domingo, 31 de maio de 2015

Globo silencia sobre a corrupção em seu quintal

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As investigações do Departamento de Justiça norte-americano e do governo da Suíça sobre o escândalo de corrupção na Fifa, que sacudiram o mundo do futebol e levaram à prisão cartolas como o brasileiro José Maria Marín, envolvem transações comerciais em que a Rede Globo, da família Marinho, atua diretamente há décadas: a compra de direitos de transmissão de eventos esportivos nacionais e internacionais.
Segundo a polícia federal (FBI) e a receita federal norte-americanas, as investigações na Fifa tiveram início por causa do processo de escolha das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar, mas foi expandida para analisar os acordos da entidade nos últimos 20 anos.
A investigação atua em várias frentes. Sobre a compra dos direitos de transmissão o esquema funcionava basicamente assim: para ter contratos de direitos de transmissão de eventos organizados pela Fifa, como a Copa da Mundo ou Copa Libertadores, empresas de marketing esportivo pagavam propinas milionárias aos dirigentes da Fifa. De posse dos direitos de transmissão, as empresas os revendiam a grupos de comunicação do mundo todo. Só em relação aos direitos de transmissão da Copa América de 2015, 2019 e 2023, a Datisa, formada pela Traffic, do brasileiro J.Hawilla, e duas companhias sul-americanas, aceitou pagar US$352,5 milhões e mais US$110 milhões em propinas para os presidentes das federações sul-americanas. A Rede Globo comprou da Datisa os direitos de transmissão da Copa América no Brasil.
A empresa da família midiática mais rica do planeta não é citada nas investigações do FBI. Mas faz transações com a Fifa sobre transmissão de eventos esportivos desde o mundial de 1970. Em 2012, a Globo anunciou a compra dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar. Os valores dos negócios não são divulgados oficialmente.
Na época do anúncio, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, comemorou a compra da transmissão dos mundiais. “Por mais de 40 anos, a Globo e a Fifa desenvolveram uma parceria muito frutífera, que trouxe ótimos resultados para ambas as partes. Durante todos estes anos, a Fifa conseguiu fazer do futebol o esporte mais popular, com um grande público em todo o mundo, e a Globo se sente orgulhosa de ser parte desta história. Por esta razão, nós estamos orgulhosos de prolongar esta parceria”, afirmou Marinho.
J.Hawilla, parceiro dos Marinho
Entre a Fifa e a Globo aparece um elo de ligação que é peça chave nas investigações de corrupção das autoridades norte-americanas: o empresário José Hawilla, dono da Traffic Group, maior empresa de marketing esportivo da América Latina.
J.Hawilla, como gosta de ser chamado, confessou à Justiça dos EUA ser culpado pelos crimes de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça – ele é o único brasileiro entre os réus confessos declarados culpados pela Justiça dos EUA. Ele se comprometeu a devolver US$151 milhões de seu patrimônio – US$25 milhões deste total já teriam sido pagos no momento da confissão. O mandatário da Traffic já foi classificado diversas vezes pela imprensa nacional como “dono do futebol brasileiro”.
A ligação entre J.Hawilla e a família Marinho inclui a transmissão de eventos esportivos de peso. A Traffic teve exclusividade na comercialização de direitos internacionais de tevê da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014. A empresa de J.Hawilla é a atual responsável pelos direitos de torneios como a Copa Libertadores, cujo direito de transmissão foi comprado pela Rede Globo.
Além relações perigosas no futebol, Rede Globo e J.Hawilla têm parceria comercial também nas Comunicações. Ex-repórter da área de esportes, ele se tornou afiliado da Rede Globo a partir da Traffic. Em 2003, ele fundou a TV TEM, no interior de São Paulo – hoje a maior subsidiaria do grupo, cobrindo 318 municípios e 7,8 milhões de habitantes, alcançando 49% do interior paulista. J.Hawilla também comprou, em 2009, o “Diário de S.Paulo”, mas vendeu o jornal logo em seguida.
Sonegação na Copa de 2002
A Rede Globo criou um “antecedente criminal” em sua relação comercial com a Fifa, intermediada por empresas como a Traffic. A emissora disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão, da qual o Brasil foi campeão.
A engenharia da Globo para disfarçar a operação envolveu dez empresas criadas em diferentes paraísos fiscais. Todas essas empresas pertencem direta ou indiretamente à Globo, segundo os documentos. O esquema funcionava de modo que o dinheiro para a aquisição dos direitos era pago através de empréstimos entre empresas pertencentes à Globo sediadas em outros países. Deste modo, a empresa brasileira TV Globo, não gastava dinheiro diretamente com a operação. Posteriormente, as empresas que detinham os direitos de transmissão eram compradas pela TV Globo.
“Essa intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo teve, por escopo, esconder o real intuito da operação que seria a aquisição pela TV Globo dos direitos de transmitir a Copa do Mundo de 2002, o que seria tributado pelo imposto de renda”, afirma em relatório do processo o auditor fiscal Alberto Sodré Zile.
A artimanha fiscal resultou na sonegação de R$183,14 milhões, em valores da época. Segundo a Receita Federal, somando juros e multa, o valor que a Globo devia ao contribuinte brasileiro em 2006 sobe a R$615 milhões.
Em 2013, o blog O Cafezinho divulgou 29 páginas do processo da Receita Federal contra a Rede Globo. O relatório divulgado comprova que as organizações Globo criaram um esquema internacional envolvendo diversas empresas em sedes por todo o mundo para mascarar a compra dos direitos da Copa de 2002. O objetivo principal seria o de sonegar os impostos que deveriam ser pagos à União em pela compra dos direitos (leia mais).
Via Bonner, Globo diz querer “futebol mais honesto”
A única manifestação da Rede Globo até o momento sobre o escândalo na Fifa foi um editorial lido por William Bonner no Jornal Nacional na quarta-feira, dia 27/5, quando a emissora ressaltou que apoia as investigações promovidas pela justiça norte-americana.
“A TV Globo, que compra os direitos de muitas dessas competições, só tem a desejar que as investigações cheguem a bom termo e que o ambiente de negócio do futebol seja honesto. Isso só vai trazer benefícios ao público, que é apaixonado por esse esporte, e às emissoras de televisão do mundo todo, que como a Globo fazem um esforço enorme para satisfazer essa paixão”, acrescentou Bonner.
No Jornal da Globo de quarta-feira, dia 27/5, também disse que “não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão”, caso da Globo.

