disse a jornalistas na Tunísia na 5ª-feira, que uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia exigiria ação militar para proteger pilotos e aeronaves, “inclusive bombardear alvos como os sistemas líbios de defesa”. Mas, isso... a Resolução n. 1.973 do Conselho de Segurança da ONU não autoriza.

Outra vez – embora já esteja suficientemente claro que nem Rússia nem China irão ao extremo de vetar a Resolução –, os EUA já aumentaram a aposta, sugerindo que, além de criar uma zona aérea de exclusão, a comunidade internacional deve autorizar uso de aviões, soldados, navios, para conter as forças de Gaddafi. A emenda proposta pelos EUA, dizia que a ONU deveria autorizar a comunidade internacional a “proteger civis e objetos civis, inclusive a deter ataques por terra, mar e ar comandados pelo governo de Gaddafi”.

Essa proposta, contudo, parece ter enfrentado resistência da Rússia; o texto final da R-1.973 autoriza “todas as medidas necessárias” para proteger civis. A solução de conciliação, de fato, deixa aberta a porta para as mais perigosas possibilidades de as operações militares serem ‘estendidas’ tanto na qualidade como na quantidade.

Por um lado, a R-1.973 expressamente proíbe “coturnos no solo” [orig. boots on the ground] – “excluindo [da autorização] qualquer força estrangeira de ocupação, sob qualquer forma, em qualquer parte do território líbio”. Por outro lado, autoriza “a tomar todas as medidas necessárias [sublinhado pelo autor] (...) para proteger civis e áreas de população civil sob ameaça de ataque na Jamahiriya Árabe Líbia, inclusive em Benghazi”.

Também em relação à zona aérea de exclusão, a R-1.973 autoriza os estados “a tomar todas as medidas necessárias [sublinhado pelo autor] para fazer cumprir o banimento de todos os voos”. Tudo leva a crer que, uma vez começada a implementação da zona aérea de exclusão, outras ‘medidas’, dentre as quais ações por terra, passarão a ser necessárias para neutralizar as forças de Gaddafi. Poderiam aparecer sob a forma de operações de forças especiais, todas sempre com alta ‘negabilidade’ e que não constituiriam “ocupação estrangeira” de território líbio.

Em resumo, estamos revivendo quase integralmente a véspera da invasão dos EUA ao Afeganistão, em outubro de 2001: começou com operações aéreas para dar apoio às milícias da Aliança do Norte [orig. Northern Alliance (NA)], suplementadas por operações das forças especiais e, adiante, tudo isso foi legitimado como presença em solo.

“Não assistir de longe, vendo passar as oportunidades...”

Qual é a estratégia dos EUA?

Muito significativamente, na véspera da votação no Conselho de Segurança, o senador John Kerry, presidente da Comissão de Assuntos Externos do Senado e pilar do establishment das políticas exteriores dos EUA, fez ontem longo discurso no Instituto Carnegie, em Washington. Disse ele:

– O despertar árabe é tão profundo quanto o colapso do Muro de Berlin e, portanto, é dever de Washington abraçar o desafio de converter esse despertar em oportunidade, identificando as forças democráticas.

– A ordem do Oriente Médio não pode ser restaurada. A revolução tem raízes profundas em profundo descontentamento popular. Assim sendo, o relacionamento entre os EUA e a região exige “amplo ajustamento que reflita as novas realidades”. Nenhum relacionamento focado só nos líderes é sustentável.

– Os EUA podem aprender a conviver com partidos religiosos e relacionar-se com eles, desde que eles “rejeitem o radicalismo e o antissemitismo” e “abracem a moderação”.

– Alguns governantes estão “respondendo ao imperativo das reformas”, mas “nenhum país na Região escapará da onda de reivindicação popular”.

– Israel enfrenta isolamento e “o status quo com seus vizinhos é agora insustentável”; mas a segurança de longo prazo de Israel tem de ser assegurada.

Kerry cutucou Obama para ser proativo como Ronald Reagan e George H W Bush, que comprometeu recursos para posicionar governos na Europa Central, os quais, até hoje, continuam a manter posições pró-ocidente e são membros da OTAN.

E Kerry fez-se de preceptor de Obama: “Temos de reconhecer a extraordinária oportunidade que se abre para nós – e o perigo de fracassar e não conseguir aproveitá-la (...) A comunidade internacional simplesmente não pode assistir a tudo, de longe (...) O tempo corre rápido, para o povo líbio. O mundo exige respostas imediatas (...) O Conselho de Segurança tem de agir imediatamente.”

Israel é sempre o centro crucial do pensamento de Kerry. Citou os senadores John McCain e Joseph Lieberman, dois eternos apoiadores de Israel, como colaboradores no seu projeto para o Oriente Médio. Kerry, McCain, Lieberman – não é trio formidável de atacantes? Obama não teve escolha. Teve de seguir o escrito.
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Nota

1. Aqui, os pontos principais da Resolução n. 1.973 da ONU que autoriza ação militar para proteger civis líbios, dos ataques de Muammar Gaddafi:

– Manifesta a grave preocupação da ONU com a rápida deterioração da situação, a escalada da violência, o alto número de baixas entre os civis, condena as graves e sistemáticas violações de direitos humanos, inclusive as prisões arbitrárias, sequestros, tortura e execeuções sumárias; e diq que ataques contra civis são crimes contra a humanidade e ameaçam a paz e a segurança internacionais.

Uma zona aérea de exclusão é elemento importante para a proteção dos civis e para a segurança dos que trabalham na entrega de ajuda humanitária, e passo decisivo para a cessação de hostilidades na Líbia..

A R-1.973 exige o imediato estabelecimento de um cessar-fogo e fim completo da violência e de todos os ataques e abusos contra civis nos termos da lei internacional (...) e que as autoridades líbias cumpram seu deveres (...) e tomem todas as medidas para proteger civis e suprir suas necessidades básicas e garantir salvo conduto e passagem rápida para a assistência humanitária.

