quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por que votarei em Dilma Rousseff


Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.

Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira nerd.

1.
Um bom governo, na minha opinião, deve (a) ser democrático, (b) não avacalhar a estabilidade econômica, e (c) combater a pobreza e a desigualdade. Por esses critérios, o governo Lula foi indiscutivelmente bom.

O governo Lula, tanto quanto o governo FHC, foi um governo democrático. Quem lê jornal no Brasil não apenas percebe que é permitido falar mal do governo, mas pode mesmo ser desculpado por suspeitar que falar mal do governo é obrigatório por lei. Os partidos de oposição atuam com plena liberdade, os movimentos sociais, idem, e, aliás, eu também. O Olavo de Carvalho se mandou para os Estados Unidos, dizem que com medo de ser perseguido politicamente, mas, se tiver sido por isso, foi só frescura. De qualquer modo, nunca antes nesse país exportamos tantos Olavos de Carvalho.

A economia foi muito bem gerida durante a Era Lula, a despeito do que falam muitos petistas (talvez preocupados com a falta de oposição competente). Companheiros, deixemos de falar besteira: a política econômica foi um sucesso. Mantivemos o bom sistema de metas de inflação implantado por Armínio Fraga no (bom) segundo governo FHC, e acrescentamos a isso: uma preocupação quase obsessiva por acumular reservas internacionais, a excelente ideia de comprar de volta nossa dívida em dólar, e medidas de incentivo fiscal quando foi necessário. A dívida como proporção do PIB caiu consideravelmente, e só voltou a subir quando foi necessário combater a crise. Certamente voltará a cair já agora.

Por essas e outras, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da maior crise econômica desde 1929. Os tucanos se consideravam uma espécie de Keynes coletivo por terem sobrevivido à crise do México. Com muito menos custo, sobrevivemos à crise dos EUA. E isso se deu porque a economia durante a Era Lula foi muito mais bem administrada do que durante o primeiro governo FHC. No segundo governo FHC, aí sim, a economia foi bem gerida, e Lula fez muito bem em copiar seus métodos de gestão.

E, na área social, o Lula realmente se destaca na história brasileira, e na conjuntura econômica mundial. FHC não merece nada além de parabéns por ter copiado o Bolsa-Escola do governo petista do Distrito Federal (cujo governador havia idealizado o programa ainda na década de 80), e o PT merece críticas por ter atrasado sua adoção insistindo no confuso “Fome Zero” por tempo demais; mas, uma vez re-estabelecida a sanidade, o programa foi implementado com imenso sucesso, e, associado à política de recuperação do salário mínimo, e à boa gestão da economia, geraram resultados que não estavam nas projeções do mais otimista dos petistas em 2002. Para ser honesto, eu sempre votei no Lula, mas nunca achei que fosse dar tão certo.

A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.

Não é à toa que o economista Marcelo Neri, um dos mais respeitados estudiosos da pobreza no Brasil, fala no período de 2003-2010 como “A Pequena Grande Década”. Tanto quanto sei, Neri não é petista.

Por outro lado, há algumas semanas, o sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um balanço crítico do governo Lula, que considera um desastre. O artigo praticamente não tem nenhum número. I rest my case.

2.
Seria idiota dizer que isso não é, em nenhum grau, motivo para votar na Dilma. Dilma participou ativamente disso tudo, e, no mínimo, apoiou isso tudo. Marina Silva, é verdade, apoiou quase tudo isso. José Serra não o fez, e muitos de seus simpatizantes continuam convictos de que os últimos oito anos, em que a renda dos brasileiros mais pobres cresceu no ritmo da economia chinesa, foi uma era das trevas da qual a nossa elite bem pensante (hehehe) acordará em breve, chorando de felicidade porque era só um pesadelo.

Mas, até aí, eu considero que a Era FHC também foi boa para o país, por outros motivos, e mesmo assim foi bom que Lula fosse eleito em 2002 (como irrefutavelmente provado acima). Por que não seria esse o caso, agora?

Em primeiro lugar, porque não acho que será bom para o Brasil se o governo Lula tiver sido só um intervalo. Se Serra ganhar a eleição, eis o que se tornará a versão oficial sobre esse período: uns caras com diploma governavam muito bem o Brasil por muitas décadas, aí surgiu um paraíba muito carismático que acabou % ganhando a eleição, mas não fez nada demais, por isso eventualmente a turma do diploma retomou o controle da coisa toda. Coloquei um sinal de porcentagem no meio da frase para que ela tivesse pelo menos um erro que não fosse também papo furado.

É importante compreender que os novos atores que compõem o PT vieram para ficar, pois são sócios-fundadores de nossa democracia, e que, de agora em diante, o Brasil é um país com uma esquerda que sabe ser governo. Isso quer dizer que agora a direita, para vencer eleições, precisa apresentar boas candidaturas (de preferência sem roubar nossos sociólogos, ou economistas heterodoxos) e, o mais crucial de tudo, apresentar propostas para os mais pobres, que acabam de descobrir que podem melhorar imensamente suas vidas com o voto. A direita brasileira ainda não fez esse trabalho: continua pensando como se fosse um direito natural seu governar o país, e esperando que algum movimento legitimista re-estabeleça a ordem nesta budega.

Enquanto a justiça eleitoral não fizer o voto do Reinaldo Azevedo ter peso 50 milhões, a estratégia de fingir que o governo Lula não desmoralizou os anteriores, diminuindo a pobreza sem desestabilizar a economia, não vai ganhar eleição. Enquanto não tiver um projeto para o país (o que, diga-se, o Plano Real foi), a oposição não merece voltar ao governo. Como o PT dos anos 90, por exemplo, não merecia ganhar a presidência, pois seu programa era o que, no jargão sociológico, era conhecido como “nhenhenhém”. O PT venceu quando reconheceu que o papo agora era outro, e era preciso partir das conquistas já alcançadas. Não há sinal que consciência semelhante exista na oposição como bloco político, embora, sem dúvida, o candidato Serra o tenha compreendido.

3.
Mas esse tampouco é o melhor motivo para se votar na Dilma. O melhor motivo para se votar na Dilma é a Dilma.

Dilma tem uma trajetória política muito singular, como, aliás, tinham FHC e Lula. Quem tiver lido seu perfil recente na revista Piauí pode notar que há tantos fatos interessantes na sua vida que o jornalista mal teve espaço para falar dela, como pessoa. Dilma foi guerrilheira, foi torturada, e, durante a democratização, entrou para o PDT. Quando visitou, recentemente, o túmulo de Tancredo, a turma de sempre reclamou que o PT não o havia apoiado no Colégio Eleitoral. Bem, Dilma, como o PDT, apoiou Tancredo. Eventualmente, foi parar no PT, onde cresceu fulminantemente, e foi beneficiada pela decisão da oposição de queimar um por um dos quadros petistas mais famosos, algo pelo que, suspeito, já começam agora a se arrepender. Estariam pior agora se o candidato do Lula fosse, digamos, o Dirceu?

Tem gente que, com temor ou esperança, acha que Dilma mudará o rumo da economia. Eu posso estar errado, mas, baseado no que vi até agora, acho o seguinte: Dilma está singularmente posicionada para fazer com que, sob essa mesma política econômica, e com o mesmo compromisso com a justiça social, o país comece a crescer bem mais rápido do que cresceu nos últimos dezesseis anos.

Eu gosto de dizer o seguinte sobre política econômica: é verdade, o Banco Central desacelera o crescimento quando mantém os juros altos (e segura a inflação). Mas, a essa altura, o crescimento econômico já levou uma surra; antes de chegar no Banco Central, o carro do crescimento já tomou batidas da nossa falta de política de inovação, da baixíssima capacidade de investimento do Estado, da pobreza (que diminuiu, mas, para nossa vergonha, ainda está aí), do nosso abissal nível de qualificação educacional, dos entraves inacreditáveis para se abrir ou fechar um negócio, dos problemas gravíssimos da nossa urbanização. Essa desacelerada que o Banco Central dá é porque, depois de tomar tanta batida, ou nosso carro desacelera ou ele desmonta na pista.

Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso.

Muita gente diz que Lula entregou a candidatura à Dilma de mão-beijada, mas, aproveito para advertir, muita calma nessa hora, meu povo. Lula também lhe entregou uma roubada incrível, que foi também um teste. Quando Dilma foi colocada na direção do PAC, experimentou em primeira mão o quão ineficiente é nosso Estado como indutor do investimento: uma legião de entraves burocráticos, pressões políticas e uma história de más prioridades tornaram nosso Estado incapaz de investir e de oferecer infra-estrutura (tanto física quanto legal quanto humana) para o investimento privado.

A beleza da coisa é que Dilma é uma c.d.f. obcecada por políticas públicas. Quem leu sua entrevista no livro organizado pelo Marco Aurélio Garcia e pelo Emir Sader não pode ter deixado de se divertir com a diferença entre as coisas que os entrevistadores querem perguntar e as coisas que ela quer responder: os caras lá falando do liberalismo, de não sei o que mais, e ela animadona com um jeito de furar poço de petróleo, com um jeito qualquer de administrar hospital. Respeito muito o Marco Aurélio, que foi meu professor, mas a Dilma sai da entrevista muito melhor que ele e o Sader.

Me anima especialmente que, em vários momentos, tenha visto Dilma puxando o assunto das políticas de inovação. O Brasil não vai dar um salto qualitativo em termos de desenvolvimento enquanto não produzir tecnologia. Tecnologia é o tipo de coisa que depende de bons arranjos entre governo e setor privado, e, a crer nos relatos até agora a respeito de sua passagem pelo ministério de Minas e Energia, Dilma tem uma postura pragmática saudável nessas questões.

