sábado, 28 de novembro de 2015

Projeto do Rio São Francisco já atingiu 81% do programado

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Iniciativa vai beneficiar 12 milhões de brasileiros dos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
A expectativa é concluir a totalidade do empreendimento entre dezembro de 2016 e o início de 2017.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco, tido como a maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil, alcançou a marca de 81% de execução física em outubro, aponta o Ministério da Integração Nacional (MI). Prioridade do governo federal, a iniciativa vai beneficiar 12 milhões de brasileiros dos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. A expectativa é concluir a totalidade do empreendimento entre dezembro de 2016 e o início de 2017.
“Já foram entregues as primeiras estações de bombeamento de cada eixo e está prevista para este ano a entrega da segunda estação do Eixo Leste”, explicou Osvaldo Garcia, secretário de Infraestrutura Hídrica do ministério.
Os eixos Norte e Leste atingiram execução de 82,2% e 79,2%, respectivamente, e mantêm 4.133 equipamentos em operação. São 477km de obras, nos quais trabalham mais de 10 mil profissionais. A expectativa do governo federal é de que o empreendimento esteja concluído ao final de 2016. O empreendimento engloba a construção de quatro túneis (um dos quais de 15km de extensão), 14 aquedutos, 9 estações de bombeamento e 27 reservatórios.
Os dois eixos (Norte e Leste) do projeto apresentam execução de 82,2 % (Norte) e 79,2 % (Leste). A obra é construída por etapas e os cronogramas de execução do empreendimento priorizam a sequência construtiva do “caminho das águas” do projeto, ou seja, das captações até os Estados que serão beneficiados. A expectativa é concluir a totalidade do empreendimento entre dezembro de 2016 e o início de 2017.
Ações de convívio com a secaDevido aos longos períodos de seca e estiagem no País, principalmente no semiárido do Nordeste, o governo federal intensificou a gestão e a aplicação de políticas públicas para amenizar o impacto das perdas econômicas e sociais nas áreas atingidas. Por essa razão, o MI investe em outras obras hídricas estruturantes e em ações emergenciais.
Entre as obras hídricas estruturantes estão o Cinturão das Águas (CE), a Vertente Litorânea Paraibana (PB), o Canal do Sertão Alagoano (AL), a Adutora Pajeú (PE e PB), a Adutora do Agreste (PE), a Barragem de Ingazeiras (PE) e a Barragem de Oiticica (RN).
Considerado uma ação estruturante, o Programa Água para Todos já beneficiou mais de cinco milhões de brasileiros. O programa consiste na implantação de tecnologias de uso da água para o consumo próprio ou para a produção de alimentos e a criação de animais.
O Água para Todos implementou, por exemplo, 876,5 mil cisternas e 2,1 mil sistemas simplificados de abastecimento. O programa recebeu R$5,2 bilhões em investimentos e já atendeu a 17 Estados – nove do Nordeste.
Ações emergenciaisAs principais ações emergências do governo federal são aquelas de socorro e assistência e de restabelecimento de serviços essenciais em municípios em situação de emergência, a Operação Carro-Pipa Federal, o abastecimento em áreas urbanas e perfuração de poços.
O governo federal investiu R$525,4 milhões em ações de socorro e assistência de 2012 a agosto deste ano; atende 817 municípios e beneficia 4 milhões de pessoas por meio da Operação Carro-Pipa (cooperação técnica e financeira entre MI e Ministério da Defesa, com investimento de R$2,5 bilhões de março de 2012 a julho de 2015); destinou R$159 milhões para o abastecimento de água em áreas urbanas do semiárido; e perfurou ou recuperou 3,9 mil poços – nessa última ação foram investidos R$57 milhões (repasses aos Estados) e R$141 milhões (MI e vinculadas).