Joaquim Barbosa acha que só não é corrupto quem é rico

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JB adora fazer compras em Miami. Deve ter ganho muito dinheiro no STF.
 O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal saltou hoje [28/5], no Twitter, em defesa do imoral reajuste do Judiciário que está sendo perpetrado, que pode elevar para perto de R$100 mil a remuneração dos magistrados.
Impressiona a deformação da mente de quem foi apresentado, um dia, como “o menino pobre que mudou o Brasil”.
Ter uma vida modesta, como a maioria de nós, dr. Barbosa, não nos faz sabujos nem desonestos.
Meu avô, pintor de paredes, foi um dos homens mais íntegros e independentes que já conheci.
Minha mãe, uma professora primária, que não recebia uma migalha do salário de um juiz, viveu com modéstia e dificuldades, sempre com os mesmos princípios, mesmo sustentando dois filhos pequenos.
A faxineira de minha casa não faz sumir uma moeda.
Já os diretores ladrões da Petrobras ganhavam os tais R$100 mil, sobretudo aqueles que eram funcionários de carreira e roubaram como ratos.
Ao juiz Lalau, que eu saiba, não faltava nada senão vergonha na cara.
O juiz do Porsche de Eike Batista também tinha seu automóvel, não precisava daquele de luxo.
Os magistrados que reclamam não poder estocar ternos comprados nos Estados Unidos nem por isso têm de andar andrajosos.
O senhor Joaquim, também, hoje proprietário de apartamento em Miami, um dia foi pobre e não consta que surrupiasse ou não tivesse altivez.
Lógico que um salário miserável facilita a corruptividade de alguém. Mas os salários de juízes jamais foram miseráveis, ao contrário.
Mas são, sim, miseráveis os apetites classistas – ainda mais em quem tem a função de distribuir justiça – que fazem alguém distante, frio e insensível às dificuldades dos seres humanos “comuns”.
Até porque o dinheiro, se enriquece materialmente, muitas vezes empobrece a mente. Ao ponto de fazer com que um homem com o preparo do dr. Joaquim Barbosa faça esta afronta à inteligência humana,
Pode estar rico, mas tornou-se pobre de humanidade. E este não cruza o buraco da agulha bíblico.

“Assisti, mas deletei”, diz deputado que viu vídeo pornô no plenário da Câmara

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Pornodeputado: João Rodrigues assistiu a um vídeo pornográfico no plenário Câmara.
O deputado João Rodrigues (PSD/SC) foi flagrado pela reportagem do SBT Brasília assistindo a um vídeo pornográfico no plenário da Câmara durante a sessão da reforma política
O deputado João Rodrigues (PSD/SC) foi flagrado pela reportagem do SBT Brasília assistindo a um vídeo pornográfico durante a sessão que decidia sobre a reforma política, no plenário da Câmara, na quarta-feira, dia 27/5. Indagado por CartaCapital se era mesmo ele quem aparecia nas imagens, Rodrigues foi taxativo: ”Sou eu mesmo”.
Nas imagens, divulgadas nesta quinta-feira, dia 28/5, Rodrigues assiste e mostra a colegas parlamentares conteúdo pornográfico enquanto a sessão ocorria. Em sua mesa, estava um convite para uma Santa Missa na CNBB, realizada na quinta-feira às 8 horas.
Questionado sobre os motivos que o levaram a assistir ao vídeo naquele momento no plenário, o deputado Rodrigues respondeu: “Eu participo de cerca de 70 grupos no Whatsapp, cada um com 20 ou 30 pessoas, entre eles 30 prefeitos e uns 150 vereadores de todo o estado de Santa Catarina. Eu sempre abro as mensagens durante a sessão porque eu também recebo dúvidas ou sugestões das pessoas”.
“O Whatsapp tocou e eu vi que era uma imagem. Abri para ver o que era, e daí apareceu uma imagem pesada, por isso, coloquei o celular embaixo da mesa e mostrei para o deputado ao lado. Eu disse ‘olha a imagem pesada que eu recebi pelo Whatsapp’ e ele falou: ‘que merda é essa?’”, explicou Rodrigues.
O deputado do PSD disse não temer nenhuma represália da Comissão de Ética da Câmara pelo incidente. “Eu sou um cidadão normal que recebi um vídeo, assisti e deletei. Não compartilhei ou repassei até porque isso não me acrescenta em nada”, afirma.
Sobre a questão da privacidade, o deputado criticou a equipe de reportagem do SBT. ”Não é certo captar uma imagem de alguém que está deletando um vídeo no próprio celular, um equipamento, e transformá-la em notícia”, argumentou. “Eu acho que a emissora está transgredindo a legislação brasileira com isso.”