Lula deu ao capitalismo brasileiro milhões de novos consumidores, e essa descendência política exigirá de Dilma compromisso forte com a inclusão social. Mas agora é hora de dar ao capitalismo brasileiro a competitividade necessária para que ele gere os empregos de que precisam os novos ex-miseráveis, os formandos do ProUni, ou das novas Universidades Federais, inclusive; é hora de montar um Estado que entregue aos cidadãos as cidades necessárias à boa fruição da vida moderna, e montar um sistema de inovação tecnológica que tire da direita o monopólio do discurso moderno.

Por conhecer melhor do que ninguém o tamanho desse déficit, e pelo que se depreende de sua postura até agora diante desses problemas, Dilma Rousseff é a melhor opção para a presidência do Brasil nos próximos oito anos.

Até porque, contará com um recurso que só o PT tem: uma imprensa tão hostil que o sujeito realmente, realmente tem que prestar atenção para não fazer besteira. Superego é uma coisa útil, se não te trava.

4.
Certo, mas deve ter gente pensando, ah, mas ela é só uma tecnocrata, vai ser engolida pelos políticos (o bom é que essa mesma turma dizia que o Lula, por não ser um tecnocrata, ia ser engolido pelos políticos). Deve ter gente, à direita e à esquerda, com esperança de manipular a Dilma. A Dilma, no caso, é aquela menina que, aos vinte e poucos anos, inspirava respeito até nos caras do Doi-Codi, como se depreende dos documentos da época. Se quiser ir tentar manipular essa dona aí, rapaz, boa sorte, vai lá. Depois você conta pra gente como é que foi.

Celso Barros

Bonner, o machão da Maitê

Nem bem a tinta do jornal havia secado, onde, entre outras sensaborias se podia ler a entrevista da atriz (sic) Maitê Proença, já o Jornal Nacional na sua edição do dia 09 de agosto escancarava aos seus espectadores a “estratégia” de Dona Beija.

Já me explico. O jornalão o Estado de São Paulo publicou uma entrevista com a atriz, onde se destaca um curioso e patético raciocínio. Ela se diz feminista, mas abriria mão parcialmente desta condição, desde que os machistas brasileiros, selvagens de preferência, ajudassem a colocar a candidata Dilma Roussef no seu lugar, isto é: ou na cozinha ou atrás do tanque. Afinal, o que é que ela tem que ficar se metendo em política e ainda ter a petulância de ser candidata a presidente da república?

William Bonner, jornalista com mestrado em Hommer Simpson, não perdeu tempo. Ao lado da mulher, Fátima Bernardes, iniciou uma sequência de entrevistas tendo Dilma Roussef como primeira a ser inquirida (o termo é esse mesmo). Ansioso, tomado de elevado grau de nervosismo, do alto de sua presunçosa arrogância, disparou contra a candidata uma sequencia de perguntas (muitas delas contraditórias, para quem busca alguma consistência nas respostas), atropelando essas mesmas respostas, em demonstração inequívoca do seu despreparo para aquele momento.

Fiquei pensando, enquanto acompanhava a entrevista, o porquê de tal destempero. De repente, acendeu a luzinha: Bonner, aceitando o desafio da atriz, lançado pela manhã, incorpora de imediato o papel de machista selvagem e avança sobre Dilma Roussef de microfone em punho. Quis o destino que ao seu lado estivesse a sua própria mulher, jornalista, dona de casa e mãe de seus filhos. E ficou evidente ali, diante de milhões de espectadores, que Fátima Bernardes não tem lá muitas simpatias por machistas selvagens e – sem que conseguisse disfarçar a sutileza do gesto – procurou mostrar os excessos do marido em agradar aos donos da casa.

Extravagante, patético, sensacional. O pior jornalismo brasileiro (e não são poucos os que o fazem) mostrava as suas vísceras no horário nobre. Para não deixar dúvidas sobre o fosso que vai se abrindo entre um Brasil que a duras penas quer mudar e um Brasil arcaico que insiste em não enxergar a realidade à sua volta.

Neste, no arcaico, os que entraram nos trilhos da resistência e do passadismo caminham para o precipício, mas seguros da sua própria ignorância.

de Izaías Almada

Crise nos EUA: Como é de perto o colapso do império

No momento em que entramos no nono ano da Guerra do Afeganistão com uma tropa reforçada e continuamos a ocupar o Iraque indefinidamente e alimentamos o Estado de Vigilância sem fim, notícias tem surgido de que a Comissão do Déficit Público está trabalhando num plano para cortar benefícios da Previdência Social, do Medicare [programa de atendimento aos idosos] e até mesmo no congelamento dos salários dos militares. Mas um artigo do New York Times de hoje ilustra vividamente com o que se parece um império em colapso, ao mostrar os tipos de cortes de orçamento que cidades de todo o país tem sido forçadas a fazer. Aqui vão alguns exemplos:

Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.

Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.

Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.

Há algumas ótimas fotos acompanhando o artigo, inclusive uma mostrando como fica uma rua do Colorado na escuridão causada pelo corte de energia. Enquanto isso, a pequena porção dos mais ricos — aqueles que causaram nossos problemas — continua a se dar bem. Vamos relembrar o que o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional escreveu na revista Atlantic sobre o que acontece em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento quando surge uma crise financeira causada pela elite:

“Apertar os oligarcas, no entanto, é poucas vezes a escolha dos governos de países emergentes. Ao contrário: no início da crise, os oligarcas são normalmente os primeiros a conseguir ajuda-extra do governo, como acesso preferencial a moedas estrangeiras ou talvez um corte de impostos ou — aqui vai uma técnica clássica do Kremlin — a assunção pelo governo de obrigações de dívidas privadas. Sob pressão, a generosidade para com os amigos assume formas inovadoras. Enquanto isso, se é preciso apertar alguém, a maior parte dos governos de países emergentes primeiro olha para as pessoas comuns — pelo menos até que os protestos se tornem grandes demais”.

A questão real é se o público estadunidense é muito apático e treinado em submissão para que isso aconteça aqui.

Nota: É também importante considerar um artigo publicado no Wall St. Journal no mês passado — com o subtítulo “De volta à Idade da Pedra”– no qual é descrito como “estradas pavimentadas, emblemas históricos de conquistas dos Estados Unidos, estão sendo desmanteladas em regiões rurais do país e substituídas por estradas de cascalho ou outros pavimentos, já que os condados enfrentam orçamentos apertados e não há verbas estaduais ou federais”. O estado de Utah está considerando seriamente eliminar um ano da escola secundária ou torná-lo opcional. E foi anunciado esta semana que “Camden [Nova Jersey] está se preparando para fechar definitivamente seu sistema de bibliotecas até o final do ano, potencialmente deixando os residentes da cidade entre os poucos dos Estados Unidos sem condições de emprestar um livro de graça.”

Alguém duvida que quando uma sociedade não pode mais pagar por escolas, transporte, estradas asfaltadas, bibliotecas e iluminação pública — ou quando escolhe que não pode pagar por isso em busca de prioridades imperiais ou a manutenção de um Estado de Segurança e Vigilância Nacional — um grande problema surgiu, que as coisas desandaram, que o colapso imperial, por definição, é algo inevitavelmente iminente? De qualquer forma, eu apenas queria deixá-los com alguma luz e pensamentos positivos para o fim-de-semana.

O dia em que William Bonner escorregou

A entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional foi laboratório amplo de como o jornalismo pode utilizar estereótipos vazios em uma campanha eleitoral.
Não se vá exigir de William Bonner e Fátima Bernardes – dois ótimos apresentadores – conhecimento que vá além dos bordões das televisões. Quem detém mais conhecimento são comentaristas, especialmente os que passaram pela imprensa escrita, antes de chegarem à TV.
TV aberta não privilegia conteúdo. Trabalha sempre em cima do bordão, em geral repetitivo para poder alcançar a faixa mais ampla de público. Como tal, há um nivelamento por baixo. A arte na TV aberta consiste no apresentador falar uma banalidade em tom grave e convincente.
Mais que isso, em emissoras partidárias – como é o caso da Globo – cria-se um mundo à parte, força-se a reportagem sempre em uma mão única. E aí sucumbem vítima de um problema bastante estudado na sociologia da comunicação: acreditam que o mundo real é aquele espelhado em suas reportagens; e, como não há o contraditório interno, acredita-se na eficácia de bordões que, na verdade, só são eficientes quando não existe alguém do outro lado para rebater.
Entrevistas têm esse grave inconveniente do entrevistador ser obrigado a dar a palavra ao entrevistado. Tudo fica mais difícil.
Na entrevista, Bonner se limitou a perguntar da dependência de Dilma em relação à Lula, sobre o fato de ela ser mulher dura, pouco propensa a negociar politicamente; e, depois, na mesmíssima entrevista, do fato de sua chapa ser vítima do excesso de negociação, ao abrigar parlamentares e partidos polêmicos. Enfim, um samba do polemizador polifásico – aquele que junta um monte de bordões e não se dá conta de que não guardam coerência sequer entre si. Acusada por não saber negociar; acusada por negociar em excesso.
A consequência foi Dilma rebatendo com facilidade cada bobagem dita, reforçando o discurso social, mas sem avançar em uma proposta sequer de programa, explicando a lógica das alianças políticas. E William Bonner interrompendo- a a toda hora, impedindo sequer uma resposta completa. Algo tão desastrado e mal educado que obrigou Fátima Bernardes, do alto de sua elegância, a calá-lo com um sinal, para que parasse de ser inconveniente.