Por que a França foi atacada? Marcos Feliciano tem sua explicação

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Besteiras anti-Islã.
O pastor Marcos Feliciano, internacionalmente conhecido pelo seu enorme repertório de insanidades, conseguiu aumentar ainda mais a sua já infame lista de contribuições à desinformação, ao racismo, ao preconceito e à intolerância religiosa.
Circula na internet um vídeo em que o “líder” religioso explana o que para ele seriam as razões pelas quais a França foi alvo dos recentes atentados terroristas que vitimaram pelo menos 129 pessoas.
Na encenação teatral que já virou lugar comum no “modus operandi” que farsantes travestidos de pastores utilizam para manipular os fiéis, Feliciano não economizou na performance e aos berros rezou o seu terço de ignorância e ódio para uma plateia de braços erguidos e olhos em lágrimas, como se o próprio apocalipse estivesse à sua frente.
Culpou o fato da França ser um dos países mais liberais do mundo, de ser um dos primeiros a lutar pela legalização do aborto, por defender a liberdade sexual e principalmente pelo fato dos franceses não terem filhos, permitindo assim que os imigrantes da religião islâmica tornassem a França num país muçulmano em 10 anos, profetizou.
Sobrou até para os animais. Segundo o cidadão, se você possui um gato ou um cachorro de estimação em sua casa e não filhos, você está atraindo a “islamização” e o terrorismo para o seu país. Santa demência.
Marcos Feliciano nunca foi bom em história e geopolítica. Na verdade, Feliciano nunca foi bom em nada decente, talvez por isso não tenha feito qualquer menção aos massacres efetuados pela França nas suas colônias ou sua atual política internacional. Preferiu justificar essa tragédia com base nas suas próprias convicções, que convenhamos, são contemporâneas à Idade média e à Inquisição religiosa.
Primeiro que querer atribuir os atos de fanáticos religiosos ao fato do país ter avançado em temas como a legalização do aborto e a liberdade sexual, é na melhor das hipóteses, uma deficiência intelectual de proporções continentais. Nem mesmo o argumento da França possuir um baixo índice de natalidade permitindo um aumento proporcional de cidadãos de religião muçulmana, se ampara na realidade.
De acordo com o relatório do Eurostat, o Departamento de Estatística da União Europeia, a França segue na contramão da maioria dos países da Europa no que se refere à taxa de natalidade. Ainda segundo o relatório, o país fechou o ano de 2013 com uma média de 1,99 filho por mulher, perdendo apenas para a Turquia que apresentou um índice de 2,08.
Essa é uma posição muito mais confortável no chamado “nível de substituição” (que estabelece a possibilidade da geração dos filhos substituírem os pais), do que os verificados na Alemanha (1,40), Itália (1,39), Espanha (1,27) e Portugal (1,21) no mesmo período.
Do início ao fim, Marcos Feliciano demonstrou o quanto é despreparado, e pior, mal-intencionado quando o assunto é a compreensão das diferentes formas de pensar e a convivência harmoniosa e cooperativa entre os diversos povos, religiões e culturas.
Acusa descaradamente o povo islâmico de perseguir evangélicos, o que não passa da mais ignóbil mentira, além de servir apenas como mais um alicerce para a construção de estereótipos que não param de alimentar o preconceito e a violência.
Da mesma forma que os evangélicos do mundo inteiro não podem ser responsabilizados pelas atitudes vergonhosas de indivíduos como Marcos Feliciano, a comunidade muçulmana também não pode sofrer em função do extremismo religioso de grupos que nada refletem o que prega o Alcorão.
O Brasil já passa por uma radicalização política demasiada o suficiente para que um membro de um outro tipo de Estado Islâmico venha incitar o ódio e a vingança para todos nós.

Facebook: Olavo de Carvalho é banido de página do Exército após ofensas

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O filósofo, astrólogo e guru da direita publicou uma série de xingamentos contra o comandante do Exército, Eduardo Dias da Costa Villas Boas (foto), a quem acusa de estar alinhado com “comunistas” e contra o povo brasileiro
O guru da direita Olavo de Carvalho foi banido da página do Exército Brasileiro, no Facebook, após publicar ofensas e xingamentos. Dessa vez, o filósofo resolveu voltar sua ira ao general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, que está no comando geral do Exército desde fevereiro. Na publicação, ele chamou o militar de “canalha”, “traidor nojento” e “inimigo do Brasil”.
Os moderadores da página advertiram Carvalho que acusações sem provas podem levar os fatos à esfera jurídica e anunciaram a exclusão do perfil dele na rede social do Exército. Não é a primeira vez que ele ataca o general, a quem acusa de estar alinhado com “ladrões” e “comunistas”.
“Esse general Villas Boas é cego e burro o bastante para não perceber a imensidão do sofrimento e do prejuízo que a ‘estabilidade das nossas instituições’ tem custado ao povo brasileiro?”, escreveu no Twitter.
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Lula: “O que nós fizemos em 12 anos, a elite não fez em 100.”

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Lula discursa na abertura da reunião do Diretório Nacional do PT.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva disse na sexta-feira, dia 13/11, que a elite brasileira que o critica e critica seus aliados é “perversa”. “Eles nunca acreditaram neste País. O que nós fizemos em 12 anos, a elite não fez em 100 anos”, afirmou, a uma plateia formada principalmente por jovens, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
“Eles nunca cuidaram desse país. Eles diziam que não podiam aumentar o salário mínimo por causa da inflação. Nós acabamos com isso. Nós provamos que pode ser diferente. Estamos vivendo um momento difícil? Estamos. Mas eu vejo eles dizendo que vão cuidar desse país e me pergunto: por que não cuidaram dos 500 anos que governaram, dos 100 anos que governaram?”, disse.
Lula foi ao sindicato para participar de um debate sobre a participação da juventude na política e fez um apelo para que os jovens brasileiros não neguem a política e, em vez disso, façam parte dela. “Quero que vocês tenham consciência não só para protestar, mas também para construir. A única coisa que vocês não podem negar é a política”, disse Lula.
“Quem não gosta de política será governado por quem gosta. A minoria que gosta vai governar a maioria que não gosta”, disse em seguida. “No dia em que vocês não acreditarem em mais ninguém, em mais nenhuma política, entrem na política”, afirmou o ex-presidente. “Não esperem que a gente faça por vocês o que vocês mesmo podem fazer. Vocês terão muito mais competência do que nós”, acrescentou.