Autoriza estados-membros da ONU a tomar todas as medidas necessárias, apesar do embargo anterior a armas, para proteger civis e áreas de população civil contra a ameaça de ataque na Jamahiriya Líbia Árabe, incluindo Benghazi, excluídas as forças estrangeiras de ocupação em qualquer parte do território líbio.

Para isso, requisita a cooperação dos estados-membros da Liga Árabe.

Decide banir todos os voos do espaço aéreo da Jamahiriya Líbia Árabe, para ajudar a proteger civis, exceto voos humanitários, e autoriza estados-membros e nações da Liga Árabe a agir nacionalmente ou mediante organizações regionais ou em acordos, para tomar todas as medidas necessárias para implantar e fazer cumpri o baninmento dos voos.

Conclama todos os estados-membros a interceptar barcos e aeronaves se houver suspeita de que transportem armas e outros itens banidos desde o embargo já aprovado nessa ONU e inclui naquela categoria o pessoal mercenário armado – recomendando aos estados-membros que cumpram estritamente seus deveres (...) para impedir que mercenários armados se integrem à Jamahiriya Líbia Árabe.

Os estados-membros devem exigir que as empresas domésticas sejam vigilantes ao negociar com entidades incorporadas na Líbia, se os estados tiverem informação suficientemente sólidas que permitam concluir que esses negócios podem contribuir para a violência ou uso de força contra civis.

Solicita que o secretário-geral da ONU crie grupo de oito especialistas, para supervisionar a implementação [da R-1.973].

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Irã diz que Israel pode destruir em uma semana

"Chefe de Gabinete do governo iraniano, Esfandiar Rahim Mashaei, disse: "Se eles nos atacarem, os sionistas não viverão mais de uma semana." preocupação da comunidade internacional

Segundo a agência de notícias estatal iraniana semi-Mashaei, que também é vice-presidente do Irã, disse "Em menos de 10 dias" seu país pode destruir Israel.

Ele também disse que as novas sanções da ONU só coloca "em risco" os países principais protagonistas.

Mashaei não é de estranhar a primeira vez que este tipo de declarações racistas. Mesmo as tentativas oficiais iranianas a espalhar esta mensagem em todo o mundo.

Em uma recente reunião com o presidente sudanês, Omar al-Bashir disse que "regime corrupto e criminoso sionista está prejudicando não só o mundo árabe e muçulmano, mas para toda a humanidade. "

As declarações ocorrem no âmbito das negociações sobre o programa nuclear do governo de Mahmoud Ahmadinejad, que se opõe a comunidade internacional, e que a ONU deverá aprovar uma nova rodada de sanções na ausência de cooperação de Teerã.

Mat.24: 6 "E ouvireis de guerras e rumores de guerras ..."

Vamos estar preparados!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Editorial do Le Monde, de Paris


É Lula pra cá, Brasil pra lá! O mundo se agita com as declarações do presidente brasileiro e com as façanhas não somente futebolísticas de seus compatriotas.
Vimos Luiz Inácio Lula da Silva repreendendo a Alemanha por sua hesitação em salvar a Grécia, e oferecendo sua mediação no conflito entre Israel e Palestina.
Vimo-lo tentando, junto com os turcos, arrefecer a questão nuclear iraniana, e apoiar os argentinos em seu conflito contra os britânicos a respeito das Ilhas Malvinas e seu petróleo.
Mas “o homem mais popular do mundo”, segundo Barack Obama, não se apoia somente em seu carisma para falar em alto e bom som. Ele representa um Brasil em plena forma que, após uma depressão causada pela crise, segue de perto a China e a Índia em termos de crescimento.
A Petrobras, grupo petrolífero que é a empresa mais lucrativa da América Latina, a Vale, líder mundial do ferro, a Embraer, que poderá muito bem superar a Boeing e a Airbus em breve no setor de aviação, são apenas alguns dos orgulhos de uma economia industrial de primeira ordem.
No setor agrícola o crescimento é comparável, e valeu ao Brasil o título de “celeiro do mundo”. Soja, açúcar, etanol, café, frutas, algodão, frango, etc. fazem dele um concorrente temível para os produtores europeus.
Foi em 2008 que o Brasil se deu conta de suas capacidades econômicas. Até então, ele negociava com a Organização Mundial do Comércio, mas de maneira um tanto tímida. A crise que veio dos Estados Unidos e o colapso da produção industrial dos chamados países desenvolvidos o persuadiram de que era hora de partir para a ofensiva.
Agora é o Brasil, representado de forma brilhante por seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que mais pressiona por uma conclusão das negociações da Rodada Doha. Em comparação, os Estados Unidos parecem presos em um protecionismo de outros tempos.
Menos temido que a China ou a Índia, de populações na casa dos bilhões, mais respeitado que uma Rússia dependente de suas matérias-primas, o Brasil é o verdadeiro porta-voz dessas economias emergentes que puxam o crescimento mundial. Com o eixo econômico do mundo se deslocando para o Sul, ele pode com razão exigir que aqueles que estão substituindo os países do Norte sejam mais bem representados nas instâncias internacionais, a começar pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem esquecer o Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil almeja uma cadeira de membro permanente.
Porque “o século 21 será o século dos países que não tiveram sua chance”, e por ele acreditar estar “na metade de [sua] carreira política”, Lula, 65, poderá se candidatar ao secretariado geral da ONU em 2012. Ele também deverá lutar para melhorar o G20, cuja influência ele considera “muito pequena”.
Continuaremos a ouvir falar do ex-metalúrgico, amigo das favelas e dos investidores. Continuaremos a ouvir falar de um Brasil no despontar de seus “trinta anos gloriosos”.

terça-feira, 25 de maio de 2010

De Khamenei para Lula

Aiatolá Khamenei, para o presidente Lula:
“O que incomoda os EUA é a cooperação entre países independentes”

O presidente do Brasil Luiz Inacio Lula da Silva está em visita nesse domingo ao Irã, em visita considerada a “última chance” para um acordo com a República Islâmica a respeito de seu programa nuclear, antes que a ONU imponha a quarta rodada de sanções contra o Irã.

