A Alemanha fez o exorcismo de seu passado há muito tempo. Lembro agora de um caso envolvendo a jornalista Eva Herman. Ela sempre se apresentou como uma mulher séria e defensora dos valores tradicionais da família. Em 2007, foi convidada a participar de um programa de TV de grande audiência no canal ZDF. Bastaram alguns minutos de entrevista para que Eva começasse a elogiar as “virtudes da política familiar de Hitler” e a usar expressões nazistas.
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Alertada de que estava fazendo apologia de uma ideologia criminosa, Eva Herman não se fez de rogada: “Estou ciente disso. Mas, se utilizamos as rodovias construídas pelos nazistas, por que não posso mencionar os valores familiares daquela era? A política familiar daqueles senhores (os nazistas) serviria de exemplo para salvar a sociedade alemã da imoralidade”, argumentou. A audiência do programa, que já era altíssima, triplicou.
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Mas, diferente do que aconteceria hoje no Brasil, a enorme audiência não interferiu minimamente na sensata decisão tomada pela apresentadora Johannes Kerner: ao vivo, diante das câmeras, ela convidou Eva Herman a se retirar do estúdio. Em seguida, pediu desculpas aos telespectadores, lembrou os crimes contra a humanidade cometidos pelo nazismo e informou que a jornalista não seria mais convidada a se pronunciar naquela emissora. Eis uma atitude correta para um canal de TV que se pretenda democrático e sintonizado com os princípios universais dos Direitos Humanos.
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Por aqui, qualquer tentativa de se discutir – apenas discutir – a função social dos meios de comunicação, é taxada pela própria mídia como censura ou atentado à liberdade de expressão. OK. Os parentes dos desaparecidos políticos, assassinados pelo Estado durante a ditadura militar, não têm o direito de saber onde seus entes queridos estão enterrados, de que maneira foram mortos e quem os matou. Jornalistas abjetos, como este Luiz Carlos Prates, comentarista de uma emissora afiliada da Globo, em Santa Catarina, goza de plena liberdade para enaltecer a ditadura e afirmar que foi o general Figueiredo quem ensinou o caminho da verdadeira e legítima democracia.
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PS: Reparem no jornalista abjeto que faz a introdução do programa. Reparem nas aspas com os dedos quando diz a palavra democracia; reparem na pergunta capiciosa, cínica, sugerindo que este é o momento para um novo golpe de Estado. Troquem a palavra luta, usada por ele, e substituam por golpe. Seu coleguinha de bancada arremata com a finesse de um Erasmo Dias. Dois porcos, como se vê:
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