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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Real é a moeda mais sobrevalorizada no mundo, diz estudo



Divisa está 50,6% mais "cara" do que o dólar e 23,5% do que o euro, afirma banco Goldman Sachs.

Não é apenas em relação ao dólar que o real é a moeda mais sobrevalorizada do mundo. A divisa brasileira também é a mais "cara" na comparação com o euro, diz estudo do banco americano Goldman Sachs.

Segundo a instituição financeira, o real é a moeda mais sobrevalorizada no mundo.De acordo com o levantamento do Goldman, o real está sobrevalorizado em 23,5% em relação à moeda do bloco europeu -a diferença ante o dólar é mais que o dobro: 50,6%.

A taxa de câmbio apreciada dificulta a exportação, ao mesmo tempo em que facilita a entrada de produtos do exterior.O Goldman Sachs diz que a valorização do real é reflexo do momento vivido pela economia brasileira e que o movimento de alta da moeda deve persistir no ano que vem."Em outras palavras, o Brasil se recuperou significativamente mais cedo e mais forte que os EUA. Isso é muito importante para a moeda", diz o Goldman.Segundo o banco, não há sinais no curto prazo de que o real vai deixar de se apreciar, especialmente em relação ao dólar. Para ele, o real só deve sofrer pressões "consideráveis" da moeda americana no segundo semestre de 2011 -isso na previsão mais otimista.

O Goldman Sachs afirma ainda que o dólar, cotado hoje a R$ 1,75, deve cair em três meses para R$ 1,60. Daqui a seis meses, ele deve estar cotado a R$ 1,65 -retornando aos R$ 1,75 em 12 meses. "Não esperamos que o real retorne ao valor justo no horizonte previsto e, na verdade, o risco permanece em direção a um novo ciclo de apreciação."

Da Folha

sábado, 5 de dezembro de 2009

Atividade econômica cresce 3,0% em Outubro

O IMEC, índice que mede a atividade econômica no município de Salvador, registrou acréscimo de 3,0% no mês de outubro de 2009 na comparação com o mês de setembro. Seguindo o mesmo ritmo positivo, o índice aponta crescimento de 6,2% em comparação com o mês de outubro de 2008, sinalizando uma recuperação significativa para o quarto trimestre da atividade econômica.

Mesmo com esse resultado positivo a atividade econômica ainda acumula decréscimo de 0,7% de janeiro a outubro em relação a igual período do ano anterior. No acumulado dos últimos doze meses observa-se retração de 1,2%.

Essa recuperação está associada diretamente ao bom desempenho da atividade econômica em Salvador resultante do aumento no nível de emprego na RMS e na renda dos ocupados, bem como do aumento da confiança do consumidor e da expectativa dos empresários, decorrentes de previsões otimistas para a economia baiana.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Se Serra fosse presidente, o Brasil estaria quebrado pela segunda vez em 1 ano

Na noite de quarta-feira, o governo de Dubai informou que pediria adiamento do pagamento de bilhões de dólares em dívidas de duas companhias daquele país, uma vez que estava reestruturando o grupo Dubai World.

A notícia reavivou as preocupações com o setor financeiro, derrubando ações de bancos na Europa - por temor de exposição aos bônus em Dubai -, o que contagiou os papéis de instituições no Brasil. Entre elas, destaque para a preferencial de Itaú Unibanco, que caiu 3,27%.

Na época demo-tucana de FHC, qualquer crise internacional, o Brasil quebrava. Foi assim com a crise asiática (1997), a crise Russa (1998) e a crise Argentina (2001).

Estivesse José Serra (PSDB/SP) na presidência, sucedendo FHC, essa crise de Dubai, provocaria uma corrida dos investidores estrangeiros do Brasil, o país estaria com o pires na mão pedindo socorro ao FMI. E o pior teria acontecido no ano passado com a crise mundial.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Perda salarial no Brasil na crise está entre as menores do G-20


O Brasil está entre os países do G20 que registraram menor perda salarial durante a crise financeira, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Os dados indicam que os salários médios mensais no Brasil registraram crescimento de 2,8% em 2008, acima de países como Canadá (2%), Austrália (1,1%) e Grã-Bretanha (0,5%).
As maiores perdas foram registradas em países como México (-3,5 %), Japão (-0,9%), África do Sul (-0,3%) e Alemanha (-0,6%).

'Memorável'

Embora o estudo não revele estatísticas de dois dos principais emergentes membros do G20, Índia e China, o autor do estudo, Patrick Belser, disse à BBC que o Brasil está, "certamente, entre os três países do grupo em que os salários mais cresceram".
Segundo o economista, as políticas de recuperação da economia implementadas pelo governo brasileiro tiveram impacto positivo no emprego e salários do país.
A OIT considera que o governo brasileiro tomou medidas "decisivas não somente para prevenir a crise, mas também para reforçar a proteção social".
Entre elas, o relatório cita o aumento do salário mínimo e as iniciativas para garantir a continuidade de investimentos em infraestrutura, "que tiveram um impacto favorável na demanda por mão-de-obra", na opinião de Patrick Belser. Apesar disso, o economista é cauteloso.
"O Brasil conseguiu atravessar o período de crise de maneira memorável, mas já observamos, no primeiro trimestre deste ano, uma queda pronunciada na evolução dos salários e uma estabilização no segundo trimestre. O segundo semestre de 2009 será crucial para determinar se os salários vão seguir tendência de queda ou se irão manter o crescimento", disse.

Futuro

Os dados publicados são uma atualização do Relatório Mundial sobre os Salários, publicado em 2008 e editado a cada dois anos pela OIT.
As novas estatísticas indicam que, apesar dos primeiros sinais de recuperação da economia mundial, a situação dos salários no mundo continua a se deteriorar.
Segundo a OIT, o aumento dos salários médios no mundo caiu, passando de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008. Os dados indicam que mais de 25% dos 53 países analisados registraram queda ou estagnação salarial.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Juro mais baixo aumenta venda de caminhões e já provoca fila de espera