Lula esteve reunido com o Líder Supremo do Irã, aiatolá Sayyed Ali Khamenei, que comentou “o barulho” que os países ocidentais estão fazendo em torno da visita do presidente do Brasil ao Irã. “Os poderes dominantes, os EUA à frente, não estão gostando de ver surgirem relações de cooperação entre países independentes” – disse o Líder Supremo, em material divulgado pela televisão estatal.

O aiatolá Khamenei elogiou o Brasil como país que não cedeu à chamada “hegemonia” dos EUA e reforçou a importância de se criarem relações mais próximas entre países independentes e não-alinhados.

Para Sua Eminência, o fato de os EUA estarem incomodados com a aproximação entre os países independentes foi a causa da onda de propaganda que se viu, em todo o mundo, antes da visita do presidente do Brasil ao Irã. Nas palavras de Sua Eminência, o caso do Irã mostra que é indispensável resistir à “hegemonia dos EUA e jamais desacreditar do desejo de Deus e da força do povo.”

O presidente Lula disse que estava feliz por ter podido visitar o Irã, e começado a preparar o terreno para a promoção de laços bilaterais. Para o presidente do Brasil, atual ordem mundial é “excludente e opressora” e repetiu que é preciso introduzir mudanças na própria natureza do Conselho de Segurança da ONU, sobretudo no direito de veto de alguns membros. Para Lula, países como o Irã contribuem para a construção de um novo bloco econômico e político, e a República Islâmica tem o direito de defender a própria independência em todos os fóruns de negociação.

A mídia estatal iraniana registrou que, nos primeiros contatos entre os presidentes do Brasil e do Irã, todos falaram sobre ampliar laços comerciais e diplomáticos, mas não discutiram a questão nuclear.

O presidente Ahmadinejad “agradeceu ao presidente do Brasil o apoio à defesa dos interesses iranianos e a posição do governo brasileiro, de trabalhar para um mundo melhor e mais justo”, lê-se em postado na página Internet da presidência do Irã. “A verdade é que alguns países, que dominam a ‘mídia’ mundial e os centros econômicos e políticos, não querem que o resto do mundo avance. Mas, juntas, as nações independentes podem vencer essas condições injustas e construir meios para que todos possamos progredir”, disse o presidente iraniano (em http://www.presiden t.ir/en/? ArtID=21860) .

Lula sempre teve posições favoráveis à atividade nuclear iraniana para fins pacíficos e várias vezes declarou que Teerã tem direito de usar a energia nuclear e que mais sanções econômicas ou não terão efeito algum, ou serão contraproducentes. Em Moscou, a caminho para Teerã, Lula disse a repórteres que está “otimista” e que espera conseguir construir um acordo que satisfaça todos os interesses.

Irã, Turquia e Brasil chegam a acordo, diz chanceler turco

O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse neste domingo que foi alcançado um acordo entre Irã, Turquia e Brasil sobre a troca de combustíveis nucleares, decisão que pode por fim à disputa com o Ocidente sobre o programa nuclear do Irã. Quando questionado por jornalistas em Teerã se haveria um acordo sobre a troca de combustível, ele respondeu: "Sim, isso foi alcançado após quase 18 horas de negociações".

Segundo o chanceler turco, o anúncio oficial pode ser feito na segunda-feira pela manhã, após revisão pelos presidentes brasileiro e iraniano e o primeiro-ministro turco, que chegou à capital iraniana neste domingo.

Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, falaram neste domingo em entrevista coletiva sobre o interesse de incrementar as relações comerciais entre seus países. Porém, eles não tocaram na questão nuclear, ponto central do encontro, como já havia acontecido mais cedo, na nota oficial divulgada no site do governo iraniano.

Os EUA e alguns de seus aliados acusam o Irã de desenvolver um programa nuclear com fins militares, mas Teerã defende que a finalidade é pacífica e se recusa a negociar. Os EUA pressionam por uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o país do Oriente Médio.

Segundo o site da TV iraniana Alallam, os chanceleres de Irã, Turquia e Brasil mantiveram um encontro trilateral neste domingo para discutir, entre outros assuntos, a troca de urânio iraniano.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, tinha dito que Teerã chegou a um acordo sobre a quantidade de urânio a ser trocada e a modalidade da troca --simultaneamente ou em lotes--, informa a Alallam. "Há um acordo sobre o momento e o volume de combustível a ser trocado", disse ele. "Mas ainda falta decidir o local e, se houver garantias concretas, o Irã está disposto a negociar."

Proposta

A proposta de Brasil e Turquia era pressionar os líderes iranianos a rever uma proposta sob a qual o Irã enviaria urânio baixamente enriquecido a outro país e, em retorno, receberia urânio altamente enriquecido -- um plano que fracassou em outubro do ano passado.

Um acordo apresentado pela ONU em outubro oferecia ao Irã que enviasse 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento --o suficiente para a fabricação de uma bomba se enriquecido no patamar necessário-- para a França e para a Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã.

O Irã afirmou na época que só trocaria o seu material por urânio em níveis maiores de enriquecimento e somente no seu próprio território, condições que as outras partes envolvidas no acordo consideraram inaceitáveis.

O acordo foi interrompido na época. O Brasil e a Turquia, ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), ofereceram-se para mediar as negociações e tentar convencer o Irã a rever a oferta.

Os Estados Unidos e países aliados estão em negociação para impor uma quarta rodada de sanções da ONU ao Irã. Washington acusa Teerã de tentar ganhar tempo ao aceitar a proposta de mediação de Lula.