Aécio perde ação contra sites de buscas

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O senador Aécio Neves (PSDB/MG) perdeu a ação judicial que move desde 2013 contra os maiores sites de busca da internet, Google, Bing e Yahoo. Seus advogados vão recorrer da decisão.
No processo, o tucano pediu que a Justiça restringisse as buscas na internet, impedindo essas empresas de relacionar seu nome a termos que levassem os usuários a notícias desfavoráveis a Aécio, associando-o a “desvio” de recursos públicos em seu governo em Minas Gerais.
O processo é parte de uma ofensiva de Aécio na Justiça para identificar e neutralizar detratores na internet, iniciada às vésperas da última campanha presidencial, quando ele foi o candidato do PSDB.
Em sua decisão, o juiz Rodrigo Garcia Martinez, do Tribunal de Justiça de São Paulo, comparou os sites de busca a “bibliotecários virtuais”.
“Se numa biblioteca pedimos um livro, eles o localizam e o trazem. Se o conteúdo é apto a cometer ilícito, o autor é quem deve responder, não a biblioteca ou o bibliotecário, sob pena de realizarmos práticas fascistas, comunistas ou nazistas”, escreveu.
Os alvos de Aécio na ação eram notícias que o acusavam de ser réu num processo por “desvio de R$4,3 bilhões na Saúde”, quando governador de Minas Gerais (2003-2010). Seus advogados alegam que essas notícias foram produzidas para induzir o leitor a acreditar que o senador era alvo de investigação por ter se apropriado de recursos.
Havia, de fato, uma ação proposta pelo Ministério Público de Minas, mas ela questionava a contabilização de verbas aplicada em saneamento como dinheiro investido em saúde. A Justiça de Minas extinguiu o processo.
Na sentença, o juiz reconheceu as notícias como “falsas”, mas ponderou que “inibir o acesso às informações por meio de filtros na ferramenta de busca representa retrocesso à livre manifestação”.
Para o juiz Martinez, “por mais odiosa que seja a prática de ridicularizar a imagem de um político que representa ideais de uma grande parcela da população”, não é justo acionar os sites de busca em vez dos autores das notícias.
Procurada, a assessoria do tucano informou que ele vai recorrer contra a decisão. Para os advogados de Aécio, as notícias foram espalhadas por uma “quadrilha virtual”, “abastecida com recursos públicos”com o intuito de denegrir adversários do governo.
Os advogados ressaltam ainda que Aécio “não pediu a exclusão dos conteúdos da internet”, mas a remoção dos links que direcionavam usuários a eles nos sites de busca.
Acordo
Os advogados de Aécio tentaram um acordo com os portais, mas não tiveram sucesso, como o juiz registrou em sua sentença. No entanto, uma pesquisa no Google com os termos que incomodavam Aécio produz resultados diferentes hoje, levando até a notícias favoráveis ao senador.
Procurado pela Folha, o Google disse que não houve acordo ou qualquer mudança nos critérios de suas buscas.
“As buscas são produzidas automaticamente, baseadas em fatores como a popularidade dos termos. Periodicamente fazemos atualizações, e os termos que aparecem no preenchimento automático podem mudar ao longo do tempo”, afirmou a empresa.
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Financiamento privado: Um caso claro de violação da Constituição

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Juristas e parlamentares demonstram que seção de quarta-feira, onde se aprovou o financiamento privado para campanhas eleitorais, feriu cláusulas do artigo 60 da Constituição
Apareceu um obstáculo intransponível à votação de quarta-feira, quando 330 parlamentares refizeram a decisão da véspera para aprovar uma PEC dizendo que “é permitido aos partidos receber doações em recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de empresas privadas de pessoas físicas ou jurídicas”. Em outro parágrafo, a mesma PEC votada na quarta-feira autoriza os candidatos a receber diretamente o mesmo tipo doação.
O obstáculo intransponível à aprovação da PEC encontra-se no artigo 60 da Constituição Federal. Ali, prevendo uma situação muito semelhante a que se viu nos últimos dias, quando a emenda rejeitada na terça-feira foi reapresentada e votada no dia seguinte, os constituintes de 1988 definiram uma cláusula clara e rigorosa.
Diz o parágrafo quinto do artigo 60: “A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.” Assim, em 23 palavras, a Lei Maior do país simplesmente proibia aquilo que aconteceu. Conforme a Constituição, que ninguém tem o direito de desobedecer, seria necessário esperar uma nova sessão legislativa – ou seja, 2016 – para reapresentar a emenda. Até lá, o financiamento de campanha não poderia “ser objeto de nova proposta”.
“É uma decisão nula, sem valor legal”, adverte o jurista Luiz Moreira, ex-integrante do Conselho Nacional do Ministério Público e organizador de uma dezena de livros sobre Direito. “O próprio Congresso poderia reconhecer isso. Ou caberia ao Supremo resolver a questão.” O artigo 60, que tem uma subseção “Da emenda à Constituição” não abre nenhuma brecha a apresentação de uma nova PEC, sobre a mesma “matéria constante”, antes do ano que vem.
A análise de Luiz Moreira não é uma visão isolada. Um dos mais influentes parlamentares do PT, Alessandro Molon, nos últimos dias movimentou-se na mesma direção. Na quinta-feira, um dia depois de ter sido apanhada de surpresa diante da operação de Eduardo Cunha para refazer a votação perdida, a bancada do PT e demais aliados do governo começou a reagir, através de um mandado de segurança que deve ser apresentado sexta-feira ao Supremo, e que já recolheu 63 assinaturas de parlamentares até o início da noite de hoje. Além de questionar o parágrafo quinto, o mandato também recorda uma exigência do parágrafo primeiro do mesmo artigo 60.
Ali se define uma etapa anterior, com as condições para se apresentar uma emenda a constituição. Pela leitura do parágrafo primeiro vê-se que mesmo que não houvesse o veto legal a reapresentação da emenda já vencida, a proposta que acabou vitoriosa, do deputado Celso Russomano, não poderia ter sido apresentada. Isso porque a Constituição exige o apoio de “no mínimo” um terço dos parlamentares. Ainda que se tentasse supor generosamente que, na condição de líderes, Russomano e o líder do PTB que apoiou expressamente a proposta, poderiam falar por suas bancadas, integralmente, seriam apenas 59 deputados – quando o mínimo exigido é de 171.
A Constituição admite a reapresentação – no mesmo ano – apenas de um projeto de lei comum e não de uma emenda constitucional. Mesmo neste caso, é obrigatório que o projeto de lei tenha o apoio da maioria dos parlamentares para ser levado a votos uma segunda vez. Mas a emenda aprovada na quarta-feira, de número 28, pretendia, justamente, dar nova redação a três parágrafos do artigo 17 da Constituição Federal. Nada tinha a ver com Constituição.
“Não estamos diante de um caso de quebra de regimento, que também é muito grave”, diz Luiz Moreira. “Ocorreu uma violação da Constituição.” Este é o terreno mais adequado para o STF examinar a questão, se os ministros assim julgarem conveniente. Respeitosos da autonomia entre os Poderes, os ministros não gostam de intervir em conflitos internos do Legislativo, como já deixaram claro em outras oportunidades. Mas têm obrigação de se manifestar diante de uma possível violação constitucional. “Está claro que ocorreu uma violação da Constituição”, afirma Alessandro Molon (PT/RJ). “E isso é assunto para o Supremo.”