Quem é e para que serve o padre Paulo Ricardo, o Malafaia da Igreja Católica

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O religioso e seu ídolo Olavo de Carvalho (à esq.) mostram como enfrentar os comunas.
O padre Paulo Ricardo é a resposta da Igreja Católica ao pastor Silas Malafaia. Calvo, sempre de batina, a cara do Salaminho da dupla com Mortadelo, menos histérico e mais culto que Malafaia – o que não quer dizer muita coisa, convenhamos –, Paulo Ricardo daria orgulho a Torquemada pelo reacionarismo e pela pregação paranoica anticomunista e antipetista a que submete seu rebanho.
Paulo Ricardo é da Arquidiocese de Cuiabá, onde trabalha (“trabalha”) como vigário judicial. No caprichado site oficial com seu nome, lê-se que nasceu em Recife em novembro de 1967. Aos 11, mudou-se para o Mato Grosso.
Foi ordenado sacerdote em 1992 pelo papa João Paulo 2º. Lecionou em lugares como as Faculdades de Filosofia e de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco e o Instituto Regional de Teologia. Escreveu alguns livros e apresenta um programa na Rede Canção Nova de Televisão.
Virou mesmo uma subcelebridade na internet. Vídeos com sermões detonando qualquer coisa de esquerda têm uma ótima audiência. Um deles, 500 mil visualizações. Outro, mais de 100 mil. São dezenas. São filmados em sua igreja. (Quem paga esses vídeos? Quem paga o site?)
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior ministra cursos e palestras em todo o Brasil, pelos quais embolsa uma grana. Alguns tratam de questões religiosas. “Demonologia”, “Tríduo Pascal”, “Introdução ao Direito Canônico” e por aí afora.
Está transfixado pela “ideologia de gênero”, um câncer para o planeta, mas gosta mesmo é de falar de “marxismo cultural”. Padre Paulo Ricardo tem uma obsessão olaviana com isso. “Somos um país com cada vez mais ignorantes, graças à esquerda e ao marxismo cultural. Gramsci, se vivo, estaria completamente realizado”, diz.
“As nossas universidades todas estão infiltradas de gramscismo. Para ensinar português, o que você faz? Não ensina mais gramática. Você vai e dá um texto para o aluno de um tema social. Os nossos alunos chegam à universidade analfabetos porque, ao invés de aprender português, aprendem marxismo”.
Suas ovelhas ouvem uma cantilena distópica conservadora de cortar os pulsos. Após a reeleição de Dilma, ele produziu um desabafo dividido em alguns pontos:
1) O PT não é um partido comum! Ele não pode ser subestimado.
2) Precisamos conhecer o nosso adversário para não cairmos em suas manobras e alertarmos os nossos!
3) ATENÇÃO: O PT quer que católicos, cristãos e pessoas de bem espalhem o discurso do ódio.
4) O PT quer justificativas para rotularem católicos, cristãos, famílias conservadoras de nazistas, preconceituosas, racistas etc.! Não caia nessa.
5) O PT deseja implantar gradualmente o mesmo sistema de Cuba com particularidades para o Brasil. O PT trabalha para o fim da democracia.
6) No 13º Congresso do PCdoB Dilma declara irmandade com este partido que radicalmente já rompeu com a União Soviética e China por os considerarem comunistas “light”!
7) ATENÇÃO: Esse regime socialista se dará como uma farsa de democracia! Será uma democracia falsa em que não haverá liberdade intelectual, religiosa, econômica etc.! Tudo será mascarado!
O papa é absolutamente ausente da vida do padre. A agenda de Francisco pelos pobres e seu combate à desigualdade são solenemente ignorados. A luta do padre Paulo Ricardo é para ficar famoso na web destruindo o demônio vermelho e denunciando o que chama de “imbecilização” do Brasil.
No mundo em que ele vive, aproximadamente no século 8, já teria excomungado e queimado na fogueira Bergoglio, aquele velhote comunista argentino safado. Paulo Ricardo é um lembrete importante de que os nossos evangélicos de estimação não detêm o monopólio do arquiconservadorismo do Senhor.

O patético adeus dos coxinhas acampados

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Tem mais guri numa única das 80 ocupações de escolas que vão ser fechadas em São Paulo do que coxinhas acampados no Congresso, finalmente agora retirados pela Polícia.
Até aqui, parece, sem incidentes, embora com as ameaças de “carnificina” que fizeram na imprensa.
Os garotos de São Paulo não deram tiros, não brandiram porretes não agrediram ninguém.
Já os de Brasília, todos leram o que fizeram.
E as imagens deixam claro que tem mais barraca do que gente, ali.
A democracia brasileira terá de aprender a conviver com estes grupos, cuja natureza paramilitar vai se tornando cada vez mais evidente, como no apelo que fazem à intervenção militar.
Vão deixando, vão deixando e isso passa a funcionar como ímã de loucos, atraindo desequilibrados que dão tiros e porretadas em pessoas porque são de esquerda, ou porque são negros ou judeus.
Estimularam e deram ares de “lideranças nacionais” a uma meia-dúzia de imbecis.
E não é por serem assumidamente de direita, porque com os mesmos objetivos, há dois anos, deram corda aos pseudo-esquerdistas dos blacblocs.
Deu no que deu e temos um morto daquela insensatez, com que muitos foram condescendentes.
Depois, não esperem ser perdoados pelo que eles fizerem.
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HOMEM QUE PROMETE “CARNIFICINA” DIANTE DO CONGRESSO É COLECIONADOR DE ARMAS E ATIRADOR
O tiozinho que aparece em O Globo e no Estadão prometendo “uma carnificina” caso os acampados diante do Congresso sejam forçados a sair do gramado diante do Congresso pode ser uma maluco, mas não é um louco inofensivo.
Felipe Porto, em seu currículo, diz-se “colecionador de armas (CRT 50.140 – 11ª Região Militar), Atirador Esportivo”. Aliás, é com uma camiseta da Federação de Tiro do Distrito Federal que se exibe em O Globo.
Tem, portanto, armas e experiência com elas.
Quando este cidadão diz que recorrerá a “reforço armado” e promete “uma carnificina”, mesmo que seja um louco, não se pode deixar de ver o quanto é perigoso.
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Clique na imagem para ampliá-la.
O Ministério da Defesa pode e deve, conforme o autoriza a Portaria 24 do Departamento de Material Bélico, de outubro de 2000. Se não estiverem no local declarado como de guarda, terá de exibir as guias de transportes a que está obrigado.
No Facebook, saúda a chegada ao acampamento de Pláucio Pucci, que este blog mostrou, há tempos, convocando lutadores e marombeiros para “grudar no chão” quem atrapalhasse uma passeata coxinha. Cidadão que se exibia, aliás, em páginas extraoficiais da Polícia Federal.
A imagem está aí em cima. As autoridades brasileiras, com a sua leniência, estão se expondo a uma tragédia. Não pode haver tolerância com ameaça de armas, ponto final.