A compra de caminhões novos por caminhoneiros, tanto microempresários como autônomos (pessoas físicas), está ajudando a alongar o prazo entre a encomenda e o recebimento do veículo, que já chega a três meses, dependendo do modelo e do fabricante. Após três anos, o programa Procaminhoneiro, criado pelo BNDES em maio de 2006 para financiar a renovação da frota dos autônomos, disparou nos últimos três meses, após o governo reduzir, em junho, a taxa de juros de 13,5% para 4,5%. De agosto até 19 deste mês, o programa aprovou R$ 381 milhões em novas operações, contra R$ 341 milhões no ano passado.
"Pela primeira vez na história o governo Lula conseguiu ter um programa que está permitindo ao caminhoneiro renovar sua frota", disse Norival de Almeida Silva, presidente do sindicato dos caminhoneiros do Estado de São Paulo. Segundo ele, São Paulo tem 211 mil caminhoneiros autônomos - donos de 264 mil veículos - e está havendo uma corrida na categoria para trocar o equipamento. Entre aqueles que têm contratos de fretes firmes, a renovação chega a 90%, de acordo com Silva.
Embora o Procaminhoneiro financie a compra de veículos novos e usados, o sindicalista disse que os caminhoneiros estão preferindo comprar o caminhão novo e, em muitos casos, ficando também com o antigo para ajudar a fazer dinheiro para pagar o financiamento. Édson Moret, gerente de operações indiretas do BNDES, confirmou que a participação dos usados no total de operações aprovadas é pequena.
A redução da taxa de juros do BNDES Procaminhoneiro foi anunciada pelo governo no dia 29 de junho. Além de baixar a taxa em 67%, equalizando a diferença com recursos da União, o governo aumentou de 84 para 96 meses o prazo do financiamento para veículos novos. A linha de crédito total para o programa, que era de R$ 1 bilhão, passou a ser de R$ 1,8 bilhão. As montadoras estão pleiteando ao governo que o prazo de validade das condições atuais, limitado a 31 de dezembro, seja prorrogado.
Moret disse que a prorrogação depende de decisão de governo, porque os recursos para equalização saem do Orçamento da União, mas afirmou que da parte do banco não faltarão recursos, mesmo que as aprovações possam se aproximar de R$ 1 bilhão até o fim do ano. Atualmente restam R$ 760 milhões do total da linha a serem contratados, mas Moret avalia que, por se tratar de decisão interna do banco, não haverá problema se for necessário ampliar o volume de recursos.
Os números do BNDES mostram que o desempenho da linha foi negativo ao longo dos sete primeiros meses deste ano, com queda de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados revelam ainda que o volume maior de recursos vai para as microempresas. Do total do ano passado, R$ 195 milhões foram para elas e R$ 146 milhões para as pessoas físicas. Até setembro deste ano, de R$ 332 milhões, as microempresas ficaram com R$ 186 milhões.
O gerente de vendas e marketing da Ford , Cláudio Terciano, disse que, graças à redução dos juros, a empresa está percebendo forte participação do programa Procaminhoneiro nas vendas. Segundo ele, 90% dos atuais financiamentos para caminhões estão saindo da Finame, agência do BNDES para financiar máquinas e equipamentos nacionais, e desses, 30% são do Procaminhoneiro.
Terciano disse que a disponibilidade de financiamento barato está fazendo com que as vendas de caminhões estejam alcançando o patamar do ano passado. Segundo ele, até o dia 25 deste mês a média diária de caminhões novos acima de 3,5 toneladas emplacados foi de 527 unidades, praticamente igual ao recorde de 530 registrado em setembro do ano passado.

Juros para pessoa física são os mais baixos desde julho de 1994

O custo médio da taxa de juros cobradas nos empréstimos das pessoas físicas cai 0,5 ponto percentual em relação a agosto e ficou em 43,6% ao ano no mês passado. Essa é a menor taxa da série histórica do BC iniciada em julho de 1994.
A taxa para as empresas (pessoas jurídicas) ficou em 26,3% ao ano em setembro, com redução de 0,1 ponto percentual.
Dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (27) mostram que, no geral, a taxa média teve redução pelo décimo mês seguido e ficou em 35,3% ao ano. É o menor patamar desde dezembro de 2007. Em relação a agosto, a redução foi de 0,1 ponto percentual.
O spread (diferença entre taxa de captação e a cobrada dos clientes na hora do empréstimo) passou de 17,8 para 17,7 pontos percentuais para as pessoas jurídicas, e de 34,3 para 33,4 pontos percentuais para as famílias. O spread geral caiu de 26,3 para 26 pontos percentuais.
O prazo médio para as empresas passou de 264 para 269 dias corridos. Para as pessoas físicas, houve aumento do prazo de 498 para 506 dias corridos. O prazo total passou de 367 para 374 dias corridos.

sábado, 24 de outubro de 2009

Mercado se antecipa à cobrança do IOF

Mercado se antecipa à cobrança do IOF
e o Banco Central recebeu reservas de US$ 10,5 bi, de 1o a 16 de outubro


De Danilo Reis

Com a decisão da cobrança do IOF de 2%, desde 17 de outubro, sobre o capital estrangeiro que entra no país para investir em ações ou títulos, o mercado se antecipou, no intuito de driblar a cobrança, e o saldo das reservas cambiais ampliou em US$ 10,5 bilhões do dia 1o ao dia 16 deste mês, valor muito acima da média de US$ 2 bilhões registrada desde abril, quando o fluxo voltou a ficar positivo, dados os efeitos da crise financeira mundial.
O Governo tem sido alvo de severas críticas da oposição. Estes mantêm o discurso de que o Brasil ficará menos atraente ao investidor estrangeiro, podendo a medida causar evasão de divisas e até uma retração dos IPO`s (sigla para a expressão em inglês Initial Public Offering que significa a abertura do capital de uma empresa no mercado acionário) e dos lançamentos de debêntures.
Para os defensores do Governo, a medida será muito útil para desestimular a entrada de capitais alienígenas especulativos ou de curto prazo, uma vez que não atinge os investimentos estrangeiros diretos e não afetará muito os investimentos de portfólio que tenham horizonte mais longo. Assim, consideram-na altamente oportuna e adotada no momento correto, quando o BRIC (os quatro principais países emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China) está em evidência e há uma expectativa de bom desempenho, de curto e médio prazos, das economias destes países.
Fora do jogo político, a análise técnica do Financial Times considera que o Governo fez a opção certa em se antecipar para evitar a bolha da economia, criada na última crise econômica. A euforia dos mercados tem sido vista com bastante prudência pelos analistas. Há uma tendência conservadora temendo uma nova onda de supervalorização dos preços dos ativos, principalmente por ataques especulativos a economias emergentes, que se tornaram a grande esperança de aquecimento do mercado global.

Danilo Reis é Economista, Mestre em Contabilidade e Finanças, Gerente de Banco e Professor de Finanças e Contabilidade dos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Unime/Facsul e Faculdade de Ilhéus.
danilojsreis@yahoo.com.br