PERSPECTIVAS CULTURAIS DO PÓS-LULA


Vivemos a perspectiva de que o próximo presidente da República venha a se chamar Dilma Rousseff ou José Serra.
Como a área cultural não é muito afeita à elucubração política (age sempre como se fosse um apêndice da grande unidade holística nacional), resolvi propor neste artigo o vulgar e impreciso exercício de imaginar o futuro. Após Gilberto Gil e Juca Ferreira, qual será o futuro do Ministério da Cultura?

Examinemos primeiro o cenário que parece mais cristalino: Dilma vencerá. Está na ascendente, cresce em todas as pesquisas e tem a sólida presença de Lula a garantir sua escalada.
Dilma é apoiada por uma coalizão que tem como protagonistas o PT, o PMDB, o PCdoB, o PSB e o PTB, entre outros.

Então, vamos por partes, dissecando antes qual poderá ser a postura da nova presidente.

O Ministério da Cultura, que não existia no governo Itamar, que foi claudicante (para não dizer inexpressivo) no governo Fernando Henrique Cardoso e finalmente se tornou atrativo no governo Lula (orçamento de mais de R$ 2 bilhões, cheio de estruturas influentes, como a Ancine, o novo Iphan e o Ibram), pode ser encarado de duas maneiras por Dilma: 1) como uma área estratégica, influente, fundamental no desenvolvimento, na afirmação geopolítica, e de grande potencial econômico; ou 2): um ministério de aluguel que pode ser usado como moeda de troca na consolidação de alianças políticas, emprestável a quem falar mais alto.

Na possibilidade de Dilma considerar que a hipótese 1 é a mais razoável, ela terá mais trabalho. Poderá manter no cargo Juca Ferreira (atualmente licenciado do Partido Verde por tempo indeterminado, homem ligado à esfera de influência do governador mais bem avaliado do PT, Jacques Wagner, da Bahia, e inegavalmente um dos mais leais ministros de Lula).
Mas observadores de dentro do MinC acham que a Era Juca poderá findar em Primeiro de Janeiro, pela própria necessidade de renovação da nova mandatária (e também pelo que está explicado no PS1, logo abaixo).

Fora da hipótese Juca Ferreira - Segunda Parte, entram as apostas.

Do lado do Partido dos Trabalhadores, sobem à superfície os nomes de Sergio Mamberti (que já foi “ministeriável” em 2006) e Ângelo Vanhoni (atual presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados). São os que estão na linha natural da sucessão, se é que isso existe. Mas há uma personagem que parece entrar com força nessa disputa: a filósofa Marilena Chauí, que já militou na área durante o governo Erundina, em São Paulo, e é ligada a Marta Suplicy (que sobe forte em direção ao senado).

Do lado do mais forte aliado do governo, o PMDB, os nomes são muitos. Começando pelo escritor Fernando Morais, que conhece a área e já foi secretário de Educação em São Paulo. Mas há também na lista os nomes de Marcos Villaça (da Academia Brasileira de Letras, muito ligado a José Sarney, forte aliado do governo), Ângelo Oswaldo (militante do patrimônio histórico de MG) e Ângela Gutierrez (empresária e colecionadora, uma das mais ativas militantes da área cultural de Minas Gerais, o que abriria perspectivas em alianças regionais).

Do PCdoB, apresentam-se os nomes de Célio Turino (ex-secretário de Gil e Juca Ferreira no MinC) e Jandira Feghali (Secretária de Cultura do Rio de Janeiro, ligada à área em âmbito regional).

Do PSB de Ciro Gomes (que se diz "100% envolvido na campanha de Dilma"), emerge a grande surpresa da bolsa de apostas: o nome da atriz Patricia Pillar, mulher de Ciro e que é considerada sua conselheira técnica para assuntos de cultura e arte.

A “zebra”, digamos assim, viria do PTB: o vice-prefeito de São Bernardo, Frank Aguiar, que teve destacada atuação na área no Congresso Nacional e hoje é o homem forte de Luiz Marinho, golden boy de Lula no ABC paulista.

Tem ainda os emergentes do próprio Ministério da Cultura, cuja atuação e desenvoltura são elogiadas até por gente da oposição, como Silvana Meirelles (coordenadora do Programa Mais Cultura), Manoel Rangel (todo poderoso diretor da Ancine, Agência Nacional de Cinema) e Alfredo Manevy (segundo homem na hierarquia do MinC, hoje o mais aguerrido combatente do ministério, aquele que dá a cara a tapa).

Caso José Serra leve a faixa presidencial, o cenário é mais nebuloso. Sempre teve dificuldades com o setor, a começar pelo seu imbroglio com Emanuel Araújo. Seus aliados na área enfrentam turbilhões no momento, como é o caso de João Sayad, o mais graduado colaborador na área, que dirige controversa reformulação na Fundação Padre Anchieta. Andrea Matarazzo, secretário de SP, não é do ramo, apenas tapa um buraco.
Dois nomes femininos surgem então com força na bolsa de palpites: Milu Villela, do Itaú, que tem ampla expertise no tema e é muito bem aceita entre o empresariado; e a empresária carioca Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, poderosa e influente apoiadora do serrismo nas últimas três eleições.
A atriz Regina Duarte tem boa folha corrida de serviços prestados ao tucanato, mas não parece disposta a se tornar uma potencial Cortina de Vidro das pedras da área cultural, sempre muito conflagrada.


PS1: Há quem aposte que uma das jogadas de Dilma será mudar o equilíbrio da balança entre homens e mulheres na composição do seu ministério. Teria intenção de nomear mais mulheres (o Ministério da Cultura nunca foi dirigido por uma mulher). Temos aí então, qualquer que seja o presidente, as seguintes ministeriáveis: Marilena Chauí, Jandira Feghali, Silvana Meirelles, Patricia Pillar, Milu Villela, Paula Lavigne.


PS2: Parte desse tabuleiro eu formei ouvindo aqui e acolá figurões da política cultural no País. É certo que o PMDB, que sempre abocanha muitos ministérios em qualquer governo, está com os olhos voltados para a área de Educação, mas é algo de que o PT não parece disposto a abrir mão num eventual governo de “continuidade”, segundo ouvi. Como o partido já conseguiu assegurar a vice-presidência, pode ser que se contente com um ministério como o de Turismo. A Cultura, nesse caso, seria um prêmio adicional, porque no ano que vem haverá Vale-Cultura, uma nova Lei de Incentivo (com suculentos fundos de incentivo direto), uma nova legislação de direitos autorais, entre outros tipos de upgrade na gestão cultural.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A conjuntura na TV

No dia 17 de agosto assistimos na tv muito mais que a apresentação de candidaturas presidenciais. Vimos a apresentação de um projeto para o Brasil por Lula e Dilma e, de outro lado, uma apresentação parcial de problemas na área da saúde pública, por Serra. Esse contraste é simbolicamente revelador de uma grande mudança política e ideológica transcorrida principalmente nos últimos 4 anos no Brasil. Sempre ressalvando que a disputa eleitoral está em curso e que não há vitória antecipada, a conjuntura da disputa presidencial demonstra uma supremacia crescente do projeto representado pelo PT.

Além da série histórica das pesquisas desde o lançamento da candidatura presidencial de Dilma colocando-a como favorita e demonstrando a força desse projeto, chama a atenção a virtual quebra ideológica e programática da candidatura Serra. Seu desfibramento não pode ser avaliado apenas por erros de campanha. É mais profundo, a ponto de se afirmar que 2010 não é um prolongamento de 2006, quando se configurou o que chamamos, então, de disputa de projetos. A proposta neoliberal quebrou e não foi substituída. De outro lado, as conquistas do governo Lula vão se transformando em projeto hegemônico. A conjuntura atual é a supremacia do projeto Lula-Dilma. Sua transformação em vitória eleitoral é o desafio.

O desmanche do neoliberalismo brasileiro

Já em 2006, especialmente no 2º turno, ficou demonstrada a incapacidade do neoliberalismo brasileiro responder ao desafio de dirigir o país novamente. Quando em 1994, com FHC, empalmou a direção do país, foi no auge de um longo impasse nacional, resolvido com o plano real e com uma “vanguarda” política neoliberal, o PSDB, com grande alinhamento internacional, especialmente com os EUA.

A vitória de Lula em 2002 encerrou, parcialmente, a hegemonia neoliberal. Em 2006, já com um novo ciclo (ainda incipiente) de desenvolvimento e mesmo com o PT tendo atravessado sua maior crise, nos anos 2003-05, Lula sagrou-se vencedor política e ideologicamente, com um projeto nacional em construção.

De lá pra cá, tudo piorou para o neoliberalismo. O desenvolvimento nacional ganhou força e uma crise internacional, motivada pelos elementos desencadeados pelo neoliberalismo, fez estragos pelo mundo afora, exceto em países que tinham se protegido com políticas anti-liberais, como o Brasil. E frente a crise, como já observou Juarez Guimarães, o neoliberalismo brasileiro defendeu posições pré-1930, isto é, anti-keynesianas. O governo Lula atuou além do keynesianismo e defendeu o país da crise desde uma perspectiva de esquerda, inclusive elevando o salário-mínimo. Esse processo impulsionou o novo ciclo de desenvolvimento brasileiro; aliado às políticas sociais, ganhou uma nova dimensão, começando a superar limitações históricas do desenvolvimentismo latino-americano (inclusive o famoso teorema da “caixa vazia”, isto é, da ausência de distribuição de renda). Mais do que isso, derrotou o projeto neoliberal. E mostrou isso ao povo.