O Brasil já apresentou uma proposta segundo a qual o Irã trocaria urânio pouco enriquecido por combustível nuclear na Turquia, país que tem estreitos laços tanto com Ocidente como com o Oriente Médio. O Irã enviaria urânio ao exterior e o receberia de volta enriquecido a 20%, nível suficiente para fins pacíficos.

Segundo a imprensa iraniana, Ahmadinejad tinha dito que aceitava "em princípio" a proposta de Lula durante uma conversa telefônica com o líder venezuelano, Hugo Chávez.

Viagem surpresa

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan viajou a Teerã neste domingo para se reunir com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Estou indo ao Irã porque uma cláusula será acrescentada ao acordo que diz que a troca será feita na Turquia", disse o premiê. "Teremos a oportunidade de começar o processo em relação à troca", disse Erdogan. "Eu garanto que encontraremos a oportunidade para superar esses problemas, se Deus quiser."

Roda de apostas

Durante visita oficial à Rússia, em entrevista concedida no Kremlin, Lula disse que há 99% de chances conquistar um acordo com o Irã durante sua passagem pelo país. Ao seu lado, o presidente russo, Dmitri Medvedev, não foi tão otimista: afirmou que as chances são de 30%.

"Se não chegarmos a um acordo, volto para casa feliz, porque ao menos não fui negligente", disse o presidente.

Considerado um carismático negociador, Lula conta com o apoio da França, Turquia e da Rússia, ainda que comedido, mas os EUA já advertiram que o Irã não leva o encontro a "sério".

Para a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, Lula enfrenta uma "montanha a ser escalada" para tentar persuadir o Irã a limitar suas ambições nucleares.

"Eu disse a meus colegas em muitas capitais do mundo que eu acredito que não teremos nenhuma resposta séria dos iranianos até que o Conselho de Segurança aja", disse ela, referindo-se aos esforços liderados pelos EUA para a imposição de uma quarta rodada de sanções da ONU contra o Irã.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, disse que se o Irã não mudar seu comportamento após a visita de Lula, o país deverá pagar o preço.

"Neste ponto acreditamos que deverá haver consequências por um fracasso em responder", disse Crowley.

Ahmadinejad aconselha os EUA a deixar a Região

Presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã, disse que passou o tempo das ocupações militares, ao comentar a presença, sempre em expansão, de soldados dos EUA no Iraque e no Afeganistão. O melhor que os EUA têm a fazer, disse o presidente iraniano, é retirar todos os soldados hoje no Oriente Médio.

Falando a uma multidão, na cidade de Yasuj, no sul do Irã, nessa 4ª.-feira, o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse aos EUA:

“Aconselho-os a prestar atenção ao que a nação iraniana está dizendo: desistam de suas ideias obsessivas; aprendam a viver com outras nações, sob relações de justiça, solidariedade e amizade, como seres humanos; saiam do Oriente Médio; retirem seus soldados do Afeganistão, do Iraque; voltem para dentro de suas fronteiras e cuidem da sua vida e dos seus problemas, que não são nem poucos nem pequenos!”

Ahmadinejad ofereceu-se para ajudar os EUA e seus aliados a saírem do “atoleiro” em que se meteram na Região.

Teerã tem repetidas vezes culpado Washington pela instabilidade que assola o Oriente Médio, sempre agravada pela presença massiva de soldados dos EUA e da OTAN, no Afeganistão e no Iraque.

A invasão de 2001, do Afeganistão, logo depois dos ataques de 11/9 contra os EUA, foi decidida pelos estrategistas dos EUA, sob o pretexto de exterminar os guerrilheiros islâmicos e implantar paz e estabilidade em todo o país. Mas o que se vê, nove anos de guerra depois, são os EUA criticados em todo o mundo pela incapacidade de estabelecer qualquer paz ou qualquer estabilidade, ao mesmo tempo em que continuam a matar civis iraquianos, afegãos e agora, também, civis paquistaneses. Em vez de pensar em meios para construir a paz, a Casa Branca, agora, planeja enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão, sempre tentando conter os guerrilheiros afegãos, os quais, evidentemente, pelo que se pode ver, ainda não se deixaram nem dominar, nem “estabilizar”.

O presidente Ahmadinejad alertou o presidente Obama dos EUA, de que, se os EUA não puserem fim à ocupação do Afeganistão, o governo dos EUA acabará por fazer papel ridículo aos olhos do mundo – muito diferente, também nisso, da nação iraniana que, no mesmo período de tempo, conseguiu fazer-se ouvida e respeitada em todo o mundo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Papel de mediador do Brasil leva Exército Brasileiro a receber prisioneiros libertos pelas FARC

Um helicóptero do Exército Brasileiro decolou na manhã de hoje de Villavicencio, no centro-leste da Colômbia, para recolher em algum ponto da selva o soldado colombiano Josué Calvo, que será libertado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em um gesto unilateral, em 16 de abril do ano passado, a guerrilha colombiana decediu libertar dois prisioneiros. O saldo Josué Calvo devido à problemas de saúde, e o cabo Pablo Emilio Moncayo é o mais antigo prisioneiro.

As Farc exigiram do governo colombiano o cumprimento de protocolos de segurança para possibilitar o resgate, de forma a não usarem operações humanitárias de paz como alvos de ataques militares.

A logística brasileira é um dos elementos que ajudam a vencer as desconfianças mútuas entre exército e guerrilha, ainda mais em um momento de acirramento do conflito armado, a dois meses da eleição presidencial.

A bordo do helicóptero com tripulação do Exército Brasileiro, viajarão representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e do grupo Colombianos pela Paz, encabeçado pela senadora Piedad Córdoba.

Dois helicópteros brasileiros foram colocados à disposição da Cruz Vermelha Internacional para a ação. As aeronaves partiram na manhã de sábado (27) de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, e chegaram por volta das 15h30 em Villavicencio.

