sábado, 21 de novembro de 2009

Para Grande Otelo

No Dia da Consciência Negra, presto a minha homenagem ao grande ator e brasileiro Sebastião Prata, o Grande Otelo, talento genial de nosso teatro e de nosso cinema; poeta, compositor, humorista e boêmio de primeira grandeza.
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Entre 1968 e 1970, a TV Record exibiu um programa reacionário e preconceituoso chamado Quem Tem Medo da Verdade?. Este programa, que detinha grande audiência entre a classe média, tinha como objetivo promover a humilhação e o linchamento público de personalidades com as quais o diretor e apresentador Carlos Manga não simpatizasse. Simulava-se um tribunal no estúdio e algumas figuras deploráveis representando os homens de bem da sociedade, como Clécio Ribeiro e o locutor esportivo Silvio Luiz, eram incumbidos de julgar moralmente o convidado do programa até que o coitado fosse condenado pelo público.
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Ficou célebre o julgamento de Leila Diniz, esculhambada diante das câmeras porque falava palavrões sem pudor e praticava sexo livre. Qual é o seu maior sonho de vida? – perguntou Clécio Ribeiro. - Eu quero ser mãe – respondeu Leila, sempre sorrindo. Aí, o júri foi imperdoável. O mesmo Clécio berrava: - A senhora é praticamente uma prostituta com seu linguajar obsceno, como pode sonhar com algo tão sublime como ser mãe?. Leila chorou diante das câmeras e foi logo censurada por Carlos Manga: - Não adianta que esses truques de atriz aqui não funcionam.
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Se Leila Diniz incomodava por ser uma mulher jovem, bonita e liberal, Grande Otelo era o preto cachaceiro que ficou famoso. Foi massacrado, ao vivo, porque gostava de tomar umas e outras. Era, em suma, um biriteiro. A maneira como foi julgado revela a hipocrisia em estado bruto daqueles que se consideram homens de bem e evidencia a falta de respeito que sempre configurou esse tipo de gente. Não muito diferente do que aconteceria nos dias atuais.
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Reparem na magistral resposta do imenso Adoniran Barbosa, um dos poucos a absolver o ator no bizarro julgamento. Viva Grande Otelo!
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