De um ponto de vista internacional, o neoliberalismo não só perdeu força como deixou se ser uma referência programática – o que não quer dizer que no plano internacional sucedeu algo parecido com o Brasil: a fraqueza das forças de esquerda nos países centrais tem implicado em um campo relativamente livre para a recomposição das forças de direita.

Nesse quadro, a disputa de 2010 não é mais a simples continuidade da de 2006. A disputa de projetos com o programa neoliberal , no mínimo, foi deslocada para questões específicas , embora importantes – como a política referente à taxa de juros e, nesse caso, o embate não é com o PSDB, que foi o responsável pela armadilha financeira, mas diretamente com os interesses financeiros. E também nesse ponto avançamos muito desde 2002. Hoje o Estado conta com fortes bancos públicos e com o BNDES, aliás, o novo alvo de ataque do neoliberalismo.

Mas, é possível avaliar que a vitória foi maior ainda, que a disputa de projetos foi vencida e se trata agora de confirmar e dar o melhor conteúdo ao projeto vencedor. É um processo em curso e que será melhor avaliado em breve.

De todo modo, a base programática e social que sustentou o neoliberalismo brasileiro se esvaiu É por isso que a sustentação da candidatura Serra aparece de modo tão difícil e sua identidade tão desfigurada.

A construção da nova hegemonia

Já havíamos destacado, no artigo anterior, o legado à esquerda do governo Lula. Esse legado, por certo, não é avaliado em função de uma visão esquemática e sectária; ele deve ser estabelecido por uma visão histórica comparativa e por uma avaliação de quais forças disputam com mais chance sua continuidade. É comparativamente de esquerda no sentido de que derrotou a moderna direita brasileira. E deve ter uma perspectiva histórica para que possa apreender as contradições no seu interior e considerar que a luta dos socialistas para que tenha um curso em direção da democracia e da igualdade deve ser mais forte ainda e com maior potencial de realização, embora, por certo, não esteja resolvida. Mas ela já se dá em uma nova e mais favorável situação histórica.

Estabelecer essa base compreensiva é fundamental para entender a força da candidatura Dilma. Aliás, talvez seu desafio mais claro, provavelmente, tenha sido o de colocar-se à altura de representar esse legado, o que vem conseguindo com sucesso.

O processo eleitoral é, em primeiro lugar, a luta pela vitória em condições dadas. E, com regras eleitorais, isto é, com procedimentos muito rentes ao nível de consciência imediato e simbólico. Assim, ele mais reflete uma situação do que transforma essa situação; mas seu resultado pode deslocar forças e representar uma nova conjuntura. Isso porque a disposição de forças depois da eleição é diferente da atual; sendo repetitivo, a correlação de forças se movimenta a favor das forças vencedoras.

Nesse sentido, a campanha Dilma representa a luta pela vitória nas condições dadas, mas sua vitória pode estabelecer uma conjuntura mais favorável para o avanço das linhas mais progressistas do governo Lula e, assim, consolidar uma nova hegemonia no país.

Em parte esse processo se dá na própria campanha, mas certamente prossegue na hipótese de um governo Dilma. Na campanha, ele se dá com as posições que a candidatura presidencial assume e com as posições que o PT e outros partidos de esquerda conquistem dentro do resultado final. Isso se estende, naturalmente, à luta pelos governos estaduais e pela maior bancada do PT e da esquerda.

O projeto hegemônico e seus desafios

A superação do neoliberalismo brasileiro se dá por vitórias políticas históricas – em 2002, em 2006 e na crise econômica internacional de 2008-09 – e por avanços processuais no governo. Além disso, e não menos importante, por uma recomposição da força social e econômica da classe trabalhadora nos últimos 8 anos. A resultante desse processo não é um programa acabado. É um processo que constrói um programa, que tem um sentido histórico com potencial de desenvolvimento à esquerda, isto é, com espaço crescente para o ideário socialista-democrático. Esse processo em curso, no entanto, já estabeleceu marcos diferenciadores frente ao neoliberalismo por certo, mas também face ao desenvolvimentismo clássico. Em relação ao primeiro, porque não há mais o culto do mercado; em relação ao segundo, e de forma menos conflitiva, porque agora temos desenvolvimento ao mesmo tempo que distribuição de renda. E,como disse o presidente Lula no programa da Dilma, nosso projeto “só está começando”.

Mas se um novo projeto reúne condições de hegemonia, elementos do antigo continuam presentes, mas cada vez mais em contradição com o novo curso. Um desses elementos é o Congresso Nacional, cada vez menos representativo da mudança social (e do potencial de cidadania participativa que ela traz) que ocorre no Brasil.

Um projeto de mudança mais amplo e profundo deverá conter não só a reforma política democrática mas também a democratização de estruturas do poder de Estado. Além disso, e em perspectiva, um avanço histórico de mudanças deve incluir novas relações sociais no campo da economia e da propriedade, no sentido da sua democratização. Em qual tempo isso pode se desenvolver depende da correlação de forças e dos programas reais de transformação. Obviamente, não é o tempo eleitoral imediato, mas o tempo do próximo governo e mesmo dos seguintes. É o tempo aberto por uma mudança importante na correlação de forças que poderá significar a eleição de Dilma e de governadores e parlamentares do PT e da esquerda.

Um problema “externo” que temos de levar em conta é que o ambiente internacional não caminha nessa direção, embora aumentem as contradições dentro do imperialismo. Não há mais a mesma força centralizadora dos EUA, mas é difícil encontrar algum país com desenvolvimento político próximo ao do Brasil. É verdade que o espaço de atuação não controlada pelos EUA aumentou, mas as condições internas tanto dos países centrais como de países com possibilidade de jogar um papel internacional de maior peso não parecem ter evoluído à esquerda com a crise. Nos EUA, onde assistimos a importante derrota dos conservadores com a eleição de Obama, continua prevalecendo a política imperialista ainda que – a avaliar – internamente possam vir a se desenvolver, na sociedade, movimentos democráticos em conflito com o governo democrata.

As decorrências desta observação implicam, em primeiro lugar, em considerar a intervenção internacional do Brasil e do PT um dos elementos importantes da nossa estratégia de construção de uma nova hegemonia; em segundo lugar, a compreensão de que uma aliança renovada entre a direita nacional e a ordem imperialista – um aspecto que sempre marcou a direita brasileira – se constitui como um dos pontos de sustentação da oposição à nova hegemonia.

Essas observações, que projetam um período para além da disputa eleitoral, não pretendem minimizar o problema imediato e decisivo, sem o qual o anterior não vale: é preciso vencer as eleições, transformar em votos e em maioria eleitoral as conquistas que obtivemos nos 8 anos de governo Lula.

Fortalecimento do PT e da esquerda nas eleições

Junto com a eleição de Dilma buscamos a eleição de governos estaduais e da maior bancada do PT e da esquerda. Desde os debates anteriores ao 4º Congresso do PT, em fevereiro, defendemos uma tática conjunta e combinada de conquista desses objetivos, e contra a idéia de luta separada por esses resultados. Nossa posição vem se confirmando. O crescimento da candidatura Dilma é acompanhado pelos crescimento de candidaturas estaduais do PT e da esquerda e do PMDB que apóia Dilma. E ainda das candidaturas ao senado e as proporcionais.

Na verdade, a fonte desse crescimento é a mesma: um governo amplamente aprovado, um presidente com profunda identidade popular e um partido que cresce, novamente, em respeito e em adesão política.

Muitos analistas caracterizam esse fenômeno como lulismo. Poderíamos aceitar essa denominação desde que acrescentada do fato de que com o “lulismo” vem junto o “petismo”. O PT não só recuperou seus índices de partido mais respeitado e de partido de maior simpatia popular como avançou. Em algumas pesquisas chega a 30% de simpatia. Mas o mais interessante é que justamente no amplo setor “lulista” que apóia Dilma, o PT chega a quase 40% como partido preferido.

Essa força política deve buscar a maior vitória dentro da vitória maior que é a eleição de Dilma. Naturalmente ela deve se dar em conjunto com as alianças, sobretudo as com a esquerda dentro da ampla frente que cresce no apoio a Dilma. Mas ela deve ser buscada e dirigida pelo PT no sentido de ampliar ao máximo suas conquistas.

Essa é uma condição fundamental para que a construção da nova hegemonia se desenvolva com uma perspectiva de esquerda.

domingo, 5 de setembro de 2010

Ministro do STJ acusado de vender sentenças é aposentado pelo CNJ com salário de R$ 25 mil




O ministro foi aposentado com proventos proporcionais ao que recebia enquanto exerceu o cargo, de cerca de R$ 25 mil.
O ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina foi aposentado compulsoriamente nesta terça, 03, por unanimidade, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele é acusado de vender sentenças e de ter recebido cerca de R$ 1 milhão para beneficiar empresas do ramo do jogo com máquinas caça-níqueis.
O ministro foi aposentado com proventos proporcionais ao que recebia enquanto exerceu o cargo, de cerca de R$ 25 mil. Essa é a primeira vez que o CNJ, que existe desde 2005, aposenta um ministro de tribunal superior. Essa é a maior punição administrativa que um magistrado pode sofrer. Segundo o relator do caso, ministro Gilson Dipp, as condutas do magistrado são incompatíveis com a função exercida.
Medina ainda responde a uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo mesmo crime que foi julgado pelo CNJ. O inquérito sobre o caso, que entrou no Supremo em 2006, virou ação penal em novembro de 2008, quando os ministros aceitaram, em relação ao ministro, denúncias por corrupção passiva e prevaricação (quando o funcionário público faz algo em benefício próprio).
A última movimentação do processo, que está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, data do último dia 29 de junho. Se Medina for considerado culpado, pode receber pena de até 13 anos de reclusão e multa. Além disso, perde a aposentadoria.
Além do ministro, a ação no Supremo conta com outros quatro réus, entre eles o irmão do ministro, o advogado Virgílio Medina, um procurador, um juiz trabalhista e o desembargador do Tribunal Regional da 2 ª Região, José Eduardo Carreira Alvim, que foi também foi aposentado hoje pelo CNJ.