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

JOGADA DE MESTRE

O episódio da “interferência” de Lula na gestão da Vale foi exemplar e deixou os privatistas de cabelo em pé. Sem referências à controversa, para dizer o mínimo, privatização da empresa no governo anterior, o presidente usou a condição de sócio que o governo ostenta na mineradora para cobrar dela melhores resultados e maior participação no desenvolvimento do país.
Isso é um direito de qualquer acionista, inclusive os minoritários, e principalmente de quem participa ativamente do controle da empresa, através da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, e do BNDESpar. Dentro das regras do jogo de mercado, Lula cobrou que a Vale investisse mais em siderurgia, agregando valor ao minério bruto que exporta. E retomou a queixa sobre os critérios que levaram a empresa a comprar navios no exterior e a demitir funcionários assim que a crise se anunciou.
Vamos imaginar que essa cobrança tivesse sido feita pelo Bradesco, um dos acionistas da Vale, com apenas 9%, mas que indicou Roger Agnelli para a presidência da mineradora. No máximo, repercutiria como conflito interno da empresa vindo à tona, mas o direito de o banco dizer tal coisa jamais seria contestado, como foram, por certos setores, as declarações de Lula.
A extração e exportação de minério têm trazido grandes lucros à Vale e a seus acionistas, mas a exportação de produtos mais acabados renderia muito mais. A China exportou 60 milhões de toneladas de aço em 2008, o que revela um mercado bem aquecido. Mesmo com a queda de demanda provocada pela crise, agregar valor a qualquer produto sempre beneficia as exportações.
O governo brasileiro não só é sócio da Vale, mas também financiador da empresa. Ano passado, a Vale recebeu 7,3 bilhões de reais do BNDES, a maior linha de crédito já oferecida pelo banco estatal. O financiamento seria para 18 projetos a serem realizados no país em cinco anos. O governo tem todo o direito de saber onde foram alocados estes créditos. Como consta em seu nome, o BNDES é um banco nacional de desenvolvimento econômico e social. Não faria sentido emprestar dinheiro a uma empresa que compra equipamentos no exterior, quando existem similares nacionais capazes de gerar emprego e renda no país.
É exatamente aí que entra uma outra lógica, difícil de ser absorvida pelos mercadistas. Por ser uma empresa com forte participação estatal, ela deve contribuir para o desenvolvimento do país, não apenas com os empregos diretos que gera e os impostos que paga. Mas com atuação decisiva em projetos desenvolvimentistas que reforcem a indústria nacional.
O governo fez isso com a Petrobras. No governo passado, a lógica da petroleira era exclusivamente o lucro. Encomendava navios e plataformas lá fora, o que elevava suas margens, mesmo que às custas de deixar à míngua uma cadeia de indústrias e fornecedores nacionais. Ao tomar posse, Lula modificou tal política, e com isso contribuiu para o renascimento da indústria naval brasileira, que gera atualmente 40 mil postos de trabalho. E sem que a Petrobras deixasse de retornar dividendos consideráveis aos seus acionistas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Agnelli levantou da cadeira e aplicou US$ 12,9 bi no País

No dia em que o Presidente Lula diz que não dá para "ficar sentado na cadeira"...Agnelli levantou e confirmou US$ 12,9 bi para 2010. Ele entendeu o recado...estava batendo na porta a quase reestatização da Vale.
Lula disse:
'Até o Roger sabe que não adianta a Vale ficar achando que é grande, ficar sentado numa cadeira no Rio de Janeiro e não ir para a rua vender. É preciso disputar cada milímetro. Não existe moleza, disse Lula".
Na avaliação de cientistas políticos, o " Presidente Lula venceu ontem a queda de braço com o presidente da Vale, o executivo Roger Agnelli, que foi travada nos bastidores nos últimos meses.
A pressão feita pelo Palácio do Planalto nesses últimos meses funcionou, pois forçou a Vale a reavaliar seu plano de investimentos no Brasil, retomando a sintonia entre a mineradora e a União.
O Presidente Lula não escondia sua contrariedade com as demissões anunciadas pela empresa no auge da crise econômica.A Vale cortou investimentos e demitiu funcionários.Foram 1.200 demissões, 5.500 funcionários em férias coletivas e 1.200 realocados.
Para Lula, a decisão da Vale provocou uma reação em cadeia em outras empresas, o que acentuou os efeitos da crise no Brasil.
Lula também tem discordância com o plano de investimento da mineradora, por não centrar recursos em siderurgia.
O Presidente Lula tem externado sua defesa pelo investimento em siderurgia, o que daria maior valor agregado à produção da companhia. No Planalto, a percepção é que a Vale optou por uma posição de comodidade ao manter-se concentrada na venda de minérios para não competir com clientes internacionais.
Eike Batista estava tentando comprar participação na mineradora e bater publicamente em Agnelli.Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa, sócio da Vale) e Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, outro sócio da Vale) também criticaram publicamente planos da empresa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

PGE impede prejuízo de R$ 70 mi aos cofres públicos

Com uma Ação Rescisória movida contra uma empresa prestadora de serviços de transporte que se recusava a repassar para o Estado o valor recolhido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a Procuradoria Geral do Estado (PGE) conseguiu, junto ao Tribunal de Justiça, uma decisão favorável restabelecendo o direito de cobrar o valor do ICMS e eximindo a Fazenda Pública Estadual de dispender, indevidamente, cerca R$70 milhões referentes ao valor cobrado de imposto pela empresa durante o período de tramitação do processo.
A organização, além de mover um processo para não pagar o tributo, também entrou na justiça com uma ação de execução requerendo que o Estado lhe ressarcisse a quantia supostamente paga por ela durante o período em que vigorava uma liminar lhe desobrigando a pagar o imposto.
A PGE demonstrou que a decisão que favorecia a referida empresa feria disposições das leis que regem o ICMS e contrariavam a jurisprudência do próprio Tribunal, que em dezenas de julgamentos obrigaram todas as empresas prestadoras dos serviços a recolherem o imposto, desde o ano da sua instituição em 1989.
O julgamento, que foi iniciado no dia 17 de setembro e havia sido interrompido com um pedido de vistas da desembargadora Daisy Lago, foi concluído com apenas um voto contrário à tese do Estado. A peça inicial da ação foi elaborada pelos procuradores Adilson Brito Agapito e Renê Ribeiro. Coube ao Procurador Jamil Cabus a sustentação oral da tese do Estado, durante o julgamento.

Histórico

No ano de 1989 a Assembléia Legislativa da Bahia, aprovou a Lei 4.825, que incluiu, dentre os fatos geradores do ICMS, os serviços de transportes intermunicipal e interestadual de cargas e passageiros. No mesmo ano, duas outras leis foram editadas, modificando a redação dos artigos que tratavam dos serviços de transportes.
Desde então, as empresas do segmento ingressaram na Justiça com uma enxurrada de ações, visando não pagarem o imposto. Inicialmente, alguns juízes das Varas de Fazenda Pública de Salvador concederam liminares e até sentenças, garantindo o direito das empresas não recolherem o ICMS, cobrado dos passageiros e dos prestadores do serviço de cargas.
O Tribunal de Justiça, nos anos 90 e nos primeiros anos desta década, julgaram os recursos do Estado favoravelmente, garantindo a obrigatoriedade de pagamento do imposto. Ocorre que a empresa citada teve a sentença de uma ação, a maior delas, mantida pelo Tribunal. Mesmo tendo a PGE recorrido, o Tribunal de Justiça havia negado segmento ao recurso especial para o STJ e o extraordinário para o STF.