As negociações são conduzidas pela senadora Piedad Córdoba, que faz oposição ao governo de Álvaro Uribe, e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Do lado brasileiro, participam diretamente da operação apenas militares. Mas as negociações foram orientadas pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

De Zé Augusto

quinta-feira, 18 de março de 2010

Brasil nunca foi tratado com tanto respeito em Israel, diz correspondente da BBC

Do front em Tel Aviv, onde trabalha como correspondente da BBC Brasil em Israel e territórios palestinos desde 1997, Guila Flint conversou com o Heródoto Barbeiro, âncora da CBN, na manhã desta terça-feira (17/3), onde faz uma avaliação da visita oficial do presidente Lula ao Oriente Médio (Israel, Palestina e Jordânia). “Depois de viver muito anos aqui, nunca vi o Brasil ser tratado com tanto respeito”, disse.

O comentário foi feito de um ponto de checagem no momento em que Lula terminava a visita a Israel. Guila trata também da repercussão da presença do presidente brasileiro no Oriente Médio publicada pela mídia: “A repercussão está sendo bastante grande tanto na mídia eletrônica quanto na mídia impressa. Várias reportagens, sendo a maior parte delas favorável ao presidente Lula”, destacou. Ela acrescentou que “o balanço foi muito bom. O presidente brasileiro foi bem recebido em Israel”.

A correspondente assinalou, num outro comentário ontem (16/3), o fato de Lula ser o primeiro presidente da República do Brasil a visitar a região, observado com bons olhos pelos israelenses e palestinos que ela conversou nas últimas horas. Ela destaca comentário do presidente de Israel, Shimon Peres, que alegou que “a contribuição do Brasil será muito bem-vinda” ao processo de paz naquela região. Guila destacou também que “os palestinos consideram o Brasil um moderador honesto” e, por este motivo, ficariam muito satisfeitos “se o Brasil tivesse um papel ativo no processo de paz”.

O site da BBC Brasil diz que Guila Flint começou a trabalhar em jornalismo em 1991, escrevendo para o diário israelense Davar sobre o Brasil. Cobre o Oriente Médio para a imprensa brasileira desde 1995 e trabalhou com o Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo e o Correio Braziliense. Foi correspondente da Globo News de 1997 a 2002 e também colaborou com a revista Carta Capital e com a revista Visão, de Portugal. Seu livro, “Israel terra em transe – democracia ou teocracia?”, em co-autoria com Bila Sorj, foi publicado pela Editora Civilização Brasileira em 2000. Guila é correspondente da BBC Brasil em Israel e nos territorios palestinos desde 1997.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Haiti prende estadunidenses que saíam do país com 33 crianças sem autorização

A BBC do Brasil informa que a polícia do Haiti prendeu, no sábado, dez cidadãos estadunidenses suspeitos de tentar levar para fora do país 33 crianças, entre 2 meses e 12 anos de idade, sem autorização.

Foram detidos na fronteira com a República Dominicana e, segundo um porta-voz do governo haitiano, não tinham nenhum documento provando que as crianças eram órfãs ou que eles tinham o direito de retirá-las do país.

O grupo pertence à ONG New Life Children's Refuge, com sede no Estado americano do Idaho. Em uma delegacia em Porto Príncipe, onde estão detidos, eles disseram à BBC que tinham a intenção de levar às crianças a um orfanato que montaram na República Dominicana.

Eles afirmaram ainda que a prisão é um erro e que eles achavam que tinham permissão para viajar para o país vizinho.

Adoção

O terremoto do último dia 12 matou até 200 mil pessoas e destruiu vários orfanatos no Haiti.

Muitas crianças ficaram órfãs e as autoridades já manifestaram a preocupação de que redes de tráfico se aproveitem da situação para levá-las para fora do país.

Diante disso, o governo impôs novos controles para a adoção dos órfãos do terremoto. Entre elas, está a exigência de uma autorização do Ministério de Assuntos Sociais para a saída de uma criança do Haiti.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ausência de Lula cai como ducha de água fria em Davos

A ausência do Presidente Lula veio como uma ducha de água fria em Davos, na manhã desta quinta-feira, 28, já bastante gelada pela quantidade de neve que cai sobre o resort de esqui suíço. Era grande a expectativa em torno da participação do presidente brasileiro, que receberia o prêmio de "Estadista Global" na sexta-feira, 29, a primeira edição da homenagem criada pelo Fórum Econômico Mundial.

Uma mistura de surpresa, decepção e preocupação com a saúde de Lula surgiu como reação dos participantes do evento. Lula seria a principal atração do evento, diz uma reportagem do jornal o Estado de São Paulo.

"Que pena, todo mundo está interessado no Brasil ", afirmou o vice-presidente do Deutsche Bank Group e ex-vice-ministro da Alemanha, Caio Koch-Weser. Ele contou que conversou com Lula logo após sua eleição, em 2002, e o aconselhou a vir a Davos, o que realmente ocorreu em 2003. "Seria uma grande oportunidade para ele fazer um relatório sobre o Brasil."

O economista-chefe do HSBC, Stephen King, avalia que existia forte expectativa sobre o discurso do Presidente Lula e sua ausência será sentida pelos participantes do evento. "Ele é uma estrela, é claro que fará falta."

A notícia sobre o cancelamento era assunto entre os empresários brasileiros presentes, como Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração da Brasil Foods, e Ricardo Villela Marino, do conselho do Itaú Unibanco. Furlan contou que conversou com Lula sobre a viagem a Davos quando o presidente estava de férias na Bahia. "Ele me disse que faria um relatório das coisas que falou aqui em 2003 e do que ele fez."

Até há pouco a participação de Lula não havia sido cancelada oficialmente, segundo a organização do evento - que por esse motivo ainda não se manifestou. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai representar Lula em Davos.

Da Agência Estado

sábado, 19 de dezembro de 2009

Lula em Copenhague

O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, puxou as palmas ontem para os Presidentes Lula e Nicolas Sarkozy (França), ao final de entrevista em Copenhague.