Por uma lei que obrigue os candidatos a usarem a logomarca de seus patrocinadores

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Siga o dinheiro: Alguns candidatos terão problema para colocar os patrocinadores.











Truco? Seis! A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de quarta-feira, dia 27/5, a provisão constitucional de doações de empresas para partidos políticos. Foram 330 a favor, 141 votos contra e uma abstenção.
Isso ocorreu após uma jogada do presidente da Casa, Eduardo Cunha, inconformado com a derrota que sofreu na madrugada anterior, quando a emenda que tornava constitucional a doação empresarial para campanhas eleitorais não foi aprovada.
Dessa forma, empresas poderão continuar doando a partidos, mas não a candidatos – que só podem receber de pessoas físicas. Mas os partidos podem doar a seus candidatos. Portanto, empresas podem doar indiretamente a candidatos.
As doações empresariais estão na origem de vários escândalos de corrupção de políticos que querem pagar a fatura ou garantir o financiamento do próximo pleito através da aprovação de leis, favores e outros serviços.
Como muita coisa estranha tem passado nesta legislatura do Congresso Nacional, tenho uma proposta a fazer: a aprovação de uma lei para obrigar a vereadores, deputados estaduais, federais e distritais, senadores, prefeitos, governadores e presidentes a usarem, durante o serviço, roupas que estampem as logomarcas das empresas que os financiaram.
Creio que quem ocupa cargo público deve dar o exemplo e partir para a transparência radical.
E seria muito simples. É só entrar na página do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.jus.br), encontrar o pleito que elegeu o candidato e ver sua prestação de contas. Vamos tomar por exemplo a de Eduardo Cunha (PMDB/RJ), presidente da Câmara dos Deputados que, segundo ele, arrecadou R$6.832.479,98 em 2014. Baseado nos doadores empresariais de campanha, a vestimenta de Cunha ficaria assim:
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R$6.832.479,98 arrecadados em 2014: Rima Industrial, Vale/Mineração Corumbaense Reunidas, Ambev/CRBS, Recofarma e Rio de Janeiro Refrescos (fabricantes de Coca-Cola), Bradesco, BTG Pactual, Santander, Safra, Telemont, Líder Táxi Aéreo e Iguatemi Empresa de Shopping Centers.
Isso significa que essas empresas planejaram coisas feias com esse político? Não. Pelo menos não necessariamente.
Em tese, o ato de doação é um indício de que o doador comunga das propostas do candidato, deseja que ele o represente politicamente, seja por suas ideias, seja por sua classe social ou quer criar com ele um vínculo por meio desse apoio em campanha. Enquanto alguns eleitos mantêm apenas diálogos cordiais com os financiadores (do tipo, “obrigado, mas fiquemos a uma distância de segurança para não pegar sapinho”), outros literalmente “pagam” através de serviços prestados. Nesse caso, não é um pagamento retroativo, mas pensando em garantir a continuidade dos recursos para a próxima eleição.
Portanto, qualquer transparência a mais seria muito bem-vinda. Com isso, o cidadão poderia acompanhar o comportamento do seu representante em seus atos cotidianos ou suas votações.
Por exemplo: seria um tanto estranho alguém financiado por empresa de telecomunicações fazer de tudo para derrubar a votação do Marco Civil da Internet, não é mesmo?
E se a moda pega eles podem trocar os ternos por macacões, como aqueles da Fórmula 1.
Aprovada pela Câmara em segunda votação, a matéria seguirá para o Senado Federal, onde será analisada e votada. Se a emenda se confirmar (não há possibilidade de veto presidencial), fica assegurada a situação que existe hoje, com empresas podendo investir/doar em candidatos através dos partidos.
Então por que tanto barulho? O Supremo Tribunal Federal está julgando uma ação direta de inconstitucionalidade que pode resultar na proibição de doações por empresas. O “não” já tem maioria, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vistas, sentou-se em cima, o que deu tempo para Eduardo Cunha correr com a aprovação de uma emenda constitucional sobre esse tipo de financiamento.
Eduardo Cunha vai se mostrando um verdadeiro operador de milagres. Pois uma emenda morreu na madrugada de quarta e ele nem precisou esperar três dias para ressuscita-la. Na noite do mesmo dia, a emenda já estava viva novamente. Feliz, aprovada, reencarnada em outro corpo.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Vai vendo o nível: Musa do impeachment serve champanhe e caviar ao próprio cachorro