sábado, 17 de outubro de 2009

Comércio cresce 5,9% em agosto

O comércio varejista baiano obteve um crescimento de 5,9% no mês de agosto, em relação ao mesmo período de 2008. Na comparação com o mês imediatamente anterior, o varejo registrou uma expansão de 0,4%, sendo que agosto é o oitavo mês consecutivo que o comércio apresenta resultado positivo. No acumulado de 2009 (janeiro a agosto), o incremento foi de 5,3%. Esta taxa teve como base de comparação os primeiros oito meses de 2008, período anterior ao agravamento da crise econômica e financeira mundial, quando o crescimento do comércio baiano situou-se em 8,0%. Nos últimos 12 meses (setembro de 2008 a agosto de 2009) a expansão do varejo atingiu 6,1%.
Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento.
A partir do segundo trimestre deste ano, o comércio baiano vem registrando taxas de crescimento expressivas. O aumento do crédito para financiamento, a criação de postos de trabalho e as medidas de incentivo ao consumo, adotadas pelo governo federal, têm colaborado para impulsionar as vendas.
No último mês analisado, dos oito ramos de atividade que compõem o indicador do varejo, cinco apresentaram variações positivas: Outros artigos de uso pessoal e doméstico, Artigos farmacêuticos, médicos ortopédicos de perfumaria e cosméticos e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Combustíveis e lubrificantes e Móveis e eletrodomésticos.
Observando o desempenho do comércio varejista por segmento, em agosto de 2009, comparado com igual mês de 2008, observa-se que os principais aumentos foram Outros artigos de uso pessoal e doméstico (37,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (13,7%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,0%), sendo que o subgrupo de Hipermercados e supermercados obteve uma variação de 7,6%. Também apresentaram contribuições positivas, porém, em menor intensidade, Combustíveis e lubrificantes (2,6%) e Móveis e eletrodomésticos (0,5%).
Os grupos que registraram variações negativas foram Equipamentos e materiais para escritório, Informática e comunicação (-28,7%) e Tecidos, vestuário e calçados (-1,3%). Já o segmento de Livros, jornais, revistas e papelaria apresentou pequena queda de -0,2%.
No contexto das oito atividades que compõem a PMC, o ramo de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo é o de maior representatividade, razão pela qual o seu desempenho exerce acentuada influência no comportamento do comércio. Os resultados apurados, neste ano, vêm demonstrando uma tendência de recuperação das vendas desse segmento.
Nos oito primeiros meses de 2008, o ramo acumulou crescimento de apenas 0,2%, enquanto que, em igual período de 2009, as vendas do grupo aumentaram 8,0%. Vêm concorrendo para impulsionar os negócios nesse ramo de atividade, entre outros fatores, a queda - ou estabilização - de preços dos alimentos.
De acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, nos oito primeiros meses de 2009, o grupo Alimentação e bebidas acumulou alta de 2,56%, resultado muito inferior ao registrado em igual período do ano passado, de 9,58%.
No ramo de Veículos motocicletas, partes e peças o crescimento foi de 3,4% e no de Material de Construção teve um desempenho negativo de -2%, os dois segmentos não compõem o indicador de varejo por abranger o comércio atacadista e varejista.

Vendas devem impulsionar desempenho do setor

A perspectiva dos lojistas e de analistas de mercado é que as vendas do comércio varejista deverão se manter aquecidas. Além de outros fatores, deverão impulsionar o desempenho do setor - a melhoria do mercado de trabalho, a ampliação dos prazos de parcelamento das compras e a queda dos juros.
O segundo semestre é um período mais favorável para os negócios do setor e deve-se levar em consideração que os consumidores estão mais confiantes na retomada do crescimento da economia do país, o que, certamente, os incentivará a assumir novos compromissos.
Impulsionado pela comemoração do Dia dos Pais, o ramo de Outros artigos de uso pessoal e doméstico registrou expansão de 37,3%. Essa taxa demonstra que as datas comemorativas são fortes indutoras da comercialização desses artigos.
Nos períodos de sazonalidade, esse grupo tradicionalmente registra os seus melhores resultados, pelo fato de comercializar artigos de valores unitários compatíveis com o poder aquisitivo de expressiva parcela dos consumidores, dentre os quais se destacam artigos esportivos, jóias, material ótico e fotográfico e brinquedos.
Os bons resultados apresentados desde o início do ano, levaram o ramo a acumular, até agosto, variação de 37,6%. Nesse período, essa foi a taxa mais significativa dentre as oito atividades que compõem o indicador do comércio.
No segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas expandiram-se em 8,0%, enquanto que, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, o incremento situou-se no mesmo patamar (8,0%). Desde os primeiros meses de 2009 este ramo de atividade vem apresentando sucessivos resultados positivos, o que tem contribuído para o bom desempenho do comércio baiano.

Melhoria na renda dos consumidores colabora para bom resultado

Diferentemente dos segmentos que comercializam bens de preços mais elevados, esse não sentiu tão intensamente os impactos da conjuntura adversa, em razão de se tratar de bens essenciais. Os sucessivos resultados favoráveis apresentados pelo Comércio podem ser explicados pela melhoria dos rendimentos dos consumidores e pela estabilização ou queda de preços dos alimentos, o que beneficia, sobretudo, as famílias de menor poder aquisitivo.
Ao se desagregar do grupo os Hipermercados e supermercados observa-se expansão de 7,6% em agosto, ao passo que no acumulado dos oito primeiros meses do ano a variação atingiu (7,0%).
Conseguiram dinamizar os negócios nesses estabelecimentos, as constantes promoções empreendidas pelas grandes redes, o funcionamento ininterrupto por 24 horas de algumas dessas lojas, nas quais se encontra uma grande variedade de produtos.
Diante disso, pode-se afirmar que o advento do Dia dos Pais contribuiu para elevar a comercialização nesses estabelecimentos, notadamente de artigos de uso pessoal. Também as vendas por meio de cartões de crédito das próprias empresas, principalmente de produtos de valor elevado como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, têm contribuído para aquecer o consumo. Isso se deve aos incentivos fiscais concedidos pelo governo federal como a redução do Imposto sobre produtos industrializados (IPI) para determinados eletrodomésticos.
Neste ano, agosto foi o quarto mês consecutivo em que as vendas de Móveis e eletrodomésticos registraram variações positivas, embora tenha sido a de menor expressividade apurada para o período (0,5%).
Como aproximadamente 75% das transações comerciais desses bens estão atreladas diretamente aos financiamentos, pode-se supor que nos últimos anos, com as maiores facilidades de acesso ao crédito, tanto por meio das grandes redes varejistas como pelos descontos em folha de pagamento, grande parte das famílias comprometeu parcela expressiva dos seus rendimentos com a aquisição desses bens.
Como as transações comerciais se deram em prazos longos, um número considerável desses consumidores ainda se encontra comprometido com o pagamento dos débitos contraídos e, consequentemente, com seus orçamentos limitados para voltar a adquirir outros produtos.
As vendas de Veículos, motocicletas, partes e peças apresentaram crescimento de 3,4%. As variações positivas observadas nos meses anteriores permitiram ao ramo acumular, até agosto, expansão de 5,2%. Por se tratar da comercialização de bens de valor unitário elevado, as vendas são influenciadas, principalmente pelo crédito e pelos juros.
Por isso, parte considerável da comercialização de veículos é realizada por meio de financiamento, principalmente dos chamados carros populares, que respondem por parcela expressiva das receitas auferidas pelo segmento. A redução do IPI, que contribuiu para deixar mais baratos os automóveis novos, a concorrência entre as revendedoras, intensificando as campanhas promocionais e a ampliação dos prazos de financiamento, explicam o desempenho do ramo varejista.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Juro ao consumidor cai para menor nível desde 1995