A mineração não é um bom negócio

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As empresas mineradoras sabem dos riscos, mas não têm nenhum compromisso com as questões ambientais e as comunidades.
Uma década de boom mineiro deixa um rosário de complicações: passivos ambientais, polarização social, perda da legitimidade dos governos e nenhum problema realmente resolvido.
“Não foi um acidente”, gritam os membros do Movimento de Afetados pela Mineração (MAM). “É um acontecimento de total responsabilidade das empresas”, assegura Mário Zonta, que destaca que as empresas não monitoram as represas onde armazenam os dejetos tóxicos, como as que se romperam no dia 5 de novembro, provocando um rio de lama contaminada que destruiu povoados, provocou a morte e a desaparição de mais de 20 pessoas, além de milhares de afetados.
Se trata de uma tragédia social e ambiental provocada pela empresa mineradora Samarco no estado de Minas Gerais. Dois diques de contenção da mina de ferro a céu aberto se romperam. A lama liberada sepultou o povoado de Bento Rodrigues, onde viviam 600 pessoas, a pouco mais de 20km da cidade histórica de Mariana, e a 120km de Belo Horizonte, capital do Estado.
As 500 pessoas que foram resgatadas pelos bombeiros, que ficaram ilhadas em meio ao lodo tóxico, tiveram que ser submetidas a um processo de descontaminação, já que continham substâncias letais em todo o corpo. A Samarco é uma empresa de propriedade da Vale e da BHP Billiton. “Os acidentes e impactos da mineração são permanentes, e as empresas continuam com a mesma postura prepotente, falando da responsabilidade social e ambiental”, diz um comunicado assinado por dezenas de organizações sociais.
“A Vale está há 70 anos em Minas Gerais”, assegura Zonta, do MAM. “Existe equipamento e experiência suficientes para conter este tipo de acontecimentos, portanto consideramos que são os principais responsáveis pelos mortos e desaparecidos”.
Uma análise da lama presente no rio, quando os tóxicos já haviam avançado por mais de 300 quilômetros, revelou que existe concentrações incríveis de ferro, manganês e alumínio, que superam milhares de vezes a concentração normal. Segundo os toxicólogos, o metal mais problemático encontrado é o manganês, que pode provocar alterações musculares, problemas ósseos e intestinais, além de agravar problemas cardíacos.
No começo, a empresa disse que os dejetos eram somente areia, mas quando foi consultada, e devido a ter que se pronunciar sobre os resultados das análises oficiais, ela decidiu não responder. Preferiu se aferrar num discurso de que “o barro não contém produtos tóxicos para os seres humanos, somente material usado em compostos de areia”. Entretanto, pelos níveis de contaminação existentes no tratamento da água, o fornecimento ficou comprometido em nove cidades, afetando cerca de 800 mil habitantes, enquanto a prefeitura decretou situação de calamidade pública.
Irresponsabilidade empresarial e estatalEm Mariana, o MAM assegura que o problema principal é que as próprias mineradoras são as que organizam estudos para monitorar a situação real das minas. “Elas contratam as empresas que realizaram os estudos ambientados, para apresentar à Secretaria do Meio Ambiente”, diz Zonta.
Em paralelo, destaca que existe capacidade suficiente por parte das empresas para prever rupturas como a que ocorreu em Mariana. “Como a lógica é extrair a todo vapor, a quantidade de dejetos que se formam dia após dia é muito maior que há 20 anos. Elas sabem dos riscos, mas não têm nenhum compromisso com as questões ambientais e as comunidades”.
O resultado, segundo o MAM, é que existe uma falta de controle das políticas relacionadas à mineração e dos ritmos de extração, do armazenamento de dejetos e traslado de minerais – resultado de um sistema onde todos os controles são feitos pelas próprias empresas.
No mesmo dia em que aconteceu a tragédia de Mariana, se realizava em Belo Horizonte o Fórum Brasileiro da Mineração. Os empresários recordaram que o Brasil está entre os seis maiores países mineiros do mundo, e que nos próximos anos esse setor receberá os maiores investimentos da economia da país (cerca de US$53 bilhões até 2018), e por isso defendeu o “aumento da segurança jurídica dos investidores”.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Altamir Roso, disse que a mineradora Samarco foi “vítima da ruptura” das represas. Foi mais longe que os empresários: “afirmo, com toda a tranquilidade, que existe excesso de rigidez no outorgamento de licenças e um excesso de organismos envolvidos”. Sua proposta é que a fiscalização “não necessita ser feita pelo Estado, pode ser delegada a outros”.
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores, enviou ao parlamento estadual um projeto de lei que altera o Sistema Estadual de Meio Ambiente, para “dar mais agilidade aos processos de permissão”. Um discurso evidentemente contraditório, porque o próprio governador condecorou o presidente dos empresários, dizendo que “o meio ambiente não pode ser refém da economia e a economia tampouco pode ser refém do meio ambiente”.
Por sua parte, a articulação internacional do MAM difundiu um comunicado em que afirma que o sucedido em Mariana é “um crime”, negando que se trate de um acidente. Os ambientalistas denunciaram que a maioria dos 31 deputados que integram a comissão da Câmara dos Deputados que discute o novo Código de Mineração, tiveram suas campanhas eleitorais de 2014 financiadas por empresas do setor.
Gustavo Gazzinelli, do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas, acredita que o desastre de Mariana “vai ressuscitar um espírito de protesto social similar ao ocorrido em 2013”, quando milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o aumento do transporte público, as chamadas Jornadas de Junho. O escândalo é maiúsculo, porque uma represa que era considerada bastante segura se rompeu, uma represa que era propriedade de uma empresa que ganhou vários prêmios de sustentabilidade, que se apresenta como defensora do meio ambiente.