Por que apoiamos Dilma

Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio…

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.


Mino Carta

Charlatanismo continua: Serra diz ao TSE que é economista

Imaginava-se que depois da polêmica, onde José Serra (PSDB) nunca apresentou ao distinto público um diploma de graduação em economia, ele não registrasse mais sua candidatura no TSE como “economista” em 2010, como fazia nos anos anteriores.

Mas registrou, desafiando a justiça e a ética dos Conselhos de Economia.

Quando ele era governador, na biografia, havia recuado, não se apresentando como “economista”. Dizia apenas que formou-se como mestre “nessa disciplina” (Economia), sem detalhar nenhuma graduação como Bacharel em Ciências Econômicas.

A designação profissional ECONOMISTA é privativa dos bacharéis em Ciências Econômicas. Sem esse dploma, não pode usar. É como alguém apresentar-se como Médico sem ter diploma de medicina.
A Justiça Eleitoral deve exigir do demo-tucano que comprove com documentação do CORECON-SP sua situação regular como “ECONOMISTA”, ou a mudança da profissão no registro da candidatura, ou sua candidatura ficará irregular, por apresentar informações falsas.

Chalatanismo dá até 3 meses de prisão

Segundo o jornalista Sitônio Pinto, do jornal A União (PB), em artigo publicado em 25 de março de 2010:

O Conselho Federal de Economia nunca se manifestou sobre o pedido de interpelação judicial e o conseqüente enquadramento do candidato José Serra no Art. 47 do Dec. Lei. 3.688/41, feito pelo Conselho Regional de Economia da Paraíba e endossado pelos Conselhos Regionais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Maranhão, Rondônia e Tocantins, e por dois membros do Conselho Federal de Economia.

O pedido teve por motivo o uso indevido da qualificação de economista pelo candidato Serra, que não tem bacharelado em economia nem é registrado em qualquer Conselho Regional de nenhum estado brasileiro. O procedimento do candidato caracteriza falsidade ideológica e charlatanismo, em prejuízo dos que exercem legalmente a profissão.

O Corecon-PB fez a sua parte, denunciando a irregularidade e pedindo providências à entidade competente, – no caso o Conselho Federal de Economia, parte legítima para uma iniciativa jurídica, pois congrega todos os Corecons do Brasil, onde, hipoteticamente, Serra deveria estar inscrito como economista.

O CloacaNews também já advertiu que:

O Decreto-Lei 3.688, de 3 de outubro de 1941, em vigor, trata das Contravenções Penais. Seu artigo 47, no Capítulo VI, trata do exercício ilegal de profissão ou atividade:

“Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:
Pena – prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa”.

CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a

lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:



1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.



2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.



3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.



4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.



5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.



6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…



7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.



8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…



9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!



10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Lula não ensinou o PT a pescar


Tem certas coisas na vida que não tem preço. Quero dizer, indiretamente, que a vida moderna é uma eterna propaganda? Talvez.


Mas o que quero dizer na verdade é que, por exemplo, qdo se decide nos finais de semana, correr 10 Km, pedalar 40 Km, ler um livro, ver um filme, brincar com os filhos, tomar uma cerveja com os amigos, sair para butecar com a esposa, descer o rio pra pescar com o velho, tudo isso te dá a dimensão exata do que te é essencial.

É preciso e necessário se desconectar desse mundo virtual. A vida é bem mais que isso. No final, é só a luta política, estúpido! Tem muita espuma, pouco conteúdo.

É preciso tomar cuidado, senão vc se perde no meio de um turbilhão de futilidades. “Quem vive na essência não se prende às aparências”, disse alguém. E não se enganem, a sociedade moderna é muita aparência, salpicada de distração por todos os lados.

Uma da vantagens de se fazer alguma dessas coisa que citei acima é chegar na segunda e não ter a mínima ideia do que alguém um político desconhecido, chamado Índio, disse a respeito dos seus adversários.

Mas o pior é não entender pq políticos, ditos experientes, reagiram da maneira como reagiram. Não saem do twitter e de uma maneira constrangedora mostram o qto são despreparados, como aprenderam pouco em tantos anos. Só um pescador inexperiente puxaria anzol na primeira fisgada. Só um político inexperiente reagiria a provocações risíveis como aquelas.

Lula sabe disso. Um exemplo? Gilmar Mendes. Enquanto todo mundo na blogosfera e no twitter chamava o presidente de covarde (quem?), o que ele fez? Deu corda para o enforcado. Deixou que o próprio ex-presidente do STF se enrolasse a ponto de constranger seus pares. A pergunta hj é: Quantas linhas o nome “Gilmar Mendes” vai ocupar nos livros história?

Assim não vejo o menor sentido nessa polarização que foi criada entre um político desconhecido, de um partido decadente com o DEM com um partido político do tamanho do PT. Não compreendo como a estratégia eleitoral e jurídica esteja tão mal administrada.

Por favor, deem a ele a irrelevância que sua majestosa mediocridade merece. Estão tentando impor uma agenda (sempre, sempre com a ajuda mídia). Jogo velho, surrado, batido e sem graça. O PT só entra nela só se quiser. Tudo está melhor que o planejado, quem tem reagir, são os adversários.

Evitem judicializar o debate político, mas se for necessário o façam, mas não esperem uma decisão da justiça antes de 31 de outubro. Se querem representar contra um agente do Estado, representem, mas não façam ameaças para recuar qdo a mídia e o espírito de corpo das instituições reagirem.

E se querem reagir politicamente a calúnias e difamações, chamem o pescador mais sagaz pra canoa. Pq ele não vai sair de casa pra pescar lambaris, e sim tirar os dourados da água.

MOTIVOS PARA VOTAR

"Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha .
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

1. “Alternância no poder é bom”.

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
3. “Dilma não é simpática”.

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista”.

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política”.

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC”.

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa”.

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele."

Jorge Alberto Furtado

Agricultura familiar será o destaque da 35ª Expo Feira

O agricultor familiar que visitar a 35ª Exposição de Feira de Santana, a partir deste domingo (5) até o próximo domingo (12), no Parque de Exposição João Martins da Silva, terá a oportunidade de conhecer as novas tecnologias desenvolvidas para atender e facilitar às necessidades do produtor rural, através do Espaço do Agricultor Familiar, idealizado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA)/Gerência Regional de Feira de Santana, órgão ligado à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri).

Exposição de caprinos e ovinos do projeto Sertão Produtivo, irrigação com garrafas PET, horta giratória, máquina cortadora de palma, tipo pedaleira, prensa manual para feno, separador de mucilagem de sisal, forma silo- cincho, produções agroecológicas integrada e sustentáveis, bicibomba, bomba Puxa-Empurra e bomba-Rosário são algumas das tecnologias de baixo custo que serão apresentadas, de forma dinâmica e interativa, pelos técnicos da EBDA, numa área de 324 metros quadrados.

Dentro do espaço, o agricultor familiar perceberá como é simples e barato construir equipamentos para sucção de água de poços e cisternas, a exemplo da bomba- Rosário, que utiliza roda de bicicleta e barbante para o seu funcionamento, ou a bomba Puxa-Empurra, que utiliza tubo de PVC para a condução da água.

“A peculiaridade desses trabalhos está nos materiais utilizados, que são viáveis aos agricultores familiares e fundamentais para o beneficiamento deles e de suas famílias”, explicou a gerente regional da EBDA, em Feira de Santana, Edilza do Reis. Outra atração será o sistema de irrigação com garrafas tipo PET, muito simples e de baixo custo, e que serve para irrigar pequenas áreas de hortaliças ou de outras culturas.

Além dessas atividades, ações de pesquisa, assistência técnica, extensão rural, capacitações e serviços desenvolvidos pela empresa, na região, serão apresentados. “No Espaço do Agricultor Familiar, profissionais especializados estarão de plantão, permanente, dando informações e facilitando a compreensão dos visitantes quanto aos produtos e ações demonstrados em cosméticos e produtos naturais”, concluiu a gerente.

Para aqueles que estão planejando aproveitar a ExpoFeira para se reciclar ou adquirir produtos oriundos da agricultura familiar da região de Feira de Santana, vão poder contar, diariamente, com o espaço de empreendimento, onde acontecerão também cursos e informações técnicas, disponibilizadas pelos especialistas da empresa, através de bate-papo tecnológico sobre as atividades apresentadas, além de todos poderem adquirir publicações únicas sobre diversas culturas testadas na Bahia.

SSP convoca aprovados em seleção pública para auxiliar administrativo

Candidatos devem apresentar documentação e passar por avaliação física e psicológica

O Diário Oficial do Estado da Bahia (D.O.) publicou na edição desta quinta-feira (02) a Portaria 579, na qual o secretário de Segurança Pública César Nunes, convoca, por ordem de classificação, os candidatos habilitados na seleção pública para contratação de auxiliar administrativo temporário, referente ao Edital SSP nº 01/2008, publicada no D.O. De 06 de janeiro de 2009.