As taxas de juros ao consumidor caíram em setembro para o menor nível já registrado (7,01% ao mês, em média) pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que iniciou sua pesquisa em 1995.
A entidade verificou que nos últimos oito meses os juros praticados no mercado caíram de forma consecutiva, mesmo com o fato de que o Banco Central não mexeu na taxa Selic (8,75% ao ano), que serve de referência para bancos e financeiras em suas operações.
A Anefac também detectou um decréscimo nas taxas de juros oferecidas para as empresas. O juro médio dos empréstimos para pessoa jurídica caiu para 3,89% ao mês em setembro, ante 3,98% em agosto e 4,36% em setembro de 2008. Anualizada, essa taxa representa um juro de 58,08%.
"A pesquisa deste mês demonstra o retorno das condições de crédito anteriores à crise em setembro de 2008, tanto no alongamento dos prazos dos financiamentos bem como na redução dos juros das operações de crédito", afirma a entidade.
Para o futuro, a perspectiva é de que a queda continue --a Anefac lista três motivos: o pior da crise já passou, a Selic continuará a cair, menor risco de inadimplência.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bahia receberá fábrica neozelandesa


Será inaugurada no próximo dia 24, em Jaborandi, no Território Bacia do Rio Corrente, uma fábrica de processamento e envasamento de leite nos moldes da Nova Zelândia, país que é responsável por cerca de 30% do mercado mundial leiteiro. O assunto foi debatido hoje (dia 14) numa reunião entre o Embaixador da Nova Zelândia no Brasil, Mark Trainor, o chefe de Gabinete da Secretaria do Planejamento, Edson Valadares, e a superintendente de Cooperação Técnica e Financeira, Luiza Amélia Mello.
Mark Trainor expôs a expertise da Nova Zelândia na produção leiteira e de ovinocaprinos. “Somos responsáveis por 51% do mercado mundial de ovelhas e cordeiros, sendo que 95% da produção é voltada para a exportação”, relatou Trainor. Na reunião, o embaixador adiantou que o Ministro da Agricultura da Nova Zelândia, David Carter, fará uma visita à Bahia no dia 24 para a inauguração das novas instalações da fazenda neozelandesa Leite Verde.
Possibilidades de parcerias entre a Bahia e a Nova Zelândia também foram debatidas no encontro. De acordo com o Chefe de Gabinete da Seplan, Edson Valadares, a unidade chega num momento importante, em que o Governo da Bahia tem apoiado a expansão da produção leiteira, já que boa parte do leite consumido internamente vem de fora do estado. “A produção leiteira deles é basicamente de empresas familiares. Podemos trocar experiências nessa área, levando em consideração que 60% da produção de alimentos no Brasil vem da agricultura familiar, que precisa ser fortalecida”, avaliou Valadares.

Exportações baianas têm o segundo melhor desempenho mensal em 2009

A recuperação das exportações de produtos petroquímicos (+19,3%) e de derivados de petróleo (+28%) em setembro, além do bom desempenho da soja (+37,6%), foram os maiores responsáveis pelo resultado das exportações baianas no mês - US$ 729,8 milhões - superando em 4,4% os números de agosto. Houve também aumento das importações em 4,7%, o que levou o resultado do comércio exterior, no mês, a um superávit de US$ 244,4 milhões, menor apenas que o obtido em julho. Os números foram divulgados pelo Promobahia - Centro Internacional de Negócios.
O comércio do Bahia com o mundo em setembro refletiu a retomada industrial no estado. Os embarques de produtos manufaturados cresceram 16,2%, enquanto os maiores volumes das importações de insumos e equipamentos sinalizam a retomada das atividades no setor.
"Já o aumento das vendas de manufaturados, que vem ocorrendo desde o mês passado, está relacionado à mudança na economia internacional, com a recuperação de mercados importantes para o Brasil, como os EUA e outros países latino-americanos", comenta Arthur Souza Cruz, coordenador de inteligência comercial do Promobahia.
"No entanto é a China que vem sustentando, desde o início da crise, a recuperação das exportações baianas", explica Souza Cruz. Em setembro, as vendas para esse mercado cresceram 92,7%, confirmando o país como maior destino para os produtos baianos em 2009. As vendas para os EUA também cresceram pelo segundo mês consecutivo (+3,4%), depois de meses ininterruptos de queda.
Dados do Promobahia revelam que as importações, que no ano já acumulam US$ 3,25 bilhões, estão 34,1% abaixo de igual período do ano anterior. O valor mensal, entretanto é crescente desde julho e reflete a tentativa da indústria em se preparar para o aumento da demanda esperado para o próximo ano, além dos menores custos por conta da desvalorização do dólar.
As importações de minério de cobre em setembro deram um salto em, de 114,5%, ou quase US$ 30 milhões. O aumento nas compras automóveis passou de 37% (US$ 18 milhões) e o de nafta e de cacau chegou a 100%. Destaque no mês também para as compras de equipamentos para indústria eletroeletrônica e fertilizantes.
Indústria - De acordo com o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, o crescimento de 222% em agosto, em relação ao mesmo período em 2008, na exportação de Petróleo e derivados, contribuiu aquecer o setor para este superávit. "No mês anterior, julho, o segmento havia tido uma queda nas exportações de cerca de 45% em relação ao mesmo mês de 2008 e no caso da demanda interna, o acerto da política do governo possibilitou o aumento do consumo, que, por sua vez, reestimulou nossa indústria, aquecendo a economia e demandando uma maior necessidade por derivados do petróleo”. destaca Pinheiro.

Marx e Lênin mereceriam Nobel de Economia



"O capital é trabalho morto, o qual, como um vampiro, vive apenas para sugar o trabalho vivo, e quanto mais sobreviver, mais trabalho sugará". (Karl Marx)