Um rosário de acidentesOs acidentes são normais na mineração. No dia 12 de setembro se produziu uma tragédia parecida na Argentina, um derramamento de um milhão e meio de litros de água cianurada na mina de ouro Veladero, na província de San Juan. O acidente provocou uma situação delicada para a empresa Barrick Gold, proprietária da mina, já que a justiça começou uma investigação exigindo da empresa uma solução imediata do problema ou “deixar de incorporar cianeto no processo de lixiviação até que se consiga descontaminar a água”.
Uma das consequências do derrame é a renúncia do diretor executivo da Barrick Gold na Argentina. O derrame se produziu por uma falha numa tubulação de transporte do cianeto, mas a quantidade massiva encontrada na água mostra que as empresas não tomam as medidas necessárias quando acontecem situações deste tipo.
Os moradores da cidade de Jáchal decidiram bloquear o acesso à mina Veladero, e muitos decidiram se incorporar às ações de contenção, devido à gravidade da situação. Várias semanas depois do derramamento, a Universidade Tecnológica Nacional e as universidades de Cuyo e de San Juan, difundiram informes que confirmaram a “presença de metais pesados na água” e “a existência de cianeto em diversas mostras”.
A polícia prendeu 23 manifestantes, mas os culpados do desastre não foram incomodados até agora. Se instalou a ideia de que se trata de um acidente e não da irresponsabilidade empresarial, o que contribui para dar a impressão de que os problemas que a mineração gera não têm responsáveis diretos, que a empresa não precisa responder à Justiça.
O crescimento dos assim chamados “acidentes” se deve o crescimento exponencial das explorações mineiras. Um estudo recente realizado no Peru, país de tradição mineira, assegura que “o número de concessões se multiplicou oito vezes entre 1992 e 2014, mas a quantidade de território explorado aumentou onze vezes no mesmo período”. A região de Moquegua tem 71% do seu território ocupado por concessões. Apurímac, La Libertad, Ancash, Lima e Tacna têm entre 55% e 67% cada. As demais regiões mineiras oscilam entre 50% de seus territórios ocupados pelas mineradoras.
A intensidade da extração tem crescido graças às novas tecnologias e, muito em particular, devido as modalidades de trabalho a céu aberto, mutilando montanhas com explosivos e máquinas de grande porte. O Anuário Estatístico da Mineração Mexicana, de 2013, elaborado pelo Serviço Geológico, informa que, nos últimos dez anos, as mineradoras extraíram 774 toneladas de ouro.
Se comparamos essa cifra com as 190 toneladas extraídas durante três séculos de colônia, a conclusão é que “em dez anos, as mineradoras extraíram quatro vezes mais ouro que em três séculos de colônia”. Essa brutal intensificação do ritmo de extração provoca lucros enormes por um lado, mas por outro gera danos tremendos ao meio ambiente e para os povoados próximos aos territórios explorados. Os “acidentes” são, portanto, parte do negócio, e fazem com que a mineração não seja um bom negócio.
Quando se discute a conveniência ou não da atividade mineira, deve-se destacar os problemas ambientais e sociais que gera. São os temas mais debatidos por parte dos movimentos sociais, dos governos, das universidades e das ONGs ambientalistas. No caso do Peru, a renda que o Estado capta pela mineração cresceu consideravelmente: saltou de 800 milhões de soles em 2003 para 11,3 bilhões em 2011, caindo para 6 bilhões em 2014.
Essa renda chegou a representar 23% da arrecadação do governo peruano no período entre 2006 e 2011. Os governos das regiões mineiras financiaram uma parte substancial de suas obras, o que chegou a representar até 53% dos seus investimentos.
Mas essa dependência do Estado dos recursos vindos da atividade mineira gera dois graves problemas. O primeiro começou a ser detectado quando os preços dos minerais passaram a cair, e fica evidente nos números que mostram a drástica redução da capacidade de investimentos. Em 2010, os governos regionais peruanos financiaram um quarto dos seus gastos com os royalties da mineração, mas em 2014 essa torneira registrou 10% menos de recursos. Com relação aos investimentos, em 2010 a mineração financiou metade deles, e em 2014 somente 22%.
A dependência do extrativismo tampouco gera uma cadeia produtiva, e emprega muito pouco pessoal. A tentativa de mudar esse quadro, com a abertura de novos ramos, através do Plano Nacional de Diversificação Produtiva, lançado em 2014, ainda não deu resultados. Porém, conta com pouco apoio do governo nacional, e os atores empresariais e estatais pretendem continuar com o modelo extrativo atual. A renda da extração vicia, talvez pelas facilidades em todos os níveis, por não encontrar resistência nem nos governos nem na própria população.
Mas existe um segundo fator que não se costuma visibilizar. Como os recursos costumam ser distribuídos somente entre as regiões onde se realizam as atividades mineiras – na maioria dos países, exceto naqueles de economia extremamente centralizada, como o Chile – isso gera uma profunda desigualdade na distribuição nacional dos recursos. No caso peruano, por exemplo, em cada região onde se repartem os recursos, também são privilegiadas as províncias e distritos onde se desenvolve a atividade mineira, e assim a desigualdade se reproduz também regionalmente.
Isso produz graves conflitos, como o acontecido há sete anos em Moquegua, no sul do Peru. Durante a década de boom mineiro, a desigual distribuição dos recursos ampliou as brechas sociais e econômicas, deixando em evidência a falta de capacidades e de institucionalidade do Estado, agravados pela corrupção, fatores que impediram criar as bases para uma reforma de modernização estatal.
Esse é o balanço realizado por um organismo que não rechaça a mineração. Se essas são as conclusões do período em que as exportações mineiras mais cresceram, na qual os estados mais se beneficiaram dos impostos, o panorama para o futuro é muito preocupante. Quando passar o boom, os problemas ambientais e sociais se agravarão, os estados e as instituições perderão parte de sua legitimidade e os problemas mais importante não serão resolvidos.