Os candidatos devem comparecer até o dia 20 de setembro ao setor de Recursos Humanos da Secretaria da Segurança Pública (SSP), situada na 4ª Avenida, nº 430, Centro Administrativo da Bahia (CAB), 2º andar, das 08:30h às 17:00h, munidos dos seguintes documentos originais e suas respectivas cópias:

a) Cópias do RG, CPF, Título de Eleitor, comprovante de residência e registro no PIS/PASEP;

b) Duas fotos 3x4 (recentes e idênticas);

c) Comprovação de escolaridade nível médio expedido por Instituição de Ensino reconhecida pelo Ministério da Educação - MEC e devidamente registrado;

d) Certidão de Casamento ou Nascimento;

e) Certidão de Nascimento ou RG dos dependentes, se houver;

f) Certificado de Reservista para candidatos do sexo masculino;

g) Declaração de Bens;

h) Número de conta corrente no Banco do Brasil;

i) Antecedentes Criminais;

j) Carteira Profissional.

Os candidatos ao cargo de auxiliar administrativo temporário serão encaminhados para realização de avaliação física e sanidade mental.

Confira a lista de convocados :

Insc. Nome do Candidato R.G. Data Nasc. P.Obj. P.Redação N.Final Clãs.
89176 THAYRON CLARO SILVA E SILVA 1317032187 11/12/1990 19 2 21 2014
88121 ELIZABETE SANTOS DOS ANJOS 1163597651 2/5/1989 18 3 21 2017
84517 CINTIA CAROLINA FONSECA DA LUZ 1131619560 3/5/1988 18 3 21 2018
83656 PRISCILA DA SILVA MOURA 1014310741 16/12/1988 18 3 21 2019
84516 ANA PAULA DE JESUS TEIXEIRA 999094726 1/6/1988 17 4 21 2021
90408 LUANA SILVA DO NASCIMENTO 1157335900 25/10/1988 17 4 21 2022
82968 RAFAEL MOTA GIFFONE DE JESUS 1140464922 1/11/1989 17 4 21 2023
90831 NATHAN DE MENEZES BARBOSA 1323125736 7/11/1989 18 3 21 2025
91251 TAIANE FREIRE CARIGE 1529799210 14/11/1990 15 6 21 2026
91929 FABRICIA PINHO DE OLIVEIRA 1293501921 18/8/1988 17 4 21 2030
87455 ANTONIO FERNANDO SANTOS FARIAS 1191956318 22/3/1989 17 4 21 2031
81591 LHAIZA MORENA SILVA FREITAS 860344991 24/3/1989 17 4 21 2032
84210 NAJILA OLIVEIRA SANTOS 976807610 3/10/1990 16 5 21 2034
88897 PATRICIA SANTOS DE ANDRADE 1009880160 30/3/1988 15 6 21 2035
87204 LAILA DA CRUZ FERREIRA DA SILVA 1195444400 28/2/1989 15 6 21 2036
85799 MONALIZA CORREIA DE ANDRADE LIMA 1206767375 5/7/1988 16 5 21 2038
81146 SULAMITA DA SILVA DA CONCEICAO 1269313215 26/10/1989 20 1 21 2039
81005 ALIRIO EDUARDO REIS NETO 1201935318 14/12/1987 15 6 21 2040
85496 RODRIGO DE MELLO DOS SANTOS 1153108518 14/4/1989 15 6 21 2041
89872 NATAMY DOS SANTOS SANTA MONICA FERREIRA 1208332201 22/4/1989 15 6 21 2042
86225 NAIARA NASCIMENTO SALGUEIRO DOS SANTOS 1212760581 10/10/1989 15 6 21 2043
86139 ISABELA FRANCA DOS SANTOS 995246513 26/3/1990 15 6 21 2044
89259 LARISSA BARRETO DA SILVA 1278994726 28/8/1989 15 6 21 2045
92171 SHIRLEI SANTOS PEREIRA 1404372903 24/3/1990 17 4 21 2047
88100 CLOVIS SOUZA MARQUES 33815798 11/1/1991 17 4 21 2049
89033 GILMARA SANTOS DE JESUS 984951350 17/4/1988 15 6 21 2051
86501 MAIANA OLIVEIRA SARMENTO 1343018897 26/4/1988 17 4 21 2056
85745 EDSON DIMAS PINTO NUNES DOS SANTOS 1146912404 23/11/1989 17 4 21 2057
86504 EGON RODRIGUES SANTANA DOS SANTOS 1000852539 3/11/1987 16 5 21 2060
83440 RAFAEL FRANCISCO SANTOS PEREIRA 1009046101 30/11/1987 16 5 21 2061
83411 FRANCIS NUNES TAVARES 1009891529 18/3/1990 15 6 21 2062
84369 JAMILE DAMASCENO DOS SANTOS 1280026030 5/1/1988 18 3 21 2063
88194 FRANCISCO BORGES DA SILVA NETO 968750702 25/11/1988 18 3 21 2064
91890 MARINA LUANA DE SOUSA 386672726 22/4/1988 16 5 21 2067
81712 DIANA SILENE MENDES LEITE 978673492 26/4/1990 16 5 21 2068
84638 PRISCILA NEIVA DE JESUS 945483236 27/11/1987 15 6 21 2071
82101 THAISE DA SILVA BARBOSA 1004641575 2/10/1987 14 7 21 2072
89271 JOSE CASSIO LOPES DE SOUZA JUNIOR 1290823090 20/10/1988 18 3 21 2073
88230 ROMNEY OIVEIRA SANCHES 1138117056 22/9/1988 16 5 21 2075
87251 FABIO ALMEIDA DOS SANTOS 1138495166 6/4/1990 19 2 21 2079
82122 LEONARDO AUGUSTO NOVAIS DOS SANTOS 1462559336 27/6/1988 18 3 21 2081
86464 SILVIA MARIA DOS REIS MENEZES 1138812900 30/7/1989 17 4 21 2084
82384 RAFAEL RAMOS AZEVEDO 1289528730 23/7/1990 19 2 21 2086
82659 LUIS PAULO GOMES DOS SANTOS 1285433963 24/8/1989 18 3 21 2087
82839 LUTHE JEFFERSON NASCIMENTO OLIVEIRA 1140896474 25/12/1988 16 5 21 2092
85651 IRIS CRISTINA REIS DE OLIVEIRA 12636371 4/10/1990 16 5 21 2093
89414 TAIS CARINE SILVA FORMIGA 1495707830 6/1/1989 15 6 21 2094
90112 JULIO VALERIO QUEIROZ CRUZ VILELA 1145999395 11/8/1988 16 5 21 2098
82309 MARCUS LAZARO DOREA FERNANDES BASTOS 1209981815 19/12/1988 15 6 21 2100
90536 TAIRINE DE JESUS PINTO 1280945753 3/12/1990 15 6 21 2101
86896 LARISSA VASCONCELOS SILVA 950154504 27/4/1990 13 8 21 2106
82919 GABRIEL VILAS MIRANDA 995771863 15/10/1990 19 2 21 2107
83324 DOUGLAS EGIDIO DE SOUSA ALVIM 13653421 13/4/1988 15 6 21 2108
86088 RAPHAELLA FREITAS ROSA 1149229420 20/10/1988 17 4 21 2110
85903 LUCAS ARAUJO MORAES 842264710 4/1/1989 16 5 21 2111
90557 PAULO SERGIO ALVES CRUZ JUNIOR 1284059022 21/6/1990 17 4 21 2113
89760 LARISSA SANTOS MASCARENHAS 1168431956 25/5/1989 16 5 21 2115
91511 GESSICA SANTOS DO NASCIMENTO 999688197 13/9/1987 15 6 21 2116
84108 CAROLINE CARVALHO SANTOS 1178859169 10/6/1990 15 6 21 2117
85638 ANNA CAROLINA QUEIROZ GUIRRA 1356546455 9/1/1991 17 4 21 2118
83941 NAILANA LOPES MOTA RAMOS 1273264304 15/8/1989 15 6 21 2120
88423 QUEZIA COSTA BARROS DE SOUSA 1168474337 24/4/1990 14 7 21 2122
85786 LIDIANE DOS SANTOS BACELAR 1147766100 24/11/1989 14 7 21 2125
92257 LARISSA CAROLINA RAMOS DOS SANTOS 1000132102 19/9/1988 16 5 21 2128
88413 DHONE FLAVIO SANTA RITA DE OLIVEIRA 1151263508 21/3/1988 16 5 21 2130
84923 ISABELLA MATOS BITENCOURT GAMA 1169423124 20/12/1989 18 3 21 2131
86953 ELQUISON DA SILVA RAMOS 1287244807 18/6/1989 16 5 21 2146
88099 CLAUDIO LOPES DA PAIXAO JESUS 1141052008 3/2/1988 15 6 21 2149
85457 AYANA CURVELO PINHEIRO CAMPOS 998606863 21/3/1988 14 7 21 2151
87000 JULIANA JESUS SOUSA 1200324307 27/7/1990 16 5 21 2153
88542 ADRIELE SOUZA CALDAS 1210629291 19/7/1991 16 5 21 2154
89170 NAIARA SANTOS DOS ANJOS 1414189907 12/10/1987 15 6 21 2158
88489 SAMUEL SANTOS DE SOUZA 1162858931 10/2/1989 15 6 21 2159
85772 VANESSA DE ALMEIDA OLIVEIRA 1283422000 30/6/1988 15 6 21 2162
88298 DEMILSON NASCIMENTO DOS SANTOS 1122973829 13/8/1989 15 6 21 2163
84748 ALEANDRA EL-SARLE CARVALHO 1355797403 2/3/1989 14 7 21 2165
87128 DEISE SANTANA SILVA 985026383 21/3/1988 17 4 21 2166
82196 JESSICA ROCHA DOS ANJOS 1324688165 3/7/1991 18 3 21 2167
92170 RENATO DE LIMA CARVALHO NETO 970897880 29/6/1988 17 4 21 2168
88849 ALESSANDRA BARROS BORGES 1145852882 31/8/1990 15 6 21 2171
85590 LUCAS LEITAO LEMOS 1146780656 28/7/1988 16 5 21 2174
84062 YURI SANTOS FRANCO 11275545116 30/4/1990 16 5 21 2175
88905 CAMILA DOS PRAZERES LOPES 1137805838 30/9/1990 16 5 21 2176
84873 CAROLINA DA SILVA RODRIGUES 1147853258 17/5/1988 15 6 21 2177
84990 ADRIANE SOUZA VIANA 1204418454 9/8/1988 15 6 21 2178
85174 MARIANA DOS SANTOS RODRIGUES PEREIRA 1284677036 11/11/1989 15 6 21 2179
90027 ARIANE SANTOS DOS REIS SANTANA 1152740733 17/2/1989 17 4 21 2181
90161 LOUISE VERGASTA VALENTE 862439264 6/7/1988 16 5 21 2183
85646 LAIS COSTA E COSTA 1003946046 8/4/1989 16 5 21 2184
84154 NAILTON SANTOS DE ARAUJO 1295321858 18/12/1988 15 6 21 2186
82382 ALINE PRISCILA FRANCO DE BRITO 1193113644 13/4/1990 15 6 21 2187
85839 LUCAS PEREIRA DOS SANTOS 990748189 27/11/1990 15 6 21 2188
85775 JULIANA CAMPOS PEREIRA 1208013106 9/1/1991 15 6 21 2189
91685 LAIS DEISE BATISTA DE BRITO 1389728773 4/5/1989 14 7 21 2191
88918 ROSANE SILVA DOS SANTOS 1147240329 13/11/1989 14 7 21 2192
86250 HOSANA DOS PRAZERES NASCIMENTO 990533220 21/12/1988 14 7 21 2195
87802 DIEGO DOTTO FIUZA NEVES 1258393085 9/8/1989 17 4 21 2196
84691 JOAO ANTONIO MORENO 1462482104 9/9/1990 16 5 21 2197
82965 TAIS DIAS ROCHA 1196760799 22/1/1989 16 5 21 2199
84879 GABRIELLE DE CARVALHO RIBEIRO 1293319708 21/5/1988 15 6 21 2202
91937 KARINE DOREA RIBEIRO 1165022826 16/11/1988 15 6 21 2203
84759 LIS ENDAIRA DE SANTANA BARBOSA 841623333 17/5/1990 15 6 21 2208
83584 WILLIAM SOUZA CAVALCANTE 998759694 8/8/1987 14 7 21 2210
91718 NAIARA SOUZA ALMEIDA 1195494688 29/6/1989 14 7 21 2211
81028 MELISSA OLIVEIRA PARAGUASSU 1146900570 2/12/1990 16 5 21 2212