Se Karl Marx e V. I. Lênin hoje estivessem vivos, seriam os principais candidatos ao Prêmio Nobel de Ciência Econômica.
Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica.
Na primeira década do século XXI não houve qualquer aumento no rendimento real dos trabalhadores americanos. Houve sim um declínio agudo na sua riqueza. No século XXI os americanos sofreram dois grandes crashes no mercado de acções e a destruição da sua riqueza imobiliária.
Alguns estudos concluíram que os rendimentos reais dos americanos, excepto para a oligarquia financeira dos super ricos, são menores hoje do que na década de 1980 e mesmo da de 1970. Não examinei estes estudos de rendimento familiar para determinar se eles foram enviesados pelo aumento nos divórcios e pela percentagem de famílias monoparentais. Contudo, durante a última década é claro que o salário líquido real declinou.
A causa principal deste declínio é a deslocalização (offshoring) de empregos americanos de alto valor acrescentado. Tanto empregos na manufatura como em serviços profissionais, tais como engenharia de software e trabalho com tecnologia de informação, foram relocalizados em países com forças de trabalho grandes e baratas.
A aniquilação de empregos classe média foi disfarçada pelo crescimento na dívida do consumidor. Quando os rendimentos dos norteamericanos cessaram de crescer, a dívida do consumidor expandiu-se para substituir o crescimento do rendimento e manter a procura do consumir em ascensão. Ao contrário de aumentos nos rendimentos do consumidor devidos ao crescimento da produtividade, há um limite para a expansão do endividamento. Quando aquele limite é atingido, a economia cessa de crescer.
A pauperização dos trabalhadores não resultou do agravamento de crises de super-produção de bens e serviços mas sim do poder do capital financeiro para forçar a relocalização da produção para mercados internos em terras estrangeiras. As pressões da Wall Street, incluindo pressões de tomadas de controle (takeovers), forçaram firmas manufatureiras americanas a "aumentar os rendimentos dos acionistas". Isto foi feito pela substituição de trabalho americano por trabalho barato estrangeiro.
Corporações deslocalizadas ou que passam a encomendar fora a sua produção manufactureira, divorciando portanto os rendimentos dos americanos da produção dos bens que eles consomem. O passo seguinte no processo aproveitou-se da alta velocidade da Internet para mover empregos em serviços profissionais, tais como engenharia, para fora. O terceiro passo foi substituir o resto da força de trabalho interna por estrangeiros levados par lá um terço do salário com o H-1B [1] , L-1 [2] e outros vistos de trabalho.
Este processo pelo qual o capital financeiro destruiu as perspectivas de emprego de norteamericanos foi endossado pelo economistas do "livre mercado", os quais receberam privilégios pela deslocalização de firmas em troca da propaganda de que os americanos beneficiar-se- ia com uma "Nova Economia" baseada em serviços financeiros, e pelos seus sócios no negócio da educação, os quais justificavam vistos de trabalho para estrangeiros com base na mentira de que a América produz poucos engenheiros e cientistas.
Nos dias de Marx, a religião era o ópio das massas. Hoje são os media. Basta ver a informação dos media que facilita a capacidade da oligarquia financeira de iludir o povo.
A oligarquia financeira está a anunciar uma recuperação enquanto o desemprego nos EUA e os arrestos de lares estão em aumento. Este anúncio deve a sua credibilidade às altas posições de onde vêem, aos problemas de informação sobre folhas de pagamento que exageram o emprego e à eliminação para dentro do buraco da memória de qualquer americano desempregado durante mais de um ano.
Em 2 de Outubro o estatístico John William do www.shadowstats. com informou que o Bureau of Labor Statistics havia anunciado uma revisão da sua estimativa preliminar do indicador anual do emprego em 2009. O BLS descobriu que o emprego em 2009 fora super-declarado em cerca de um 1 milhão de postos de trabalho. John Williams acredita que a diferença foi realmente de dois milhões de postos de trabalho. Ele informa que "o modelo nascimento-morte actualmente acrescenta [um ilusório] ganho líquido de cerca de 900 mil empregos por ano à informação sobre emprego".
O número de empregos nas folhas de pagamentos não agrícolas é sempre a manchete da informação. Contudo, Williams acredita que o inquérito às famílias de desempregados é estatisticamente mais correcto do que o inquérito às folhas de pagamento. O BLS nunca foi capaz de reconciliar a diferença nos números nos dois inquéritos ao emprego. Na sexta-feira passada, o número de empregos perdidos apresentado nas manchetes era de 263 mil para o mês de Setembro. Contudo, o número no inquérito às famílias era de 785 mil empregos perdidos no mês de Setembro.
A manchete da taxa de desemprego de 9,8% é uma medida reduzida ao essencial que em grande medida subdeclara o desemprego. As agências de informação do governo sabem disto e relatam outro número de desempregados, conhecido como U-6. Esta medida do desemprego nos EUA fixava-se nos 17% em Setembro de 2009.
Quando os trabalhadores desencorajados pelo desemprego a longo prazo são acrescentados outra vez ao total dos desempregados, a taxa de desemprego em Setembro de 2009 eleva-se a 21,4%.
O desemprego de cidadãos americanos poderia realmente ser ainda mais alto. Quando a Microsoft ou alguma outra firma substitui milhares de trabalhadores americanos por estrangeiros com vistos H-1B, a Microsoft não relata um declínio de empregados na folha de pagamento. No entanto, vários milhares de americanos ficam então sem empregos. Multiplique isto pelo número de firmas dos EUA que estão apoiar-se em companhias estrangeiras fornecedoras de mão-de-obra para tecnologia de informação ("body shops") para substituir a sua força de trabalho americana com trabalho barato estrangeiro ano após ano e o resultado são centenas de milhares de desempregados americanos não relatados.
Obviamente, com mais de um quinto da força de trabalho americana desempregada e os remanescentes enterrados em hipotecas e dívidas de cartões de crédito, a recuperação económica não está no quadro.
O que está acontecendo é que as centenas de milhares de milhões de dólares de dinheiro do TARP dado aos grandes bancos e os milhões de milhões (trillions) de dólares que foram acrescentados ao balanço da Reserva Federal foram despejados no mercado de acções, produzindo uma outra bolha, e na aquisição de bancos mais pequenos por bancos "demasiado grandes para falir". O resultado é mais concentração financeira.
A expansão da dívida subjacente a esta bolha corroeu novamente a credibilidade do dólar como divisa de reserva. Quando o dólar começar a ir, tomadores de decisão em pânico elevarão as taxas de juros a fim de proteger a capacidade de contração de empréstimos do Tesouro. Quando as taxas de juros ascendem, o que resta da economia dos EUA afundará.
Se o governo não pode contrair empréstimos, ele imprimirá dinheiro para pagar as suas contas. A hiper-inflação atingirá a população norteamericana. O desemprego maciço e a inflação maciça infligirão ao povo norteamericano uma miséria que nem mesmo Marx e Lênin poderiam conceber.
Enquanto isso, economistas da América continuam pretendendo que estão a negociar com uma recessão normal do pós-guerra que requer meramente uma expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Excesso de otimismo preocupa ministro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou ontem a preocupação que tomou conta de parte do governo por causa do "excesso de otimismo" do mercado financeiro em relação ao potencial de crescimento da economia no próximo ano. Mantega foi categórico ao dizer que o Brasil não vai crescer mais de 5% em 2010, como alguns analistas já projetam, e ressaltou que otimismo demais "às vezes preocupa".
O ministro destacou, por exemplo, o bom conceito que o Brasil adquiriu de outros países. "É tão alto o nosso conceito que preocupa. O povo está louco para vir para cá fazer investimentos", afirmou.
O ministro buscou demonstrar, durante a sua apresentação no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a economia brasileira segue em ritmo prudente de recuperação, depois de ter sofrido uma retração entre o fim do ano passado e o primeiro trimestre deste ano.
Pelas projeções apresentadas, o País deve ter fechado o terceiro trimestre com um crescimento de 2% a 2,2% em relação aos três meses anteriores, o que levaria a economia a encerrar o ano de 2009 com uma expansão de 1%.
Para 2010, Mantega prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) - o conjunto de riquezas produzidas pelo País - crescerá entre 4,5% e 5%, sem trazer impactos sobre os preços de produtos e serviços no mercado doméstico, garantido a manutenção dos índices de inflação dentro da meta perseguida pelo Banco Central (BC).
Mantega voltou a defender a política fiscal adotada por sua equipe, mas evitou entrar em embate direto com o BC, que no último Relatório de Inflação argumentou que a elevação dos gastos públicos poderia provocar aumento de preços. Se a inflação subir, o Comitê de Política Monetária (Copom) seria forçado a elevar a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 8,75%.
No entender do ministro, o próprio mercado, ao estimar um crescimento acima de 5% para o Brasil em 2010, estaria alimentando as projeções de retomada do ciclo de aperto dos juros. "Não acho que vamos ter crescimento acima de 5%, não se justifica essa expectativa que está gerando uma elevação indevida da taxa de juros futura", criticou. "Tem gente interessada em elevar a taxa de juro; precisamos tomar cuidado com isso", acrescentou.
Para o ministro, a economia brasileira está "preparada" para crescer até 5% sem gerar pressões inflacionárias. "Portanto, não vejo necessidade de elevação da taxa de juro", sentenciou.
Depois do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ter admitido, na quarta-feira, que a atual escalada de valorização do real ante o dólar é uma preocupação para o governo, Mantega reconheceu que existe "alguma pressão" sobre o mercado de câmbio doméstico, mas não caracterizou os ganhos da moeda brasileira como resultado de um "movimento excessivo" de entrada de recursos externos.
Para o ministro, a valorização do real está relacionada com a série de lançamentos de ações na bolsa de valores brasileira, como a feita pelo Banco Santander esta semana, que tem trazido investidores estrangeiros a colocar seu dinheiro no mercado local.
Ainda assim, Mantega ponderou que o movimento é positivo e reflete a força com que o Brasil saiu da crise financeira. "A entrada na bolsa é positiva porque disponibiliza recursos e capital para as empresas investirem", disse. "Isso traz alguma pressão, mas estamos agressivamente comprando reservas e estamos atentos se houver excessos", ponderou.
O BC vem comprando diariamente dólares no mercado financeiro, o que tem contribuído para diminuir a velocidade de desvalorização da moeda americana e engordado as reservas internacionais do País, que já ultrapassam a marca de US$ 225 bilhões.