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Atenção, a notícia abaixo não é do site Sensacionalista. É verdadeira.
Miguel do Rosário, via Tijolaço em 23/5/2015
Essa vai para a seção de humor do blog. Um humor sombrio, com reflexos trágicos na sociedade.
Humor negro, enfim. Mas humor.
Não é bem uma “notícia”. É uma sessão de fotos com algumas legendas. Eu publico aqui porque entendo que é uma reportagem que explica muita coisa. Muita coisa mesmo.
Pra começar, para a gente ter consciência de como essa gente é brega, meu Deus! Como são bregas!
Pai, mãe, obrigado por eu não ser assim!
Do R7Musa da manifestação serve champanhe e caviar ao cachorro: “Quero uma vida como a minha para todos.”Ju Isen ficou conhecida após aparecer com os seios à mostra em um protesto em São Paulo.
No momento em que o governo anuncia um corte de R$69,9 bilhões no orçamento da União, a “Musa da Manifestação” aproveita para ostentar a vida de luxo e “lamentar” a situação do País.
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Os EUA e os jornalistas com complexo de vira-lata

Jornalista brasileiro, quando vai para os Estados Unidos, fica tão deslumbrado que só enxerga maravilhas por lá e, à distância, só tem críticas para o Brasil. Trata-se de um caso clássico da síndrome do colonizado, ou como dizia o Nelson Rodrigues é uma manifestação aguda do complexo de vira-lata.
É o caso atual de um jornalista gaúcho, que, diga-se de passagem, tem um ótimo texto, que diariamente usa seus espaços para falar bem dos norte-americanos e mal dos brasileiros.
Talvez ele tenha razão em muitas coisas, mas certamente nós somos muito melhores do que os gringos em áreas importantes. Caso o tal jornalista não saiba ou tenha esquecido quais são elas, vamos fazer um pequeno exercício de lembranças, dividido por tópicos.
1 – Racismo
Está aí uma área onde os norte-americanos nos dão de dez a zero. Só para lembrar: até 1965, quando o nosso jornalista certamente já tinha nascido, existiam leis, como as chamadas Leis de Jim Crow, que negavam aos cidadãos não brancos toda uma série de direitos.
Embora o presidente Lyndon Johnson tenha promulgado a Lei dos Direitos Civis em 1964, a proibição de casamentos interacionais em alguns Estados só foi derrubada em 1967, quando a Suprema Corte declarou inconstitucional a proibição do casamento inter-racial no veredicto sobre o caso “Loving et UX × Virgínia”.
Uma pesquisa feita na época mostrava que 72% dos norte-americanos se opunham ao casamento entre pessoas brancas com negros, índios ou asiáticos.
Embora hoje oficialmente o preconceito racial não faça mais parte das leis estaduais norte-americanas, os conflitos raciais são bastante comuns, com violência generalizada da polícia contra os negros.
2 – Pena de morte
Um resquício da era medieval, a pena de morte faz parte hoje da legislação de poucos países civilizados. Nos Estados Unidos ela é admitida em 32 dos 50 estados da Federação, além do governo federal para determinados crimes. Os Estados Unidos são, depois da China, o país que mais executa seus presos.
Também nesse caso, o preconceito racial é evidente. Desde 1976, foram executados apenas 11 brancos por terem assassinados negros e 161 negros por assassinarem brancos. Outros estudos revelam que que 43% dos presos no corredor da morte são negros, número bem maior que a porcentagem de negros no país, que corresponde a 13% da população norte-americana.
No Brasil, a pena de morte foi aplicada pela última vez em 1876, antes da Proclamação da República. Durante a ditadura militar, ela foi incluída na Lei de Segurança Nacional, mas nenhuma sentença foi cumprida durante os nove anos de sua vigência.
3 – Violência
Periodicamente, o mundo é sacudido por chacinas nos Estados Unidos, com atiradores enlouquecidos matando estudantes em colégios ou dinamitando prédios públicos; A última tragédia ocorreu em dezembro na Sandy Hook Elementary School, em Newton, Connecticut, quando 26 pessoas morreram, sendo seis adultos e 20 crianças entre 6 e 7 anos de idade.
Em artigo na revista Carta Maior, o professor Carlos Teixeira, da UFRJ, contabilizou 177 ataques contra high school, a partir de 1853, e 111 contra elementary schools, incluindo o último contra Sandy Hook.
Essa violência sistemática contra crianças e adolescentes não faz parte nem da história, nem das tradições brasileiras.
Outra prática típica dos norte-americanos são ataques contra instituições públicas. Em 19 de abril de 1995, Thimothy McVeigh, de 27 anos, um soldado condecorado por heroísmo e atos de bravura na guerra do Iraque, explodiu um prédio público em Oklahoma, matando 168 pessoas e ferindo mais de 600.
Theodore Kaczynski, ex-professor de matemática da Universidade de Berkeley, hoje cumprindo prisão perpétua, ficou famoso como o “Unabomber”, ao mandar pelo correio bombas artesanais para diferentes personalidades do meio universitário norte-americano, matando duas pessoas e causando ferimentos graves em 22 pessoas.