Depois, fez elogios ao presidente Lula, ao encontrarse, na saída do evento, com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).Young considerou que o Presidente Lula foi objetivo, indo direto ao ponto, ao dizer que quem poluiu tem que pagar, que a conta chegou e que é preciso começar a pagá-la.

Dilma

O DEM da Bahia encomendou pesquisa sobre a eleição presidencial em Salvador. Dilma está sete pontos percentuais à frente de Serra.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) deu um brinco de presente para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), num jantar na noite de anteontem, em Copenhague.

De Ilimar Franco

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Imprensa internacional

Na BBC Brasil, "pela primeira vez um emergente passou para trás desenvolvidos como a Suécia", em índice da Germanwatch e da CAN, Climate Action Network. Na alemã Deutsche Welle, "Brasil e Suécia, seguidos por Reino Unido e Alemanha, são os que mais fazem pela proteção ao meio ambiente". A China vem em 52º lugar, os EUA, em 53º. No final da lista, Canadá e Arábia Saudita.

O principal canal financeiro dos EUA transmitiu no fim de semana uma entrevista do Rio, destacando a nova classe média etc. E sugeriu investir em imóveis, argumentando com o programa Minha Casa, Minha Vida..

De Nelson Sá

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Lula viaja amanhã para Copenhague

O Presidente Lula antecipou para esta terça-feira sua viagem para Copenhague para participar da Cúpula das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP15), informaram hoje fontes oficiais.

Lula partirá de Brasília às 8h e deve chegar à capital dinamarquesa à noite, segundo a agenda divulgada pelo Palácio do Planalto, que não deu mais detalhes da visita.

Inicialmente, o Presidente tinha previsto chegar a Copenhague entre os dias 17 e 18 para participar da conferência de presidentes que encerrará a COP15.O Brasil levou para a Dinamarca uma delegação de 700 pessoas, entre representantes do Governo, políticos e cientistas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lula, personalidade do ano na Espanha, assombra o mundo, segundo Zapatero



O presidente Luiz Inácio Lula Silva foi escolhido pelo jornal espanhol El País como uma das cem personalidades mais importantes do mundo ibero-americano em 2009 e ganhou um perfil assinado pelo próprio primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero.

No texto, que será publicado na versão impressa de domingo, mas que já foi disponibilizado na internet, Zapatero classifica Lula como "o homem que assombra o mundo" e, entre outros elogios, diz que o presidente brasileiro é um homem "completo e tenaz, por quem sinto uma profunda admiração".

"Pelas mãos deste homem (Lula), seguindo o caminho aberto por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o Brasil, em apenas 16 anos, deixou de ser o país de um futuro que nunca chegava para converter-se em uma formidável realidade, com um brilhante futuro e uma projeção global e regional cada vez mais relevante", escreve Zapatero.

O primeiro-ministro espanhol ainda afirma que Lula "está sabendo enfrentar a desigualdade, a pobreza e a violência" e que, com ele, "o Brasil ganhou a confiança dos mercados financeiros internacionais".

Classificando o presidente brasileiro como "uma referência para a esquerda" latino-americana, Zapatero ainda afirma que o Brasil "logo ocupará uma vaga no Conselho de Segurança da ONU e se transformará em uma potência energética".

O espanhol termina o artigo afirmando ter encontrado Lula em Copenhague, em outubro, quando o Rio foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

"Lula chorava como um menino grande (....) A euforia não o impediu de ter o caráter necessário para vir me consolar porque Madri não havia sido eleita", diz. "A mim não espanta que este seja o homem que assombra o mundo", completa o premiê espanhol.

Evo ''importa'' reforma agrária do Brasil

O governo da Bolívia, sob a chefia do recém-reeleito presidente Evo Morales, está interessado em importar o modelo brasileiro de reforma agrária. Os dois países já acertaram um programa de cooperação, que começou a deslanchar nesta semana, com a chegada ao Brasil de uma equipe de oito técnicos do Instituto Nacional de Reforma Agrária, da Bolívia.

Eles já visitaram projetos de assentamentos e cooperativas rurais no Paraná e hoje devem se deslocar para Santa Catarina. No município catarinense de São Miguel do Oeste vão conhecer a experiência de uma cooperativa de assentados que envasa cerca de 400 mil litros de leite por dia. Amanhã eles visitam um frigorífico de peixes e uma fábrica de conservas de pepino em Abelardo Luz.

Na segunda-feira o grupo de bolivianos vai a Brasília, para participar de uma série de painéis e debates, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O objetivo é oferecer aos visitantes uma visão detalhada do que está sendo feito no País nas áreas de reforma agrária, organização de cadastro fundiário, georreferenciamento e titulação de imóveis rurais.

No fim da semana, os técnicos bolivianos deverão encerrar o programa no Brasil com visitas a assentamentos rurais localizados nos arredores de Brasília. Em cada uma dessas etapas eles são acompanhados por diretores do Incra.

INTERCÂMBIO

O governo Lula tem procurado cada vez mais estabelecer contatos com países do Mercosul nessa área de reforma agrária, regularização fundiária e produção de alimentos em pequenas propriedades. Já existe no Incra uma diretoria encarregada de estimular esse tipo de intercâmbio. Duas expressões comuns nas mesas-redondas e seminários sobre o assunto são soberania alimentar e gestão territorial.

Um dos principais problemas da Bolívia, segundo informações dos técnicos enviados ao Brasil, é a regularização fundiária de terras ocupadas por grupos indígenas. Bastante organizados, especialmente após a ascensão de Evo ao poder, eles cobram do governo a titulação das terras e documentos de propriedade. Daí o interesse boliviano nos programas brasileiros de georreferenciamento.

Na terça-feira, no Incra, em Brasília, o tema principal do painel para os bolivianos será a fiscalização da função social da propriedade. Os expositores serão os técnicos encarregados de obter terras para a reforma agrária no Brasil, de acordo com as determinações constitucionais, que preveem a desapropriação de áreas consideradas improdutivas. Na quinta-feira será discutida a questão da legalização fundiária na região amazônica.