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vale ameaça e comunidade pede socorro

- Os moradores da comunidade Chapada do A, localizada no município de Anchieta (ES), estão sofrendo pressão da mineradora Vale.
A empresa pretende retirar da região 65 famílias que moram na comunidade.
O objetivo da Vale e construir no local a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), que deve produzir,
quando estiver em atividade, cinco milhões de toneladas de ferro por ano.
A Vale pretendia comprar as propriedades das famílias, mas em um plebiscito, os moradores votaram

contra a proposta de venda de suas propriedades.

Muitas famílias são descendentes de indígenas e vivem no local há mais de 80 anos.

O presidente da associação Chapada do A, Jozias Pereira, relata a atual situação vivida pelos moradores.

“Aqui todo mundo tem seu terreno, sua propriedade e eles querem deslocar a gente para outro bairro.

Dizem que vão dar uma casa para moramos, mas o pessoal não aceita e tem toda a razão.

Estamos com medo, pois todos sabem que a Vale é muito grande e uma comunidade com 60, 70 famílias perto da Vale, é coisa pequena. Estamos em uma situação muito difícil aqui e precisamos de ajuda.

As terras dos quatro lados da nossa comunidade já pertencem à empresa.”

Ainda segundo Josias, a Vale já instalou dentro da comunidade um escritório.

Segundo ele, os moradores estão sendo pressionados com visitas de funcionários da empresa

que muitas vezes dizem que os moradores terão que sair ou serão expulsos pelo empreendimento.

A Vale já é proprietária de uma área de mais de 78km² no município.

Segundo o líder comunitário, muitas famílias de comunidades vizinhas não resistiram à pressão e já venderam suas terras.

Danilo Augusto.

A conjuntura na TV

No dia 17 de agosto assistimos na tv muito mais que a apresentação de candidaturas presidenciais. Vimos a apresentação de um projeto para o Brasil por Lula e Dilma e, de outro lado, uma apresentação parcial de problemas na área da saúde pública, por Serra. Esse contraste é simbolicamente revelador de uma grande mudança política e ideológica transcorrida principalmente nos últimos 4 anos no Brasil. Sempre ressalvando que a disputa eleitoral está em curso e que não há vitória antecipada, a conjuntura da disputa presidencial demonstra uma supremacia crescente do projeto representado pelo PT.

Além da série histórica das pesquisas desde o lançamento da candidatura presidencial de Dilma colocando-a como favorita e demonstrando a força desse projeto, chama a atenção a virtual quebra ideológica e programática da candidatura Serra. Seu desfibramento não pode ser avaliado apenas por erros de campanha. É mais profundo, a ponto de se afirmar que 2010 não é um prolongamento de 2006, quando se configurou o que chamamos, então, de disputa de projetos. A proposta neoliberal quebrou e não foi substituída. De outro lado, as conquistas do governo Lula vão se transformando em projeto hegemônico. A conjuntura atual é a supremacia do projeto Lula-Dilma. Sua transformação em vitória eleitoral é o desafio.

O desmanche do neoliberalismo brasileiro

Já em 2006, especialmente no 2º turno, ficou demonstrada a incapacidade do neoliberalismo brasileiro responder ao desafio de dirigir o país novamente. Quando em 1994, com FHC, empalmou a direção do país, foi no auge de um longo impasse nacional, resolvido com o plano real e com uma “vanguarda” política neoliberal, o PSDB, com grande alinhamento internacional, especialmente com os EUA.

A vitória de Lula em 2002 encerrou, parcialmente, a hegemonia neoliberal. Em 2006, já com um novo ciclo (ainda incipiente) de desenvolvimento e mesmo com o PT tendo atravessado sua maior crise, nos anos 2003-05, Lula sagrou-se vencedor política e ideologicamente, com um projeto nacional em construção.

De lá pra cá, tudo piorou para o neoliberalismo. O desenvolvimento nacional ganhou força e uma crise internacional, motivada pelos elementos desencadeados pelo neoliberalismo, fez estragos pelo mundo afora, exceto em países que tinham se protegido com políticas anti-liberais, como o Brasil. E frente a crise, como já observou Juarez Guimarães, o neoliberalismo brasileiro defendeu posições pré-1930, isto é, anti-keynesianas. O governo Lula atuou além do keynesianismo e defendeu o país da crise desde uma perspectiva de esquerda, inclusive elevando o salário-mínimo. Esse processo impulsionou o novo ciclo de desenvolvimento brasileiro; aliado às políticas sociais, ganhou uma nova dimensão, começando a superar limitações históricas do desenvolvimentismo latino-americano (inclusive o famoso teorema da “caixa vazia”, isto é, da ausência de distribuição de renda). Mais do que isso, derrotou o projeto neoliberal. E mostrou isso ao povo.

De um ponto de vista internacional, o neoliberalismo não só perdeu força como deixou se ser uma referência programática – o que não quer dizer que no plano internacional sucedeu algo parecido com o Brasil: a fraqueza das forças de esquerda nos países centrais tem implicado em um campo relativamente livre para a recomposição das forças de direita.

Nesse quadro, a disputa de 2010 não é mais a simples continuidade da de 2006. A disputa de projetos com o programa neoliberal , no mínimo, foi deslocada para questões específicas , embora importantes – como a política referente à taxa de juros e, nesse caso, o embate não é com o PSDB, que foi o responsável pela armadilha financeira, mas diretamente com os interesses financeiros. E também nesse ponto avançamos muito desde 2002. Hoje o Estado conta com fortes bancos públicos e com o BNDES, aliás, o novo alvo de ataque do neoliberalismo.

Mas, é possível avaliar que a vitória foi maior ainda, que a disputa de projetos foi vencida e se trata agora de confirmar e dar o melhor conteúdo ao projeto vencedor. É um processo em curso e que será melhor avaliado em breve.

De todo modo, a base programática e social que sustentou o neoliberalismo brasileiro se esvaiu É por isso que a sustentação da candidatura Serra aparece de modo tão difícil e sua identidade tão desfigurada.

A construção da nova hegemonia

Já havíamos destacado, no artigo anterior, o legado à esquerda do governo Lula. Esse legado, por certo, não é avaliado em função de uma visão esquemática e sectária; ele deve ser estabelecido por uma visão histórica comparativa e por uma avaliação de quais forças disputam com mais chance sua continuidade. É comparativamente de esquerda no sentido de que derrotou a moderna direita brasileira. E deve ter uma perspectiva histórica para que possa apreender as contradições no seu interior e considerar que a luta dos socialistas para que tenha um curso em direção da democracia e da igualdade deve ser mais forte ainda e com maior potencial de realização, embora, por certo, não esteja resolvida. Mas ela já se dá em uma nova e mais favorável situação histórica.

Estabelecer essa base compreensiva é fundamental para entender a força da candidatura Dilma. Aliás, talvez seu desafio mais claro, provavelmente, tenha sido o de colocar-se à altura de representar esse legado, o que vem conseguindo com sucesso.