Só na época ditadura brasileira é que comandos anticomunistas mandaram bombas pelo correio para entidades que defendiam a democratização, mas nada tão radical quanto às ações dos “malucos” norte-americanos.
4 – Morte de personalidades
Está aí outra prática norte-americana, que felizmente não chegou ao Brasil: os atentados contra personalidades famosas. Só de presidentes foram quatro mortes: Abraham Lincoln (1809-1865), James Garfield (1831-1881), William McKinle (1843-1901) e John F. Kennedy (1917-1963). Ronald Reagan foi baleado, mas sobreviveu.
Robert Kennedy, procurador-geral dos Estados Unidos, em campanha eleitoral para a Presidência, foi assassinado em 6 de junho de 1968, em Los Angeles. Também foram assinados o beatle John Lennon, em 8 de dezembro de 1980, em Nova Iorque, o pastor Martin Luther King, no dia 4 de abril de 1968, em Memphis, no Tennessee, e Sharon Tate, assassinada com oito meses de gravidez por Charles Manson, em 9 de agosto de 1969, em Los Angeles.
5 – Guerras
Há exceção da questão do Acre, quando o Brasil ocupou esta região que pertencia antes à Bolívia, usando mais uma pressão política do que o apelo às armas, os brasileiros durante a República mantiveram uma relação pacífica com todos os países do Continente.
Ao contrário, os Estados Unidos se envolveram em conflitos armados, depois da 2ª Guerra Mundial, em praticamente todos os continentes. Usando sua própria identidade nacional, ou se disfarçando com a cobertura da ONU, OEA e Otan, ou também armando grupos paramilitares, os Estados Unidos levaram à guerra para a Coreia, os Bálcãs, o Oriente Médio, a Ásia e à América Central, sempre defendendo seus interesses econômicos.
6 – Corrupção política
Nessa área, apesar do esforço da mídia em caracterizar os governos do PT como frutos da corrupção, os Estados Unidos são imbatíveis.
Enquanto os casos de corrupção no Brasil se contam em milhões de reais e envolvem quase sempre figuras de menor expressão política, nos Estados Unidos a corrupção está na essência de seu sistema eleitoral e nas figuras presidenciais e os casos envolvem milhões de dólares.
A facilitação para a corrupção começa pelo intrincado sistema eleitoral norte-americano, no qual o presidente é escolhido por um colégio eleitoral de cada Estado, com pesos diferentes no cômputo final. Em 2000, Al Gore teve 48,38% dos votos contra 47,87% de Bush (539 mil votos a mais), mas Bush foi o eleito.
Essas eleições se transformaram na maior fraude eleitoral dos Estados Unidos. Bush foi beneficiado por uma vergonhosa sentença da Suprema Corte, que decidiu, por 5 votos a 4, validar a irregular apuração na Flórida. Esta apuração, que se arrastou por quase 40 dias, foi coordenada pela secretária de Estado, Katherine Harris, que, por coincidência, também era a co-presidente do comitê da campanha do Partido Republicano no Estado, que era governado pelo irmão, Jeb Bush.
Na eleição de 2000, as regras para escolher os delegados da Flórida no Colégio Eleitoral foram alteradas pouco antes do pleito. A reforma aprovada no Estado excluiu milhares de eleitores da lista de votantes, na maioria negros.
No país inteiro, 1,4 milhão de negros – 13% da população masculina negra – não puderam votar em 2000 por ter sofrido algum tipo de perseguição judicial. Katherine Harris agravou ainda mais esta discriminação, efetuando o que ficou conhecido como “expurgo ético”. Além dos milhares dos já excluídos nas eleições passadas, ela retirou da lista de votantes outras 58 mil pessoas, entre as quais estavam muitos processados por meras infrações de trânsito.
Além de um sistema eleitoral que facilita as fraudes, existe sempre a interferência direta das grandes corporações financeiras apoiando determinados candidatos ou a ação direta das máfias na conquista ou intimidação de eleitores.
Sabe-se que a eleição de John Kennedy, em 1960, foi apoiada diretamente pela máfia de Chicago, cooptada pelo pai de Kennedy, Joseph Kennedy, um sujeito que se tornou milionário com o contrabando de uísque durante a “Lei Seca” e que depois foi embaixador na Inglaterra de 1938 a 1940.
Outra máfia, a de Miami, esteve também envolvida com os irmãos Kennedy na fracassada invasão de Cuba e suspeita-se que tenha participação direta no assassinato de John Kennedy, em Dallas, em 1963.
Uma vez no governo, sejam presidentes democratas ou republicanos, as contas pelos apoios recebidos precisam ser pagas. O caso mais notório foi o governo Bush, quando o vice-presidente Dick Cheney e scretário da Defesa Donald Rumsfeld, aproveitaram a guerra do Iraque para grandes negociatas com a privatização de serviços de reconstrução e até mesmo de segurança, em contratos que chegaram a US$138 milhões. Quem mais ganhou foi a Kellogg Brown & Root, a filial da Halliburton dirigida por Dick Cheney, com US$39,5 milhões.
Devem existir ainda outras tantas áreas – sem contar o futebol – no qual o Brasil é muito melhor que os Estados Unidos, mas isso fica para outra vez.