TECNOLOGIA

O governo de Evo já pôs em andamento um programa de reforma agrária no país - com características históricas e sociais bem diferentes das brasileiras. O que se busca agora, segundo declarações dos técnicos do Instituto Nacional de Reforma Agrária, é seu aprimoramento, com a transferência de tecnologia adotada nos programas brasileiros.

Os dois governos parecem bastante afinados nos discursos sobre o tema, afirmando que a desconcentração de terras favorece a cidadania.

Da Agência Estado

domingo, 29 de novembro de 2009

A GRANDE MÍDIA MENTE

As redes norte-americanas de notícias CNN e FOX, braços do Departamento de Estado e da CIA, estão pautando as emissoras e redes de países do mundo inteiro onde o monopólio da informação está a serviço dos EUA. A CNN espanhola divulga que Honduras está em “festa” com as eleições presidenciais. Há poucos instantes outro veículo militar sofreu um “acidente”. Levava urnas e cédulas marcadas previamente. O militar que dirigia o caminhão morreu.

A ANISTIA INTERNACIONAL está pedindo investigações sobre um tiroteio entre militares, a notícia pode ser lida em
http://ultimosegund o.ig.com. br/mundo/ 2009/11/28/ anistia+internac ional+pede+ investigacao+ de+tiroteio+ militar+em+ honduras+ 9186097.html

A grande mídia ignora a notícia e o fato, para empresas como a CNN e a FOX que, no Brasil, pautam GLOBO, BANDEIRANTES e principais jornais e revistas, tudo é “festa.”

Neste momento militares hondurenhos sob comando de norte-americanos estão ocupando o Centro de Capacitación ECOSOL da Red de Economia Solidária COMAL, formada por pequenos produtores e organizações de mulheres e homens para o consumo coletivo e responsável, com o objetivo de buscar contribuir para o fortalecimento da economia comunitária. O centro tem formação católica e lideranças que se opõem à cúpula da Igreja no país, toda ao lado do golpe militar e da barbárie instalada no país. A operação está sendo comanda por um capitão/zumbi cujo nome ainda não foi possível apurar, mas será revelado em breve.

Para a CNN e a FOX e as redes espalhadas pelo mundo inteiro associadas ao poder imperial dos EUA, isso não é notícia, tudo é “festa”.

Pessoas estão sendo presas, espancadas, torturadas e encaminhadas a prisões militares.

INTIMIDAÇÃO

Patrulhas militares espalhadas por todas as cidades de Honduras estão intimidando jovens que protestam e advertindo a cidadãos que devem votar sob pena de sanções e perseguições futuras. O objetivo do comando militar dos EUA que governa Honduras através de Roberto Michelleti é alcançar um número expressivo de eleitores para tentar “legitimar” o golpe.

Residências de resistentes estão sendo invadidas sem ordem judicial. Os militares sob controle de consultores norte-americanos e agentes do MOSSAD de Israel ameaçam inclusive forjar flagrantes de tráfico de droga, prática comum de polícias latino-americanas em países cujos governos são títeres dos EUA. A droga em grande quantidade veio da Colômbia através do governo do narcotraficante e presidente daquele país Álvaro Uribe. As ligações de militares, políticos, empresários, latifundiários e banqueiros com o tráfico são públicas e notórias.

O que FOX e CNN chamam de “festa” é um regime de horror e terror imposto por militares golpistas, sem qualquer compromisso com Honduras e seu povo, mas tão somente com o soldo que chega de WASHINGTON.

Os resultados das eleições já estão definidos e os observadores internacionais independentes estão denunciando manipulação, pressões e intimidações, ao contrário dos “observadores” enviados pelos norte-americanos.

O PODER É DO POVO! ZELAYA É O PRESIDENTE!

RESISTIMOS À BRUTALIDADE MILITAR DOS EUA!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coelhos são queimados para gerar biocombustível na Suécia

Coelhos estão sendo usados como matéria-prima para a produção de biocombustível para o aquecimento de casas na Suécia. Os corpos de milhares de coelhos são queimados em uma usina de geração de energia na região central da Suécia. Os animais vem da capital sueca, Estocolmo.

A Prefeitura mata milhares de coelhos anualmente para proteger parques e campos na cidade. As espécies de coelhos não são nativas da Suécia. De acordo com as autoridades, os coelhos sujam muitos dos espaços verdes da capital. Como não há animais predadores de coelhos em Estocolmo, a Prefeitura contrata caçadores para matá-los.

Polêmica

Um dos caçadores, Tommy Tuvunger, disse ao site da revista alemã Spiegel que seis mil coelhos foram mortos no ano passado. Neste ano, três mil já foram caçados. "Eles são um problema muito grande", diz Tuvunger. "Depois de mortos, os coelhos são congelados e, quando temos números suficientes, uma empresa vem e os leva." Os coelhos são levados para a usina na cidade de Karlskoga, que os queima para fornecer energia para o aquecimento de casas.

Leo Virta, diretor da empresa Konvex, que fornece os coelhos para a usina, desenvolveu uma forma de processar os restos dos animais para a produção de biocombustível com financiamento da União Europeia. Com a técnica, o corpo do coelho é esmagado, ralado e depois levado a uma caldeira, onde é queimado junto com pedaços de madeira e lixo para geração de calor. "É um bom sistema, porque resolve o problema de lidar com o lixo animal e gera aquecimento", disse Virta à BBC.

O editor do jornal The Local, de Estocolmo, disse à BBC que a notícia do uso de coelhos para produção de biocombustíveis gera polêmica no país. "Na cidade onde eles estão sendo queimados, a reação dos moradores é bastante calma", disse o editor James Savage. "Mas em Estocolmo, existe a preocupação de que os coelhos são bonitinhos.