Brasil é o que mais subiu em ranking de finanças globais

A economia brasileira foi a que mais evoluiu no ranking de desenvolvimento financeiro elaborado pelo World Economic Forum (WEF), que teve como principal responsável o professor da Universidade de Nova York Nouriel Roubini, considerado o guru da atual crise global, pelo acerto em suas previsões.
Na apresentação do relatório ontem em Nova York, Roubini e demais economistas da entidade destacaram o exemplo positivo do Brasil como sinal de que os emergentes ganham força nas finanças mundiais. Já os americanos e as economias desenvolvidas teriam sido os principais perdedores na crise. Em outra classificação da entidade, que mede a estabilidade do sistema financeiro, o Brasil supera os EUA e o Reino Unido.
Subindo seis posições no ranking de desenvolvimento financeiro, o Brasil ocupa a 34ª posição e tem 3,46 pontos numa escala estabelecida pelo WEF. O Reino Unido, em primeiro lugar, tem 5,28. Já a Venezuela, em último, 2,52. De 55 economias pesquisadas, a brasileira conquistou mais pontos: 0,18.

O Legado Lula I - Um Colchão de Segurança

Li numa revista Veja de 2004, um artigo de Stephen Kanitz'Faça um Colchão de Segurança', onde colocava uma preocupação com o baixo nível de reservas internacionais do Brasil na época, e que diante da crise que viria em 2008 foi presciente. Dizia assim:

"Volatilidade faz parte da vida - e sempre fará. O correto é conviver com ela, e não tentar impedi-la. Governos anteriores acreditavam que saberiam intervir inteligentemente no câmbio ou nos juros, a cada nova crise, e portanto acumular reservas seria desnecessário e custoso. Nunca criamos reservas internacionais suficientes para enfrentar crises. Hoje (2004) temos somente 18 bilhões de dólares, dez dias de nosso PIB.
Reservas financeiras substanciais compram tranqüilidade e tempo, já que nenhuma crise dura para sempre. TODAS as crises foram nefastas para o Brasil porque nossas reservas sempre terminaram antes. Criar reservas nunca foi nossa prioridade. A China vive uma fase de prosperidade porque possui nada menos que 420 bilhões de dólares, o suficiente para enfrentar a pior crise que se possa imaginar.
Ninguém sabe como será o amanhã, exceto que teremos muitas crises pela frente. Se você tiver zero de reservas familiares, a crise o afetará 100%. Quanto mais reservas você tiver, menos ela o afetará. Quem enfrenta uma crise sem ter reservas acaba contraindo mais dívidas, como sempre acontece com o Brasil.”

Gostaria de dizer que Lula leu este artigo na Veja e mandou o Banco Central começar a acumular os 200 bilhões de reservas um ano depois, reservas que acababaram nos protegendo da crise de 2008. Certamente foi incentivado por Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro guinado ao Banco Central, que adota os mesmos princípios do artigo, como todo administrador. Reservas internacionais será um legado do governo Lula, que nenhum sucessor terá coragem de desmontar.