O processo eleitoral é, em primeiro lugar, a luta pela vitória em condições dadas. E, com regras eleitorais, isto é, com procedimentos muito rentes ao nível de consciência imediato e simbólico. Assim, ele mais reflete uma situação do que transforma essa situação; mas seu resultado pode deslocar forças e representar uma nova conjuntura. Isso porque a disposição de forças depois da eleição é diferente da atual; sendo repetitivo, a correlação de forças se movimenta a favor das forças vencedoras.

Nesse sentido, a campanha Dilma representa a luta pela vitória nas condições dadas, mas sua vitória pode estabelecer uma conjuntura mais favorável para o avanço das linhas mais progressistas do governo Lula e, assim, consolidar uma nova hegemonia no país.

Em parte esse processo se dá na própria campanha, mas certamente prossegue na hipótese de um governo Dilma. Na campanha, ele se dá com as posições que a candidatura presidencial assume e com as posições que o PT e outros partidos de esquerda conquistem dentro do resultado final. Isso se estende, naturalmente, à luta pelos governos estaduais e pela maior bancada do PT e da esquerda.

O projeto hegemônico e seus desafios

A superação do neoliberalismo brasileiro se dá por vitórias políticas históricas – em 2002, em 2006 e na crise econômica internacional de 2008-09 – e por avanços processuais no governo. Além disso, e não menos importante, por uma recomposição da força social e econômica da classe trabalhadora nos últimos 8 anos. A resultante desse processo não é um programa acabado. É um processo que constrói um programa, que tem um sentido histórico com potencial de desenvolvimento à esquerda, isto é, com espaço crescente para o ideário socialista-democrático. Esse processo em curso, no entanto, já estabeleceu marcos diferenciadores frente ao neoliberalismo por certo, mas também face ao desenvolvimentismo clássico. Em relação ao primeiro, porque não há mais o culto do mercado; em relação ao segundo, e de forma menos conflitiva, porque agora temos desenvolvimento ao mesmo tempo que distribuição de renda. E,como disse o presidente Lula no programa da Dilma, nosso projeto “só está começando”.

Mas se um novo projeto reúne condições de hegemonia, elementos do antigo continuam presentes, mas cada vez mais em contradição com o novo curso. Um desses elementos é o Congresso Nacional, cada vez menos representativo da mudança social (e do potencial de cidadania participativa que ela traz) que ocorre no Brasil.

Um projeto de mudança mais amplo e profundo deverá conter não só a reforma política democrática mas também a democratização de estruturas do poder de Estado. Além disso, e em perspectiva, um avanço histórico de mudanças deve incluir novas relações sociais no campo da economia e da propriedade, no sentido da sua democratização. Em qual tempo isso pode se desenvolver depende da correlação de forças e dos programas reais de transformação. Obviamente, não é o tempo eleitoral imediato, mas o tempo do próximo governo e mesmo dos seguintes. É o tempo aberto por uma mudança importante na correlação de forças que poderá significar a eleição de Dilma e de governadores e parlamentares do PT e da esquerda.

Um problema “externo” que temos de levar em conta é que o ambiente internacional não caminha nessa direção, embora aumentem as contradições dentro do imperialismo. Não há mais a mesma força centralizadora dos EUA, mas é difícil encontrar algum país com desenvolvimento político próximo ao do Brasil. É verdade que o espaço de atuação não controlada pelos EUA aumentou, mas as condições internas tanto dos países centrais como de países com possibilidade de jogar um papel internacional de maior peso não parecem ter evoluído à esquerda com a crise. Nos EUA, onde assistimos a importante derrota dos conservadores com a eleição de Obama, continua prevalecendo a política imperialista ainda que – a avaliar – internamente possam vir a se desenvolver, na sociedade, movimentos democráticos em conflito com o governo democrata.

As decorrências desta observação implicam, em primeiro lugar, em considerar a intervenção internacional do Brasil e do PT um dos elementos importantes da nossa estratégia de construção de uma nova hegemonia; em segundo lugar, a compreensão de que uma aliança renovada entre a direita nacional e a ordem imperialista – um aspecto que sempre marcou a direita brasileira – se constitui como um dos pontos de sustentação da oposição à nova hegemonia.

Essas observações, que projetam um período para além da disputa eleitoral, não pretendem minimizar o problema imediato e decisivo, sem o qual o anterior não vale: é preciso vencer as eleições, transformar em votos e em maioria eleitoral as conquistas que obtivemos nos 8 anos de governo Lula.

Fortalecimento do PT e da esquerda nas eleições

Junto com a eleição de Dilma buscamos a eleição de governos estaduais e da maior bancada do PT e da esquerda. Desde os debates anteriores ao 4º Congresso do PT, em fevereiro, defendemos uma tática conjunta e combinada de conquista desses objetivos, e contra a idéia de luta separada por esses resultados. Nossa posição vem se confirmando. O crescimento da candidatura Dilma é acompanhado pelos crescimento de candidaturas estaduais do PT e da esquerda e do PMDB que apóia Dilma. E ainda das candidaturas ao senado e as proporcionais.

Na verdade, a fonte desse crescimento é a mesma: um governo amplamente aprovado, um presidente com profunda identidade popular e um partido que cresce, novamente, em respeito e em adesão política.

Muitos analistas caracterizam esse fenômeno como lulismo. Poderíamos aceitar essa denominação desde que acrescentada do fato de que com o “lulismo” vem junto o “petismo”. O PT não só recuperou seus índices de partido mais respeitado e de partido de maior simpatia popular como avançou. Em algumas pesquisas chega a 30% de simpatia. Mas o mais interessante é que justamente no amplo setor “lulista” que apóia Dilma, o PT chega a quase 40% como partido preferido.

Essa força política deve buscar a maior vitória dentro da vitória maior que é a eleição de Dilma. Naturalmente ela deve se dar em conjunto com as alianças, sobretudo as com a esquerda dentro da ampla frente que cresce no apoio a Dilma. Mas ela deve ser buscada e dirigida pelo PT no sentido de ampliar ao máximo suas conquistas.

Essa é uma condição fundamental para que a construção da nova hegemonia se desenvolva com uma perspectiva de esquerda.

Fenômeno?

Um fenômeno que os tucanos de São Paulo não perceberam foi, ao lado da ascensão das classes “D” e C” a partir de 2002, a despolitização dessa trajetória.

A Classe Média engordou sem precisar mover uma palha política.

Não foi a uma reunião de sindicato.

Não foi a uma reunião da associação dos moradores.

Não fez panelaço.

Não fez greve geral.

Não fechou o Palácio dos Bandeirantes.

Não cercou o Congresso.

Não botou a Globo para correr.

Os argentinos morrem de rir.

A Classe C engordou porque o Lula pôs alpiste.

Pagou um salário mínimo mais decente.

Remunerou os aposentados.

Fez o crédito consignado.

Pagou o Bolsa Família.

Botou a criançada para estudar.

Levou os negros e pobres às faculdades privadas, com o Pro Uni.

Abriu universidades.

Vai democratizar o acesso à faculdade com o ENEM (que o PiG boicota incansavelmente) .

Deu Luz para Todas (que o Serra não sabe o que é).

O Lula vai criar 2 milhões de emprego este ano.

O Lula foi um paizão.

Reproduziu o Vargas.

E é por isso que não há uma única Avenida Presidente Vargas em São Paulo.

Como não haverá uma Avenida Presidente Lula em São Paulo.

E aí, nessa despolitização, é que reside o problema.

Como diz o meu cunhado, o Dany, com quem almocei no excelente Alfaia, um português de Copacabana.

( O bolinho de bacalhau quica.)

O que mais impressiona o Dany é a absoluta despolitização do Brasil.

Logo, a despolitização deste impressionante fenômeno de mobilidade social.

A Classe Média é incapaz de perceber – observa o Dany – que a ascensão só foi possível porque uma houve uma importante vitoria política: o Lula tirou o oxigênio da neo-UDN, os tucanos de São Paulo, que se tornaram a locomotiva do atraso ideológico.

Dany observa, com razão, que boa parte de despolitização se deve ao papel destruidor da imprensa (aqui entrei eu, com o PiG (*), é claro), que além de ser reacionária é inepta.

Na Europa, como se sabe, há excelentes jornais que conciliam qualidade com conservadorismo.

Aqui, isso não aconteceu.

E se a classe média sobe sem saber por quê, o que acontece ?

Me perguntei no avião de volta, ao deixar o Rio maravilhoso para passar sob o Minhocão …

O que acontece ?

A classe média pode ir perfeitamente para o Berlusconi.

Aliás, a classe média é a massa com o Berlusconi faz a pizza.

E, como diz o Mino Carta, a Dilma não é metalúrgica.

Essa camada proletária, sindical será removida com o tempo.

E a classe média não se lembrará de associar a TV digital ao estádio da Vila Euclides.

(Seria exigir demais, não, amigo navegante ?)

Ou seja, o carisma do Lula passará a ser by proxy.

E quando o Golpe vier ?

Porque o Golpe contra presidentes trabalhistas sempre vem.

E quando o PiG (*) se associar a um Líder Máximo do Estado da Direita, que pode vir do Judiciário ?

Quem é que vai para a rua defender a Dilma ?

A Classe Média ?

O Globo, na página A10, em reportagem do sempre excelente José Meirelles Passos, bate na trave.

Mas não chega lá – ainda.

Já, já a Classe Média dá uma rasteira no Lula e no PT.

Quem mandou tirar o povo da rua ?

Tudo isso, se a Dilma não fizer nada.

Paulo Henrique Amorim