Isso entre algumas pessoas, em especial ativistas de direitos animais, que pensam que esta não é uma boa forma de se tratar coelhos."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lula em Londres


A rainha da Inglaterra, Elizabeth, visitou as obras do Estádio Olímpico, que está sendo criado para os Jogos de 2012 no país.


De Lula, comentando a disposição da Rainha Elizabeth II, que dia desses andou vistoriando pessoalmente as obras para as Olimpíadas de Londres, em 2012:“Se fosse lá no Brasil, iam dizer que Sua Majestade está em campanha política!”

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Brasil e Índia querem apresentar recurso sobre genéricos contra a UE


Brasil e Índia querem apresentar à OMC queixa conjunta contra a UE, devido à política do bloco sobre patentes de remédios. Entidades humanitárias acusam europeus de dificultar acesso de países pobres a medicamentos.
Índia e Brasil planejam entrar com recurso na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Europeia, em uma disputa envolvendo a apreensão de medicamentos genéricos efetuada pelos europeus.
Diplomatas dos dois países junto à OMC afirmaram que seus governos decidiram encaminhar um pedido para realização de consultas com a UE, primeira etapa para lançar uma disputa comercial formal.
Em dezembro de 2008, as autoridades holandesas apreenderam genéricos para tratamento de hipertensão, a caminho da Índia para o Brasil. Ambos os países acreditam que o caso é um símbolo do desrespeito das nações ricas e das grandes corporações.

Dilema

A luta entre as multinacionais farmacêuticas e os países ricos e os países em desenvolvimento envolve políticas de comércio e a questão de patentes e propriedade intelectual sobre medicamentos. O dilema é: como conciliar o fornecimento de remédios acessíveis à população de países pobres com a necessidade de se promover a pesquisa médica com o dinheiro arrecadado através das patentes dos medicamentos.
"Decidimos lançar a realização de consultas", afirmou o embaixador da Índia junto à OMC, Ujal Singh Bhatia. "Só estamos finalizando os procedimentos" , observou.
"No momento, a decisão de Brasília é de seguir adiante", confirmou o representante brasileiro na OMC, embaixador Roberto Azevedo. Os dois diplomatas ainda não decidiram quando será feito o pedido formal para notificação.

Dois pesos e duas medidas

Tentando um tom conciliatório, a Comissão Europeia afirmou que está levando a sério a questão do acesso a medicamentos por parte dos países em desenvolvimento, e examina os casos de apreensão de remédios.
"A Comissão concorda que ações contra falsificações e contra drogas perigosas não deveriam ser realizadas às custas do comércio de medicamentos genéricos genuínos ", contemporizou Lutz Guellner, porta-voz da comissária europeia para o Comércio, Catherine Ashton. Ela discutiu a questão com o ministro indiano de Comércio e Indústria, Anand Sharma, no começo de outubro, e concordou em continuar trabalhando no assunto.
Em um relatório divulgado nesta semana, as ONGs Oxfam e Health Action International (HAI) acusaram a Europa de estar usando dois pesos e duas medidas, quando de um lado baixa preços de medicamentos no mercado interno e, por outro lado, dificulta o acesso de países pobres a medicamentos baratos.

Passo importante

"Brasil e Índia estão dando um passo importante para derrubar a política europeia de patentes, que está indo na direção errada e impedindo o acesso de milhões de pessoas a medicamentos importantes" , declarou Rohit Malpani à Deutsche Welle. O consultor da Oxfam é um dos autores do documento.



"A União Europeia pressiona países como a Índia ou o Equador a introduzirem regras de patentes que vão muito além das impostas pela OMC", acusa o estudo da Oxfam e da HAI. As entidades acusam a UE de colocar os interesses da indústria farmacêutica "acima da saúde de 2 bilhões de pessoas no mundo inteiro, que não têm acesso a medicamentos básicos".
Segundo David Hachfeld, diretor do departamento de política comercial da Oxfam alemã: "A rígidas regras de patentes da UE subvertem as metas de desenvolvimento do milênio, restringirem o comércio de genéricos, e dessa forma fazem com que o preço dos medicamentos chegue às alturas".
"A Índia, por exemplo, produz mais de 80% das drogas anti-HIV de preços acessíveis empregadas no mundo. O endurecimento das regras de patentes da UE deixaria à deriva milhões de portadores de HIV nos países em desenvolvimento" , acrescenta Hachfeld.
Desde o fim de 2008, policiais alfandegários de Alemanha e Holanda apreenderam 19 carregamentos de remédios genéricos destinados a países em desenvolvimento, de acordo com a Oxfam e a HAI.

Inspeções

Elise Ford, diretora da representação da Oxfam junto à União Europeia, afirmou que as ações resultariam em medicamentos com preço mais alto nos países em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que a Comissão Europeia está lançando sua própria campanha para assegurar acesso para genéricos baratos dentro de seus Estados-membros.
Autoridades da UE lançaram no começo do ano passado uma série de inspeções para descobrir depósitos ilegais de genéricos em empresas farmacêuticas. A suspeita é de que algumas farmacêuticas recorram à prática do estoque para adiar, assim, a distribuição de medicamentos baratos, lucrando com os remédios de preços mais altos já existentes no mercado.
As autoridades europeias argumentam ter o direito de inspecionar medicamentos genéricos em trânsito, para proteger os cidadãos e pessoas em países desenvolvidos de medicamentos falsificados. A apreensão que irritou o Brasil e a Índia envolveu um carregamento de losartan, o nome genérico para o remédio contra pressão sanguínea alta Cozaar, da Merck. Os medicamentos estavam sendo exportados pelos laboratórios Dr. Reddys, da Índia, e retornaram ao país, após serem liberados pela alfândega.
Formalmente, as regras da OMC preveem que a Índia e o Brasil encaminhem queixas separadas, embora elas possam ser consolidadas em um único caso. "As equipes de juristas já estão se comunicando entre si e se preparando" afirmou Azevedo. "No caso de um encaminhar uma petição, então o outro também tem que fazer uma acusação que seja consistente. "