O papel do jornalismo na polêmica da xenofobia ideológica

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As redes sociais não são a causa, mas sim meras facilitadoras do discurso do ódio.
Um debate sobre o ódio ideológico nas redes sociais recentemente realizado numa dependência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul foi interrompido por um grupo de manifestantes porque o evento, do qual participavam vários jornalistas, foi promovido pela deputada estadual Manuela D’Ávila, do PCdoB.
A suspensão do debate marcou o grande paradoxo da situação que estamos vivendo: oradicalismo e a xenofobia impediram a discussão sobre as causas e consequências da radicalização ideológica que tomou conta das redes sociais na internet e ameaça contaminar toda a sociedade.
As redes sociais são hoje a principal arena da batalha ideológica no Brasil, mas o problema não está na internet, ao contrário do que deixam transparecer muitos órgãos da imprensa e diversos formadores de opinião. A internet é apenas a plataforma na qual se expressam as tendências políticas e a xenofobia ideológica. O problema está nas pessoas, e não na plataforma por onde circulam as mensagens.
Jornais, revistas e telejornais jogam a responsabilidade sobre a internet tentando não assumir um papel proativo na questão que envolve toda a sociedade, pois as consequências de uma radicalização política serão sentidas por todos. As páginas noticiosas online adotam a tradicional atitude de “olhar para o outro lado”, tentando não se meter numa polêmica que envolve os seus usuários.
O problema é grave porque envolve questões conjunturais e estruturais. A margem de tolerância ideológica que caracterizou a política nacional e a cobertura da imprensa entre 2002 e 2013 (períodos Lula e primeiro governo Dilma) acabou em 2014 por conta da possibilidade de o Partido dos Trabalhadores ganhar a eleição presidencial de 2018, na mais longa dinastia partidária desde a redemocratização do país.
A conjuntura política criada pelo temor de um continuísmo do PT sacudiu a estrutura ideológica do país onde as diferenças sociais e políticas continuam tão profundas quanto a desigualdade econômica. O ambiente de tolerância evaporou-se quando o segmento conservador da sociedade brasileira se deu conta que o populismo reformista de Lula poderia entranhar-se na estrutura governamental do país.
A partir daí criaram-se as condições para que o discurso do ódio e da xenofobia ganhasse corpo tanto num lado como no outro do espectro político-ideológico. A imprensa acabou refém desta polarização. Ora participa dela apoiando um lado, ora lamenta, mas não examina as causas e consequências. Os poucos jornais e jornalistas que decidem tocar no problema acabam pagando o preço da radicalização. Começamos a reviver parcialmente o clima prévio e posterior ao golpe de 1964.
O ódio nas redes sociais é protagonizado por segmentos sociais que integram a mesma audiência de veículos como a televisão e o público leitor da imprensa escrita. A xenofobia aparece nas redes sociais porque o ambiente virtual facilita a manifestação do discurso do ódio ideológico. Mas a causa do fenômeno não está na internet, que é apenas um facilitador. Levado ao pé da letra, o problema poderia reviver a metáfora da eliminação do mensageiro para acabar com as más notícias.
As consequências também não serão restritas ao terreno cibernético. Todos nós acabaremos pagando a conta da radicalização, por meio de um eventual novo retrocesso na busca de uma justiça social no país. A imprensa e os jornalistas precisam tomar consciência de que o avanço da radicalização leva ao agravamento do impasse ideológico que, por sua vez, tende a gerar situações extremas, em que o jornalismo quase sempre é uma das primeiras vítimas. Não importa qual q plataforma em que ele é exercido, online ou off-line.
Já foi assim em 1964, no Brasil. Acabou se repetindo na versão oposta, na Venezuela. A sobrevivência do que chamamos de jornalismo depende de que os profissionais assumam hoje o seu papel de patrulheiro (watchdog) da preservação de tolerância como condição essencial para a sobrevivência da profissão.
O episódio do debate em Porto Alegre mostrou que uma eventual tomada de posição de jornais e de jornalistas pode acabar sendo associada a um dos lados envolvidos na polarização ideológica. Este é o risco histórico de uma profissão que, aqui e no resto do mundo, sempre teve que enfrentar opções pouco confortáveis.

Vídeo: A prisão de José Maria Marin e a compra de resultados no futebol

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Sobre José Maria Marin pairavam denúncias graves. Algumas até bizarras. Mas sua prisão só ocorreu no exterior. E ele foi preso com outras seis pessoas sobre quem pairam suspeitas de envolvimento na compra e manipulação de resultados de futebol. Segundo o chefe do FBI, James Comey, que deu entrevista coletiva, Marin integraria um grupo que comercializa sedes de países que querem sediar a Copa do Mundo e tevês que compram o direito de transmissão. Tudo envolveria o pagamento de propina.
O tema no Brasil não soa completamente novo. O ex-presidente da Fifa, João Havelange, e seu ex-genro, Ricardo Teixeira, foram acusados de receber propina e obrigados a renunciar à sua cadeira na instituição e também no COI para escaparem da investigação. Marin, ao assumir a presidência da CBF, era uma pessoa sobre quem recaíam denúncias graves. Participação ativa durante a ditadura militar na delação de opositores do governo. Roubo de uma medalha esportiva e até de energia elétrica. Mesmo assim foi visto com credenciais para estar à frente da CBF durante a Copa do Mundo no Brasil.
Além das Copas de 2018, na Rússia, e de 2022, no Qatar, há suspeitas também de que tenha havido corrupção na escolha da África do Sul como sede da Copa de 2010. Não se falou nada sobre a escolha do Brasil em 2014.
Além de Marin, também foram detidos Jeffrey Webb (Ilhas Cayman), presidente da Concacaf; Eugenio Figueredo (Uruguai), que também integra o comitê da vice-presidência executiva e até recentemente era presidente da Conmebol; Julio Rocha (Nicarágua), presidente da Federação Nicaraguense; Costas Takkas, braço-direito do presidente da Concacaf; Rafael Esquivel, presidente da federação da Venezuela e membro do Comitê Executivo da Conmebol; e Eduardo Li, presidente da Federação da Costa Rica.
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Loretta Lynch, procuradora-geral dos EUA: não tem perdão.
Compra de resultadosO que há de mais explorado no mundo do futebol e as falcatruas que o cercam é a compra de resultados de jogos. Até mesmo atletas que jogavam na seleção italiana já foram acusados. E não é de hoje.
No Brasil, onde o ambiente é sabidamente propício à corrupção, apenas um caso mereceu maior destaque. O que denunciava como único envolvido no esquema o árbitro de futebol Edilson Pereira de Carvalho, no campeonato brasileiro de 2005. Na ocasião, quando um mafioso da bola passou a trabalhar com o Corinthians, e altos investimentos foram feitos, o juiz revelou o pagamento de propina para favorecer alguns times e, ao obrigarem a realização de novas partidas, o Corinthians acabou se favorecendo. O estranho é que pouca gente estranhou aquela operação com fantasia de futebol. Teria sido ingenuidade?

