
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira, durante o programa semanal "Café com o Presidente", a liderança do Brasil no Haiti. Segundo ele, o país coordena as forças militares em Porto Príncipe há cinco anos e tem um papel relevante na missão de paz da ONU. As declarações de Lula foram feitas poucos dias após os EUA, que controlam o aeroporto da capital haitiana, serem acusados de priorizar seus próprios interesses, e de a secretária de Estado americana Hillary Clinton defender mais poderes aos americanos durante a reconstrução do país após o devastador terremoto.
Em seu primeiro programa de rádio de 2010, Lula cobrou mais dinheiro dos países para a reconstrução do Haiti. "O mundo todo está sensibilizado. Agora, é preciso transformar essa sensibilidade em ajuda concreta, em dinheiro para que a gente possa reconstruir o Haiti. O Brasil está já há vários anos reivindicando dinheiro dos países doadores. Acho que os países da América Latina vão ajudar e, sobretudo, os países mais ricos têm que colocar mais dinheiro. Ou seja, o momento agora, é de colocar a mão no bolso e ajudar. O Brasil já colocou US$ 15 milhões à disposição do Haiti e nós achamos que têm países que podem dar mais."
Sobre a liderança brasileira no Haiti, Lula destacou os esforços dos militares que perderam suas vidas durante o terremoto de terça-feira. "O Brasil tem um papel muito importante no Haiti porque o Brasil, na verdade, é o país que coordena as forças militares que dão segurança ao Haiti há cinco anos, já. Nós coordenamos a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) e, portanto, o Brasil tem um papel relevante. Os soldados brasileiros tiveram um papel muito importante durante o terremoto e, lamentavelmente, nós tivemos a morte de soldados brasileiros, do representante do Brasil na ONU (Luiz Carlos da Costa) e da dona Zilda Arns (fundadora da Pastoral da Criança)." ( Jobim diz que tropas devem ficar ao menos mais 5 anos no Haiti )
O presidente do Haiti, René Préval, fez um dramático apelo no sábado para que os esforços de ajuda sejam mais bem coordenados e para que não haja discussões entre os países doadores.
- Esta é uma situação extremamente difícil. Devemos nos manter tranquilos para coordená-la, e não nos acusarmos - afirmou Préval a repórteres, depois de se reunir com autoridades de vários países.
O apelo foi feito depois que o ministro da Cooperação da França, Alain Joyandet, afirmou à imprensa ter entregue uma queixa oficial na Embaixada dos EUA. A pedido de Préval, os americanos assumiram a coordenação dos trabalhos no aeroporto local, parcialmente destruído pelo tremor, mas vêm sendo acusados de priorizar o pouso e a decolagem de suas aeronaves. Segundo Joyandet, a dois aviões franceses foram negadas permissões de pouso. Um deles levava um hospital de campanha - uma das mais urgentes necessidades da população.
Da Agência Brasil
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