Futebol, oposição e espionagem: Conheça Maurício Macri, novo presidente da Argentina

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Maurício Macri: Carreira na empresa do pai e no Boca Juniors. Foto da Agência EFE.
Macri, até então prefeito de Buenos Aires, foi eleito presidente derrotando Daniel Scioli, candidato de Cristina Kirchner.
Em 2010, a jornalista Gabriela Cerruti escreveu uma biografia de Maurício Macri em que afirmava que ele era o primeiro nome da direita com chances de chegar à Presidência da Argentina. Cinco anos depois, cumpriu-se a profecia da também deputada estadual de Buenos Aires alinhada ao kirchnerismo: Macri foi eleito para a Casa Rosada no domingo, dia 22/11, após derrotar o candidato governista, Daniel Scioli, e toma posse em 10 de dezembro.
Atual chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Macri se formou em engenharia civil na UCA (Universidade Católica Argentina) e iniciou a carreira no mundo corporativo, no ramo de construção. Estudou também em universidades nos Estados Unidos, em Nova Iorque e na Filadélfia. Trabalhou nas empresas do seu pai, Franco Macri, fundador e dono de um conglomerado que leva o nome da família e que atua em diversas áreas, como de automóveis, correio e indústria alimentícia.
Nas empresas do Grupo Macri, ocupou cargos de analista sênior, gerente-geral, vice-presidente e presidente. No entanto, não foi no mundo dos negócios que Maurício Macri alcançou destaque público na Argentina. Em 1995, tornou-se presidente do maior clube de futebol do país, o Boca Juniors. Macri deixou o cargo somente para assumir o governo da cidade de Buenos Aires, em 2007, após uma gestão vitoriosa no Boca – um total de 17 títulos.
Trajetória políticaMacri criou, em 2003, o partido político Compromisso pela Mudança (Compromiso por el Cambio), que dois anos depois deu origem a sua atual sigla, o PRO (Proposta Republicana). No mesmo ano, foi derrotado por Aníbal Ibarra na primeira tentativa de se eleger chefe de governo da capital do país. Ibarra foi destituído do cargo em 2006, após um incêndio na casa de shows República de Cromañón, que deixou 194 mortos.
Entre 2005 e 2007, Macri exerceu um mandato de deputado federal e foi duramente criticado por suas ausências a votações no Congresso. Segundo levantamentos da Câmara, o presidente eleito participou de 32 das 53 reuniões da casa em 2006, e, no total, esteve ausente em 277 das 321 votações.
Já em 2007, o novo presidente da Argentina não participou de nenhuma votação na Câmara. Nesse ano, Macri foi eleito chefe de governo, cargo para o qual obteve a reeleição quatro anos depois.
Boca JuniorsDurante um almoço com a embaixadora dos EUA Vilma Martínez, em 2010, Macri, reconheceu que sua gestão à frente da cidade de Buenos Aires não lhe proporcionou muitos eleitores em nível nacional, tal como fora revelado por documentos secretos divulgados pelo Wikileaks.
“Se tenho apoio político fora de Buenos Aires, 90% dele é por ter dirigido o Boca e 10% por ser chefe do governo de Buenos Aires”, disse.
Na campanha para a conquista da prefeitura de Buenos Aires em 2007, Macri foi inquestionavelmente beneficiado pelo sucesso na gestão à frente do time. No dia 20 de junho daquele ano, apenas cinco dias antes de o então candidato ganhar a eleição de seu concorrente, o kirchnerista Daniel Filmus, o Boca Juniors se sagrava campeão da Libertadores da América pela sexta vez.
JustiçaMacri chega à presidência processado por escutas telefônicas ilegais. Ele é acusado de associação ilícita para espiar Sergio Burstein, familiar de vítima do atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), e seu próprio cunhado, Nestor Daniel Leonardo. Em 2010, a denúncia contra Macri foi aceita e ele passou a responder na Justiça pelo caso. A ele, se imputa haver utilizado a estrutura da Polícia Metropolitana, criada por ele em 2008, para realizar espionagem ilegal em conivência com funcionários de seu governo.
A defesa de Maurício Macri alega que não há provas suficientes de que ele esteja envolvido no esquema de espionagem. Em entrevista a um programa televisivo a dias do segundo turno, Macri foi questionado pelo jornalista e advogado Darío Villarruel sobre sua campanha anticorrupção enquanto está processado pela justiça e evadiu a resposta. O então candidato disse que a causa penal foi “uma invenção do kirchnerismo” e acusou Villaruel de querer constrangê-lo.
Em abril de 2013, a Polícia Metropolitana acompanhou operários contratados pelo governo da cidade de Buenos Aires para demolir uma oficina de reabilitação do hospital psiquiátrico José Tiburcio Borda. Diante da resistência de médicos e pacientes, a força policial os reprimiu com violência e deixou 50 feridos. Macri havia sido acusado de envolvimento no caso, mas uma sentença o livrou de mais um processo em fevereiro deste ano, nove meses antes de sua vitória nas eleições.
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APÓS VITÓRIA DE MACRI, MOVIMENTOS SOCIAIS ARGENTINOS SE REORGANIZAM PARA DEFENDER CONQUISTAS“O momento é de tomar as ruas de volta, porque o neoliberalismo vai querer recuperar o espaço que perdeu nos últimos anos”, diz representante do movimento estudantil.