Caiu na real: “PSDB não tem projeto de país”, diz vice-presidente tucano, criticando Aécio

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Vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, enviou carta criticando Aécio.
A frustração tucana em dar um golpe contra o governo da presidenta Dilma Rousseff escancarou o racha interno da legenda, que vai ganhando cada vez mais profundidade.
O primeiro vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman (SP), resolveu fazer suas críticas publicamente porque, segundo ele, “a falta de debate interno se agravou no período recente, de Aécio Neves”.
Numa carta endereçada na terça-feira, dia 26/5, à cúpula nacional do partido, o ex-governador de São Paulo manifestou suas queixas contra o senador mineiro e candidato derrotado, Aécio Neves, que assumiu a presidência do PSDB em 2013.
Goldman afirma que atualmente os tucanos não são capazes de dizer o que fariam se tivessem vencido as eleições presidenciais. “Nós não temos um projeto de país”, reclama Goldman.
De fato, nem mesmo durante a eleição o candidato Aécio foi capaz de responder quais eram as suas propostas. Até as vésperas de campanha não divulgou o seu plano de governo, que dizia estar sendo preparado por vários “notáveis da economia”.
Seu foco na campanha foi a era da “previsibilidade” como garantia de solução para os desafios do Brasil. Apesar da insistência de alguns, Aécio não conseguiu responder durante todo a campanha quais medidas tomaria.
Ainda sobre as críticas de Goldman, a proposta de distritão é uma “aberração” e queixou-se pelo fato de matérias importantes, como a reforma política e mudanças na Previdência, não serem discutidas e decididas pelo partido.
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), minimizou a crise interna, afirmando que “divergências são da natureza democrática” do partido e cutucou: “Estivesse Goldman participando mais ativamente do dia a dia da ação das bancadas, certamente teria posição diferente sobre a firme condução de Aécio Neves”, disse.

Golpe: Eduardo Cunha consegue a aprovação do financiamento privado

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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), conseguiu, através de uma emenda do deputado federal Celso Russomano (PRB), recolocar, na quarta-feira, dia 27/5, em votação o financiamento empresarial de campanha. Com a derrota de uma emenda sobre o tema na madrugada de hoje [27/5], os deputados contrários ao financiamento privado de empresas não queriam que esse trecho do texto fosse novamente votado, mas, com o apoio da maioria dos líderes, Cunha quebrou um acordo anterior e ressuscitou o tema. A emenda foi aprovada com 330 votos;141 deputados foram contrários e uma abstenção.
A nova emenda insere na Constituição a permissão das empresas doarem exclusivamente aos partidos – e não aos candidatos, que poderão receber de pessoas físicas. Durante o dia, Cunha pressionou aliados e partidos nanicos e conseguiu ainda fazer o PRB mudar de posição, uma vez que o partido votou contra o financiamento empresarial na votação anterior. A sessão que se estendeu por mais de três horas foi marcada por muita confusão, gritaria e ânimos exaltados dos deputados.
O deputado Júlio Delgado (PSB/MG) ressaltou já houve um resultado sobre o tema, pois o plenário rejeitou ontem uma emenda que previa esse modelo de financiamento para candidatos e partidos. “Estamos vivendo um jogo de futebol. O dono da bola perdeu o jogo e está tentando fazer o jogo de novo”, disse. Para o deputado Glauber Braga (PSB/RJ), a decisão de Cunha deixa os parlamentares inseguros e pode levar ao controle dos resultados em Plenário.
O deputado Carlos Zarattini (PT/SP) disse que a emenda reproduz, com pouca alteração, a proposta de financiamento empresarial que já foi rejeitada ontem. “É uma tentativa de repor o que foi derrotado, colocando ainda mais confusão no processo eleitoral.”
Zarattini defendeu o incentivo ao financiamento de pessoas físicas, excluídas as empresas. “Não adianta dizer que não temos tradição, isso não ocorre atualmente porque nunca fomos atrás”, declarou.
O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB/MA) disse que o objetivo da reforma política é apenas colocar na Constituição o financiamento empresarial, acabando com a polêmica com o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem uma ação contra a doação de empresas que já teve voto favorável de seis ministros. “Mudança de sistema, fim da reeleição, é tudo cortina de fumaça. O objetivo é colocar na Constituição o financiamento empresarial. Essa votação é uma coletânea de votos perdidos no Supremo. Perderam no Supremo e agora querem aprovar”, afirmou.
O deputado Marcus Pestana (PSDB/MG) disse que o responsável pela constitucionalização do tema do financiamento é o STF, ao admitir a ação contra a doação de empresas. “Não podemos nos omitir.”
Segundo ele, a emenda em votação foi a sugestão majoritária dos integrantes da comissão especial da reforma política. “A emenda vai institucionalizar as relações entre as empresas e os partidos”, disse. Ele avaliou ainda que, ao estabelecer tetos de gastos, a emenda vai dar transparência ao financiamento.
Já o deputado Sílvio Costa (PSC/PE) disse que há diferenças no que foi votado ontem e o que está sendo discutido hoje: a possibilidade de doação de empresas para candidatos, contemplada no texto derrotado ontem e proibida pela emenda em votação. Ele também chamou de hipócritas os deputados que são contrários ao financiamento empresarial.
O deputado Alessandro Molon (PT/SP) afirmou que a doação exclusiva aos partidos vai tornar os candidatos dependentes das legendas. “Hoje, pela regra, qualquer um de nós pode receber. Com isso, serão todos reféns dos seus partidos. Se o deputado conseguir uma doação, o partido repassa se quiser. Vamos discutir a doação de empresa, mas com fundo público, que distribua a todos os partidos”, disse.