Dizer que Lula surfou a onda dos 18 bilhões de reservas deixadas pelo Plano Real é uma bobagem monumental. 18 bilhões não seguram crise alguma, desaparecem em duas semanas, como desapareceram em 1998 no final do Primeiro Mandato de FHC. Lula ao criar estas reservas de 200 bilhões lutou contra dezenas de especialistas, inclusive economistas de seu próprio partido, que achavam que 200 bilhões de reservas deveriam ser gastos em "saúde e educação".
Estas reservas, apesar de óbvias, eram politicamente complicadas devido ao seu custo elevadíssimo. O governo tinha que financiá-las a um juro interno de 16% ao ano, e só recebia 4% de juros quando aplicadas em títulos estrangeiros.
A crise americana de 2008 foi até uma benção, ao provar a tese de que reservas são necessárias, sempre. Nunca mais teremos que recorrer ao FMI, ou à amizade de um Bill Clinton. Estas reservas acumuladas por Lula serão um legado para sempre. Nos salvou da crise de 2008, bem diferente do desastre da crise de 1998 quando não tínhamos reservas suficientes.
Ter reservas suficientes será política de todo futuro governo, e precisamos ficar atentos e protestar se um futuro presidente decidir torrar as reservas, como algo custoso e desnecessário.
O que esse artigo do Stephen Kanitz relata é mais ou menos o que venho martelando nesse blog há algum tempo. A imprensa tenta vender para o país que o governo FHC foi 'uma mar de rosas' no campo fiscal. Enaltecem a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal como prova e seu governo parece que é sinônimo de responsabilidade fiscal. Balela.
Só que se esquecem de dizer que a LRF foi criada em 1999 justamente para ajudar a recuperar os 4 anos (95-98) de déficits primários que nos fizeram sair de pires nas mãos ao FMI. Não é a toa que o Brasil entrou nas crises asiáticas da forma como entrou, despreparado, frágil, sem recursos e tendo que pagar prêmios de risco na casa dos 1.700 pontos.
Como a crise financeira de 2008 mostrou ao Brasil, o problema não é a crise, mas a forma como nos preparamos para ela. Um desnutrido não enfrenta um resfriado da mesma forma como um bem alimentado. Nessa crise, o maior prêmio de risco que o Brasil pagou foi de 400 pontos e já estamos em 230 pontos. E estamos falando de instituições que sempre viraram a cara para o governo petista.
Nunca houve um mandato tão fiscalmente irresponsável quando FHC 1.0. Para mim FHC 2.0 é o principal herdeiro dessa herança maldita, que Lula ainda pegou de rebarba na crise cambial de 2002. Crise essa gerada pela nossa fragilidade fiscal e pelo terrorismo dessas mesmas agências de risco. Como um grande empresário que disse que sairia do Brasil caso Lula vencesse.
O Santander não captou hoje R$ 14,1 bilhões em seu IPO por conta dos belos olhos ou do choro do presidente Lula em Copenhagen, mas porque os investidores avaliam que o Brasil é hoje um país que lhe dá garantias. Garantias de ter contas públicas em ordem e um mercado interno aquecido.
Justamente o que não tínhamos em crise anteriores.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Exportações crescem 4,4% no 2º melhor desempenho mensal em 2009

A recuperação das exportações de produtos petroquímicos (+19,3%) e de derivados de petróleo (+28%), em setembro, além do bom desempenho da soja (+37,6%), foram os maiores responsáveis pelo resultado das exportações baianas no mês - US$ 729,8 milhões – superando, em 4,4%, os números de agosto. Houve também aumento das importações em 4,7%, o que levou o resultado do comércio exterior, no mês, a um superávit de US$ 244,4 milhões, menor apenas que o obtido em julho.
Os números foram divulgados, nesta quinta-feira (8), pelo Promobahia - Centro Internacional de Negócios. O presidente do Conselho de Administração do órgão e secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, explica que o comércio da Bahia com o mundo, em setembro, refletiu a retomada industrial no estado. Os embarques de produtos manufaturados cresceram 16,2%, enquanto os maiores volumes das importações de insumos e equipamentos sinalizam a retomada das atividades no setor.
"Já o aumento das vendas de manufaturados, que vem ocorrendo desde o mês passado, está relacionado à mudança na economia internacional, com a recuperação de mercados importantes para o Brasil, como os Estados Unidos e outros países latino-americanos”, comenta o coordenador de inteligência comercial do Promobahia, Arthur Souza Cruz. “No entanto, é a China que vem sustentando, desde o início da crise, a recuperação das exportações baianas”, afirma Souza Cruz. Em setembro, as vendas para esse mercado cresceram 92,7%, confirmando o país como maior destino para os produtos baianos em 2009. As vendas para os EUA também cresceram pelo segundo mês consecutivo (+3,4%), depois de meses ininterruptos de queda.
Dados do Promobahia revelam que as importações, que no ano já acumulam US$ 3,25 bilhões, estão 34,1% abaixo de igual período do ano anterior. O valor mensal, entretanto, é crescente desde julho e reflete a tentativa da indústria em se preparar para o aumento da demanda, esperado para o próximo ano, além dos menores custos por conta da desvalorização do dólar.
As importações de minério de cobre em setembro deram um salto de 114,5% ou quase US$ 30 milhões. O aumento nas compras de automóveis passou de 37% (US$ 18 milhões) e o de nafta e de cacau chegou a 100%. Destaque no mês também para as compras de equipamentos para indústria eletroeletrônica e de fertilizantes.

O que realmente mata a oposição

A reportagem abaixo, da Folha Online, revela o grande trunfo das candidaturas governistas na eleição presidencial de 2010 e também a principal dificuldade da oposição neste mesmo pleito. Ao que tudo indica e se nenhum novo cataclisma acontecer, o próximo ano será de forte crescimento econômico no Brasil. Já tem analista falando em uma taxa de 7%, o que seria espetacular. Mesmo uma taxa de 4% já seria absurdamente boa, tendo em vista o que está acontecendo nos países vizinhos, na Europa e nos Estados Unidos. Com a economia bombando, vai ser muito difícil para José Serra e seus miquinhos amestrados conseguirem articular um discurso de teor oposicionista contra a gestão Lula. No frigir dos ovos, o único discurso possível para Serra será, de novo, o neoudenismo que caracterizou a campanha de Alckmin em 2006. Ou a campanha amorfa que o levou ao Palácio dos Bandeirantes, embora qualquer estudante de ciência política saiba que não dá para comparar uma eleição presidencial com uma regional. Ou seja, só resta mesmo a Serra torcer para que outro terremoto atinja a economia norte-americana e arrase de verdade os fundamentos do crescimento brasileiro, que são hoje mais sólidos do que nunca. Eu que restou à oposição: torcer pelo “quanto pior, melhor”.

Investimento deve crescer com mais força em 2010, diz CNI

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília


O gerente-executivo de Política Econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse nesta quarta-feira que os níveis de investimento da indústria deverão voltar a crescer com mais força em 2010. Segundo ele, ainda há ociosidade no parque industrial brasileiro, o que deve fazer com que os investimentos sejam maiores apenas no próximo ano.
"Do ponto de vista da política econômica, evidentemente, o desejo é que [o investimento] apareça. Agora eles vão surgir setor a setor, dependendo das condições de cada um", afirmou.
No mês passado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cobrou dos empresários que voltem a investir.
Segundo dados divulgados hoje pela CNI, a utilização da capacidade instalada em agosto ficou em 80,1%, contra 79,9% em julho. No ano passado, o parque industrial brasileiro utilizava 82,7% de sua capacidade em agosto.

Horas trabalhadas

Branco chamou a atenção para o fato de o número de horas trabalhadas ainda não ter alcançado a mesma recuperação apresentada pelos níveis de emprego. Em agosto, o número de horas trabalhadas caiu 0,2% em relação a julho e 9,9% em relação ao mesmo mês de 2008.
Já o emprego industrial cresceu 0,7%, continuando em queda (3,6%) na comparação anual.
"Os indicadores de horas trabalhadas não mostram ainda recuperação. É um dado que precisa ser mais bem avaliado, talvez seja reflexo do ajuste no mercado de trabalho por parte das empresas, que buscaram ser mais eficientes por conta da crise", completou.