segunda-feira, 30 de março de 2015

Os acertos de Serra com a Chevron para entregar o pré-sal

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Há Judas que não esperam nem a Aleluia: Serra, fiel à Chevron, já quer tirar Petrobras do pré-sal.
“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse [José] Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama [da embaixada norte-americana no Brasil, vazado no escândalo do Wikileaks].
Pois, avisado pelo Brasil 247, de que o senhor José Serra queria “encolher” a Petrobras, com aquela lengalenga de “fios têxteis” fui conferir lá no Senado e está, fresquinho, o Projeto de Lei nº 131, apresentado ontem pelo de novo Senador, que não tem nada de “fios têxteis” ou fertilizantes, como ele alegou ser necessário tirar da Petrobras.
O projeto trata só, “somente só” de entregar o pré-sal, abolindo não apenas a condição de operadora exclusiva de poços no pré-sal pela Petrobras como, até mesmo, a sua participação mínima de 30% em consórcios de exploração ali localizados.
Não é preciso mais que um parágrafo da justificativa apresentada por Serra para que se veja o que ele quer:
“Torna-se imprescindível […] a revogação da participação obrigatória da estatal no modelo de exploração de partilha de produção, bem como da condicionante de participação mínima da estatal de, ao menos, 30% da exploração e produção de petróleo do pré-sal em cada licitação, disposições constantes da Lei n° 12.351, de 22 de dezembro de 2010. Tal revogação atende aos interesses nacionais e, portanto, deve ser adotada pelo governo.”
Atende aos interesses nacionais de quem, José Serra?
Dos norte-americanos?
A conversinha sórdida de que “a Petrobras está sobrecarregada” é sua maneira finória de, em um mês e meio de mandato, cumprir as suas juras de fidelidade aos interesses das petroleiras estrangeiras, que não querem a Petrobras – e o Brasil – com o controle nem econômico nem operacional dos poços gigantes do pré-sal.
Nem os sheikes da Arábia Saudita entregam diretamente suas reservas de petróleo aos norte-americanos, Senador.
O roubo que isso fará ao Brasil é, num dia, tudo o que um Barusco roubou, nos anos e anos em que, desde FHC, se corrompeu na Petrobras. Em uma semana, mesmo com o petróleo baratinho como está, deixa no chinelo toda a caterva dele, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef à frente.
Reconheço-lhe a coerência e a honestidade: cumpriu o que prometeu.
Apresentou-se como Judas ao Império.
Haverá o dia em que, nos bonecos que se malham aos Sábados de Aleluia, será aposto um cartaz com o seu nome.

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