Após a vitória da oposição que encerrou os 12 anos de governos kirchneristas, os movimentos sociais e correntes políticas que apoiaram a Frente para a Vitória, do candidato derrotado Daniel Scioli, começam a planejar a reorganização e as estratégias futuras para “impedir um retrocesso” nas políticas sociais e de direitos humanos no país.
“Temos que trabalhar muito para ver como reunificamos o movimento popular e nos tornamos uma única força para enfrentar o governo” do presidente recém-eleito Mauricio Macri, resume a Opera Mundi o legislador da Cidade de Buenos Aires Quito Aragón.
A união entre os diversos movimentos que compõem o peronismo de esquerda e o kirchnerismo é outra tônica presente na atual conjuntura do país. “Será necessário que estejamos mais organizados do que nunca. O movimento peronista tem que se unificar para fazer contrapeso às políticas neoliberais [do novo governo]. O momento é de tomar as ruas de volta, porque o neoliberalismo vai querer recuperar o espaço que perdeu nos últimos anos”, diz o Secretário Geral do Centro de Estudantes da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA (Universidade Autônoma de Buenos Aires), Jorge Villanueva.
O momento é também de autocrítica. “A partir de agora se abre um debate sobre quais são as circunstâncias nas quais a direita pôde propiciar essa derrota ao movimento popular”, acredita o Secretário de Relações Políticas do Partido Comunista da Argentina, Alejandro Ferni. “Vamos enfrentar a direita nas ruas e vamos ser vigilantes para que não haja retrocesso”.
Nesse mesmo sentido, Vicky Esquerdo, do Movimento Diversidade do agrupamento La Cámpora, considera que há um temor de que haja “ataques aos direitos conquistados durante a gestão de Nestor e Cristina Kirchner”, quando o país avançou em questões como o casamento igualitário e a lei de identidade de gênero, por exemplo. Ela afirma que seguirá trabalhando “pelos direitos e conquistas que faltam e estaremos mais unidos do que nunca”.
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Macri comemora vitória em segundo turno inédito na história da Argentina. Foto da Agência EFE.
Cenário nacionalEsta é a primeira vez na história democrática da Argentina que a presidência do país não será ocupada por um peronista ou um radical, embora os radicais da UCR integrem a aliança Cambiemos de Macri e tenham sido fundamentais para a inserção nacional do empresário.
Ferni observa que “nos últimos 100 anos os setores conservadores sempre se valeram das Forças Armadas e da colonização de forças populares, com o radicalismo ou peronismo, mas nunca construíram uma força política própria como agora”, que chegam à presidência com uma coligação nova e declaradamente neoliberal. Segundo ele, “essa força tem um revanchismo com relação às conquistas sociais, o que é muito preocupante”.
Há ainda por parte dos militantes pró-Scioli um receio devido ao fato de que, como Macri não terá maioria nem no Congresso, nem no Senado, o presidente governe via decretos. Sobre isso, Aragón, que é legislador na capital, é taxativo e diz não ter “dúvida de que o macrismo sabe governar sem maiorias, ao governar com decretos como faz com a cidade” de Buenos Aires, há oito anos sob seu mandato.
Política internacionalDevido ao protagonismo regional que tem na América Latina e principalmente no cone sul e no Mercosul, a política exterior argentina é acompanhada de perto pelos demais países.
De acordo com Ferni, o cenário para a “política internacional é muito desfavorável”. Com relação à sinalização de Macri de que vai se aproximar da Aliança do Pacífico, Ferni avalia que “a Argentina não pode ir para a Aliança do Pacífico porque não tem saída para esse mar. O que pode haver é uma articulação regional com Chile e Peru e começar a ameaçar o desenvolvimento do Mercosul”.
“Esse resultado é desfavorável para os movimentos sociais e pode ter impacto tanto no Brasil, que é nosso principal sócio comercial, como também em outros países da região, fundamentalmente em Bolívia e Venezuela”, acredita o Secretário do Partido Comunista.
Aragon considera que deve “desculpas” à América Latina pela vitória de Macri: “não conseguimos ser o freio ao processo de avanço do império na região, então pedimos desculpa a todos os companheiros latino-americanos, porque lamentavelmente não fomos capazes”.
Otimista, Ferni conclui: “se esse processo deixa alguma lição para a América Latina é que temos que seguir avançando com a integração latino-americana e com a articulação política dos movimentos populares, com programas de transformação mais profundos, mais estruturais e temos que trabalhar melhor a batalha de ideias”.

Vazamento seletivo: Relator da Lava-Jato estoura a caixa preta de Sérgio Moro

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“Há vazamentos na Lava-Jato para beneficiar poderosos.”
Relator da Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Teori Zavascki afirmou na quarta-feira, dia 25/11, que há “um perigoso canal de vazamento” de informações sigilosas das investigações do esquema de corrupção da Petrobras para beneficiar pessoas poderosas.
O alerta do ministro ocorreu durante o julgamento da segunda turma do STF que confirmou a prisão do líder do governo Delcídio do Amaral (PT/MS), do banqueiro André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves], acusados de obstruir as investigações da operação Lava-Jato e integrarem organização criminosa.
“Vem à tona a grave revelação de que André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves] tem consigo cópia de minuta do anexo do acordo de colaboração premiada assinado por Nestor Cerveró, confirmando e comprovando a existência de canal de vazamento na operação Lava-Jato que municia pessoas em posição de poder com informações de complexo investigatório”, disse o ministro.
Segundo Teori, “é um genuíno mistério como um documento sigiloso que se encontrava em ambiente prisional em Curitiba chegou ao escritório de André Esteves [padrinho de casamento de Aécio Neves] em São Paulo”.
No pedido de prisão dos dois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a comparar as tratativas de Delcídio e de Esteves para comprar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para não serem citados como ato de mafioso.
“Há, aí, componente diabólico de embaraço à investigação: ultimado o acordo financeiro, Nestor Cerveró passaria a enfrentar dificuldades praticamente intransponíveis para conciliar-se com a verdade. Seu silêncio compraria o sustento de sua família, em evocação eloquente de práticas tipicamente mafiosas”, afirmou.
InvestigaçõesDelcídio teve a prisão decretada pelo relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zvascki, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.
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Filho de Cerveró gravou conversa com senador.
Segundo Zavascki, ele ofereceu de uma “mesada” de pelo menos R$50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele.
Uma sessão da Segunda Turma do STF, em reunião extraordinária, manteve a prisão do petista.
O senador Ronaldo Caiado (DEM/GO) afirmou, pelo Twitter, que a bancada do Democratas irá votar pela manutenção da prisão do petista. “Não cabe a esta Casa contestar decisão num momento tão grave e que abala o Senado Federal. É importante também que o PT se pronuncie”, afirmou.
Os principais partidos de oposição ao governo federal ainda pretendem utilizar a prisão do líder do governo como argumento para a necessidade de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) da presidência da Câmara dos Deputados.

Preso na Lava-Jato: André Esteves, padrinho de casamento de Aécio, pagou lua de mel ao afilhado em Nova Iorque

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Em uma cerimônia superdiscreta, o senador e candidato tucano à Presidência da República casou-se na última sexta-feira [6/10], no Rio de Janeiro, com a modelo gaúcha Letícia Weber. Aécio é senador por Minas, mas casar em BH evidentemente que não é o caso.
A assessoria do senador informou que o casamento foi apenas no civil. Após a celebração, o casal embarcou para Nova Iorque, onde Aécio fez uma palestra para investidores a convite do Banco Pactual.
O jornal O Globo de hoje [11/10] dá mais detalhes do caso:
“De acordo com a assessoria do tucano, o banco BTG Pactual havia convidado Aécio a fazer uma palestra num evento voltado para investidores estrangeiros em Nova Iorque. O convite se deu em agosto e, como é de praxe, incluía passagens aéreas e hospedagem para o palestrante e um acompanhante. O banco reservou uma suíte para o casal, de segunda a quarta-feira, no hotel Waldorf Astoria. No caso de Aécio, segundo a assessoria, ele declinou de cobrar pela palestra.”
Evidente que em agosto o senador mineiro não tinha a menor ideia de que se casaria com Letícia Weber no início de outubro. Por isso a coincidência da ida para a Nova Iorque com passagem, hospedagem e quetais pagas pelo Banco BTG Pactual ter se dado exatamente no período da lua de mel do casal.
Como informado pela assessoria do banco, Aécio declinou do cachê que porventura poderia ser pago pela palestra. Isso faz toda a diferença.

Entenda as prisões de André Esteves e Delcídio do Amaral

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1) As operações não fazem parte da Lava-Jato. Surgiram em função da tentativa de Delcídio do Amaral e André Esteves [padrinho de Aécio Neves], do Pactual, em subornar Nestor Cerveró. O filho de Cerveró denunciou a tentativa ao procurador-geral da República, que encaminhou a denúncia à Polícia Federal, que conseguiu autorização do STF para monitorar o telefone de Delcídio.
2) Curiosamente, nas fases iniciais não se encontraram maiores evidências de participação de Delcídio – apesar de suas notórias ligações com esquemas na Petrobras – e Esteves [padrinho de Aécio Neves].
3) Segundo o Jotainfo, nas gravações, Delcídio garante a Cerveró poder influenciar o ministro Gilmar Mendes, do STF, por meio dos peemedebistas Renan Calheiros e Michel Temer. Em qualquer tema mais político, surge a figura indefectível de Gilmar.
4) Por seu lado, Esteves [padrinho de Aécio Neves] garantiu uma mesada de R$50 mil à família de Cerveró e apoio em sua fuga pelo Paraguai.
5) Esteves [padrinho de Aécio Neves] tem pendências no Carf. Na época, conseguiu calar a mídia. Será curioso acompanhar a cobertura de sua prisão pelos jornalões.